Guia de Bolso do NaNoWriMo – Parte 1

segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Por: Michele Bran
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Olá, escritores e betas. Como vão? Espero que bem.
Como já puderam ver pelo título, hoje falaremos do conhecido desafio de escrita “NaNoWriMo”, ou “National Novel Writing Month”, o mês em que escritores do mundo inteiro se comprometem em escrever 50 mil palavras e, quem sabe, terminar algum trabalho.
Particularmente, sou uma das divulgadoras do projeto e adoro trazer mais gente para ele. Tanto na versão oficial quanto na versão Camp (falaremos das diferenças entre os dois mais adiante), esse evento fez maravilhas em minha vida literária.
Comecei a participar no Camp de abril de 2016 e de lá para cá, tenho escrito cada vez mais ou me dedicado a revisar e pensar sobre meus textos a cada novo Camp. Esse ano, será meu segundo NaNo e espero terminar mais uma história.
Vamos falar de números? Pois bem. Em abril de 2016, cumpri o desafio com quase 57 mil palavras escritas. Em julho do mesmo ano, fiz 123 mil. Em novembro, no NaNo oficial, fiz mais de 90 mil. Em abril de 2017, me comprometi com duas histórias de uma só vez e alcancei mais de 60 mil palavras. A única diferença é que em julho resolvi me dedicar a começar a revisão dessas danadas para ver se posto alguma coisa e, depois de mil anos de procrastinação, terminei DE VERDADE uma história.
Enquanto deixo o texto descansar para revisar uma última vez antes de mandar para minha beta (sim, betas também precisam de betas #betaception rs), quero aproveitar o post para tirar as principais dúvidas que vejo a respeito do NaNo e, por que não?, tentar te convencer a vir nessa junto comigo.


1) Quando o NaNo começa? Até quando vai?
O desafio acontece durante todo o mês de novembro, então se você quer participar, já corre para decidir com qual projeto, fazer a conta no site, reunir link de pesquisa, etc...

2) Do que preciso?
Vontade de escrever alguma coisa, uma ideia na cabeça e uma conta no site (veremos como fazer isso no próximo post). E, claro, muita paciência e persistência rs.

3) Preciso escrever em inglês?
Não! Você escreve normalmente em seu editor de textos preferido ou no caderno, depois verifica quantas palavras fez naquele dia e só entra no site para atualizar sua contagem.
Ou seja, o site não salva sua história, apenas registra seu progresso.
Para isso, você pode escolher se quer somar tudo o que vai fazendo e colocando o total, ou se vai inserir a quantidade diária e o site que se vire para somar.

4) Como o site se certifica de que as pessoas estão mesmo cumprindo o desafio?
Para isso, há a validação. Lá pelo dia 20 do mês, ela estará disponível para que as pessoas possam garantir ao mundo que escreveram mesmo.
Para isso, vá até o(s) arquivo(s) onde escreveu, copie TUDO e cole no campo certinho para validar. Normalmente o contador dá mais palavras do que o Word, então fique atento.
Repetindo: não se preocupe porque eles não registram nem divulgam nada. É apenas para ter certeza de que todos os participantes estão mesmo escrevendo.

5) Como posso acompanhar meu progresso?
Conforme você vai atualizando sua contagem (validada ou não), vai sendo gerado um gráfico no qual você pode verificar quanto já fez, quanto ainda falta, entre outras estatísticas.
Além disso, você também pode acessar os resultados de seus amigos, se tiver algum adicionado.

Print do site Conversa Cult.

6) E o Camp? Como funciona?
O Camp acontece todos os meses de abril e julho e também dura o mês inteiro. A diferença é que você pode escrever qualquer coisa, não apenas histórias ficcionais, e define sua própria meta. Tem quem vá de 10 mil palavras, assim como tem quem vá de 100 mil. Fica a seu critério.
Além disso, o Camp tem uma funcionalidade bem bacana: as cabanas. É como um grupo do Facebook dentro do site do próprio Camp, que é desfeito 9 ou 10 dias após o fim de cada edição do desafio. Você pode entrar em cabanas de outras pessoas, ir parar numa cabana aleatória, criar a sua e colocar seus amigos lá dentro ou mesmo não ir para nenhuma cabana e escrever sozinho.
A vantagem é que temos apoio moral de quem está escrevendo também, o que deixa jornada bem mais fácil, e podemos até nos juntar com outros amigos e criar uma competição saudável entre diferentes cabanas.

7) Será que eu vou conseguir terminar o desafio?
Bom, só tem uma forma de saber: participando. Eu ganhei todas as edições até agora, mas julho de 2017 foi bem complicado, quase não cheguei lá. Acontece.
Talvez não role (vários de meus amigos não venceram, embora alguns tenham chegado bem perto), talvez você pare no meio (também soube de vários casos assim). Talvez eu também não consiga levar até o final dessa vez, embora esteja bastante empolgada de novo.
Mas a gente só vai fazer depois que já estiver lá dentro.
Você não perde nada com a tentativa. Se não der certo, qualquer mil palavras que você tenha completado já será bem melhor do que quem não fez nenhuma, então não precisa ter medo. Várias histórias bacanas (algumas postadas no Nyah, inclusive) começaram ou terminaram no NaNoWriMo. Pode ser aquela oportunidade de que você precisa para se comprometer com a escrita e manter o foco.
Não precisa terminar a história, se conseguir avançar com ela, já será um progresso e tanto. Especialmente se você, assim como eu, só escreve sob pressão.
Uma dica boa é tentar escrever um pouco todos os dias, não deixar tudo para o final. No meu primeiro Camp, por exemplo, optei pela meta de 30k, que dava mil palavras exatas por dia. Apesar de ter outras obrigações, consegui separar essa uma hora por dia e às vezes conseguia até escrever o dobro do que tinha me prontificado a escrever diariamente. O resultado disso foi que fiquei bem perto mesmo de seguir os conselhos da Dilma e dobrar a meta que estava aberta.
Claro que para quem está em época de provas na faculdade ou na escola, vai ser mais complicado, mas como eu disse, vale a pena a tentativa.
Há até o recurso dos “sprints”, que é ótimo de participar quando você chamou amigos para entrar na piscina gelada participar junto, mas mesmo escrevendo sozinho já vai ajudar bastante. Trata-se de escolher um período de tempo para escrever completamente focado, sem parar para banheiro, água/café, ou comer (exceto se for extremamente necessário), mas principalmente sem olhar a internet ou fazer qualquer coisa que distraia.
Você pode fazer o sprint por dez minutos. Vinte. Trinta. Quarenta. Até mesmo uma hora, se quiser. Se estiver fazendo sprints com amigos, a diversão reside no fato de que “ganha” aquele que escrever mais palavras no período escolhido.


