A Jornada do Herói

segunda-feira, 31 de março de 2014

Por Elyon Somniare


“Ai, pânico… Não sei mais como continuar a minha história!”

Familiar? Se não o é, eu contextualizo: uma grande maioria de escritores começa por ter uma ideia linda, brilhante, fenomenal para uma história. Começa a escrever, empolgado da vida, e tudo são rosas e caramelo. Por vezes mantem-se assim por largos capítulos, outras é uma sensação que só dura durante os primeiros. E depois? Depois chega a escuridão de Hades e a história ali fica, congelada, enquanto o autor desespera porque não tem “inspiração” sobre como continuar a maldita.

Pois bem, tal acontece porque a história foi iniciada sem ter uma estrutura. Na maioria dos casos, pelo menos: como em tudo, generalizações são banidas daqui (Xôôô!). Mas enquanto para alguns ter uma estrutura em mente é tanto lhes faz como tanto lhes fez, para muitos é essencial para saber como conduzir a história até o final. E convenhamos, quer se planeie quer não, todas as histórias acabam por ter uma estrutura.

“Mas o que é uma estrutura?” perguntam vossemecês, e perguntam muito bem. Expondo de uma forma simples, uma estrutura é a ordem pela qual um autor coloca os seus eventos. Os eventos em si serão o enredo. First tip: tenham esta distinção em mente quando estiverem a estruturar o vosso enredo.

“Mas se eu estruturar vai ficar igual a todas as outras histórias e eu não quero, eu quero algo original!”

Esta tem sido uma justificação muito apresentada por quem não deseja estruturar a sua história. Infelizmente é uma justificação que demonstra preconceito para com a pobre da estrutura, coitadita, que fica com os seus sentimentos magoados sem razão de ser. Por quê? Porque a estrutura é um esqueleto. Eu tenho um esqueleto. Vocês têm um esqueleto. Todos à vossa volta têm um esqueleto. Até o Jack Skelleton tem um esqueleto. Significa isso que somos todos iguais? Não. Com a estrutura e a história funciona da mesma forma. E mais: a estrutura está além do plágio! Que quero dizer com isto? Quero dizer que enquanto “OMG que personagem/ evento/ world building/ fala/ descrição magnífica, preciso mesmo de a usar na minha história” é plágio e não se deve fazer, “OMG que estrutura magnífica, preciso mesmo de a usar na minha história” não é plágio e pode-se perfeitamente fazer. Não acreditam? Pois eis algumas histórias que partilham a mesma estrutura: Harry Potter, Senhor dos Anéis, Percy Jackson e Star Wars. Não são as mesmas histórias. Não são plágio umas das outras.

Tudo isto esclarecido, avancemos para a próxima questão pertinente, mais uma vez colocada por vocês, jovens, que eu confio na vossa perspicácia: “Como é que eu estruturo a minha história?” E uma excelente questão que esta é. Não existe uma só estrutura to rule them all ou método de estruturação, contudo, ao longo dos anos vários críticos e estudiosos foram investigando e acumulando alguns “esquemas” de estruturação à história da Literatura. Isto, naturalmente, é um trabalho que ainda está a ser feito e, como qualquer coisa académica, não há consenso (oh, alegria!). O que acaba por ser bom: permite ao autor que aplique a estrutura que melhor lhe apraz.

A estrutura da qual iremos falar hoje, contudo, é uma das mais amadas pelo público, quer o público saiba quer não. É a estrutura de Harry Potter, Senhor dos Anéis, Percy Jackson e Star Wars, entre outros. É “A Jornada do Herói”, uma teoria desenvolvida por Joseph Campbell e publicada em 1949 sob o título “O Herói das Mil e Uma Faces”. No seu ensaio, Campbell utiliza como exemplos contos mitológicos de uma grande variedade de culturas, demonstrando a ancestralidade da estrutura e quão instintiva esta é ao ser humano. Eu, no entanto, vou procurar utilizar exemplos mais recentes, e aproveitar para sumariar e muito a teoria aqui do Campbell, porque ao senhor deu-lhe para escrever umas 400-páginas-mata-focas-bebés e isso seria extrapolar em muito o limite de bom senso de um blog.

Vamos ao trabalho? Vamos ao trabalho!

A Jornada do Herói divide-se em três partes, cada uma com as suas próprias divisões: Partida, Iniciação e Regresso. As subdivisões que aqui se encontram não estão necessariamente em todas as histórias que utilizam esta estrutura, nem sempre com a ordem aqui estipulada, mas pelo menos uma delas somos sempre capazes de distinguir. Olhemos mais a fundo.

Na Partida podemos encontrar cinco subdivisões principais:

1) O Chamamento da Aventura
O destino tira o herói do mundo que ele conhece, da sua bolha de conforto, e leva-o para o desconhecido. Este “destino” pode ser um ataque do inimigo que lhe destrói a casa e assassina os tios, como acontece com Luke Skywalker em “Star Wars”, ou pode ser um feiticeiro de longas barbas que nos enfia um bando de anões pela casa adentro, como acontece com Bilbo Baggins em “O Hobbit”. Ou seja, pessoa, acontecimento ou acidente, tudo se encaixa.

2) A Recusa do Chamamento
Como já devem ter adivinhado pelo nome, o herói recusa partir numa aventura. Esta recusa pode ser permanente ou reversível, sendo esta última a mais comum. Lembram-se de como o Bilbo estava reticente em deixar o Shire?

3) O Ultrapassar do Primeiro Limiar/ Desafio
O herói ainda não começou a aventura propriamente dita, quando já tem de dar a volta aos guardas que verificam o caminho para o desconhecido. Uma boa analogia é a Esfinge, aquela que apenas permite a entrada na cidade aos viajantes que consigam responder acertadamente ao seu enigma. Mais um bom exemplo? Um bom exemplo seria quando Frodo Baggins deixa o Shire, tendo de escapar aos Nazgûl. Na sua primeira aparição, eles são os “guardas” que o querem impedir de partir na sua aventura.

4) O Estômago da Baleia
O estômago do quê? Vamos falar sobre Jonas? Quase. Esta fase é uma metáfora para o “desaparecimento” do herói do mundo que ele conhecia. O desconhecido, de certa forma, engole o herói. Harry Potter, por exemplo, “desaparece” do mundo dos Muggles para ser absorvido pelo mundo dos feiticeiros. Bilbo e Frodo “desaparecem” no Shire para serem engolidos pelas aventuras no resto da Terra Média. Percy Jackson “desaparece” do mundo normal para ser engolido pelo Acampamento Meio-Sangue. Já apanharam a ideia, suponho.

