Como Escrever BDSM

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Por: Lady Lovegood



Hullo, jovens padawans, como estão? Então, eu sou a Lady Lovegood,  uma  Beta aqui da Liga que teve a brilhante ideia de se sacrifi-, digo, *cof cof*, candidatar, para escrever o artigo de hoje para vocês! Antes de qualquer coisa, eu devo avisá-los de que nada aqui foi escrito com base em experiências próprias, com base em experiências visuais ou algo semelhante. Eu realmente sou apenas uma leitora ávida que lê bastante sobre BDSM e curte o gênero. Então, se algo não é como vocês sabem que é ou imaginam, me desculpem, eu tentei ao máximo escrever algo que poderia ajudá-los a construir cenas que envolvem BDSM. 

Aviso: vocês, jovens -18, que eu sei que estão lendo esse artigo, por favor, não tentem reproduzir nada daqui em casa. Nem na escola. Ou no supermercado. Ou em banheiros públicos.
Definitivamente não em banheiros públicos. 

O que é BDSM?

Se você for um dos muito curiosos que veio aqui ler só pelas siglas estrangeiras, mas realmente não sabe o que é BDSM, a tia vai explicar para vocês. (A Wikipédia vai, para ser mais precisa.)

BDSM é um acrônimo para Bondage e DisciplinaDominação e SubmissãoSadismo e Masoquismo. O BDSM tem o intuito de trazer prazer sexual através da troca erótica de poder, que pode ou não envolver dorsubmissãotortura psicológica, cócegas e outros meios. Por padrão, a prática é aplicada por um parceiro(a) em outro(a).
O conceito fundamental sobre o qual o BDSM se apoia é que as práticas devem ser SSC (Sãs, Seguras e Consensuais). Atividades de BDSM não envolvem necessariamente penetração, mas, de forma geral, o BDSM é uma atividade erótica e as sessões geralmente são permeadas de sexo. O limite pessoal de cada um não deve ser ultrapassado, assim, para o fim de parar a sessão/prática, é utilizada a Safeword, ou palavra de segurança, que é pré-estabelecida entre as partes.

Amém, Wikipédia.
Agora prossigamos.

BDSM NA LITERATURA
Personalidade dos Personagens

Sobre o BDSM em si, a primeira coisa que vocês devem levar em consideração é que é apenas mais uma ação que seus personagens irão realizar, ou seja, vocês não podem, em momento algum, fugir do caráter dos seus personagens. Só porque eles vão praticar atividades sexuais mais criativas ou diferentes, isso não significa que de repente eles irão se tornar estrelas de filmes eróticos. Se eles são alguém naturalmente tímido, é claro que, mesmo ansiando por praticar BDSM, sua personalidade ainda fará com que eles se sintam acanhados em praticar, dizer ou experimentar certas coisas. Se eles são pessoas mais aventureiras e descontraídas, isso também deve ser mostrado.
Não façam com que seus personagens sejam apenas duas bonecas infláveis que anseiam apenas sangue, dor e prazer. Eles também são pessoas e sentem uma infinidade de coisas — mas ainda chegaremos nessa parte.

Experiência
O que nos leva a outra ponto. Ao escrever uma cena de BDSM, você deve deixar seu leitor ciente, além da personalidade dos personagens, também o nível de experiência que eles possuem, e se manter coerente com isso. Se alguém está praticando BDSM pela primeira vez, como submisso, por exemplo, é natural que eles sintam apreensão ou medo de serem machucados. Mesmo se for um submisso que está com fire in the rabo e louco para levar umas chicotadas, citar certo nível de apreensão se for a primeira vez que ele fará isso torna o personagem mais real. Mas claro, se sua intenção é realmente criar um personagem o mais libertino possível, que gostaria de ver sua própria pele sangrar e não se importa com nada, você também pode muito bem fazê-lo.
Essa questão da experiência está intimamente ligada a questão das personalidades. Para vocês entenderem, darei alguns exemplos.
Imaginem que temos o personagem Harry, que será nosso dominante, e ele tem muita experiência, e nosso outro personagem, Draco, será nosso submisso, e ele nunca fez isso antes. Draco, apesar disso, possui uma personalidade muito forte e é orgulhoso, enquanto Harry é mais amável. Em uma prática de BDSM entre os dois, Draco, o submisso, apesar de estar em posição considerada “inferior”, não seria o tipo de personagem que aguentaria calado enquanto outra pessoa faz o que quiser com ele.
“Mas a submissão total não seria a ideia aqui, tia?”
Em tese? Talvez. Mas você está trabalhando com personagens que, eu acredito, você gostaria de tornar o mais próximo possível de reais. E pessoas reais ainda sentem medo, dor ou indignação. E são justamente seus personagens, com os sentimentos e emoções deles, que criam sua história, que moldam suas ações e seu enredo.
Não seria muito divertido ler algo totalmente estereotipado, não é mesmo?
Voltando para o exemplo agora. Muito bem, enquanto Draco seria alguém indignado e meio arrogante, também seria sua primeira vez praticando e, sob a camada de orgulho, ele ainda estaria com medo ou nervoso. Quanto ao Harry, mesmo já tendo chicoteado muita gente por aí, sua personalidade amável e preocupada ainda apareceria.
Você percebe? Não é apenas fazer seu personagem pegar um chicote e açoitar (a não ser que você esteja escrevendo um PWP e, ainda assim, seria preferível citar todas essas informações), você também tem que fazer com que seu leitor sinta empatia e consiga sentir e viver as emoções e ações da história.
E sim, caso vocês estejam perguntando, eu curto Yaoi/Slah e shippo Drarry. Beijos de luz.

Confiança
Este tópico também está ligado aos outros dois — personalidade e experiência.
Uma das principais coisas que seu personagem deve ter é confiança, seja nele mesmo ou em seu parceiro. Nele mesmo para saber que tomou a decisão correta ao querer praticar, e confiança em seu parceiro para saber que ele não faria nada que não foi acordado com antecedência. Um submisso, por exemplo, deve confiar que seu dominante não o machucará além do que ele permitiu, e o dominante, em contrapartida, deverá confiar que seu submisso o avisará caso ele se exceda.
O que nos leva a um subtópico: As palavras seguras.
Essas são palavras pré-acordadas que servem para o Submisso comunicar ao Dominante se ele se sente confortável com o “jogo” apresentado, se ele se sente levemente desconfortável, mas mesmo assim concorda, se ele não permite fazer tal coisa ou se ele quiser parar imediatamente. Enfim, as opções são várias. Cabe você escolher o que se encaixa melhor na situação dos seus personagens, contudo, há uma preferência para o uso de cores para indicar as situações.
Agora, voltando ao entrelace de confiança, personalidade e experiência, vamos dar o seguinte exemplo:

Scorpius, o Submisso, tem muita experiência com BDSM e é muito confiante nele mesmo e no que ele é capaz de suportar, além de ser alguém atrevido. Albus, o Dominante, por outro lado, é inexperiente e tem medo de machucar seu submisso, mas é uma pessoa amável. Em uma prática de BDSM entre esses dois, seria natural Albus, mesmo excitado com a ideia, não ir tão longe quanto gostaria ao tentar jogos mais pesados com Scorpius. Caberia a Scorpius, a pessoa mais confiante, convencer ou provar a Albus de que estava ok para prosseguir.
Em uma fanfic/original, todos esses fatos devem ser levados em consideração, percebem? Como eu disse antes, são pessoas que vocês estarão retratando.
E sim, também shippo Scorbus.