Antes que eu me esqueça, vale a pena falar das “premiações” do NaNoWriMo. Assim como no Camp, ao terminar o desafio e validar a contagem, ganhamos um certificado de que vencemos e imagens de vários formatos pra sairmos esfregando na cara da sociedade fazendo inveja pra quem não participou colocando em todo o lugar que é possível e chamarmos mais gente para participar no ano que vem.
Além disso, vencedores do Camp e do NaNo conseguem descontos para comprar itens na loja do NaNo, como canecas, camisetas e material para ajudar na escrita (em inglês). Infelizmente ainda não há um prêmio em dinheiro pros vencedores (eu bem que queria ganhar por palavra escrita HUE).
Se você vai participar ou não, eu não sei. Mas eu gostaria muito de contar com sua companhia nessa jornada. Imagina só se você consegue finalizar uma história bacana? Depois é só passar lá na página da Liga para convidar um de nós para betar e correr pro abraço.
Semana que vem ensino vocês a fazer a conta e cadastrar o projeto, então não saia daí.
Ou melhor: saia. Vamos preparar logo nossas histórias, por que né? Novembro tá quase aí. HELP!
Até segunda.
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Espectros da Assexualidade

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Por: Luh Black
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/18115/

                Assexualidade.
                Se tem “sex” no meio é porque é bom, certo?
                Certo, mas não é nada do que você ta pensando. Tem mais a ver com bolo do que com… “sex”.
                Assexualidade é o nome dado às pessoas que não sentem atração sexual, independente de gênero, aparência, sorriso e papo bom. Achou confuso? Perai, que eu explico.
                Desde pequenos ouvimos que vamos encontrar uma pessoa que realmente amamos, que seremos amados de volta e desse amor viria um casamento e filhos e tudo o mais. Quando ficamos mais velhos, descobrimos que o ato físico e carnal desse tal amor tem nome, sexo, e que se queremos transar com alguém, é porque nos sentimos atraídos por essa pessoa. Daí vem a puberdade, hormônios, e os olhares e toques começam a ficar um pouco diferentes, mais intensos. Pouco depois, descobrimos que podemos sentir essa atração sexual até por pessoas do mesmo gênero que nós – mais do que isso, que podemos sentir atração sexual por mais de um gênero (pra alguns, isso é uma baita descoberta)!
                No parágrafo acima eu falei de heterossexualidade (atração sexual por outro gênero que não o seu), homossexualidade (atração sexual por pessoas do mesmo gênero que o seu), bissexualidade (atração sexual por dois gêneros) e panssexualidade (atração sexual independente do gênero). Além dessas, porém, ainda existe uma quinta categoria: (rufem os tambores!) a Assexualidade, que é a não-atração sexual independente do gênero da outra pessoa.
                Em outras palavras? Uma pessoa assexual não tem vontade de transar com ninguém (ou até tem, mas é algo mais específico). São pessoas que não se importam com sexo, não tem vontade de participar de uma atividade sexual e/ou tem aversão a sexo. Aquele fogo todo que as pessoas dizem sentir, que lemos em fanfics, vemos em filme? Assexuais não tem isso.
                Claro, existem casos e casos. Entendendo que ninguém é igual a ninguém e que a atração sexual (ou a falta dela) é algo muito relativo de pessoa para pessoa, a assexualidade acaba sendo mais do que não sentir atração sexual – ela se divide em subcategorias, em um espectro que chamamos de área cinza, onde encontramos, por exemplo, demissexuais e grayssexuais.
                Agora você, jovem, está se perguntando se “demissexual” é alguém sexualmente atraído pela Demi Lovato (haha, essa piadinha é velha na comunidade, sorry) – mas não, não é. Confere só:
Assexual: alguém que não sente atração sexual;
Demissexual: alguém que só sente atração sexual se houver vínculo emocional;
Grayssexaul: alguém que sente atração sexual de forma extremamente rara ou específica.
                Demissexuais, para sentir o fogo todo da atração sexual, precisam antes criar intimidade com a pessoa, se aproximar emocionalmente dela (nada que alguns passeios, jantares e cafés não ajudem a resolver). O grayssexuais, por outro lado, não tem uma regra de como sentir ou deixar de sentir a atração sexual – acontece muito raramente, sem explicação, motivo ou aviso.
                Daí você dá uma risadinha debochada e comenta “E daí? Essas pessoas só são frescas, isso é só gosto”. Não, jovem, a questão não é frescura nem gosto. Se fosse, o fato de você preferir cabelo curto a cabelo longo seria uma frescura; o fato de você preferir pessoas mais baixas seria frescura; o fato de você preferir chá ao café seria frescura. Isso tudo é só parte de quem você é, um pedacinho de como a sua atração funciona (ou deixa de funcionar), e nada disso merece ser desconsiderado ou debochado.


“Ta, então assexuados não amam?”

                Duas coisas: 1) Assexuados são seres que se reproduzem sem relação sexual, por mitose. Assexualidade é outra coisa; o jeito correto de chamar quem não sente atração sexual é assexual (porque, bem, nenhum assexual é uma ameba); e 2) sim, eles amam. Atração sexual e atração romântica podem ser independentes uma da outra. Você nunca sentiu atração sexual por alguém que não amava romanticamente? Nunca olhou pra alguém e pensou “eu pegava”, mesmo sem saber o nome da pessoa?
           Algo interessante que a comunidade assexual trouxe foi a diferenciação entre atração romântica e atração sexual. São duas atrações independentes que muita gente acha que são iguais. Você pode estar sexualmente atraído por alguém, mas não romanticamente. E, acredite, você pode estar romanticamente atraído por alguém, mas não sexualmente.
                Então alguém que é assexual também pode ser heterromântico (sente atração romântica por alguém de outro gênero), homorromântico (sente atração romântico por alguém do mesmo gênero), birromântico (sente atração romântica por dois gêneros diferentes), panrromântico (sente atração romântica independente do gênero) ou arromântico – que não sente atração romântica. 


                Se alguém não sente atração sexual, quem diz que obrigatoriamente sente atração romântica? São pessoas demais no mundo para a gente achar que todo mundo vai sentir atração do mesmo jeito.
                Daí você pergunta: mas se a pessoa não sente atração sexual e/ou romântica, o que ela sente?
                O ser humano tem vários tipos de relacionamentos. Além dos sexuais e românticos, também temos os relacionamentos familiares (pai, mãe, irmão, avós etc) e platônicos – que não, não são amores românticos não correspondidos, são as amizades. Aquela pessoa que você ama de verdade, que é amiga do peito e você não conseguiria viver sem. A atração platônica é olhar para alguém e pensar “uau, deve ser incrível ser amigo dessa pessoa” (e claro, qualquer pessoa pode senti-la).
                Agora, tente pensar: como você escreveria um personagem assexual e/ou arromântico? O que eles pensam? O que eles comem? Quais são os seus interesses? (Primeiro de tudo, comemos bolo, muito bolo. Bolo pra caramba. Muito bolo mesmo.)
                Tem muito mais na vida do que só romance e sexo. Além de contas para pagar, livros pra ler e coisas pra estudar, as pessoas ouvem música, vão ao cinema com os amigos, fazem planos, viagens, trocam de emprego e de casa, riem de piadas idiotas. Nossas mentes não giram em torno dos relacionamentos que temos ou queremos ter. Nossa vida social não gira em torno dos nossos interesses românticos/sexuais – ou da falta deles.
                Sabendo disso, como você escreveria sobre um personagem assexual e/ou arromântico? Conta pra gente!
                Eu sou a Luh. Linda, maravilhosa, assexual e arromântica, e esse foi o meu primeiro post pro Blog da Liga. A gente se vê na próxima!
                Ainda tem muita coisa para falar, mas em um post só infelizmente não dá. Quer saber mais sobre assexualidade? Confere aqui:
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Resenha: Magisterium - O Desafio de Ferro

segunda-feira, 2 de outubro de 2017
Por: Juliana Gava
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/596693/


                Olá a todo mundo. Eu sou a Juliana e esse é meu primeiro texto aqui no blog. Faz pouquíssimo tempo que decidi tentar escrever para cá e, na dúvida sobre o que falar, escolhi a solução mais simples: decidi pegar um livro para ler e resenha-lo. Mas de novo bateu a interrogação: ir com uma obra que eu já conheça e que goste, ou arriscar algo novo? Ir pelo meu gosto ou tentar agradar a maioria? Escolher um livro famoso ou um totalmente obscuro?

