Dicas Para Escrever Um Bom Drama, Terror E Angst [3/3]

quarta-feira, 28 de setembro de 2016
Por: Amaranthine


Olha eu aqui de novo! Admitam, vocês sentiram a minha falta este mês. Quem não sentiria? Todo mundo Então, bora ter mais dicas com a Lady diva aqui? Deixaram a melhor parte por minha conta. Porque, vocês sabem né…

Todo mundo sabe disso

Como sempre, vamos começar com uma definição do que é o terror: apesar de ser muito óbvio

“O terror é uma sensação de medo muito intensa. O medo define-se como uma perturbação angustiante do espírito devido a um risco real ou imaginário; a partir do momento em que o medo se apodera do controle cerebral e que o indivíduo já não consegue pensar de forma racional, o mesmo está perante uma situação de terror.”

Esta definição foi retirada do site “conceito.de”, e é interessante notar que não estamos apenas tratando de terror quando definimos o gênero, mas de um conjunto de elementos que tornam a história aterrorizante. Veja, toda esta trilogia se encaixa aqui: drama e angst ajudam na construção do seu enredo. Afinal, o terror não é uma “perturbação angustiante do espírito”?

O problema é que fazer uma história de dar medo dá trabalho. Muito. Assim como a comédia, é impossível saber se o leitor sentirá medo. Às vezes, a pessoa é igual a mim, que não tem medo de livro nenhum. É preciso um pouquinho de estímulo visual para que eu dê um sustinho…

Tipo isso aqui

Devido este pequenino grande problema vamos fazer desta a nossa primeira dica: Esqueça o leitor.

Que?! Lady Amaranthine, você enlouqueceu!

Não, calma. Só estou dizendo que, se você ficar pensando demais na reação do público, a história deixa de fluir do seu teclado, lápis, tinta, pena, o que for, e fica forçada. Ninguém consegue escrever algo do próprio agrado sob pressão. Sério. Ficar pensando no leitor limita a sua percepção do que escrever, então vamos fazer pensando em nós mesmos, ok?

Depois dessa vocês devem estar me perguntando…

"Vamo fazer o quê?"
Simples! Vamos às dicas! Yey!

Todos gostamos de umas dicas

Leia

Ninguém vai chegar de primeira, olhar para a tela do computador e virar o novo Stephen King sem antes ter uma boa carga de leitura nas costas, pois além de aumentar o nosso vocabulário, a leitura inclui ideias. Dá base para novas descrições e histórias nunca antes imaginadas. Mas… Vamos supor, só supor porque não consigo imaginar isso que você faça o tipo que tem preguiça de ler. Então vai ver série e filme, ué… Também são cargas culturais, não? Só não espere sair escrevendo bem só com isso.

Faça a sua ideia valer

Este tópico engloba inúmeras coisas. Vai desde ter a ideia dos sonhos até construir tudo bonitinho para postar. Tenham em mente que, como eu disse antes, o mesmo plot que assusta um, deixa outros sem emoção alguma. Neste caso, faça sua ideia valer, saia do comum, aliás, mesmo que tenha muitos elementos comuns, faça um serviço tão lindinho que prenda o leitor ao ponto de fazê-lo mergulhar no enredo. Se você estiver satisfeito com o resultado, muitos outros pensarão o mesmo, seja confiante! E se houverem críticas… Seja legal e não um autor babaca.

Use de elementos que assustem, mas não se atenha a isso

É certo que queremos assustar, mas toda hora não dá! Fazer um bicho pular nas costas do seu principal a cada cinco minutos ou um rato sair do bueiro, encanamento estourar, o inferno a quatro, cansa. Sério. Aí você vai começar a fazer papel de ridículo. Da mesma forma, ambientes sangrentos são o máximo, todo mundo adora usar uma sala empapada de sangue, quase dá para nadar no negócio e fazer canoagem. A menos que tenha um sentido mesmo, tentem maneirar. Pensem que o terror não está só no cenário, mas no psicológico de cada personagem. Sabendo descrever bem, até uma aranha peluda no teto vai dar um medo do inferno! Se bem que qualquer aranha assusta