5) Ajuda Supernatural
Sendo a mais flexível, podemos encontrá-la entre várias das restantes subdivisões, em simultâneo que qualquer uma delas, e mais do que uma vez – ou nunca a encontrar. Explicando com simplicidade, o herói é auxiliado por outrem, usualmente um guia, e usualmente com algum tipo de poder. Há já nomes a pipocarem nessas cabeças jovens? Exactamente. Dumbledore em “Harry Potter”, Gandalf em “Senhor dos Anéis”, Brom em “Eragon”, etc, etc.

Na Iniciação, aquele momento comummente visto como o “meio” da aventura pelo leitor ou espectador, temos seis subdivisões a merecer uma palavrinha:

1) A Estrada dos Desafios
É uma altura em que o herói deve pôr de lado o seu orgulho, beleza, virtude e/ou vida, e curvar-se ou submeter-se ao absolutamente intolerável. Assim que o fizer, descobre que ele e o inimigo não são de espécies diferentes, mas uma só carne. Psique e as suas quatro tarefas para recuperar o perdão e confiança de Eros é um exemplo desta subdivisão. Em “Harry Potter e a Pedra Filosofal” temos também esta “Estrada” em evidência quando, no final, Harry percorre as salas e desafios necessários para chegar à Pedra Filosofal, e encontra Voldemort estampado na nuca do Professor Quirrel.

2) O Encontro com a Deusa
Rebuçados para quem pensou em mais uma metáfora! Elas são recorrentes pelas teorias literárias. Isto espelha o papel que a mulher tem na mitologia: ela representa a totalidade do que pode ser sabido, sendo que o herói é aquele que aparece para saber. Este encontro pode ser positivo ou negativo, conforme as implicações que terá para o herói, e pode ser levado a cabo por mais do que uma personagem, não tendo de ser obrigatoriamente uma mulher toda-poderosa. Um bom exemplo desta subdivisão é a personagem Angela em “Eragon”, ou Galadriel em “Senhor dos Anéis”.

3) A Mulher como a Tentação
Ah, uma tentação que coloca as peças em movimento! Mais uma vez representada por uma mulher, embora não seja obrigatório, e um pouco autoexplicativo. Fugindo da ficção especulativa, que tem fornecido todos os exemplos até ao momento, as melhores “materializações” desta subdivisão podem ser encontradas em Lady Macbeth, da peça shakesperiana “MacBeth”, e a própria Eva, do Génesis.

4) Reconciliação com o Pai
Primeiro é preciso compreender que este “pai” não é literal, mas sim uma representação dos medos do herói, ou uma figura que representa aquilo em que o herói se quer tornar. Deste modo, caso estejamos perante o primeiro caso, o herói consegue abandonar o duplo monstro auto-gerado, vencer os seus monstros psicológicos, por assim dizer, enquanto no segundo caso o herói, de certa forma, consegue ultrapassar ou igualar-se ao seu mentor.

5) Apoteose
Ou divinização. O herói apercebe-se das suas capacidades, e consegue alcançar o seu potencial máximo.

6) A Derradeira Graça
O herói consegue aquilo que desejava, para seu bem ou para seu mal. Harry tem uma bela de um pedra filosofal no seu bolso no fim d’A Pedra Filosofal, Percy Jackson limpou o seu nome e recuperou os raios n’O Ladrão de Raios, Frodo destrói o Anel, Luke Skywalker vence o Império, o Rei Minas consegue o toque de ouro…

Tudo se encaminha para o final. “Mas eu preciso de ter tudo isso na minha história? É que é tanta coisa, e eu realmente não preciso da subdivisão X para isto ou para aquilo.” A resposta é: não. Cada autor utiliza as subdivisões de que necessita. Em literatura, até com o esqueleto se pode brincar.

“Ah, óptimo, então vou agora começar a escre…”

Calma, calma, que ainda falta o Regresso! Não podemos deixar o herói abandonado por aí, depois de ele ter passado por todos aqueles problemas para nos entreter, não é? Não seria educado, então, apenas natural que o herói leva o seu prémio (conhecimento, valores, pessoas, liberdade, etc) de volta ao mundo comum. Também aqui temos seis subdivisões principais, sendo mais evidente a sua não-obrigatoriedade, pois enquanto umas podem ser usadas em simultâneo, outras dariam uma salgalhada de todo o tamanho, caso se tentasse misturar – se é que não se contrariam de todo.

1) Recusa em Regressar
Meio óbvio o que o herói faz aqui. Esta recusa pode ser temporal ou definitiva. Ou pode ser algo como “João Sem Medo”, em que o herói se duplica, e enquanto um João vai viver a sua vida comum, o outro João continua as aventuras, sendo que trocam de lugar de X em X anos.

2) O Voo Mágico
Apesar de eu ter imediatamente uma imagem do Alladin no Tapete Voador cada vez que leio isto, o que verdadeiramente isto quer dizer é: o regresso é feito com o auxílio de favores sobrenaturais. Até pode ser um tapete voador, mas o exemplo mais conhecido – de tanta piada que já gerou – são as Águias que levam Frodo e Sam do Vesúvio, perdão, de Mordor para Rivendell, em “O Senhor dos Anéis”.
Não, não tem de ser necessariamente feito através de uma entidade voadora.

3) O Resgate
O herói é resgatado, ou obrigado a regressar. Por exemplo, em “Harry Potter e os Talismãs da Morte”, quando Harry “morre” por uns segundos/minutos, conversa com o Dumbledore na Plataforma 9 ¾, e depois regressa ao mundo dos vivos.

4) O Ultrapassar do Limiar/Desafio do Regresso
O herói não é a mesma pessoa que era aquando a partida. A sua aventura alterou a sua maneira de ser, de pensar e de encarar o mundo. Agora, o herói tem de sobreviver ao impacto do mundo. Mais uma vez, a saga “Harry Potter” apresenta excelentes exemplos no final de cada um dos livros.

5) Mestre dos Dois Mundos
O herói adquire a capacidade de viajar entre ambos os mundos. Percy Jackson, por exemplo, pertence tanto ao “nosso” mundo comum, como pertence ao mundo mitológico representado no Acampamento Meio-Sangue.