Sentimentos e Emoções
Por sua vez, sentimentos e emoções também estão atrelados ao resto — confiança, personalidade e experiência.
Se seus personagens são casados e costumam fazer isso rotineiramente, é óbvio que a confiança e a experiência será bem maior e, além disso, eles provavelmente se amam e fazem isso para algo além do prazer.
Nesses casos em que os personagens possuem sentimentos um para o outro, esse é outro aspecto que deve ser abordado, detalhando como e o que os personagens sentem na hora de praticar BDSM. Se os sentimentos são apenas unilaterais, você também pode abordar essa perspectiva.
Um exemplo:

Sirius, Dominante experiente, confiante e aventureiro, mas que não sente nada por Remus (parte meu coração dizer isso) que, em contrapartida, ama Sirius.
Em uma cena de BDSM entre os dois, você, autor, poderia descrever como o Remus se sente fazendo isso com alguém que ele ama, mas que não o ama em troca.
(Olha eu aqui dando ideia para Plot — aproveitem, jovens padawans!!!)
Sim, shippo muito Wolfstar!

Situações/Prática/Limites
O importante sobre BDSM é que — eu espero, torço muito — ele será praticado por pessoas e elas, assim como todos, tem seus limites. Então, nada de querer cortar todas as partes do corpo de alguém e falar que ela vai gozar só com isso, ok, amiguinhos? Isso não existe. Pode até existir na sua fanfic, aliás, mas vai ser bizarro e ninguém vai acreditar que é verdade (espero que não).
Como eu falei lá em cima, eu não tenho nenhuma experiência real com BDSM. Nem visual. Tudo o que eu sei eu me baseio no que eu mesma li. Então só vou citar uns dois casos aqui de exemplos sobre o que NÃO fazer.
Imaginem que seu personagem amordaçou alguém. Até aí tudo bem. Só que você precisa deixar claro que o dominante deixou, sim, o nariz da outra pessoa descoberto para ela poder respirar, ok? E, caso ela faça alguma atividade que a deixe com dificuldade para respirar pelo nariz (como ao fazer um blowjob), é importante que seu Dominante também esteja preocupado com isso.
E, ainda falando da mordaça, vocês também tem que imaginar o que acontece com uma pessoa que está com a boca amordaçada por um longo período de tempo. Às vezes escorre baba, às vezes a pessoa fica com falta de ar, ou ela pode ficar com o rosto vermelho do esforço. Nem tudo são flores e rosas, ok, jovens padawans?

Outro exemplo são as varas de equitação, que são usadas para chicotear. Eu geralmente costumo me deparar com fanfics em que os Dominantes usam aquilo “com toda a sua força”.
Ok, pessoal, vamos refletir.
As varas de equitação são usadas em cavalos; aquilo é um material resistente e não muito flexível. Você tem certeza que vai querer que seu Dominante chicoteie o Submisso dele 6789 vezes com aquilo? Você tem certeza que depois de todo esse tempo o Submisso ainda vai curtir?

Bom senso, jovens gafanhotos, bom senso.
Sobre outras práticas e objetos, que eu tenho certeza que era o que vocês queriam que eu também falasse, vai ficar por conta de vocês! Yay! XD
Eu não vou ensinar aqui ninguém a praticar nada mais pesado que isso, não (eu sinto o cheiro de vocês, -18). Hahaha.
Ademais, acho que é isso. Espero que isso ajude vocês em algo, realmente. E, como último conselho, eu gostaria de deixar claro que BDSM só é BDSM com uma coisa essencial chamada CONSETIMENTO. Não confundam isso com sexo forçado ou algo semelhante, por favor. O que foge disso é assédio sexual ou estupro.
Até mais, jovens gafanhotos! ;)
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4 Dicas para Criar Personagens

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Por: Servine HXP



Olá pessoal

Sou ServineHXP, membro da liga dos betas e hoje vamos tentar dar algumas ideias do que você pode fazer para deixar seu personagem mais “próximo” de seus leitores.

Vamos lembrar que nada é uma regra e que muita coisa na arte da escrita é subjetiva, porém eu sinceramente recomendaria muito para pessoas mais iniciantes não começarem tentando quebrar todos os paradigmas da literatura.


1 – Saiba para quem você escreve.

Pensemos em um exemplo para dar início a esse primeiro.

Talvez você ainda se lembre daquela saga adolescente que tanta gente amava e tanta gente ainda odeia nomeada de Crepúsculo, não?

Quando a autora foi escrever o livro dela, ela tinha em mente que ela queria escrever para adolescentes, pessoas cheias de hormônios (e que normalmente tem grandes expectativas no amor… doce ilusão).

Os vampiros sempre estiveram enraizados com a ideia do terror e horror, só que não faria sentido para uma pessoa que realmente quer vender muito investir num gênero que nem entre os adultos faz tanto sucesso assim, logo, ela foi direto no romance (só você entrar na página inicial do Nyah! Que você constata quanto o povo adora esse tema).

Ela criou uma personagem insegura, que vive aquele amor avassalador, que tem um sonho de princesa e no fim um final feliz. E acredite que tem muita gente que se identifica com isso.

Você pode até não concordar, entretanto, para milhares de pessoas, a Bella é bem carismática…

Bem, saiba mais ou menos quem vai ler a sua história e se pergunte: o que essas pessoas querem ler? Que tipo de personagens elas querem ver?


2 – Faça um personagem que saiba reagir e agir

Sabe uma coisa incrível que eu descobri? As pessoas, nem mesmo frente à morte de um ser humano têm a mesma reação; e não só isso, descobri que chorar não é um indicador certeiro do quanto alguém está sofrendo. Pode morrer um parente bem próximo, mesmo assim, caso você não chore, não quer dizer que você não está sofrendo. Li isso num blog de psicologia.

O personagem não chora por nada, porém para realmente mostrar que ele tá sofrendo você o coloca aos prantos (o que não é nem de longe errado); mas será que isso é realmente necessário? Talvez o seu personagem simplesmente não seja o do tipo que chora, e nem por razões extremas ele o faria.

Às vezes abrir mão do que é mais comum para dar ao seu personagem o próprio jeito de fazer as coisas é o melhor. Ele tem que seguir seu próprio ser e não o que é mais recorrente ou que faria mais sentido para nós (autores e leitores), afinal, ele é outro ser.