                Acabou que optei por um meio termo de todas essas perguntas, um livro que queria ler a algum tempo, que deve agradar quase todo mundo e que, se não é tão famoso ainda, vai ficar. Por isso vou resenhar hoje “Magisterium - O Desafio de Ferro”. Espero que ao terminar possa transmitir um gostinho do livro, para você saber se ele é combina com você ou não. E isso evitando spoilers.

                Bom, sobre o que é tal livro? Ah, é a história de um menino órfão de mãe, deslocado na vida, que sofre bullying na colégio, mas que, ao descobrir um poder interior, acaba indo para numa escola de magia, onde acabará fazendo dois grandes amigos e se envolvendo com eles com o descobrimento de um mundo mágico, fascinante por vezes, mas também envolto num aterrador conflito.

                Eu já vi isso em algum lugar...

                É, é realmente impossível ler “O Desafio de Ferro” e não comparar com “Harry Potter” diversas vezes. Semelhanças existem em vários momentos, mas seria injusto acusar essa obra de plágio, visto a quantidade de elementos surpreendentes e originais nessa história. Nosso protagonista, Callum Hunt, é bem menos óbvio do que parece. Acompanhem-me.

                Prólogo. Doze anos atrás. Os magos travam ferrenha com os Dominados pelo Caos, com inúmeras perdas humanas. Uma batalha decisiva está para acontecer, e cada lado manda seu maior campeão para ela. Porém, os magos foram ludibriados, o inimigo não comparece. Percebendo isso, o mago Alastair Hunt se dirige para um esconderijo nas geleiras, onde velhos e crianças foram deixados. Chegando lá, é visível o massacre, o Inimigo deu seu golpe aqui. Alastair procurar e só encontrou corpos sem vida, além de sua esposa, também morta. Felizmente, seu filho Call sobrevive nos braços dela. Na parede ao lado, há um estranho recado deixada pela mãe: MATE A CRIANÇA.

                Fim do prólogo, curtinho, de apenas três páginas. Aqui começa a história. Call foi criado como uma criança normal por seu pai, que, além renunciar totalmente da magia, ainda desencorajou tudo relacionado a ela quando teve que contar a seu filho. Afinal, para ele, os magos só estão interessados em recrutar soldados para seu exército, e qualquer envolvimento com eles é quase certo levar a morte. Um tanto super-protetor, embora seja complicado dizer que ele não tem razão.

                Algo que esqueci de dizer: Call não fica sabendo do episódio da morte de sua mãe (muito menos da mensagem sobre ele). E dessa tragédia ele acabou herdando uma perna avariada, que doi, o deixa mancando e é feia. Isso, juntando ao temperamento arredio do garoto, só faz com que seja alvo de isolamento de alunos e professores nos colégio em que passa. Mesmo assim, o menino anda de skate (alguém lembrou de “Os livros da magia”?).

                Completando doze anos, uma seleção é feita para selecionar (ou não) alunos para o Magisterium, a escola de magia. É óbvio que Alastair não quer que o filho vá para lá, mas o teste é algo obrigatório. Por isso ele combina com o filho para falhar no teste e esse aceita, já que confia no pai. Acontece, que por mais que o menino se esforce para ser reprovado em todas as provas, o resultado obtido é exatamente o contrário (e muito engraçados) de forma que ele acaba aprovado, para desespero do pai. Então Call tem que dar adeus ao pai (e melhor amigo) e se dirigir para as cavernas onde fica Magisterium.

                Não estou dando nenhuma revelação surpreendente, isso é bem o início do livro mesmo. E, a história até aqui está escrita na contracapa.

                Já na seleção (que reprova muita gente) Call começa a conhecer alguns de seus futuros colegas, uns legais, outros nem tanto assim. Os aprovados são divididos em pequenas grupo, guiados por um professor individual. Call é escolhido por Rufus, o mestre mais gabaritado, e junto com estão mais dois alunos Aaron, um menino com jeito de Capitão América, e Tamara, outra que parece toda certinha. Eles PARECEM isso, mas com o passar da trama veremos ser raros os personagens que continuam se mostrando da mesma forma que o início.

                A partir daqui, o livro segue aquela linha básica: exploração de um mundo novo, conflitos, construção de amizades, revelações (muitas, muitas!) e diversas aventuras. A trama vai se emaranhando de um jeito que fica mais densa a cada camada que retiramos. Eu me coço toda para falar, mas isso seria estragar muitas das surpresas. Vou deixar apenas uns questionamentos: como Call conseguiu ser orientado pelo professor mais top de Magisterium? Por que Alastair queria o ele tão longe de magia? E por que razão a mãe de Call pediu para o filho ser morto? Tudo isso está interligado e foge do clássico “Ah, ele está predestinado a salvar o mundo”.

                Saindo um pouco do enredo, posso dizer que a narrativa é bem agradável. Perdi a conta de quantas gargalhadas soltei lendo, Call fala e faz umas coisas sem muita noção da situação. É meio que um imã para confusões. Mesmo assim, não dá para deixar de perceber que ele é só um garotinho, passando por situações muitas vezes acima do tolerado.

                Magisterium está longe de ser um conto de fadas. As disciplinas são rigorosas, estressantes e até perigosas. É interessante como a magia é demonstrada aqui, é mais como uma ciência que requer conhecimento e disciplina. Os elementos da magia são cinco (água, fogo, terra, ar e caos) que, se mal equilibrados, podem resultar em desastre. Como os magos mais jovens apresentam poder em abundância, embora pouco conhecimento, ele são fontes frequentes de descontroles mágicos, coisas como tentar acender uma vela e por fogo no prédio. Algo assim .O “Ferro” do título se refere como é chamado o primeiro ano de ensino. São cinco no total: ouro, cobre, prata e um outro elemento que não lembro (chumbo?) e não nessa ordem. Ouro é o quinto ano.

                E há a guerra. Embora esteja em uma trégua, a última guerra mágica na prática continua, com magos sendo mortos e Dominados pelo Caos podendo estar a espreita em qualquer lugar, dentro de elementais, animais e até pessoas.

                Bom, o que posso falar mais? Eu adorei esse livro, tanto que li suas 384 páginas em três dias. Chegando as últimas, bateu uma saudade por terminar, consolada por saber que a saga completa será uma pentalogia, sendo que outros dois já foram lançados, inclusive no Brasil (e os próximos não devem demorar, sem esperas eternas, a la GoT).