Quando a cena possui tanto sangue que dá pra nadar nele

Capriche no monstro (serial killer, mãe diná, capiroto… whateaver)

Para além do personagem principal, o vilão (ou monstro) é a nossa estrela da história. Desde carismático a assustadores, de apaixonar ou simplesmente arrepiar a nossa espinha, os monstros no terror são o que fazem a trama correr. São o norte da história, então nada mais justo do que gastar um bom tempo pensando neles, não acham? O legal mesmo é você conseguir fazer algo diferente, é óbvio que vamos tirar inspiração de algum lugar, porém nada de sair copiando tudo e deixando igual, né? Já vi fanfic onde o monstro era a cara daquele(a) capiroto múmia das capas de álbum do Iron Maiden (antes que me julguem, eu curto bandas de metal). Tá, aquele bicho dá medo, mas cortou toda a imersão que eu tinha na leitura, pois comecei a divagar, imaginar “Fear of the dark” tocando de fundo… Já viu. Algumas assimilações cortam a imersão.

Preciso nem dizer quem é o autor e o leitor nisso aí, né?


Não faça um personagem principal óbvio demais

O que eu quero dizer com isso? É comum em histórias de terror termos a trupe básica de filmes do gênero (a patricinha chata, o bonitão, o negro que conta piada e vai morrer, a perfeitinha que se acha feinha, and some other shits…). Não passe isso para sua história. Please… Aproxime o seu personagem do real, faça dele uma pessoa como qualquer outra, com medos, manias, defeitos e qualidades. Muitas vezes, o terror pode vir dele, a partir da sua visão de mundo. Ou quem sabe… O monstro reside no próprio principal? Não no sentido alien, é… Não. Falo no sentido psicológico.

Ambientação

Nada pior do que uma ambientação ridícula. Corta o clima, dá sono e faz o leitor fechar a aba de leitura para ir fazer outra coisa mais útil como… Jogar Pokemón GO Detalhe bem o que estiver fazendo quando necessário, se tem um cômodo que é assustador, faça-o assustador através da descrição e do ponto de vista do seu personagem. E escolha bem as palavras, tem umas coisinhas que vocês escrevem que são de dar preguiça… Tipo isso aqui:

“Joseph nunca sentiu tanto medo de consultórios médicos quanto agora, deitado em uma maca da ala cirúrgica tendo como único consolo a certeza de que estava vivo. Por enquanto… Soltou um longo respiro…” (Exemplo inventado por mim, baseado em algo que já li)

Nem vou entrar muito no mérito da questão para não fugir do tema, mas só para deixar claro “longo respiro” é algo broxante de se ler, porque ninguém faz isso. Dá uma linda quebra de imersão. E não inventem palavrinhas! Vocês não são o novo Aurélio. Quer dizer, vocês podem, eu não mando em ninguém mesmo… Mas tenham bom senso.

Eu lendo uma ambientação ridícula

Faça um roteiro

Gente, se produzam! Façam um roteirinho, notinhas no verso do caderno, o que for! Mas deixem as coisas anotadas, porque esquecer é algo muito recorrente. E, sério, dá uma preguiça horrorosa ter que rodar 100 páginas para lembrar a cor do olho de um personagem ou a descrição de um galpão. É melhor ter tudo anotado para não sair perdendo a cabeça.

Literalmente

E, claro! Como última dica de ouro… Tenham bom senso! Repetirei isso a minha vida inteira, contudo é a verdade. Bom senso salva vidas e boas histórias, então usem sem moderação!

Finalizamos por aqui. Dúvidas, desesperos ou qualquer outra coisa, saibam que podem contar com os betas da Liga para ajudar. O pessoal aqui é muito legal e divo não tanto quanto eu, mas deixa eu fingir ser legal.

Nos encontramos por aí!

Bye bye!