E isso não só reflete em como ele reage a acontecimentos, mas também como ele encara a vida. Talvez o seu personagem, andando por uma rua, veria coisas que você não veria, e é isso que torna algumas cenas tão interessantes.

Imagina um personagem andando na rua, o que você poderia descrever ali que seria interessante? Talvez você só descrevesse a rua de maneira normal falando que era movimentada e cinza, quando, na verdade, seu personagem é uma pessoa que fica muito em casa e quando sai na rua fica muito acanhado, então ele sairia na rua e olharia para as pessoas tentando estudá-las melhor. Nessa andança ele falaria das feições das pessoas em vez de focar na rua propriamente dita.

E isso é tão básico sobre construção de personagem que de vez em quando a gente até esquece, e é muito legal pois permite o leitor imergir em ser aquela pessoa por um tempo, ter outros horizontes seguindo sempre o que foi proposto para aquele tipo de personalidade.

É uma daquelas coisas que você só se dá conta quando cai a ficha.

Resumindo: realmente tente olhar o mundo pelos olhos do seu personagem e sempre tente mantê-lo coerente.


3 – Escreva sobre quem é importante

Imagine o seguinte: você é um escritor de fantasia e você passa meses criando um mundo para se passar a história; cria raças, cria línguas diferentes para acompanhar as culturas, cria os monstros, o vilão maligno mais das trevas que sua mente consegue imaginar, e também cria um certo grupinho que você decide que vai caçar o tal vilão — só que eles nunca tiveram sucesso em derrotar essa força do mal porque eles não têm o poder necessário. De todas as raças que você criou, de todas as possibilidades que foram postas você cria o protagonista humano, bem genérico mesmo e nem é tão diferente de um qualquer que você visse na rua, que talvez use uma espada e que não tem nada a ver com o vilão. Você já até pensou em como vai amarrá-lo para forçá-lo a derrotar as forças do mal. Ok… Mas por quê?

Por que eu tenho que viver a pele do personagem mais normalzinho da tropa? Por que não uma das milhares de raças ou então um cara daquele grupo que tava caçando o antagonista?

Você pode pensar: tá o que isso tem a ver?

Você tem mais chances de se sentir instigado a ler para saber sobre uma raça que você não conhece do que um humanozinho comum. Tende-se a criar mais perguntas e essas perguntas prendem a atenção do leitor.

Tá o que isso tem a ver comigo que não escrevo fantasia?

Vamos pensar num romance.

Imagina o cenário: você cria a pior de todas as famílias para o seu personagem, cria traumas, pensamentos e pontos fracos; você é ainda pior e fica maquinando como fazer ainda mais infernal a vida desse pobre ser. Aí você cria a protagonista que é a garota que acabou de se mudar para a casa ao lado… E o pior: toda essa treta de família muitas vezes até já acabou, o personagem só tá sentindo as consequências de tudo que já passou, ele já tá adulto e trabalhando.

Não era mais fácil ter deixado o protagonista ser o garoto que estava sofrendo e colocar todo esse sofrimento no tempo presente?

Essa coisa pode dar uma boa história de investigação? Pode. Mas se o foco não é investigação (que não é sinônimo de manter a atenção do leitor, pois só por ter mistério não significa que as pessoas vão se sentir instigadas. Eu vi fanfics, e até alguns livros, que tentam vender uns mistérios que não tem muito sentido; o mistério começa quando você lê a sinopse e pergunta: mas sobre o que diabos essa história se trata? Mas em vez de clicar para saber, as pessoas só passam para a próxima).

Vou contar uma história com spoilers sobre um anime, porém deem uma chance que vai valer a pena:

Tokyo Ghoul é um anime/mangá que conta a história sobre um mundo onde a cidade capital do Japão é habitada por outros seres além de humanos, os ghouls. Ela é dividida em distritos, alguns mais perigosos que outros. O protagonista vive num distrito relativamente seguro, entretanto ultimamente tem acontecido muitos ataques na região, devido a essa criatura que está atacando desenfreadamente. Ghouls são como vampiros, só que eles precisam da carne e não só do sangue (tem alguns que comem cadáveres em vez de gente viva, mas enfim).

Ele, nessa época, estava a fim de uma garota chamada Rize, e certo dia ele descobre que ela está lendo o mesmo livro que ele e os dois marcam de sair. O passeio é muito bom, só que à noite, depois do rolê, ela fala que mora perto de um dos locais onde aconteceu um ataque e que está com medo de voltar sozinha e pede para ser acompanhada. Num beco escuro, os dois começam a conversar e então ela se revela sendo um ghoul e tenta matar o protagonista; ela o perfura com uma espécie de tentáculo e então, para o azar da moça, eles estavam perto de uma construção e várias vigas de metal caem sobre ela.

No hospital o médico pega os órgãos da moça e transferem para o protagonista que estava morrendo pela perfuração, então, ele acorda e tem a belíssima surpresa de ter se transformado em um ghoul por causa dos tais órgãos.

Essa sinopse é basicamente o que vende o anime. Acho que quase todo mundo foi para assistir o anime já sabendo que isso acontece e é justamente a coisa que mais causa perguntas na obra porque você quer saber mais, você quer saber como as coisas vão se desenrolar a partir dali, pois Kaneki (o protagonista) já não é nem humano, mas não quer virar um monstro.

Isso são 10-12 minutos do primeiro episódio. E não precisaram apelar para suspense ou para aqueles tipos de sinopse em nível de: “O protagonista está prestes a sofrer uma mudança em sua vida, algo que vai mudá-lo para sempre. Uma situação. Ele teve sorte, ou nem tanto. E agora, ser humano ou ser um monstro?!” dois espaços e complementado com: “Leia para descobrir”.

Crie oportunidades de você demonstrar quem seu personagem é e isso se constrói com um enredo que normalmente tem algo acontecendo.

Façamos uma métrica fácil aqui: se o seu personagem tem mais treta no passado dele do que no presente e o maior atrativo da sua história é você descobrir sobre o passado dele, então talvez a sua história deveria se passar no passado do personagem em vez de anos depois, e com ele só sofrendo. Ver ele reagir é melhor do que ver só as consequências.


4 – Dicas da psicologia

Li alguns artigos sobre o que nos faz gostar das pessoas e achei algumas coisas muito boas de efeitos que você pode usar para criar essa identificação maior.

Essa dica é muito simples e eu sinto que vai ter gente que vai se chatear comigo, mas vamos botar as cartas na mesa, pessoal: o humor.

Não tem nada que aproxime mais uma pessoa da outra do que boas risadas. E muita coisa que o povo ama hoje em dia tem fortes raízes do humor. Mas calma, não tô falando para você criar um banco e fingir que é A Praça É Nossa. Todavia, uma ceninha aqui ou ali ajudam sim a dar aquela aproximada nas relações. E o ponto é igual ao que eu falei há alguns itens atrás: cada caso tem o seu específico.