                Acredito que contribuiu muito para a história ser tão amarradinha o fato dele ser escrito a quatro mãos - sim, ele possui dois autores, na verdade autoras. Uma é a Cassandra Clare, famosa pela série Instrumentos Mortais (que agora passei a considerar a ler), outra é Holly Black, que devem ter algum parentesco com Sirius.

                A única coisa que não gostei foram aquelas letras coloridas na capa, acaba sugerindo que o livro é bem mais infantil. E as ilustrações dentro do livro também são bem bobinhas. Não se pode acertar tudo.


                Tirando isso, eu adorei “Magisterium - o Desafio de Ferro”. Uma leitura leve, mas que mesmo assim me surpreendeu de forma crescente. E tem tanta coisa que não comentei aqui, mas tenho que terminar o post... Bem, quem gosta de magias e aventuras não pode deixar de o ler. Aproveite descobrir essa saga agora, antes que algum filme seja lançado, para no futuro poder se dizer um fan de raiz!
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Romantização de abuso e doenças

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Precisamos falar sobre a romantização de abusos e doenças

Por: Clara Aeva
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/388220/

Olá, pessoas!
Tudo bom? Andam lendo muito?
Bom, esse é meu primeiro post no Blog da Liga e para início de conversa, eu nem tinha pensado em fazê-lo, mas recentemente eu abri uma história muito boa e interessante que uma amiga me recomendou e resolvi ler. Logo no primeiro capítulo tinha um estupro que me deixou extremamente de cara e eu decidi que eu precisava falar sobre isso em algum lugar de uma forma séria e objetiva.

A história que li se passava em um universo ABO – Alfa, Beta, Ômega, para quem não conhece -  e durante o cio de um dos principais, o ômega, que já tinha deixado extremamente explícito que não queria absolutamente nada com o alfa, ele ficou "fora de si" por conta dos hormônios e o alfa, que estava perto, se sentiu atraído pelo cheiro que o ômega exalava no cio e disse, simplesmente, que não ia se segurar durante o cio do outro e puf, rolou. No final, o ômega estava chorando as pitangas silenciosamente e o alfa perguntou o motivo dele estar chorando e ele respondeu que era porque estava se sentindo sujo por ter transado com o alfa sendo que ele só o fez por estar fora de si por causa do cio. A questão é que quando eu olhei os comentários, 90% deles eram "Deixa de frescura", "Você topou, agora cala a boca" e até "E daí, olha só quem é ele pra tu ficar reclamando".
Acho que nunca fiquei tão embasbacada na vida, de verdade. Depois de ler esse capítulo e o resto da história (olá, mania de conclusão), eu vi cada vez mais e mais comentários reclamando que o ômega estava era fazendo drama, que não tinha sido um estupro – mesmo depois dele ter gritado aos quatro ventos que não queria nada com o alfa −, que ele estava reclamando de barriga cheia só porque o alfa era o mais desejado de toda a cidade e que tinha escolhido ele e que isso e aquilo e eu simplesmente não consegui tirar essa questão da cabeça: qual a graça e a necessidade de culpar uma vítima de abuso?
Não digo para simplesmente irem em todas as plataformas de histórias existentes para protestar contra histórias que contenham abuso, até porque algumas são extremamente bem escritas e fundamentadas com um plot que faz sentido e sem essa romantização infeliz de algo sério. Peço que caso forem escrever alguma história que envolva abuso, que tome um extremo cuidado com as cenas tanto do ato do estupro quanto da repercussão que terá dentro e fora da história. A culpa nunca é da vítima, o agressor não pode sair impune, não se deve tratar esse assunto como algo banal.
Pensando assim, aqui vai um breve step-by-step para escrever sobre abuso sem romantizar a coisa ou idealizar como algo bom:



1) Pense nos detalhes:
Como assim "pensar nos detalhes", Clara? Tenha em mente que estupro é algo extremamente sério e que muda totalmente a personalidade da vítima, o modo com o qual ela se relaciona com as pessoas e o modo que ela vê o mundo e faz as coisas. Muda o rumo da história, basicamente. Tendo isso em mente, pense no motivo da existência dessa cena. Você a quer só para dar um "up" na história? Impor um drama leve? Se for por isso, aconselho que não faça uso desse ato porque, como eu já disse, estupro é sério demais para ser uma brincadeira. É preciso pensar também em como vai abordar isso, se vai ser narrado, se não vai ser, se a vítima conhecia o estuprador ou não, onde vai ser, o quão pesado vai ser, o objetivo do agressor ao fazer tal coisa com a outra e etc.



2) Pense nas sequelas e em como a vítima vai reagir:
Como a vítima vai reagir ao estupro? Como ela vai lidar com a realidade que foi imposta após isso? Ela vai se recuperar e tentar volta à rotina que tinha antes, ou vai se isolar de tudo e todos e consequentemente demorar a aceitar isso? Como vai ser a recuperação dela? Qual será a ordem das "etapas" que ela vai passar antes de aceitar o que aconteceu? (Obs: As etapas básicas são o choque, negação, culpa – porque sim, há vítimas que se culpam por terem sido abusadas e ficam remoendo o que podem ter feito para isso acontecer – e a "aceitação", mas não precisa ser nessa ordem.) Ela vai ter traumas em decorrência disso? Pense bastante em como esse fato vai refletir na personalidade da personagem.



3) Tome muitíssimo cuidado na repercussão da cena:
Tanto dentro da história quanto fora, essa cena vai dar o que falar, seja algo bom – o que acho bem difícil dadas as circunstâncias -  ou algo ruim, mas vai dar o que falar e é exatamente nesse ponto em que o cuidado precisa ser dobrado. Se o abusador já tiver uma relação com a vítima é necessário que deixe claro que foi um estupro, que a personagem não queria e foi totalmente contra a vontade dela. É realmente importante frisar que estupro não é forma de demonstrar amor, afeição ou algo do tipo e relembrar que é crime (código Penal Brasileiro, artigo 213, Lei nº 12.015, de 2009). De todo modo, tenha extremo cuidado com o que escreve, querendo ou não, alguns leitores pegam o que leem como verdade absoluta e isso é perigoso, por isso tenha em mente a repercussão que isso pode ter.