Referências
http://conceito.de/terror
http://pt.wikihow.com/Escrever-uma-Hist%C3%B3ria-de-Terror

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“Faz Boa Arte”: Um Discurso de Neil Gaiman [03/03]

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Por: Elyon Somniare

Saudações! Ansiosos para a terceira e última parte do discurso do “Nelinha”? Suspeito que alguns deverão ter esperado para ter a tradução toda disponível, de modo a poderem ler tudo de uma assentada. Para esses, o tempo de esperar terminou =)

Enjoy:

“(…) Sexto. Vou transmitir algum conhecimento freelancer secreto. Conhecimento secreto é sempre bom. E é útil a alguém que planeia criar arte para outras pessoas, que queira entrar no mundo freelancer de qualquer área. Eu aprendi-o com as comics, mas também se aplica a outros campos. E é isto:

As pessoas são contratadas porque, de algum modo, são contratadas. No meu caso fiz algo que nos dias de hoje seria fácil de verificar e que me deixaria em sarilhos, e que quando eu comecei, nesses dias pré-internet, parecia uma estratégia de carreira sensata: quando editores me perguntavam para quem eu tinha trabalhado, mentia. Listava um punhado de revistas que me pareciam prováveis, soava confiante, e conseguia os trabalhos. Mais tarde tornei questão de honra escrever algo para cada uma das revistas que listei para conseguir aquele primeiro emprego, para que não tivesse mentido de verdade, só cronologicamente desafiado… Consegues trabalho de qualquer maneira que consegues trabalho.

As pessoas continuam a trabalhar, num mundo freelancer, e cada vez mais e mais do mundo de hoje é freelancer, porque o seu trabalho é bom, e porque são fáceis de se lidar com, e porque entregam o trabalho a tempo. E nem sequer precisas de todas estas três coisas. Duas de três é bom. As pessoas vão tolerar quão desagradável és se o teu trabalho é bom e o entregas a tempo. Vão perdoar o atraso da entrega se o trabalho é bom e se gostam de ti. E não tens de ser tão bom como os outros se és pontual e é sempre um prazer conversar contigo.

Quando concordei com este discurso, comecei a pensar qual foi o melhor conselho que me deram ao longo dos anos.

E veio do Stephen King, há vinte anos, aquando o sucesso de Sandman. Eu estava a escrever uma comic que as pessoas adoravam e estavam a levar a sério. King tinha gostado de Sandman e do meu livro com Terry Pratchett, Bons Augúrios, e viu a loucura, as longas filas de autógrafos, tudo isso, e o seu conselho foi este:

“Isto é realmente bom. Devias aproveitar.”

E eu não aproveitei. O melhor conselho que tive que ignorei. Em vez disso preocupei-me. Preocupei-me sobre a próxima deadline, a próxima ideia, a próxima história. Não houve um momento nos catorze ou quinze anos seguintes em que eu não estivesse a escrever alguma coisa na minha cabeça, ou a questionar-me sobre isso. E não parei e olhei em volta e pensei, isto é mesmo divertido. Queria ter aproveitado mais. Tem sido uma viagem fantástica. Mas houve partes da viagem que perdi, porque estava demasiado preocupado sobre coisas correrem mal, sobre o que viria a seguir, para aproveitar o momento em que eu estava.

Essa foi a lição mais difícil para mim, penso: deixar-me ir e aproveitar a viagem, porque a viagem leva-nos a alguns lugares memoráveis e inexplicáveis.

E aqui, nesta plataforma, hoje, é um desses lugares. (Estou-me a divertir imenso.)

A todos os graduados de hoje: desejo-vos sorte. A sorte é útil. Irão descobrir com frequência que quanto mais arduamente trabalharem, quanto mais sabiamente trabalharem, mais sortudos serão. Mas a sorte existe e ajuda.

Agora mesmo estamos num mundo em transição, se estás em qualquer tipo de campo artístico, porque a natureza distributiva está a mudar, os modelos pelos quais os criadores lançavam o seu trabalho ao mundo, e conseguiam manter um tecto sobre as cabeças e comprar sanduíches enquanto o faziam, estão todos a mudar. Tenho falado com pessoas no topo da cadeia alimentar em edição, venda de livros, em todas essas áreas, e ninguém sabe como o quadro será daqui a dois anos, quanto mais uma década. Os canais de distribuição que as pessoas têm construído durante mais ou menos o último século estão em fluxo para as impressões, para as artes visuais, para os músicos, para as pessoas criativas de todos os tipos.