Em Indiana Jones o herói não é um contador de piadas, só que ele tem azar no que faz, o que sempre acaba o colocando em situações embaraçosas.

Já para o Machado Assis o narrador irônico é o toque do humor. Nada de personagens fazendo macacadas por aí.

Duas histórias de duas mídias diferentes que não tem nada a ver. Mesmo assim ainda usam humor e os dois funcionam à sua maneira.

O outro é o efeito de mera exposição. Só por estar lá você começa a criar um certo apego.

E tô falando desse em específico para poder falar do Kishimoto, o criador de Naruto.

Ele usa uma coisa assim. Se você perceber, ele sempre introduz os personagens de um jeito específico.

Ele te expõe ao personagem, deixa que você se acostume com ele ali e então ele começa a explorá-lo, falar do passado, das dúvidas, das motivações… É um bom jeito de você criar uma certa relação para personagens.

Agora a lista dos outros efeitos legais a se comentar:

Fazer besteira é uma coisa que aproxima, segundo o artigo que li, e não só isso, mas também quando você reconhece que errou. Acho que é porque é fácil se identificar com isso, não?

Faça o seu personagem errar, falhar. Talvez numa característica ou num relacionamento que teve, enfim. Não o faça perfeito.

E o último é compartilhar segredos.

O que pode aproximar mais duas pessoas do que confiança, não é pessoal?

Teve até um experimento em que eles separaram grupos de estranhos e os colocaram para conversar, separando os tipos de perguntas entre pessoais e coisas mais recorrentes. E chegou-se à conclusão que as pessoas que tinham feito as perguntas mais pessoais se sentiam mais próximas do que as que fizeram perguntas do tipo: “O que você está achando do clima?”.


Bem, queria agradecer quem leu tudo até aqui e até aqueles que só deram uma olhada por cima, obrigado. Espero ter ajudado de alguma forma.

Nós vemos por aí. XD
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Quer Publicar Seu Livro? Pergunte-me Como! [2] - ISBN

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Aloha!
Continuando nossa série de posts especiais sobre publicação, agora que já sabemos se devemos ou não publicar e como registrar nossa obra (quem chegou com o bonde andando, só clicar neste link), hoje aprenderemos juntos um pouco mais sobre outra parte do registro de um livro, mas que muita gente não sabe do que se trata: ISBN.
Pega a aguinha e PRE-PARA!


ISBN: É de comer?

Começando pelo básico, ISBN (ou “International Standard Book Number”) é, segundo o site da Biblioteca Nacional, “um sistema internacional padronizado que identifica numericamente os livros segundo o título, o autor, o país, a editora, individualizando-os inclusive por edição. (...) seu sistema numérico é convertido em código de barras, o que elimina barreiras linguísticas e facilita a circulação e comercialização das obras”.

Importante frisar aqui que o ISBN não é registro autoral. Para comprovação de autoria da obra, só voltar ao primeiro post (link lá em cima) e fazer o seu Registro de Averbação. O que o ISBN faz é uma catalogação, um registro no sentido de identificar e registrar alguns dados sobre seu livro.

Dito isto, vamos à outra questão importante: ele não é um recurso obrigatório se você quer publicar por conta própria ou online, mas algumas livrarias o exigem. É uma ótima ideia pesquisar antes, se os locais em que você quer vender sua obra (caso seja independente) possuem esse requisito e já providenciar logo. Se você deseja publicação por editoras gringas, então, se torna algo quase indispensável.

Editoras de grande porte já farão tudo isso, então não é necessário se preocupar. Mas é bom verificar em contrato se as de médio e pequeno porte também têm esse serviço incluso no pacote. Caso não tenha e você queira, terá de fazer por si mesmo.


“Beleza, mas como eu faço isso?”

Pega o bloquinho de anotações e vem. Mas vem lendo com calma, porque é um pouquinho mais complexo do que o mero registro da obra.


“Olar...”

Antes de mais nada, você precisa estar cadastrado como editor-autor. Ou seja, precisa ir no link “Cadastrar Pessoa Física” para ver todas as informações (impossível colocar tudo aqui de forma clara e mastigadinha sem deixar esse post com umas 20 páginas e estou tentando deixar com apenas 4 cada post, rs) e baixar o formulário de cadastramento, um arquivo .xsl (planilha do Excel). Então você preenche bonitinho e tira uma xérox do seu CPF para enviar como anexo.

Importante observar a possibilidade de você se cadastrar usando seu pseudônimo, que você deve usar em todas as obras que publicar e resolver solicitar novos ISBNs.


“...Olha essa obra aqui...”

Com seu cadastro pronto, chega a hora de solicitar o ISBN de sua obra. Para isso, baixe o formulário e o preencha de acordo com estas orientações (lembra o que eu falei sobre ser impossível colocar tudo aqui mastigadinho? Pelo menos os links para consulta já estão todos aqui).

Caso tenha mais de uma obra para solicitação, preencha um formulário para cada uma delas. Também é interessante mencionar que, por ser uma planilha, você pode preencher no próprio programa e imprimir já pronto.

Depois disso, você deve imprimir uma folha de rosto para sua obra de acordo com este modelo, contendo:

·         Autor
·         Título e subtítulo (se houver)
·         Edição
·         Local
·         Nome do Editor (se estiver fazendo por conta própria, vai o seu nome de novo aqui)
·         Ano da publicação (no qual a obra foi/será efetivamente publicada).

Caso esteja publicando com um pseudônimo, siga este modelo aqui.

Outros links importantes para consultar na hora do preenchimento é a tabela dos códigos de assuntos e a tabela de idiomas; além de um link com as obras que recebem ISBN e as que não recebem.

Importante frisar que nem sempre será necessário enviar uma cópia da obra. Em alguns casos, isso não é solicitado e em outros é pedido o envio apenas das primeiras 25 páginas. Isso fica a critério deles. Por via das dúvidas, já deixa guardadinho aí para adiantar, caso precise.


“...Registra, por favor, nunca te pedi nada”

Com toda a documentação pronta, é hora de se preparar para a facada no bolso. Digo, para o envio e pagamento pelo serviço, que pode ser realizado via Correios, entrega presencial na própria agência ou online, através da área do editor (você terá acesso a ela quando se cadastrar como editor-autor).

Para o envio pelos Correios ou entrega na agência, anote este endereço:

Rua México, 45 – 5º andar – Edifício Lumex
Centro - Rio de Janeiro – RJ
CEP: 20.031-144 

Cada forma de envio tem uma forma diferente de pagamento. Se optar pelo envio online, será gerado um boleto bancário (e todo o processo deve ser feito dessa forma, excluindo envio pelos Correios ou presencial).