~x~

 Outro ponto que decidi abordar foi a idolatria sem sentido das doenças e problemas psicológicos que começou há uns dois anos. Passou um tempo que era considerado atraente você dizer que tinha algum problema ou que se cortava. Foram tempos difíceis, não há como negar. Eu lembro de entrar no Facebook, Tumblr etc e dar de cara com fotos de garotas e garotos chorando afirmando ter depressão, fotos de pulsos cortados e sangrentos e a única coisa que eu conseguia pensar era no quanto isso era errado e absurdamente sem sentido, eu digo como alguém que faz tratamento para depressão e ansiedade que aquilo não é nem dois por cento verossímil.
Quando você tem depressão, não costuma sair   espalhando isso para Deus e um mundo que "Oh, eu estou em depressão, olha que legal, não consigo sair da cama e tenho pensamentos suicidas, incrível, não?", na realidade, é exatamente o contrário, você não sente vontade de fazer nada, muito menos de falar com outras pessoas. Isolamento quase que total é o que acontece em grande parte dos casos.
Quanto à ansiedade, ela não é uma doença simples de lidar − ela existe em níveis que vão desde o desconforto até crises de pânico que comprometem várias atividades do dia-a-dia. Ansiedade não é aquilo que você sente ao fazer uma simples prova, que você fica levemente desconfortável, ansiedade é você tremer dos pés à cabeça, suar de modo desenfreado, hiper-ventilar e passar realmente mal.
Essas doenças e outras semelhantes não se curam do dia para a noite −, algumas nem possuem cura, mas sim um tratamento que diminui a intensidade delas. Os únicos conselhos para dar ao escrever sobre essas doenças são quase iguais aos dados com relação ao estupro, só mudam algumas palavras, a essência é a mesma.
Caso resolva abordar algo relacionado ao suicídio, o cuidado precisa ser triplicado e cuidadosamente trabalhado, porque é um assunto delicado e motivo de muitas divergências de opiniões, já que há pessoas que condenam quem tem pensamentos que levam ao suicido e tem gente que não condena e que tenta ajudar.
O conselho geral desse post é: saiba o que você quer alcançar ao colocar alguma dessas coisas na história. Assuntos delicados assim devem ser muito bem estudados e deve-se ter certeza de que é necessário para o andamento da história ou se é só um "drama adicional". Caso tenha dúvidas, não escreva sobre isso. Sugestão de quem entende das coisas: não escreva nada tiver dúvidas, vai por mim.  

E bem, caso não tenha dúvidas e saiba como desenvolver, vá em frente! Só vai! E para quem pretende narrar o abuso, eu recomendo um post, também da Liga, sobre como escrever cenas de estupro, é de 2014, mas ainda assim tem dicas ótimas, então aproveite e faça bom uso. 
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Representatividade de GLBTS e estereótipos

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Por: Captain Ricci
Link: https://fanfiction.com.br/u/530496/

Hey. how you doin’? Esse é meu primeiro post por aqui, e decidi escrever sobre uma coisa na qual penso já faz bastante tempo: a relação entre representatividade LGBT em histórias e os estereótipos.
É cada vez mais comum a presença desses personagens em fanfics e em originais, e enquanto é ótimo que o assunto seja tratado com mais naturalidade, quando a base de um personagem é um estereótipo, ele tende a não ser muito bem construído. Estereótipos são ferramentas narrativas questionáveis mas, muito além disso, são prejudiciais para o grupo que representam. Frequentemente levam a clichês e, mais ainda, quase sempre reproduzem preconceitos.
Se a ideia é trabalhar a sexualidade do personagem com certo enfoque, eu sugiro que haja bastante pesquisa da parte do autor para garantir uma boa representação.
Grande parte do que é falado aqui gira em torno da tal representatividade, porque não adianta colocar minorias em histórias e pensar que as representa, é necessário comprometimento com essa escrita.
Sobre os estereótipos nocivos, há três casos que normalmente andam juntos e prejudicam a história:

·       Heteronormatividade: apesar de possuir uma definição bem ampla, a maneira como ela aparece nessas histórias é a mesma, ou seja, mesmo numa relação homossexual existe a ideia do “homem da relação” e “mulher da relação”.
·       Sexualidade como única característica: um equívoco recorrente na construção desses personagens, que é tratá-los como se sua sexualidade fosse o que define o resto de sua vida como personagem. Tudo gira em torno da sexualidade, não existem interesses, sonhos ou traços de personalidade no geral que não se baseiam nisso. O resultado é um personagem vazio.
·       Personagens secundários e alívios cômicos: esse personagem não ocupa nenhuma função na narrativa além da “representatividade”, não é necessário em nenhuma escala para a história a não ser, talvez, a de alívio cômico.

O que esses três aspectos têm em comum? Um mau desenvolvimento de personagens que trabalha com estereótipos, reforçando-os, além de prejudicar a narrativa. Quando eles são utilizados juntos é praticamente impossível escrever algo verossímil.
Como, então, pode-se escrever personagens LGBT? Simples: escrevendo-os como pessoas, não limitando sua vida à sua sexualidade e principalmente escrevendo personagens que tenham, de fato, importância para a narrativa. Ao escrever um personagem LGBT sem limitá-lo você não só desenvolve melhor sua história, mas também para de reproduzir estereótipos nocivos.

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Fundamentos da critíca - Parte 1

quinta-feira, 7 de setembro de 2017


Por: Edgar Varenberg



Às vezes caímos numa daquelas situações em que precisamos de uma opinião ou, equivalentemente, precisam da nossa. Muito além daquilo que o verbo “gostar” tem a nos oferecer, às vezes tais opiniões pedidas vão muito além do quesito pessoal, daí começa a se perceber uma diferença entre “opinar” e “criticar”; enquanto o primeiro termo fala sobre falarmos de alguma coisa sob nosso ponto de vista, o segundo abordar falar dessa mesma coisa sob o ponto de vista geral da área a qual tal coisa se origina.
A crítica, diferente da opinião, trata de aspectos universais de um determinado material, ou seja, independente das opiniões, dos gostos, etc serão elementos que terão aquele fundamento sempre. Neste post encontraremos formas de identificar quais são esses aspectos e como percebê-los e aponta-los. No caso, o foco será na crítica de textos.

Aprendendo a abandonar o “eu”
A primeira coisa a tentar é buscar ficar pouco apegado ao texto. Não apegado do tipo “amar o texto”, mas sim abandonar certas ideias, como “Eu não faria assim” ou “Ficou confuso para mim”. Isso porque a crítica parte de pressupostos universais (ou o mais universal possível), então a partir do momento em que você passa a reparar em algo porque isso TE incomodou, talvez você esteja se distanciando do seu objetivo.

Tenha material teórico sempre em mãos (ou em mente).
Saiba o básico das coisas que compõem um texto narrativo. O que a gente precisa para formar um? Personagens, ambientes, diálogos, situações, problemáticas, etc. Agora pare e pense: “essas coisas realmente são obrigatórias?”. Pesquise tudo a respeito das suas próprias perguntas que surgirão após esta. Mas por que isso? Simples, textos literários possuem regras e fundamentos, o basicão; mas o que os tornam realmente literários é a forma como eles usam (e às vezes abusam dessas regras). Um texto mais seguro e menos ousado vai seguir todas as regras fielmente (a crítica aí geralmente o aponta como comum), já outros vão querer inovar ou se rebelar de alguma forma, seja abandonando diálogos, não descrevendo coisas propositalmente, é aí que o papel da crítica começa a se formar, em analisar se essas fugas funcionam ou não.

Linguagem de um crítico: funcionar ou não funcionar.
Atentem-se, a crítica nunca trabalha com “certo” e “errado”. Fica a dica: leia todo o texto tentando defender o máximo possível de pontos positivos; aquilo que não tem como defender de jeito nenhum, significa que faz parte daqueles quesitos universais citados mais acima. Além disso, a linguagem crítica busca trabalhar com “funciona” e “não funciona”. E, claro, acompanhadas do sagaz “porquê”.

Abordagem é a alma do negócio.
Uma crítica deve ser branda. O seu objetivo como crítico de um texto não é questionar a habilidade literária de ninguém, nem o potencial da história, é simplesmente apontar o direcionamento do texto, o quão ele está se aproximando ou se afastando do conceito que o texto aparenta. Então não precisa vir com pedras e facas; palavras objetivas e sugestões já bastam.