6) Liberdade para Viver
No final da saga de “Harry Potter”, o mundo mágico respira de alívio pela liberdade que adquiriu após o desaparecimento definitivo de Voldemort. Em “Jogos Vorazes”, mais nenhuma criança terá de matar outra para sobreviver a um jogo. Em “A Bela Adormecida” todas as pessoas que se encontram adormecidas no castelo acordam junto com o quebrar do encantamento. Em todos estes exemplos, é permitido a uma generalidade que prossiga com as suas vidas comuns.

E isto, meus jovens, é “A Jornada do Herói” de Campbell, resumida. Como já antes disse, e como ficou evidente pelos exemplos, trata-se de uma das estruturas que mais aceitação tem, e que mais empolgamento desperta. Possa esta estrutura ajudar-vos nos vossos escritos, e impedir que fiquem sem saber como continuar o vosso épico.

Bibliografia:

COX, Ailsa (2005). Writing Short Stories – A Routledge Writer’s Guide. New York: Routledge
CAMPBELL, Joseph (1968). The Hero With a Thousand Faces. New Jersey: Bollingen Foundation

8

O Professor da Terra dos Duendes

quinta-feira, 27 de março de 2014

Por: Hairo-Rodrigo

“ ‘Fuck’ era a melhor palavra. A palavra mais perigosa. Você não podia sequer sussurrá-la. ‘Fuck’ era sempre muito alto, explodia no ar sobre você e caía devagar sobre a sua cabeça, tarde demais para ser impedida. E então vinha o silêncio total, nada além do ‘Fuck’ flutuando para baixo...”

Esse é Roddy Doyle, um escritor irlandês conhecido por seu bom-humor, sua careca lisa, seu par de óculos redondos, além de, é claro, seus diversos livros de sucesso, entre eles “Paddy Clarke Ha Ha Ha” e “The Commitments”, adaptado para o cinema em 1991 e atualmente sendo adaptado para os palcos dos teatros, como um grande musical.

 “Eu não sou tão reconhecido assim. Sou apenas um cara careca que usa óculos, e tem um monte desses em Dublin. Seria diferente se eu usasse um moicano...”

Ah, não vem com essa, Roddy! Sem falsa modéstia, que você não é disso. Se bem que um moicano não chamaria lá tanta atenção, principalmente em Dublin, um lugar tão divertido e cheio de vida...

“Isso é tudo uma grande farsa. Nós vendemos o mito de Dublin como um lugar sexy muitíssimo bem; porque é um porcaria de um lixão, na maioria do tempo.”

Espera aí, como assim?! Os seus personagens são tão vivos, tão divertidos e tão charmosos! E a maioria vive aí! Como é que você consegue fazer isso se o lugar é uma “porcaria de um lixão”?

“Eu vejo as pessoas em termos de diálogo e acredito que elas são o que elas falam. A melhor maneira de se revelar o caráter de uma pessoa é fazer com que ela abra a boca.”

É um modo interessante de ver o mundo, com certeza. Mas posso voltar para a sua apresentação? Então... Como eu estava dizendo, esse cara abandonou a antiga carreira para escrever, já publicou diversos livros para públicos de todas as idades e é internacionalmente reconhecido por seu trabalho, tendo vencido diversos prêmios literários e fazendo parte da Sociedade Real da Literatura, uma organização britânica fundada em 1820, pelo Rei George IV.

“Eu não trabalho por comissões. Eu apenas faço o que quero fazer. Meus romances vêm de dentro. São coisas que eu sinto que quero fazer.”

Eu sei, Roddy. Não era isso que eu estava querendo dizer... Só queria que o pessoal entendesse que você é um tipo de autoridade no assunto, antes de falar sobre as regras de ouro que você segue para escrever seus livros. É bem melhor do que simplesmente dizer que você era um professor de colégio, que passava grande parte do dia falando com crianças, entendeu?

“Algumas vezes os adultos parecem ter cortado a ligação com o seu lado infantil.” 
“É ótimo conhecer as crianças, porque você nunca sabe o que elas vão dizer”
“Algumas das pessoas que mais parecem normais são, provavelmente, as pessoas mais piradas tentando parecer normais.”

É o que eu percebi hoje... Diz logo as suas regras então, antes que todo mundo aqui acredite que você é maluco.

1. Não coloque uma foto do seu autor favorito na sua mesa, especialmente se o autor é um daqueles famosos que se suicidou;
2. Você pode ser generoso com você mesmo. Encha as páginas o mais rápido possível; use o dobro de espaços ou então escreva pulando linhas. Considere cada nova página como um pequeno sucesso...
3. ...Até você chegar à página 50. Então se acalme e comece a se preocupar com a qualidade. É normal se sentir ansioso. São ossos do ofício;
4. Dê um nome ao seu trabalho o mais rápido possível. Seja dono dele, o visualize. (Charles) Dickens sabia que “Bleak House” (Casa abandonada) iria se chamar “Bleak House” antes de começar a escrever. O resto deve ter sido fácil;
5. Você vai ter que restringir a sua navegação à alguns sites por dia. Não chegue perto das casas de apostas online – a não ser que seja pesquisa;
6. Tenha sempre um thesaurus, mas na estante, nos fundos do jardim, ou então atrás da geladeira. Algum lugar que exija esforço, locomoção. Na maioria das vezes a palavra que lhe vier à cabeça vai servir perfeitamente bem, como “cavalo”, “correu” ou “disse”;
7. Você pode, ocasionalmente, cair em tentação. Lave a cozinha, pendure as roupas lavadas... É tudo pesquisa;
8. Mude de ideia. Boas ideias são constantemente assassinadas por ideias melhores. Eu estava trabalhando em um romance sobre uma banda chamada “The Partitions”. E então eu decidi chamá-los de “The Commitments”;
9. Não procure no Amazon pelo livro que você ainda não escreveu; e
10. Gaste alguns minutos do seu dia trabalhando na biografia de capa – “Ele divide seu tempo entre o Kabul e Tierra del Fuego.” Mas depois volte ao trabalho.
Fontes consultadas:

DOYLE, Roddy; “Roddy Doyle’s Rule for Writers; Publicado em 22 de fevereiro de 2010, disponível em: “http://www.theguardian.com/books/2010/feb/22/roddy-doyle-rules-for-writers"
BROWN, Mark; “The Commitments to be turned into West End Musical”, Publicado em 23 de Abril de 2013; Disponível em: http://www.theguardian.com/stage/2013/apr/23/the-commitments-west-end-musical
FIRETOG, Emily; Interview with Roddy Doyle; Publicado em maio de 2012; Disponível em: http://columbiajournal.org/wp-content/uploads/2012/05/doyle.pdf
???; Roddy Doyle Quotes; Disponível em: http://www.brainyquote.com/quotes/authors/r/roddy_doyle.html
???; Roddy Doyle Quotes; Disponível em: http://www.goodreads.com/author/quotes/10108.Roddy_Doyle
5