Para envio pelos Correios, o pagamento deve ser efetuado para:

Fundação Miguel de Cervantes
Banco Santander (033)
Agência: 3140 Rio-Graça Aranha
Conta Corrente: 13000470-9
CNPJ: 05.214.413/0001-92

Aqui você pode consultar outras formas de pagamento e aqui a tabela de preços onde você verá que cadastrar a obra em si até não é tão caro. O problema mesmo é o cadastro como editor.
Com tudo isso pronto e devidamente enviado, só esperar que eles mandem seus números (o prefixo como editor e o ISBN da obra).

E ESTEJA ATENTO. Leia todas as informações do site, já que dessa vez é impossível colocar tudo aqui, mas qualquer dúvida, fiquem livres para perguntar.


“Tia Michele, eu preciso de um ISBN novo se eu mudar a obra?”

Infelizmente, sim, querido autor.

Segundo o site deles, é necessário um novo ISBN sempre que mudar algo no conteúdo da obra. Outros casos que necessitam de um novo código são:

·         Cada edição de uma publicação;
·         Cada edição em idioma diferente de uma publicação;
·         Cada um dos volumes que integram uma obra em mais de um volume e também ao conjunto completo da obra (coleção);
·         Cada tipo de suporte, tipo de formato, tipo de acabamento e tipo de capa;
·         Reimpressões fac-similares;
·         Separatas (desde que apresentem títulos e paginação próprios). [Fonte]

Já quando houver a mera reimpressão, mudanças de capa, formato de letras e correção ortográfica do livro não precisa de outro.

Também é fundamental observar onde e como usar seu o ISBN para colocar no cantinho certo e não ter maiores problemas. E, por último, mas não menos importante, mesmo que você esteja publicando um e-book, pode pedir seu ISBN sem problema nenhum.

Caso não esteja com a cabeça dando voltas depois de toda essa papelada e toneladas de links para ler (eu avisei que era trabalhoso, rs), me permita dizer que logo teremos a parte 3, na qual aprenderemos diferentes maneiras de se publicar e começaremos pela tão falada publicação tradicional *barulho de trombetas imponentes*.

Vejo vocês mais tarde :3
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Como Escrever Histórias sobre Balet - Parte II

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
(Fonte: http://data.whicdn.com/images/247905840/large.jpg)

Por: Lollallyn (Palloma Antunes)
Link:
https://fanfiction.com.br/u/279239/
Olá!
 Esta é a segunda parte do artigo “Como escrever histórias sobre ballet”. Se você ainda não leu a primeira, é só dar um pulinho aqui e depois voltar para cá. Agora, se já passou por lá, pode fazer um alongamento e calçar as sapatilhas, pois nós vamos continuar a dança de onde paramos.

Os figurinos

 Ballet não é só tutu prato, minha gente. Temos também o tutu romântico, que é uma saia mais longa e sem armação. No mais, se você não estiver seguindo nenhum “ballet pronto” pode fantasiar à vontade sobre o figurino. Aproveite e dê um pulinho no artigo “Como descrever vestuário” aqui no blog da Liga¹.
 Já aproveitando a ideia, vamos falar sobre as roupas de aula. Aqui não tem segredo: sendo uma roupa confortável e que permita alongamentos, não tem problema (a não ser que a escola de dança na história tenha um uniforme). Os professores precisam checar o trabalho dos músculos, então opte por peças que sejam justas no corpo, ou que deixem ele à mostra. As roupas “de lei” são: meia calça (de preferência um modelo com furos nos pés – suplex –, para que a bailarina possa colocar e tirar a ponteira, ou ficar descalça sem ter de tirar a meia), collant, shorts/saia e, claro, sapatilha (alguns bailarinos preferem utilizar meias para perceber melhor os pontos de apoio do pé).
 Falando sobre sapatilhas, é importante lembrar que sapatilhas de ponta estão sempre acompanhadas das fiéis ponteiras. Cada bailarina (é difícil ver bailarinos utilizando ponta, mas alguns deles usam!) tem uma força e uma necessidade diferente, então os modelos de ponta e ponteira diferem muito. Inclusive, muitas alunas fazem adaptações em suas pontas, como quebrar as solas, por exemplo. Por isso não é recomendável emprestar sapatilhas de ponta; é um item bem pessoal.

Os termos

 Existem alguns termos que aparecem bastante no ballet (bastante mesmo). Eles completam os passos para indicar o tamanho e a direção, por exemplo. Observe: tendu devant – tendu que estica a perna à frente do corpo.
 E aqui você tem uma listinha com os principais termos:
v  Devant (dêvã) à frente.
v  En avant – (an avã) para frente.
v  A la seconde – para a segunda (posição).
v  Décoté – (decotê) ao lado.
v  Derrière – (derriér') atrás.
v  En arrière – (an arriér') para trás.
v  Allongé – (alonjê) alongado (braços, movimentos e posições de pé).
v  Dessous – (dessú) também chamado de Under no Método Royal. É o movimento que vem da frente por trás.
v  Dessus – (dessí) também chamado de Over no Método Royal. É o movimento que vem de trás pela frente.
v  Demi – (demí) metade. Todo movimento feito até a metade. Um demi rond de jambe começa devant e termina décoté.
v  Grand – (grã) grande. Um movimento feito de forma ampliada.
v  Grand pas de deux – (grã pá dê dê) passo de dois. É o pas de deux completo, composto de entrée, adagio, variação masculina e feminina e coda.
v  Bas – (bá) baixo.
v  Bras – (brá) braço. Port de bras significa portagem de braços; sequência de movimentos com os braços. Bras bas é o braço preparatório; os braços ficam alongados abaixo da linha do umbigo.
v  En dehors – (ãn deór) para fora. É a rotação que fazemos com as pernas e pés, como também é um sentido, uma direção, para movimentos. Se a perna de ação for a direita, ela vai da direita para a direita ou para trás, dependendo do movimento e da sensação de cada um.
v  En dedan – (ãn dedã) para dentro. "Dans" significa que algo está inserido em algo. Oposição do en dehors, essa rotação é muito usada no jazz e na dança contemporânea ocidental. Também é uma direção: se a perna de ação for a esquerda, ela vem da esquerda para a direita ou frente, dependendo do movimento ou sensação de cada um.