O que é, por um lado, intimidador, e, por outro, extremamente libertador. As regras, as suposições, os “agora é suposto que nós” que vêem o teu trabalho e o que fazes a seguir, estão a quebrar-se. Os porteiros estão a deixar os seus portões. Podes ser tão criativo quanto precisas de ser para ter o teu trabalho visto. O Youtube e a Web (e o que quer que seja que venha depois do Youtube e da Web) podem dar-te mais pessoas a verem o teu trabalho do que a televisão alguma vez pôde. As velhas regras estão a desintegrar-se e ninguém sabe quais são as novas regras.

Então inventa as tuas próprias regras.

Recentemente alguém perguntou-me como fazer algo que ela achou que seria difícil, neste caso, gravar um audiobook, e sugeri que ela fingisse ser alguém que o conseguisse fazer. Não fingir que o fazia, mas fingir que era alguém que o conseguia fazer. Para esse efeito ela colocou um recado na parede do estúdio, e disse que ajudou.

Então sê sábio, porque o mundo precisa de mais sabedoria, e se não consegues ser sábio, finge que és alguém que é sábio, e então limita-te a comportar-te como alguém sábio se comportaria.

E agora vai, e comete erros interessantes, comente erros maravilhosos, comete erros gloriosos e fantásticos. Quebra regras. Torna o mundo mais interessante por estares aqui. Faz boa arte.”

Neil Gaiman


Não irei escrever muito mais por aqui, visto que a Nelinha já falou imenso, mas não podemos negar que são palavras que valem a pena ler. Estou apenas a ranger os dentes perante a grande quantidade de “and/e”, ahah.

Discurso e transcrição originais disponíveis aqui: http://www.uarts.edu/neil-gaiman-keynote-address-2012

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Como Criar um Mundo em (Talvez Mais de) Seis Dias – Parte 3/3

quarta-feira, 7 de setembro de 2016


Por: MicheleBran

Olá, leitores do blog da Liga dos Betas.

Esse é meu primeiro post por aqui e, bem, já comecei com a tarefa complicada de continuar o trabalho de alguém. Para entrar no tema, é basicamente como se algum escritor de fantasia tivesse criado 60% do mundo e me desse nas mãos para que eu terminasse.O que ele estava pensando para os 40% que faltava? Como posso continuar bem essa tarefa, sem que nada se perca ou fique diferente da ideia original? O que eu posso acrescentar a esse trabalho?

Mil perguntas... Vamos lá tentar respondê-las.

Até aqui, já vimos como você pode criar as bases do seu mundo, começar a delineá-lo e povoá-lo. Hoje vamos mais além. Vamos tentar aprofundar tudo o que já temos, começando a dar dimensão ao nosso mundo de fato.

Prontos? Apertem os cintos para a reta final do seu “brincar de Deus” e construir um universo que faça sentido e seja verossímil. Come on!


Quinto Dia – Explicando
Ou “Por que tudo isso está acontecendo?”

Ao chegarmos aqui, o esperado é que você já tenha as bases do seu mundo. Isso inclui não apenas a criação dele, como também os povos e as raças, a história, a geografia, as leis físico-químicas e biológicas, além de já ter decidido quanto de magia e/ou tecnologia vai utilizar.

Se você já fez o mundo com uma história em mente, tanto melhor. Já temos o onde e o quem, a essa altura. É chegada a hora de pensar nos porquês, e aqui o passado do seu mundo é o ponto-chave.

Pense nas sociedades do nosso mundo. Por que estamos como estamos? Em termos de guerras, conflitos, relações entre diferentes povos, tecnologia, linguagem, organização social, cultura, ciência... Tudo isso é resultado de um processo milenar de evolução.

Agora vamos tentar aplicar isso ao seu mundinho.