Clube de Leitura: 10ª Rodada

terça-feira, 25 de março de 2014

Vamos abrir a décima rodada do Clube de Leitura!
A fanfic dessa rodada é a do Rodrigo:
O Primeiro de seus Últimos Dias escrita por Hairo Rodrigo

Sinopse: “O dia 31 de Outubro de 1981 foi especialmente decisivo na história do mundo da magia. Coincidentemente ou não, foi justamente no dias das bruxas do mundo trouxa que o maior bruxo das trevas de todos os tempos saiu para cumprir uma missão importante: garantir a segurança de um império do medo, que era ameaçado por um bebê de pouco mais de um ano. Hoje, sabemos que aquele foi o primeiro de seus últimos dias.

Classificação: Livre
Categorias: Harry Potter 
Gêneros: Dark Fic, Death Fic, Drama, Tragédia

Para participar da próxima rodada do Clube de Leitura, as resenhas deverão ser enviadas para o e-mail ligadosbetas@gmail.com, em arquivo .doc ou no próprio corpo do e-mail, e deve conter os seguintes dados:

• Seu nick
• Link do seu perfil no Nyah
• Sua resenha
• O link da sua one-shot ou short fic (concluídas e postadas no Nyah)

O prazo limite para o envio de resenhas é até: 12/04/2014
(Não serão aceitas resenhas enviadas para qualquer outro lugar que não seja o email)
0

Betacast #3 - 50 Tons de Saliência


Por: Gee e Igor
ATENÇÃO! Esse BetaCast é impróprio para menores de 18 anos ou pessoas ou sensíveis ao tema. 

Olá, seus cheirosos! Atendendo a pedidos (mentira, não tivemos nenhum), o BetaCast agora é mensal! Pelo menos essa é a intenção... Nessa edição, Gee, Igor, Ana Mei, Isabela Giusti e Maria Carolina se juntam para falar de polêmica. Eles listam as coisas que mais odeiam em fanfics eróticas e discutem o livro 50 Tons de Cinza com direito a áudio ripagem. Dê o play e divirta-se com essa bagunça em forma de podcast!

Contêm: 44 minutos de besteiras e piadas sujas, palavrões, zé-gracismo, piadas internas e edição porca. Ouça por sua própria conta e risco!

Para saber mais sobre o assunto, consulte a seção +18 do blog! <3


Se não conseguir acessar o player, clique aqui.
Clique em salvar link como para baixar.
7

Ame seu antagonista

segunda-feira, 24 de março de 2014


Por Lángoló Sisak

        Aquele que luta contra nós fortalece nossos nervos e aprimora nossas qualidades. Nosso antagonista trabalha por nós.” – Edmund Burke.
       
         De lobos a feiticeiros, de bruxas a rainhas, de monstros a médicos. Os antagonistas são um tipo extremamente flexível de personagem, além de fundamentais na grande maioria das estórias e histórias por se oporem aos protagonistas, personagens de maior destaque e que são o nó vital da trama. O antagonista é, em poucas palavras, um obstáculo para o seu protagonista, o que acaba levando as pessoas a acharem que o protagonista é o “mocinho”, e o antagonista, o “bandido”. O que nem sempre é verdade.

       Protagonistas e antagonistas têm uma relação de oposição e são muito mais do que um dilema do “Bem vs Mal”. Podemos ter dois personagens cujos alinhamentos são os mesmos, mas com diferentes aproximações de um objetivo diferentes. Exemplo: Freddy Krueger como protagonista e Jason como seu antagonista. Ou vice-versa. Assim como há exemplos nos quais o antagonista pode ser muito bem um rei ou um príncipe, como no filme “Shrek”. E eles não se restringem a apenas outros personagens; podem ser situações, emoções, sentimentos, objetos, etc.
       
         “Mas, Lán, se os antagonistas só servem para atrapalhar, posso excluí-los do enredo?”

        É… Não, meu caro jovem aprendiz. Mas lembre-se que o antagonista é aquele que indiretamente estimula o seu antônimo a continuar a sua busca pelo objetivo. Isso e muitas outras funções, como manter o leitor interessado no conflito do seu enredo. Imagine uma estória sem obstáculos para o seu personagem, Mario sem Bowser, Star Wars sem Darth Vader, Harry Potter sem Voldemort.

        Há várias maneiras de como classificar os antagonistas, mas a principal delas é o nível de relevância desse personagem para a estória: Antagonistas Principais e Secundários.

         “Então minha história pode ter mais de um antagonista?”

         Sim, filhote. Alguns escritores até vão pela máxima de “quanto mais, melhor”. Pense na sua estória como um jogo. Os antagonistas secundários são como os minichefes das fases. Os antagonistas principais são os chefes daquela última fase impossível.

        Uma das perguntas que as pessoas mais me fazem quando começam a planejar verdadeiros épicos narrativos é “Como fazer um bom antagonista?”. Deixando de lado os de contos de fadas, – que em sua grande maioria, acabam sendo personagens simples e planos – os bons antagonistas são aqueles que trazem à tona quem aquele protagonista realmente é. O antagonista provoca os medos, os sentimentos, os pensamentos, o passado da personagem ao qual ele se opõe, dando a ele a capacidade de reflexão. É o momento do “Isso aqui não está certo.”; porque é muito fácil para o seu protagonista ser perfeito, magnífico, uma verdadeira obra-prima se não há quem aponte para ele e diga “Você não passa de um egocêntrico e um hipócrita.”.

       Nós, humanos, somos assim. Quando nos encontramos num momento de tensão, o furor, a pressão, o estresse emergem lá do fundo do seu ser, não importando o quão paciente você seja, e você explode. Essa é uma das mecânicas do seu antagonista: Mostrar que o seu protagonista é humano. Que ele tem falhas, e, por isso, é real.

       E se tem uma coisa que faz a sua história ser mais profunda emocionalmente, é o fato de os personagens serem humanos e verossímeis. As pessoas se conectam com eles e se inserem no contexto do enredo, tornando a história de fato significativa ao leitor. Se há essa conexão entre leitor e protagonista, haverá a conexão antagonista/leitor. Seu antagonista provoca reflexões no seu leitor, como faria no próprio protagonista.
       