Dicas e lembretes gerais
v  Nas cenas de dança, é essencial fazer a narrativa acompanhar o ritmo da música. Por exemplo, se a música for mais tranquila, procure transmitir uma sensação de suavidade e leveza através de suas palavras; se ela for mais rápida e/ou agressiva, expresse o ardor, a raiva, a agonia da melodia.
v  A dança sempre tem um sentimento para passar, uma história para contar. É através dela que o bailarino se expõe para a plateia, então uma coreografia nunca é dançada da mesma maneira por duas pessoas diferentes. Citar nomes técnicos e criar toda uma ambientação condizente é necessário, claro, mas não se esqueça de dar ênfase no principal objetivo da dança: transmitir sentimentos. Saber como a personagem se sente dançando, o que a dança representa em sua vida, por que ela dança são detalhes que agregam toda uma magia especial à história.
v  Não se atenha tanto a nomes técnicos. Citar um aqui e outro ali só para dar um ar bailarinístico ao enredo já é o suficiente. Continue escrevendo como sempre escreveu e confie em suas descrições.
v  Por mais que uma pessoa ame o ballet, nem sempre (na maior parte do tempo) é uma dança gratificante. É preciso muito esforço, determinação, foco e persistência. Talento não é nada se a pessoa se contenta em ficar na zona de conforto, é preciso aproveitar todas as oportunidades para se aprimorar.
v  Os bailarinos costumam estudar várias danças ao mesmo tempo (como jazz e contemporâneo). Mesmo tendo foco e linhas diferentes, esses outros estilos podem contribuir para a técnica do ballet.
v  É comum acontecerem lesões durante os treinos. Coisas como torsões, luxações, fadiga muscular, fraturas e etc. Para evitar isso, é importante fazer um bom aquecimento e saber os limites do próprio corpo.

Se você nunca teve um contato prático com o ballet, sugiro que tente experimentar participar de uma aula, ou apenas ir assistir. Procurar por tutoriais de passos no YouTube e tentar reproduzir os mais simples (faça um aquecimento antes!) também é válido. Isso vai ser uma ajuda e tanto na hora de descrever as sensações das suas personagens com mais vivacidade.
 E falando no famigerado YouTube, abuse muito dele. Procure por tutoriais de passos, vídeos de aulas de ballet, depoimento de bailarinas, apresentações e aproveite para assistir aos ballets de repertório. Tentar ir a apresentações de ballet ao vivo também é válido (e uma ótima oportunidade para suspirar com as habilidades alheias). Não se esqueça de se afogar nos filmes sobre o tema.
 Ah, e se você quiser saber mais sobre os métodos do ballet, dê um pulinho aqui: https://goo.gl/Frs5s9². Aliás, esse blog é cheio de posts bacanas que podem te dar uma luz.
 Então, chegamos ao reverence! Espero que este artigo tenha te ajudado de alguma forma. Sinta-se livre para deixar dúvidas nos comentários do post. Obrigada por ter separado um tempo para dançar comigo e até a próxima.

Referências

http://naspontas.com.br/2016/01/13/metodos-de-ballet/². Acesso em 24 de maio de 2017, às 20h50.
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Diferenças Entre as Religiões e Denominações Cristãs

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018


Olá!

 Se você está pensando em escrever uma história que aborda a religiosidade, clicou no artigo certo. É sempre necessário pesquisar tudo o que puder sobre o tema que se planeja tratar. Ainda mais quando se fala em algo tão delicado quanto a religião.

 Com o passar dos séculos e a evolução da humanidade, muitas religiões surgiram e desapareceram, e um artigo só não bastaria para falar sobre todas elas. Por isso, vamos focar aqui nas principais religiões que são praticadas atualmente no mundo.

 Para começar, é importante definir o que é religião. Religião é um conjunto de símbolos, crenças, rituais e tradições que rege um grupo de fiéis nos aspectos espirituais e morais. Geralmente, uma religião tem sua base na crença do sobrenatural, da existência de um poder divino que comanda o destino da humanidade e que deve ser temido (no sentido de ser respeitado, obedecido).

 Atualmente, as principais religiões do mundo são:

1. Cristianismo
  1. Origem: fundada pelos seguidores de Jesus Cristo em 30 d.C. (estimativa).
  2. Adeptos: cristãos - aproximadamente 2,2 bilhões
  3. Crença: monoteísta - Deus Uno e Trino; Pai, Filho e Espírito Santo (formando a Santíssima Trindade); santos e profetas; anjos e demônios.
  4. Na prática:
    * batizado dos recém-nascidos;
    * seguimento e reflexão da Bíblia Sagrada (Cristã);
    * em memória da morte e ressurreição de Jesus Cristo, celebra-se a eucaristia (comunhão);
    * atividades religiosas aos domingos.
     Os cristãos acreditam que Jesus Cristo, filho de Deus, veio ao mundo para salvar a humanidade. Para eles, Deus é onipresente e onisciente, ou seja, está em todo lugar e sabe de todas as coisas.
     Têm o propósito de viver sob os mandamentos de Deus para alcançar o perdão dos pecados e, assim, ter a vida eterna.
     Há divisões dentro desta religião, mas sua base está presente em todas elas.
  5. Para saber mais: documentário da BBC sobre a história do cristianismo - https://goo.gl/LXvNXT.

2. Islamismo
  1. Origem: fundada pelo profeta Maomé no início do século VII.
  2. Adeptos: muçulmanos - aproximadamente 1,6 bilhões.
  3. Crença: monoteísta - Deus único chamado Alá; Maomé e outros profetas; anjos e jinns (espíritos que podem ser bons, mas em sua maioria são maus).
  4. Na prática:
    * obediência aos cinco pilares do Islã: fé, oração, peregrinação, esmola e jejum;
    * seguimento e reflexão do Alcorão;
    * não se pode consumir carne de porco, cão ou gato;
    * exercício do Ramadã, mês em que se pratica o jejum desde o nascer até o pôr-do-sol.
    * atividades religiosas às sextas-feiras.
     Os muçulmanos seguem os mandamentos da lei islâmica (a sharia), e acreditam que os ensinamentos de Alá contidos no Alcorão foram revelados a Maomé pelo anjo Gabriel. Assim como a Bíblia Cristã, o Alcorão apresenta admoestações sobre o Juízo Final e sobre a conduta ética e moral que seus fiéis, bem como histórias sobre Maomé e outros profetas.
     Também como os cristãos, os muçulmanos creem que, após a morte, as pessoas boas vão para o Paraíso, e as más, para o Inferno.
     Existem vertentes dentro desta religião com diferenças significativas relacionadas, principalmente, às concepções de liderança.
  5. Para saber mais: documentário sobre a história do Islã - https://goo.gl/f5obYA.

3. Hinduísmo
  1. Origem: Índia.
  2. Adeptos: hindus - aproximadamente 900 milhões.
  3. Crença: politeísta - Brama representa a força criadora ativa no universo, se manifestando em cerca de 330 mil deuses e deusas; Brama, Vishnu e Shiva são os deuses que formam a Trimúrti (a trindade hindu).
  4. Na prática:
    * devoção a um deus ou a uma deusa hindu;
    * crença no carma (a lei do retorno), a força que define que todas as ações têm consequências diretas;
    * exercícios de meditação e yoga;
    * peregrinação às cidades sagradas da tradição hindu.
     O hinduísmo tem suas doutrinas baseadas nas escrituras sagradas do livro de Vedas, e abrange uma vasta gama de seitas e variações (que podem ser politeísta ou monoteístas).
     Para os hindus, os humanos são escravos da ignorância, mas podem e devem evoluir espiritualmente. Eles creem que, após a morte, a alma reencarna diversas vezes até atingir o Nirvana (o ápice da evolução espiritual).
  5. Para saber mais: documentário da universidade Estácio de Sá (Vitória - ES) sobre o hinduísmo - https://goo.gl/1hMfyn.