Entendendo os propósitos do autor.
Criticar um texto fica sempre mais fácil quando podemos simplesmente perguntar ao autor seus objetivos em cada uma das situações. Entretanto, há momentos em que isso não é possível e, além disso, antes de começarmos a questionar o autor, temos que, claramente, preparar nossos questionamentos. E para isso acontecer, temos que, às cegas, descobrir os propósitos do autor “intuitivamente”. É daí que passamos a ler o texto com uma mentalidade alternativa. Isto é, ler as cenas e se perguntando “por que x e não y?”; em seguida, com as informações que você tem no próprio texto, você mesmo deve tentar responder essas questões. Por exemplo, você viu que o personagem A se estressou por uma coisa boba, aí você começa a pensar “Por que ele simplesmente não fez isso? Resolveria e ele não se estressaria.”, mas aí você repara que em um momento da narração é citado sobre a sua personalidade explosiva e irracional, então passa a fazer sentido; caso tal descrição não esteja presente, pode ser que seja uma boa ideia apontar isso e conversar com o autor a respeito.

Enxergando além do autor.
Um crítico não precisa, necessariamente, se prender a todos os conceitos do autor, até porque a escrita costuma ser muito inconsciente, isto é, usamos certos recursos literários, que cabem ali perfeitamente (e, por isso, usamos inconscientemente), mas não fazemos ideia de que usamos, não foi proposital; isso acontece muito. Então quando o crítico vai além daquele conceito já dado e começa a enxergar essas coisas (e posteriormente leva-las ao autor), você pode estar contribuindo para um maior entendimento do texto até para o próprio autor, seja para dizer que está ou não funcionando. Se você acha que algo vale a pena ser comentado, comente sem hesitar.

Por fim, aceite o ultimato do autor.
Independentemente do que você tenha encontrado ou comentado, a voz do autor sempre será a mais poderosa no seu próprio texto, então não tente forçar ou insistir, por mais forte que seja a sua convicção naquele fato, somente o autor sabe 100% sobre o texto dele.

Conclusão
Os elementos de uma crítica buscam analisar formas diferentes de usar aquilo que é usual. Se a pessoa não foge do usual, dificilmente vai ter algo para analisar ali, assim como dificilmente o texto dela será interessante (no sentido de ter um algo a mais); um crítico deve sempre orientar o quanto o autor se aproxima ou se afasta do seu próprio objetivo, através de seus próprios conhecimentos e pesquisas (e também das inúmeras perguntas que ele tem que se fazer enquanto lê texto em questão).


Na segunda parte do post, veremos exemplos práticos de como estes elementos se aplicam na crítica.
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Marina: uma resenha

segunda-feira, 7 de agosto de 2017
 
Por: Raven Hraesvelg
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/334899/
Olá! Todos aproveitando as férias de julho? Espero que sim.
Na resenha deste mês, decidi falar sobre a minha mais nova descoberta do ano: Carlos Ruiz Zafón. Escritor espanhol, começou a carreira com contos infanto-juvenis, e é um desses contos que eu trago aqui. Marina foi publicado em 1999 e foi, de acordo com o próprio autor, o último livro desse gênero que ele escreveu (após isso ele deu início à sua série O Cemitério dos Livros Esquecidos, que estou louca para ler). Mas vamos ao que interessa, sim? 

Autor: Carlos Ruiz Zafón
Título Original: Marina
Tradução: 192 páginas
Editora: Suma de Letras
Sinopse: Na Barcelona dos anos 1980, o menino Óscar Drai, um solitário aluno de internato, conhece Marina, uma jovem misteriosa que vive num casarão com o pai idoso. Em passeios pela cidade, os dois presenciam uma cena estranha num cemitério e se envolvem na resolução de um mistério que remonta aos anos 1940. Numa tentativa inútil de escapar da própria memória, Oscar abandona sua cidade. Acreditava que, colocando-se a uma distância segura, as vozes do passado se calariam. Quinze anos mais tarde, ele regressa à cidade para exorcizar seus fantasmas e enfrentar suas lembranças — a macabra aventura que marcou sua juventude, o terror e a loucura que cercaram a história de amor.

Resenha:
Como eu disse na introdução, o livro é voltado ao público juvenil. Dizem as más línguas que de juvenil só tem a idade dos personagens, mas eu discordo disso, apesar de reconhecer a abordagem mais séria que o livro tem. Eu diria que é um infanto-juvenil bem ao estilo de Coraline, de Neil Gaiman — onde você só consegue se perguntar se o objetivo do autor era traumatizar criancinhas. Certo, não é para tanto.
Eu comecei a ler sem muitas expectativas e, apesar de ter me desapontado um pouco com a história, eu completamente amei a escrita do Zafón. A narrativa é poética e cheia de figuras de linguagem, e ele tem uma simplicidade ao escrever que dá aquele toque de fluidez na coisa toda e você se sente lendo música. É aquele tipo de autor que te faz sentir confortável com as palavras dele. Enredo a parte, eu leria o livro só pela narração.
Fiquei encantada com as descrições que ele faz das ruas e das construções de Barcelona. Aliás, descrição é algo que o Zafón faz muito bem, tanto do ambiente quanto dos personagens. Não é superficial e raso, como também não é monótono e extenso. Fica ali, bem entre esses dois extremos.
A construção do mistério é maravilhosa, a narração traz a carga certa de suspense para deixar o leitor curioso e as cenas de horror são narradas para causar desconforto. Porém, chegando nas soluções do mistério, achei tudo muito previsível.
Todo aquele mistério em torno de Marina, que começou interessante, no fim era só suspense porque não tinha mistério nenhum. O final, em relação à Marina, foi mais previsível e clichê o possível. Não gosto desse recurso trágico e dramático que insistem em usar como se fosse algo mirabolante (estou olhando para vocês, John Green e Nicholas Sparks). Estou sendo bem vaga aqui porque senão vou acabar entregando o final, o que na verdade é um cuidado meio desnecessário porque é bem provável que vá ser adivinhado logo no início do livro.
E o outro mistério, envolvendo o cemitério e a marca da borboleta, acabou sendo nada do que eu já não tenha visto ou lido. Adicione isso ao fato de que quando esses suspenses e mistérios acabam sendo ficção científica, eu costumo ficar decepcionada (só que aí já é problema meu, podemos dizer). Eu ainda me permiti ter esperanças de haver algum plot twist bem louco ou coisa do tipo, mas não, não teve nada. Volto a dizer, porém, que apesar dos finais previsíveis, a construção do mistério é muito boa.
O livro é bem curtinho, li em uma sentada só, mas o melhor é que você não sente o tempo passar. Então fica aí a indicação para aquela leitura a caminho da aula ou trabalho!
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As 10 Melhores Dicas de Grandes Autores

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Por Michele Bran 
Nyah: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Olá, pessoal.
Como estão? Espero que escrevendo bastante!
E por falar em escrita, vamos pegar umas diquinhas hoje com quem manja da coisa? Em minhas muitas andanças pelo mundo da interwebz, cavando links para me ajudar a escrever melhor, encontrei uma coleção de posts com dicas de gente grande no meio que me foram muito úteis, desde as questões mais complicadas até as mais simples (cujas soluções, muitas vezes, estão na nossa cara e não conseguimos enxergar).
Pensando que tais pensamentos poderiam ajudar outras pessoas tanto quanto me ajudaram, fiz um post a respeito com o melhor do melhor das dicas que encontrei.
Pega o bloquinho de notas pra registrar tudo e não esquecer, e vem comigo!