        “Nossa, Lán; que personagem importante o antagonista é!”
    
Sim, sim! Agradeça-o quando tiver a oportunidade.
        E você? Já abraçou seu antagonista hoje?

        "O verdadeiro inimigo pode sempre ser encontrado e conquistado, ou vencido. O verdadeiro antagonismo é baseado no amor, um amor que ainda não se reconheceu." – Henry Miller.


      Bibliografia:
– Antagonist (Acesso em 21/02/2014)
– Matha Alderson. Step 13: How Do I Plot the Antagonists in a Novel, Memoir, Screenplay? (Acesso em 25/02/2014)
– Christopher Cascio. Protagonist vs. Antagonist for Middle School (Acesso em 01/03/2014)
– Jim Hull. Protagonist and Antagonist: Beyond Hero and Villain (Acesso em 04/03/2014)


11

Clube de leitura: 9ª rodada

sexta-feira, 21 de março de 2014


Vamos às resenhas da nona rodada do clube de leitura! A fanfiction sorteada foi "The Big Idiot", escrita por Albert RJ Laurent.


A fic da próxima rodada será:

Obrigada por participarem e nos vemos na próxima rodada!
1

Personagens Marcantes

quinta-feira, 13 de março de 2014

Por Léo Knightwalker

Personagens marcantes... O que dizer sobre eles? Poderia dizer que eles são a graça das histórias? Sim! É claro que há os personagens principais, que roubam quase toda a cena. Mas por que eu disse “personagens principais”? Simples! Contem quantas histórias e filmes, somando livros, gibis e mangás, que o personagem mais marcante do enredo é o personagem principal, e aí você entenderá a minha colocação. 

Sinceramente, creio que o personagem marcante é a razão do leitor continuar lendo a história, pois ele é o mais carismático e o mais respeitado, muitas vezes o mais odiado... Enfim, ele acaba roubando os holofotes do personagem principal. Peguemos o exemplo do filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, e até aqui acho que nem preciso dizer de quem vou falar!

Sim, o Coringa! Quem não o acha o mais carismático dos personagens desse filme? Digo isso porque ele é basicamente o centro do filme, pois tudo gira em torno do que ele faz. Claro que há sua personalidade marcante, doentia, psicopata e sem senso de humanidade e amor ao próximo. Uma pessoa sem escrúpulos e completamente caótica. Um ser humano bem desprezível, não acha? E mesmo assim ele é o mais emblemático dos personagens do Batman. Acho que é seu belo sorriso desfigurado por facas. Ou navalhas. Ou tesouras. Enfim, foram lâminas afiadas. Ele nunca diz o que realmente o deixou assim. 

Nem sempre o personagem marcante da história é o vilão. Um exemplo? A charmosa e extremamente sensual e fielmente cega por seu marido, a bela Jessica Rabbit. Sim, ela mesma! Olhos verdes, cabelos ruivos, lábios carnudos, vestido vermelho provocativo... Ela é o perfeito exemplo de que nem todo personagem marcante tem grande desfecho nas histórias. Cá entre nós, ela não teve grande papel no filme, somente o de deixar os homens babando pela sua aparência e bela voz. E ela entra na categoria dos personagens emblemáticos causadores de problemas dos personagens principais, como a belíssima Mulher-Gato, que esbanja sensualidade e cheira a problema. Mas a gatuna está isenta das maldades, pois às vezes atua como ajudante do Morcego. 

E quando o emblemático da vez é o herói? O protagonista? Wolverine. Esse nome diz tudo: amado pelos fãs, desejado pelas garotas... Um super-herói que consegue ser o destaque mesmo quando ele só faz aparições especiais em alguns quadrinhos, apesar dos filmes o terem como referência principal. Outro personagem é o V, do filme “V de Vingança”. Recentemente tivemos seu rosto estampado nas faces dos nossos jovens revolucionários da mais atual revolução (Revolução dos Vinte Centavos). Ele vai além de um personagem de um filme, é um símbolo da anarquia, de revoluções contra o governo. Fora que o personagem tem aquela voz marcante do filme, junto com sua exímia inteligência. 

Vamos falar dos meus favoritos, ok? Primeiramente, o Darth Vader: todo de negro, sombrio, poderoso vilão da franquia “Star Wars”. Ele era a representação do mal no espaço sideral, o ladro negro da Força no Universo. Chega a ser nostálgico relembrar sua respiração através de aparelhos, fazendo um chiado robótico. Bem sinistra a sua imagem.

E o todo poderoso Mewtow, de Pokémon? A verdadeira definição de Pokémon Lendário! Senso nenhum de simpatia por humanos, que controlava com sua telecinese e telepatia. Desprezo total por criaturas que ele julgava “inferior”. Também um símbolo de poder, força e magnificência, assim como o vilão Magneto, que fazia questão de mostrar sua superioridade sobre humanos, e também não houve homem que sobrepujasse seus poderes, nem mesmo um exército de robôs Sentinelas exterminadores de mutantes. Ele destruiu todos com seus poderes. O que todos eles têm em comum? São símbolos vivos de poder!

Beleza conta? Sim! Lara Croft, Mulher Maravilha, Garota (Marilyn Monroe, O Pecado Mora ao Lado), Mikaela Banes (Transformers), Mulher-Gato... Símbolos sexuais e poder feminino! Todas elas personagens marcantes em suas respectivas histórias, assim como Indiana Jones, Jack Sparrow, Chuck Norris, Vegeta, Charlei e Alan Harper, Chaves, Chapolin Colorado, que são conhecidos por suas atitudes, charme, magnetismo pessoal, dinheiro e fama. Tudo contribui para que tornem os personagens emblemáticos. Todos eles mais que marcantes nas suas devidas franquias.

Aí vem a questão que mais deve importar: quero um personagem desses na minha fic, como o crio? Simples!