4. Religião Tradicional Chinesa
  1. Origem: China.
  2. Adeptos: aproximadamente 400 milhões.
  3. Crença: politeísta - Guan Yu é o deus supremo; dualista - baseada no yin e yang.
  4. Na prática:
    * culto e devoção aos ancestrais;
    * adivinhações e profecias;
    * práticas de longevidade;
    * exercício do feng-shui: um prática chinesa que envolve arte e ciência, tendo o propósito de atrair influências positivas da natureza.
     O termo “religião tradicional chinesa” engloba a complexas interações entre as várias religiões e tradições filosóficas que se manifestam no território chinês. Misturam crenças, práticas e rituais de diferentes doutrinas como o Budismo, o Confucionismo, o Taoísmo e outras religiões menos populares.
     O objetivo dos adeptos desta religião é viver de modo favorável e alcançar a vida após a morte, reverenciando os ancestrais em ritos de homenagem. Acreditam no Juízo Final, que guia as almas para a reencarnação ou para o inferno temporário. Após a passagem pelo inferno, as almas podem voltar ao ciclo de reencarnação até que atinjam o Nirvana.
  5. Para saber mais: artigos com fotos e vídeo sobre as doutrinas da China - https://goo.gl/2C1oxW, https://goo.gl/eQGx6k

5. Budismo
  1. Origem: fundada por Sidarta Gautama (Buda), em 520 a.C. (estimativa).
  2. Adeptos: budistas - aproximadamente 376 milhões.
  3. Crença: não há um deus, apenas um líder espiritual (Buda); vertente politeísta e ateia.
  4. Na prática:
    * exercícios de meditação e mantras;
    * leitura de cânones;
    * devoção às divindades (dentro das seitas politeístas);
    * adoração às mandalas budistas.
     O budismo acredita no ciclo reencarnação, onde as vidas presentes e passadas estão interligadas, até que se atinja o Nirvana e se consiga a plenitude da natureza humana. Para seus fiéis, o carma passado e/ou presente determina consequências (frutos) e/ou resultados (vipaka); ele é gerado pelas ações do corpo, da fala e da mente (pelas reais intenções mentais).
     Existem diferentes escolas dentro desta religião que se dividem em: Escolas Antigas, Escolas Mahayana e Escolas Vajrayana.
  5. Para saber mais: documentário sobre a história do budismo - https://goo.gl/oigwqp.

6. Sikhismo
  1. Origem: fundada pelo Guru Nanak, na província de Punjab na Índia, no fim do século XV.
  2. Adeptos: sikhs - aproximadamente 20 milhões.
  3. Crença: monoteísta - Deus supremo chamado Ik Onkar (ou Nam).
  4. Na prática:
    * uso de turbantes;
    * orações e meditações sobre Deus;
    * equilíbrio entre trabalho, culto e caridade;
    * cerimônia de iniciação à comunidade sikh, chamada de khalsa.
     Os sikhs têm o objetivo de superar a si mesmos, alinhando a vida com a vontade divina para lutar pelo bem da humanidade e se tornar um “soldado santo”. Também acreditam na reencarnação, que termina após a solução das falhas humanas numa busca pela união com Deus.
     Uma das tradições do sikhismo consiste em levar as crianças recém-nascidas a um gurdwara (templo sikh). Lá, abre-se o Guru Granth Sahib (o principal texto religioso) numa página qualquer para se escolher um nome. Ele começará pela primeira letra da primeira palavra da página do lado esquerdo, na parte em que o livro foi aberto.
  5. Para saber mais: documentário da Globo sobre o sikhismo - https://goo.gl/PVhFEB.

7.  Judaísmo
  1. Origem: Palestina, 1300 a.C. (religião hebraica).
  2. Adeptos: judeus - aproximadamente 15 milhões.
  3. Crença: monoteísta - Deus único chamado Adonai; Abrãao como patriarca.
  4. Na prática:
    * circuncisão no nascimento;
    * leitura e reflexão da Bíblia Hebraica;
    * celebração do Bar Mitzvá (para meninos aos 13 anos e um dia) e do Bat Mitzvá (para meninas aos 12 anos e um dia), que marcam a passagem para a maioridade religiosa;
    * reserva dos sábados para descanso;
    * cultos nas sinagogas e nos templos judeus.
     O judaísmo objetiva uma vida ética sob a obediência aos mandamentos divinos contidos na Torá, que foi revelada a Moisés por Deus. Dentre seus fiéis, há aqueles que acreditam numa vida após a morte (no “Mundo Vindouro”, o paraíso), e há aqueles que descartam a ideia. A religião em si não determina nada exato em relação a esse quesito.
     Os judeus praticam uma tradição matriarcal, ou seja, um filho de mãe judia também será judeu.
     A religião possui três grupos diferentes: o ortodoxo, o conservador e o reformista.
  5. Para saber mais: documentário sobre a história e origem do judaísmo - https://goo.gl/PpfXof.

8.  Espiritismo
  1. Origem: fundado nos EUA após a difusão do O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec (França, 1857).
  2. Adeptos: espíritas - aproximadamente 13 milhões.
  3. Crença: a crença oficial é baseada na doutrina e no Deus cristão, mas existem variações.
  4. Na prática:
    * comunicação com os espíritos dos mortos;
    * medicina espiritual;
    * leituras de guias e idas a centros espíritas.
     Na verdade, o espiritismo é mais um movimento do que uma religião. Seus princípios são baseados em cinco “obras básicas” chamadas de Codificação Espírita (também de Allan Kardec).
     Para os espíritas, o corpo e o espírito são entidades separadas. Acreditam que seguir valores morais e manter contato com espíritos afeta a vida após a morte. Quando uma pessoa morre, seu espírito vai para o Céu, ou fica preso neste plano até que tenha evoluído o suficiente para seguir seu caminho em forma de luz.
  5. Para saber mais: documentário da BBC - https://goo.gl/Bmkmhc.


 Como dito anteriormente, há divisões dentro da religião cristã, e um dos pedidos para esse post foi a diferenciação entre elas. No Brasil, convivemos diariamente com a maioria dessas divisões, mas quem as observa de fora pode confundi-las, ou ficar com a impressão de que são todas iguais. Apesar de a base do cristianismo (as informações listadas lá em cima) estar presente em cada uma de suas divisões, podemos encontrar muitas divergências.
 Dê uma olhada na lista a seguir com as principais ramificações cristãs:

1. Catolicismo
  1. Hierarquia: o papa é a autoridade máxima dentro da Igreja.
  2. Sacramentos: batismo, eucaristia, crisma, casamento, ordem, penitência e extrema unção.
  3. Salvação: fé e boas obras.
  4. Escrituras: Bíblia e livros deuterocanônicos (sete livros que foram retirados da atual tradução do Antigo Testamento).
  5. Particularidades:
    * latim como língua litúrgica oficial (mas as missas podem ser celebradas em qualquer idioma);
    * uso de terços, crucifixos e imagens (estátuas) de santos (importante lembrar que católicos não adoram imagens, apenas as usam como uma representação concreta dos santos).