1) Aceite críticas:
Em uma carta ao seu editor, Tolkien mencionou alguns comentários que C. S. Lewis fez sobre “O Senhor dos Anéis”. Nas palavras do próprio:
“Quando ele dizia, ‘Você pode fazer melhor do que isso. Melhor, Tolkien, por favor!’, eu tentava fazer. Eu sentava e escrevia a seção repetidas vezes. Isso aconteceu com a cena que acho que é a melhor do livro: o confronto entre Gandalf e seu mago rival, Saruman, na cidade destruída de Isengard”.
Há críticas que são necessárias para melhorarmos nossa forma de escrever. Alguém que está de fora pode ver seu trabalho com outros olhos e encontrar as mínimas falhas, que não conseguimos ver por estamos tão acostumados com o texto.
Saber ouvir essas sugestões e, sobretudo, separar as que vão ajudar das que não vão é fundamental. Saiba ouvir seus leitores, seus amigos, seu(s) beta(s).
E, por favor, chega de espalhar que críticos são necessariamente haters, frustrados ou invejosos. Se até o Tolkien aceitava críticas de boas, quem somos nós, pobres mortais, pra fazer mimimi?

2) Leia bastante:
Parece óbvio, mas ainda vejo pessoas internet a fora que mal terminal a leitura de um conto curto e querem ser os próximos pica das galáxias quando o assunto é escrever. Sobre isso, temos opiniões de peso.
G. R. R. Martin (juro que o “opinião de peso” e o Martin no mesmo post não foi piadoca de mal gosto rs) já nos diz “eu acho que, a coisa mais importante para qualquer aspirante a escritor, é ler. (...) Você precisa ler de tudo. Leia a história, ficção histórica, biografias, leia novelas de mistério, fantasia, ficção cientifica, horror, os sucessos, literatura clássica, erótica, aventura, sátira. Cada escritor vai ter algo para ensinar a você (...)”.
Ray Bradbury também recomenda que os autores leiam bastante para melhorar seu lado intelectual, desde histórias curtas e poemas a textos de política, biologia, filosofia, entre outros. O mais interessante é que ele recomenda que se faça isso antes de dormir: “no final de mil noites, você estará cheio de material”.
Por último, temos Stephen King e seu conselho curto e grosso: “se você não tem tempo para ler, você não tem tempo ou as ferramentas [necessárias] para escrever”.

3) Escreva:
De nada adianta querer ser escritor sem escrever porra nenhuma (preciso tatuar isso, pra ver se aprendo). O Martin aconselha escrever todos os dias, ainda que uma ou duas páginas, pois é apenas praticando que você pode melhorar sua forma de escrever.
Mas escritores de fanfics, atenção: “Mas não escreva no meu universo, no de Tolkien, no universo Marvel, de Star Trek ou em qualquer outro que você pegue emprestado. Cada escritor precisa aprender a criar seus próprios personagens, mundos e configurações. Usar o mundo de outro é o método preguiçoso. Se você não exercitar esses “músculos literários”, você nunca vai desenvolvê-los”.
Claro que se você não quer ser um escritor profissional um dia, pode ficar feliz escrevendo somente suas fanfics. Então registre a ferro e fogo apenas mais essa dica do Stephen King e elimine qualquer coisa que possa distrair você da atividade de escrever, como telefone/celular, TV ou videogame.

4) Descanse:
Como toda atividade, física ou intelectual, escrever também cansa e, para não desistir, você precisa de uma pausa. Refrescar a mente com outras atividades, seja leitura, exercícios físicos, ou atividades domésticas é sempre uma boa pedida.
O autor Chuck Palahniuk recomenda: “Alternar entre o trabalho cerebral de escrever com o trabalho não-pensante da máquina de lavar roupas ou pratos te dará os intervalos que você precisa para que novas ideias e epifanias ocorram. Se você não sabe o que vem a seguir na estória… limpe seu banheiro. Troque os lençóis. Pelo amor de Cristo, tire a poeira do computador. Uma ideia melhor surgirá”.
Mas também não vale parar de qualquer jeito. Hemingway dizia que o melhor é parar quando você está indo bem na escrita e sabe o que virá nas cenas seguintes. Assim, sua mente estará sempre trabalhando no texto ativamente, o que pode evitar o tão temido bloqueio criativo.

5) Comece devagar:
Se você começou a escrever há pouco tempo, talvez não conseguirá fazer um bom trabalho se já começar de cara fazendo séries gigantes. Sobre isso, Martin e Bradbury pensam o mesmo: é como querer aprender a escalar começando pelo Everest e leva tempo demais. Comece com histórias curtas e contos, que não apenas vão ajudá-lo a aprender como desenvolver personagens e enredo, como podem ser o pontapé inicial para você se tornar mais conhecido, caso resolva participar de antologias.
Trabalhe com calma e lembre, como já sugere King, que você deve escrever uma palavra de cada vez. Dificuldades vão surgir sempre, seja por você não curtir algumas coisas em sua escrita ou por problemas pessoais, mas não se apresse.
Faça como Tolkien e mantenha-se firme. Se ele conseguiu lidar com doenças, problemas pessoais e um filho na Guerra enquanto escrevia obras fodas como “O Senhor dos Aneis” e “O Hobbit”, nós também podemos. É só manter o foco e não parar. 

6) Pense sobre suas cenas e personagens:
Como nós sabemos, as histórias precisam ter uma razão de ser e os personagens, de um objetivo. Antes de começar cada história, é interessante que o autor já tenha pensado em tudo isso. Já falei em inúmeros outros posts do meu blog sobre a importância de planejar sua história, mas é algo tão fundamental que não custa bater de novo na tecla em qualquer lugar onde eu ponha os pés.
Nas palavras de Chuck Palahniuk: “Antes de sentar e escrever uma cena, pondere sobre ela em sua mente e saiba o propósito daquela cena. Para quais tramas anteriores esta cena vai ser vantajosa? O que isso criará para as cenas seguintes? Como esta cena levará seu enredo adiante? Conforme você trabalha, dirige, se exercita, tenha apenas esta questão em sua mente. Tome algumas notas conforme tiver ideias. E apenas quando você decidiu a ‘coluna vertebral’ daquela cena – então, sente e escreva-a. Não vá até aquele computador chato e empoeirado sem algo em mente. E não faça seu [personagem] se esforçar ao longo de uma cena na qual pouco ou nada acontece”.
Já sobre os objetivos dos personagens, todos eles precisam ter algo que os motive, que mova para frente eles e a história. Como já dizia Kurt Vonnegut, “todo personagem deve querer alguma coisa, nem que seja só um copo de água”.
Mas claro, preocupe-se também em passar os sentimentos e modos de ver o mundo daquele personagem da forma mais verdadeira que puder. Para Hemingway, escrever bem é escrever com sinceridade.