Alguns passos para criar seu “Personagem Emblemático”:

1. Creio que esse seja o mais importante dos tópicos: faça-o ser notado por algo grande. Como? Conquistador de Mundos, atraente o suficiente para conquistar a total atenção do personagem principal. Fazê-lo o mais forte, o mais poderoso... Tudo isso ajuda muito na criação dele;
2. Grande desfecho para ele. Seja uma grande entrada triunfal, a sua fama imensurável... Seja um feito nobre, que roube o coração das garotas, ou a inimizade com o principal, ele precisa de um desfecho grande na história, que leva ao primeiro tópico: ser notado;
3. Charme: não importa quem ele seja, se vilão ou herói, ele precisa ser o mais notável do lugar! Seu sorriso brilhante, seu olhar desprezador, sua voz de veludo, seu andar de bad boy, cabelos longos e ruivos junto com um par de olhos sedutores... Personalidade também é importante, seja ele arrogante, agressivo, fechado, misterioso. Ele tem que ter aquele charme que conquista por onde passa, seja andando rebolando como a Rainha Elsa de Arendelle, ou aquela atitude ruim de apaixonar-se pela mulher do irmão, que o vampiro Damon Salvatore tem;
4. Carisma. “Mas você já citou charme acima, não é a mesma coisa?” Eu também sei ler mentes. O Carisma representa a força do caráter, capacidade de persuasão, magnetismo pessoal, liderança, habilidade de influenciar os outros e a beleza física de um personagem. Charme está em carisma, mas carisma engloba mais coisas, pois representa a força da sua personalidade, não apenas como ele é visto pelos demais em um cenário social específico. Ou não! Muitos personagens são como Smeagol, que é feio pra caramba! Ou como Joffrey, que é simplesmente detestável. Funciona tirar o carisma de algumas pessoas;
5. Características psicológicas: Essa não é para o personagem, e sim para você, escritor. Hã?! Explicando: é preciso fazer com que o personagem diga “eu sou o que você quer ser, não o que você quer que eu seja”, e isso faz com que o leitor se identifique com ele. Mas não conheço ninguém que voa, seja ninja ou muito menos a cara do Johnny Depp! Simples, pequeno gafanhoto! Crie um nome que as pessoas vão dizer “eu queria esse nome”, características físicas mais próximas do desejo do leitor, história que ele vai querer participar e viver depois de lê-la... Mexa com a cabeça do leitor, faça com que ele queria ser o personagem, que ele almeje, no mínimo, se tornar algo parecido. Mexa com o psicológico do leitor e tente expressar isso, senão você criará um personagem qualquer, um simples antagonista. Ou um figurante de importância;
6. Personagens com defeitos: “Ah, ela é tão linda! Pena que é arrogante...”, “Nossa, que senso de justiça incorruptível! Mas não entendo como um sujeito desses fuma como uma caipora!” Esses personagens são deuses e ao mesmo tempo humanos. E como mostraremos isso? No contexto! A espiã russa de cabelos curtos ajeita seu equipamento enquanto seu chefe fala: isso mostra a independência da espiã e não um símbolo de beleza, já que cortou seus cabelos ruivos, abolindo-se da vaidade feminina, enquanto também mostra que é arrogante, pois não presta atenção ao que seu chefe diz, demonstrando que ela faz o que quer fazer. Se ela for ruiva por simplesmente ser ruiva, nem cite isso demais, pois empobrece o texto. Mostre a humanidade do personagem com o desenvolvimento da história, para mostrar que ele é o cara, porém também tem medos, assim como Dr. Destino, o maior vilão da DC, não é o mais poderoso mago de todos, pois sua arrogância não deixa que ele aprenda mais magias ou expanda seu poder.

Pois bem, o personagem emblemático é aquele que todos gostariam de ser, aquele com quem nos identificamos e que queremos ser. Admiração geral da sua legião de fãs deve ser a prioridade máxima da criação do personagem. Faça com que eles (fãs) se apaixonem pelo personagem, pois ele é, por si só, apaixonante, seja por beleza, personalidade, habilidades e poder. Quem não gosta do Máscara, pela sua atitude caótica e engraçada, fazendo o impossível do possível? Sinceramente, eles são os maiores personagens.

4

Dúvidas comuns sobre regras simples

segunda-feira, 10 de março de 2014

Por Esparta

Elas são chatinhas, sempre acabam passando despercebidas quando escrevemos, são muitas, tantas, que até esquecemos como/quando utilizá-las. Sim, são algumas regrinhas de ortografia, que mesmo sendo tão frequentes (e simples) em nossos textos, vez ou outra, não sabemos como aplicá-las. Mas a partir de agora, isso irá mudar!
O uso dos porquês
É recorrente encontrarmos um texto ou uma publicação nas redes sociais onde os porquês estão sendo empregados de forma incorreta, causando a má interpretação do que está escrito e muitas outras confusões. Vamos aprender a diferenciá-los.
Porque: usa-se o porquê junto e sem acentuação, quando ele corresponder a uma explicação ou a uma causa. Por exemplo:
Não fui para casa dela, porque seus pais não permitiram.
(Explicação. Lembre-se sempre de colocar uma vírgula antes deste porquê, pois ele está explicando algo.)
Comprei aquela calça porque era a mais barata.
(Causa. Não é necessário colocar a vírgula antes.)
Por que: usa-se o porquê separado nas perguntas ou quando estiverem presentes (mesmo que não explicitamente) as palavras RAZÃO e MOTIVO. Por exemplo:

Por que não foi à feira? (Pergunta)
A mãe sabia o motivo de sua filha não estar mais falando com seu namorado. Ela contou por que estava chorando. (Motivo)
Porquê: usa-se o porquê junto e com acento circunflexo no final, quando ele substitui MOTIVO ou RAZÃO. Por exemplo:

Não sei o porquê de ela não ter ido à aula. (Motivo)
Por quê: usa-se o porquê separado e com acento circunflexo quando ele estiver no fim das frases, tanto como pergunta quanto explicação. Por exemplo:

Ele saiu de casa por quê? (No final da frase e como pergunta.)
Você sabe bem por quê! (No final da frase e como resposta.)
A diferença entre MAL e MAU
Lembram-se do principal vilão da história da chapeuzinho vermelho? E aí, é Lobo Mal ou Lobo Mau?
Mal: é o antônimo (contrário) de bem. Exemplo:
Minha colega foi mal na prova. Mas ela poderia ter ido bem, caso tivesse estudado.
Mau: é o antônimo (contrário) de bom. Exemplo.
Meu irmão foi mau comigo. Mas ele poderia ter sido bom, caso não fosse tão bravo.
Agora que já sabem diferenciar ambas as palavras, o Lobo era mal ou mau?
E a gente (no sentido de nós) é junto ou separado?