2. Igreja Ortodoxa
  1. Hierarquia: descentralizada, porém representada pelo Patriarca de Constantinopla.
  2. Sacramentos: batismo, eucaristia, crisma, casamento, ordem, penitência, extrema unção, jejum e doações.
  3. Salvação: fé e boas obras.
  4. Escrituras: Bíblia e livros deuterocanônicos.
  5. Particularidades:
    * todas as missas são realizadas na língua vernácula;
    * uso de rosários, crucifixos e imagens pintadas (quadros) de santos (importante lembrar que ortodoxos não adoram imagens, apenas as usam como uma representação concreta dos santos).
    > Para conferir diferenças mais detalhadas entre a Igreja Católica e a Ortodoxa, dê um pulinho aqui: https://goo.gl/oPkhvo.

3. Anglicanismo
  1. Hierarquia: centralizada de forma moderada, com o arcebispo da Cantuária como símbolo de unidade mundial.
  2. Sacramentos: batismo e eucaristia, são os principais; crisma, casamento, ordem, penitência e extrema unção são tidos como sacramentos menores (ritos sacramentais).
  3. Salvação: fé.
  4. Escrituras: Bíblia e livros deuterocanônicos (com restrição às seções mais protestantes).
  5. Particularidades:
    * não possui língua litúrgica oficial.
    * a Igreja Anglicana se descreve como uma instituição que manteve alguns elementos católicos, mas que também incorporou elementos protestantes.

4. Luteranismo
  1. Hierarquia: descentralizada.
  2. Sacramentos: batismo e eucaristia.
  3. Salvação: fé.
  4. Escrituras: Bíblia e livros protocanônicos (que foram retirados da atual tradução do Antigo Testamento).
  5. Particularidades:
    * a Bíblia pode ser livremente interpretada.

5. Igreja Batista
  1. Hierarquia: descentralizada.
  2. Sacramentos: não há. O batismo é voluntário e a Ceia do Senhor, memorial; ambos são tidos como ritmos comunitários.
  3. Salvação: arrependimento e contrição.
  4. Escrituras: Bíblia (com ênfase no Novo Testamento).
  5. Particularidades:
    * a Bíblia pode ser livremente interpretada;
    * separação entre Igreja e Estado.

6. Presbiterianismo
  1. Hierarquia: descentralizada.
  2. Sacramentos: batismo e eucaristia.
  3. Salvação: predestinação.
  4. Escrituras: Bíblia e livros protocanônicos.

7. Adventismo
  1. Hierarquia: escolhido por voto, o presidente da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia é a autoridade máxima.
  2. Sacramentos: batismo, eucaristia e lava-pés.
  3. Salvação: fé e boas obras.
  4. Escrituras: Bíblia e Obras de Ellen G. White.
  5. Particularidades:
    * sábado como dia de descanso;
    * separação entre Igreja e Estado;
    * mortalidade da alma e volta de Jesus Cristo.

8. Metodismo
  1. Hierarquia: descentralizada.
  2. Sacramentos: batismo e eucaristia.
  3. Salvação: em três passos - graça previniente, conversão e santificação.
  4. Escrituras: Bíblia.

9. Testemunhas de Jeová
  1. Hierarquia: centralizada no Corpo Governante e suas corporações afiliadas.
  2. Sacramentos: batismo.
  3. Salvação: fé e obras de evangelização.
  4. Escrituras: Bíblia, com exclusão dos livros apócrifos (e na tradução do Novo Mundo).
  5. Particularidades:
    * evangelização de casa em casa;
    * paraíso na terra como esperança.

10. Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmon)
  1. Hierarquia: presidente da igreja (com sede em Salt Lake City) é a autoridade máxima.
  2. Sacramentos: batismo, crisma, casamento e ordem.
  3. Salvação: boas obras.
  4. Escrituras: Bíblia, Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e Pérola de Grande Valor.
  5. Particularidades:
    * pré-existência da alma antes da encarnação.

 Existem outras ramificações cristãs, mas procurei listar aqui as que mais encontrei pelas fanfics do Nyah!. Aqui você encontra uma linha do tempo com mais ramificações: http://arte.folha.uol.com.br/poder/2016/12/25/arvore-religioes/.
 Independentemente da religião que escolher abordar em sua história, tenha em mente que esse post contém apenas características básicas para uma diferenciação mínima, e que, claro, existem outras religiões além das que apareceram aqui. Para descobrir mais particularidades sobre a sua escolha, aposte nestas dicas:
  1. Documentários: nesse mundo vasto chamado internet, você consegue encontrar documentários em várias línguas e durações sem muito esforço. Antes de assisti-los, cheque as críticas para saber o que vai encontrar (procure sempre pelos conteúdos neutros).
  2. Artigos: muitos veículos de informação têm artigos super esclarecedores sobre as religiões do mundo (como BBC, Globo, Superinteressante…). Além deles, você pode contar com sites dedicados à religião que você escolher, onde, geralmente, o conteúdo é mais rico em detalhes.
  3. Pesquisa de campo: se possível, vá a uma celebração/cerimônia dessa religião para observar com seus próprios sentidos a reação dos fiéis e a realização dos ritos, por exemplo. Se conhecer algum praticante, tente uma entrevista para tirar suas dúvidas.
  4. Pesquisa, pesquisa e pesquisa: apoie-se em imagens, músicas, vídeos de depoimentos/celebrações e tudo o mais que puder encontrar sobre a religião escolhida. Claro, sua história não tem de ser uma aula de religião, mas incrementá-la com alguns detalhes únicos a deixará muito mais palpável para os leitores!

  Agora, e se você ainda não escolheu que religião abordar? Não se preocupe! Temos dicas para esse caso também:
  1. Local/Época: definindo esses dois pontos sobre seu enredo, você pode pesquisar quais eram as religiões mais populares no espaço entre eles e qual se encaixa melhor no plot.
  2. Características dos personagens: de acordo com o perfil dos seus personagens, qual religião você acredita que eles se encaixariam?

 Bom, esse foi nosso post sobre as diferenças entre as principais religiões. Obrigada por ter lido até aqui. Espero ter te ajudado pelo menos um pouquinho, e também espero criar uma ótima história!
 Se restar alguma dúvida, fique à vontade para me contatar pelo Nyah.
 Até mais ver!

Referências

Entrevista com Mariléa Antunes Costa, formada em Teologia (para leigos) pela Faculdade Paulo VI (Mogi das Cruzes - SP).
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