7) Não poupe ninguém, nem você:
Escrever tem ótimos momentos, como criar um universo, criar personagens críveis, divertir os leitores... Mas também tem as partes sofridas. Como por exemplo, ter que se livrar de personagens, cenas ou tramas que a gente aprendeu a gostar tanto ao longo do processo de escrita.
Vários autores falam sobre a importância desse desapego literário, mas selecionei minhas três citações preferidas. John Steinbeck já alertava “Cuidado com cenas que se tornam muito queridas para você, mais do que as outras”. Pode ser que elas se mostrem supérfluas e você precise retirá-las em algum momento. Então não se apegue. 
Também não se apegue a personagens. Kurt Vonnegut já recomendava que os autores fossem sádicos e fizessem coisas terríveis acontecerem aos personagens se fosse necessário, não importando quão doces ou inocentes eles fossem.
Stephen King é ainda mais drástico: “mate seus queridinhos, mesmo que isso destrua seu coraçãozinho egocêntrico”.
Desnecessário dizer que o Martin segue isso à risca e eu ainda preciso aprender muito com esses caras, não é?

8) Não escreva somente pensando no público:
Outra dica fundamental é não escrever apenas pensando no que os outros querem ler, em como conseguir leitores ou fazer sucesso. Menos ainda pensando no que os outros vão pensar de mal do seu texto ou que os outros irão criticar.
Simplesmente escreva.
Para John Steinbeck, o autor deve esquecer o público generalizado. “Em primeiro lugar, o público sem rosto e sem nome vai assustá-lo. Em segundo lugar, a menos que você esteja num teatro, ele não existe. Na escrita, o público é um único leitor. Eu descobri que às vezes ajuda escolher uma pessoa ― alguém que você conhece ou que imaginou ― e escrever para ela”.
Já para King e Palahniuk, o fundamental é você escrever para si mesmo, o que você deseja ler. Só então você deve se preocupar com os leitores.

9) Primeiro escreva, depois edite:
Essa é uma dica que sempre dou a quem me pergunta. Escreva. Coloque a ideia no papel. Depois você se preocupa com repetições, erros, clichês, etc. Ao fazer isso e respeitar seu fluxo de ideias, você tem menos chances de ter bloqueios e, em geral, termina de escrever mais rápido e de forma mais natural.
Mas como vocês não estão aqui para minhas dicas, fiquem com esse trecho excelente do John Steinbeck: “escreva o mais livre e rápido possível e coloque tudo no papel. Nunca corrija ou reescreva até que tenha terminado. Reescrever é um processo geralmente usado como desculpa para não seguir adiante”.
Stephen King, apesar de aconselhar o não uso de advérbios, recomenda que você não deve se preocupar exageradamente com a gramática perfeita, porque o objeto da escrita não é a correção gramatical, e sim contar uma história.
Por mais que a língua seja importante, não perca o foco: escreva primeiro. Corrija depois.

10) Escreva com alegria:
E por último, mas não menos importante (pelo contrário), vem a que é outra de minhas dicas preferidas. Remonta ao conselho de escrever primeiro pensando no que você gostaria de ler e no que vai deixá-lo confortável.
Para ser um bom escritor, você precisa de fato gostar do que faz. É um trabalho árduo por si só, então precisamos nos lembrar do que nos deixa feliz em fazê-lo e seguir em frente com isso na cabeça. Ray Bradbury já dizia a seu público: “eu quero que você inveje minha alegria”.
King também arremata dizendo que escrever não é sobre fazer sucesso, ficar rico, conseguir encontros ou fazer amigos. Menos ainda sobre fazer os outros felizes. É sobre ser feliz fazendo arte.
Mantenha isso em mente. Escreva muito, faça sua arte e seja feliz com ela! 

E aí? Curtiram? Espero que tenham gostado e se motivado a continuar escrevendo.

Vejo vocês em outros posts. :*

Fontes e Dicas Adicionais:

Em português:

- Aprenda a escrever ficção de verdade com Ernest Hemingway – 7 dicas de escrita: http://homoliteratus.com/aprenda-escrever-ficcao-de-verdade-com-ernest-hemingway-7-dicas-de-escrita/

- 12 dicas para escritores iniciantes por George R. R. Martin: http://www.gameofthronesbr.com/2014/02/12-dicas-para-escritores-iniciantes-por-george-r-r-martin.html

- A rotina diária de 13 grandes escritores e o que eles fazem para continuar escrevendo: http://papodehomem.com.br/a-rotina-diaria-de-13-grandes-escritores-e-o-que-eles-fazem-para-continuar-escrevendo/

- 10 regras para escrever ficção do escritor e roteirista Elmore Leonard: http://ficcao.emtopicos.com/2013/08/escrever-ficcao-escritor-elmore-leonard/

- Conheça 13 conselhos do transgressor Chuck Palahniuk sobre escrever: http://literatortura.com/2013/05/13-conselhos-de-chuck-palahniuk-sobre-escrever/

- Conselhos de Escrita de Ray Bradbury: http://dicasderoteiro.com/2012/09/25/conselhos-de-escrita-de-ray-bradbury/

- 6 Segredos Que Escritores Experientes Não Admitem: http://corrosiva.com.br/como-escrever-um-livro/6-segredos-que-escritores-experientes-nao-admitem/

- Dicas para novos escritores de outros autores: http://www.youtube.com/watch?v=SdtM3gjNkvs&list=UUNTBIwGaMcImg4C8R3Gq6eQ

- 9 dicas de George R.R. Martin para quem deseja escrever: http://narrativaberta.com.br/9-dicas-de-george-r-r-martin-para-quem-deseja-escrever/

- 22 Conselhos de Stephen King para escritores(as): http://homoliteratus.com/22-conselhos-de-stephen-king-para-escritoresas/



Em inglês:

- 6 Of The Best Pieces of Advice From Successful Writers: http://www.huffingtonpost.com/belle-beth-cooper/6-of-the-best-pieces-of-a_b_4628690.html

- Stephen King top 20 rules for writers: http://www.openculture.com/2014/03/stephen-kings-top-20-rules-for-writers.html

- 7 Kick-Ass Writing Tips from 7 Best Selling YA Authors: http://tomiadeyemi.com/writing-tips-from-7-best-selling-ya-authors/

- We Asked 8 Famous Authors For The Most Important Advice They’d Give To Young Writers: http://www.clickhole.com/article/we-asked-8-famous-authors-most-important-advice-th-2562?

- Ten Rules of Writing from Famous Writers: https://curious.com/lyracommunications/ten-rules-of-writing-from-famous-writers

- Neil Gaiman’s 8 Rules of Writing: http://maxkirin.tumblr.com/post/92478828861/neil-gaimans-8-rules-of-writing-a-remake-of-this

- 27 Pieces Of Advice For Writers From Famous Authors: http://www.buzzfeed.com/ellievhall/27-pieces-of-advice-for-writers-from-famous-authors
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As imagens que servem de ilustração para o posts do blog foram encontradas mediante pesquisa no google.com e não visamos nenhum fim comercial com suas respectivas veiculações. Ainda assim, se estamos usando indevidamente uma imagem sua, envie-nos um e-mail que a retiraremos no mesmo instante. Feito com ♥ Lariz Santana