Com toda certeza, galerinha, é separado. O site Dúvidas de Português nos explica o porquê de ser separado:
A gente é uma locução pronominal formada pelo artigo definido feminino ‘a’ e pelo substantivo ‘gente’, que se refere a um conjunto de pessoas, à população, humanidade, povo. A expressão ‘a gente’ é semanticamente equivalente ao pronome pessoal reto ‘nós’ e gramaticalmente equivalente ao pronome pessoal reto ‘ela’, devendo assim o verbo ser conjugado na terceira pessoa do singular.”
Exemplo:
A gente vai para o cinema?
Já a palavra AGENTE, não está errada, ela existe sim, mas seu significado não tem nenhuma ligação com o pronome pessoal reto NÓS.
Agente tem sua origem na palavra em latim ‘agens’ e se refere ao sujeito da ação, ou seja, à pessoa que atua, opera, faz. É um adjetivo e um substantivo de dois gêneros porque apresenta sempre a mesma forma, quer no gênero feminino, quer no gênero masculino (o agente/a agente).
Exemplo:
O (a) agente do FBI veio investigar o caso.
É Sob ou Sobre?
Depende da ocasião. A palavra SOBRE, se refere a uma posição elevada/ acima, em relação a algo ou alguém. Exemplo:
O caderno estava sobre a mesa. (Ou seja, em cima da mesa)
Já a palavra SOB é o oposto, se refere a uma posição a baixo, em relação a algo ou alguém. Exemplo:
Nós passamos sob a ponte. (Ou seja, por baixo da ponte)
A baixo, abaixo ou embaixo?
Vai depender da ocasião também! A palavra abaixo indica uma posição inferior, a algo ou alguém, e é sinônimo de embaixo, ou seja, ambas as palavras possuem o mesmo significado. Exemplo:
A bola caiu embaixo/abaixo da mesa.
Já A BAIXO é utilizado para estabelecer relações com as expressões: de cima ou de alto. Exemplo:
Ele me olhou de cima a baixo.

3

Clube de Leitura: 9ª Rodada

quinta-feira, 6 de março de 2014

Vamos abrir a nona rodada do Clube de Leitura!
A fanfic sorteada nessa rodada foi a de número 2:
The Big Idiot escrita por Albert RJ Laurent

Sinopse: “Muitos dizem que eu sou um grande idiota. Eu tenho muitos amigos até, tiro boas notas na escola, mas ser idiota não quer dizer ser burro. E, bem, acho que as pessoas me acham idiota porque eu viajo demais. Não no sentido de ir para os lugares mais diversos do mundo, mas sim no sentido de, sem mais nem menos, começar a pensar em tudo, olhando para o vazio até que alguém me acorde do meu sonho insone.”

Classificação: +13
Categorias: Originais 
Gêneros: Comédia, Drama

Para participar da próxima rodada do Clube de Leitura, as resenhas deverão ser enviadas para o e-mail ligadosbetas@gmail.com, em arquivo .doc ou no próprio corpo do e-mail, e deve conter os seguintes dados:

Seu nick
Link do seu perfil no Nyah
Sua resenha
O link da sua one-shot ou short fic (concluídas e postadas no Nyah)

O prazo limite para o envio de resenhas é até: 13/03/2014
(Não serão aceitas resenhas enviadas para qualquer outro lugar que não seja o email)
0

Conselhos do autor de Clube da Luta


Por Deathless Nokas


Queres enriquecer a tua escrita, aprendendo a usar os verbos a teu favor e aprendendo a envolver mais o leitor nas tuas palavras?

Então não podes perder este artigo de Chuck Palahniuk, o autor de “Clube da Luta” e de inúmeros artigos sobre escrita muito aclamados. Aqui ele ensinar-te-á a deixar de usar verbos como “pensar”, “saber”, “compreender”, “entender” e “considerar”, por acreditar que eles te impedem de passar a mensagem que queres com a intensidade que desejas. Ah, e “acreditar” também é outro desses verbos...

A tradução foi feita por mim e, no final, ficará o link onde poderás encontrar o original e uma tabela que também compus, com alguns dos “verbos de pensamentos” que o autor recomenda que deixes de usar. 


“Daqui a seis segundos, vais odiar-me.
Mas daqui a seis meses serás um melhor escritor.”

De agora em diante ― pelo menos por meio ano ― tu não poderás usar verbos “de pensamentos”. Estes incluem: Pensar, Saber, Compreender, Perceber, Acreditar, Querer, Recordar, Desejar e centenas de outros que tu adoras usar.

Esta lista também deve incluir Amar e Odiar.

E deve incluir Ser e Ter, mas vamos falar desses mais tarde.

Até passarem esses seis meses, não poderás escrever “Kenny pensou se Monica não gostava que ele saísse de noite...

Em vez de isso, terás de desmembrar a ideia: “Nas manhãs seguintes às noites em que Kenny ficava na rua até depois do último autocarro/ônibus passar, até ele ter de cobrar uma boleia/carona ou pagar por uma viagem de táxi para casa onde encontrava Monica a fingir que dormia, a fingir porque, ela nunca dormia assim tão silenciosamente, nessa manhãs, ela punha apenas a sua chávena de café no microondas. Nunca a dele.

Em vez de teres os personagens a saber alguma coisa, tu agora terás de apresentar os detalhes que permitirão ao teu leitor ficar a saber essa coisa. Em vez de teres uma personagem a querer alguma coisa, agora terás de descrever essa coisa para que seja o teu leitor a querê-la.

Ao invés de dizeres “Adam sabia que Gwen gostava dele”, terás de dizer:

No intervalo entre as aulas, Gwen encostava-se sempre ao seu cacifo/armário quando ele o tinha de abrir. Ela reviraria os olhos e ir-se-ia embora ganhando impulso com um pé, deixando uma marca negra no metal pintado com o seu calcanhar, mas deixando também o seu perfume para trás. A fechadura ainda estaria quente pelo toque do seu traseiro. E no intervalo seguinte, Gwen estaria lá novamente.

Resumindo, nada de resumires as coisas. Deixa ficar apenas os detalhes específicos absorvidos pelos sentidos: ações vistas e cheiros, sabores, sons e texturas. 

Normalmente, os escritores usam estes verbos “de pensamento” no início de um parágrafo (desta forma, podemos chamar-lhes “Frases de Teses” e manifestar-me-ei contra elas mais tarde). De certa maneira, a frase de tese expõe a intenção do parágrafo. O que se segue, serve para a ilustrar.

Por exemplo:

Brenda sabia que não conseguiria cumprir com o prazo. O tráfego acumulava-se desde a ponte, até depois das seguintes oito ou nove saídas da estrada. A bateria do seu telemóvel/celular tinha morrido. Em casa, os cães precisariam de um passeio, ou haveria uma sujeira para limpar depois. Para além disso, ela tinha prometido que regaria as plantas do vizinho...

Vês como o começo com uma “frase de tese” roubou a importância ao que se seguiu? Não faças isto.
Senão tiveres mais nenhuma alternativa, corta a frase do início e coloca-a depois de todas as outras. Ou, melhor ainda, move-a e muda-a para “Brenda jamais cumpriria com o prazo.

Pensar é algo abstrato. Saber e acreditar são coisas intangíveis e intocáveis. A tua história será sempre mais forte se tu apenas mostrares as ações físicas e os detalhes das tuas personagens e permitires ao teu leitor que seja ele a pensar e a saber. E a amar e a odiar.

Não digas ao teu leitor “Lisa odiava Tom”.

Em vez disso, constrói o teu caso como um advogado num tribunal, detalhe a detalhe. Apresenta cada pedacinho das provas. Por exemplo:

Durante a chamada na aula, no instante a seguir ao professor dizer o nome de Tom, no momento anterior à sua resposta, nessa altura, Lisa iria sussurrar-gritar ‘Otário’, mesmo antes de Tom dizer ‘Estou aqui’."

Um dos erros mais comuns que os escritores iniciantes fazem é deixar as suas personagens sozinhas. Ao escrever, podes estar sozinho. Ao ler, os teus leitores podem estar sozinhos. Mas as tuas personagens devem passar muito, muito pouco tempo sozinhas. Porque uma personagem solitária começa a pensar, a preocupar-se ou a considerar.

Por exemplo: “Enquanto esperava pelo autocarro/ônibus, Mark começou a preocupar-se com o quanto a viagem iria demorar.

Um bom desmembramento dessa ideia poderia ser: “O horário dizia que o autocarro/ônibus chegaria ao meio-dia, mas o relógio de Mark dizia que já eram onze e cinquenta e sete. Podia ver-se a estrada toda até ao centro comercial, e não se via nenhum autocarro. Sem dúvida que o condutor estaria parado numa rua ali ao lado, a dormir uma sesta. O condutor estaria recostado, adormecido, e Mark chegaria atrasado. Ou pior, o condutor estaria a beber, pararia ali bêbado e cobraria a Mark o bilhete para a sua morte num grandioso acidente...

Uma personagem sozinha deve submergir em fantasias ou memórias, mas mesmo assim não poderás usar verbos “de pensamento” ou nenhum dos seus parentes abstratos.

Oh, e podes começar a esquecer o uso dos verbos esquecer e lembrar.

Não haverá mais passagens como “Wanda lembrou-se de como Nelson costumava escovar-lhe o cabelo.”

Em vez disso: “Na altura do segundo ano de universidade deles, Nelson costumava escovar o cabelo dela com longos e suaves movimentos da sua mão.”

Novamente: desmembra. Não aceites atalhos.

Melhor ainda, junta a tua personagem a outra personagem, depressa. Coloca-os juntos e faz com que se inicie a ação. Deixa que as suas ações e palavras mostrem os seus pensamentos. Tu ― fica fora das suas cabeças!

E enquanto andas a evitar os verbos “de pensamento”, toma cuidado ao usar os verbos sem sal “ser” e “ter”.

Por exemplo:

Os olhos de Ann são azuis.
Ann tem olhos azuis.”

Ao invés, usa:

Ann tossiu e passou uma mão sobre a face, limpando o fumo de cigarro dos olhos, olhos azuis, antes de sorrir...

Em vez das desinteressantes frases com “é” e “tem”, tenta enterrar os detalhes de o que as personagens têm ou são em ações ou gestos. Na sua forma mais básica, isto será mostrar a tua história, em vez de a contares.

E para todo o sempre, depois de também teres aprendido a desmembrar as tuas personagens, tu odiarás o escritor preguiçoso que se deixar ficar por “Jim sentou-se ao lado do telefone, pensando sobre o porquê de Amanda ainda não ter ligado.”

Por favor. Por agora, odeia-me o quanto tu quiseres, mas não uses verbos “de pensamento”. Daqui a seis meses, podes até endoidecer de tanto os usares, mas aposto o meu dinheiro em como não vais querer fazer isso.

Os teus trabalhos de casa serão passares os olhos pelos teus textos e circular todos os verbos “de pensamento”. Depois, encontra alguma forma de os eliminares. Aniquila-os desmembrando-os.

A seguir podes passar os teus olhos por livros publicados e fazer o mesmo. Sê implacável.

Marty imaginou peixes saltando à luz da lua...
Nancy recordou a forma como o vinho sabia...”
Larry sabia que era um homem morto...

Encontra-os. Depois disso, encontra uma forma de os reescreveres. Torna-os mais fortes.”


Achar­­­
Conceber
Desejar
Interpretar
Perceber
Relembrar
Acreditar
Concentrar-se em
Especular
Lembrar
Perguntar-se
Reparar em
Adivinhar
Concluir
Esquecer
Memorizar
Preocupar-se
Saber
Aperceber-se
Concluir
Fantasiar
Notar
Querer
Sonhar
Calcular
Considerar
Imaginar
Opinar
Reconhecer
Supor
Compreender
Deduzir
Inferir
Pensar
Recordar
Teorizar
Amar
Odiar


Não te esqueças que vários destes verbos podem ter mais do que uma função ou sentido, está bem? Tem em consideração que o CONTEXTO é que determina se um verbo é ou não “de pensar”. Não deves abulir estes verbos da tabela do teu vocabulário ou da tua história. O CONTEXTO é que determina essa necessidade. Se uma personagem disser “Eu penso que deverias cortar o cabelo,” isso não terá de ser desmembrado. Se algum verbo que não estiver nesta lista tiver a função de resumir o que se passa na mente da tua personagem, então também deve ser riscado do texto.


Publicação original por Chuck Palahniuck, “Nuts and Bolts: ‘Thought’ Verbs”, consultado a 22 de Janeiro de 2014. Disponível em: http://litreactor.com/essays/chuck-palahniuk/nuts-and-bolts-%E2%80%9Cthought%E2%80%9D-verbs

17


As imagens que servem de ilustração para o posts do blog foram encontradas mediante pesquisa no google.com e não visamos nenhum fim comercial com suas respectivas veiculações. Ainda assim, se estamos usando indevidamente uma imagem sua, envie-nos um e-mail que a retiraremos no mesmo instante. Feito com ♥ Lariz Santana