Explicando tretas - Há uma guerra ou conflito entre povos? Se sim, vamos pensar no passado, em como tudo isso começou. Como essas sociedades se relacionavam? Normalmente, já há certa animosidade antes que o barril de pólvora (às vezes literalmente) exploda. Qual foi o evento inicial? Era algo simples, que poderia ser resolvido facilmente, mas saiu do controle? Há quanto tempo eles estão nessa briga? Com quem se aliaram e por quais motivos? Quem está ganhando? E perdendo? Por quê? Como esse conflito evoluiu ao longo dos anos? Como essa guerra mudou esses povos, não apenas social, mas também fisicamente? Há locais que foram abandonados? Destruídos? Que dificuldades esses conflitos vêm causando ao longo do tempo? É um conflito com vilões e mocinhos bem definidos (como na Terra-Média) ou é algo mais como Westeros, em que as pessoas possuem interesses conflitantes e os defendem, mas ora podem ser “bonzinhos” ou “vilanescos”, dependo do ponto de vista de quem observa? Para quem seu leitor deve “torcer”?

Muitas e muitas outras perguntas poderiam ser feitas ainda, mas como eu disse antes, explicar o mundo é basicamente investigar o que aconteceu no passado para saber o que e por que algumas coisas acontecem no presente, para daí tentar prever que consequências futuras esses eventos terão (o que vai facilitar até seu processo de construir o enredo da história em si, quando essa fase de worldbuilding acabar).

Explicando evoluções sociais – Semelhante ao tópico anterior em partes, aqui tentaremos explicar como os povos e raças se tornaram o que são hoje. Por quais dificuldades eles tiveram que passar? Que tecnologias desenvolveram e por quais razões? O quanto esse povo ou raça aumentou/diminuiu ao longo dos anos? Que alianças com outros povos ou raças foram firmadas ou quebradas esse tempo todo? Que preconceitos esse povo ou raça tem? Algum deles já foi quebrado? Como? O que esse povo ou raça tem produzido em termos de cultura (como pintura, escrita, música, etc.)? Como as ações desse povo mudaram o local onde eles vivem?

Com isso pronto, fica bem mais fácil explicar quem seus povos ou raças são e como eles se diferenciam uns dos outros (essa diferenciação é algo que você precisa ter em mente e deixar claro. Não tem nada mais maçante que todo mundo parecer muito igual aos olhos de quem está lendo). E, mais importante, como eles chegaram até aqui.

Explicando avanços tecnológicos – Aqui você deve pensar em como a produção intelectual dos povos avançou no período de tempo determinado. O que foi criado em termos de tecnologia de comunicação? E na medicina? E nos transportes? Que povo criou o quê? Há tecnologias ou criações em geral de um povo que foram adotadas por outros?

Definindo a mitologia – Outra dimensão interessante para explicar seu mundo e os principais acontecimentos dele é a mitológica/religiosa. Imagino que, a essa altura, você já tenha definido se vai usar o tema ou não em seu mundo (ou se usará de forma mais sutil), então é interessante pensar se as pessoas usam a mitologia para tentar compreender, por exemplo, fatos que ainda não possuem explicação científica (como fazíamos nos primórdios da humanidade), mas essas histórias são apenas mitos ou se o deus ou deuses realmente existem e interferem no mundo. Com isso decidido, caso tenha optado por também abordar religião e mitologia em sua história, podemos passar adiante e pensar em possíveis questões para ser respondidas. Segundo a perspectiva religiosa/mitológica, como o mundo foi criado? Há apenas um deus ou vários? Qual é ou quais são eles? Se há vários deuses, como eles se relacionam entre si?Como esses relacionamentos divinos afetam as relações dos povos ou raças do mundo? Há uma religião, ou mais de uma, que seja institucionalizada (com templos ou igrejas, doutrinas e regras a seguir, rituais, etc.)? As diferenças religiosas causam conflitos entre os povos ou raças? Se sim, como e por quê?

E poderíamos seguir perguntando infinitamente aqui, e sobre muitos mais outros temas...

A ideia desse tópico é ajudar você a entender que explicar algo é basicamente voltar no tempo. Se eu fosse explicar a qualquer pessoa como me tornei escritora e beta, não poderia falar apenas do que estou fazendo nesse momento. Teria que voltar anos e anos no tempo para falar como surgiu meu interesse pela escrita e como fui me desenvolvendo nessa área até o momento, tudo o que aprendi e com quem, porque quis aprender algumas coisas e outras não, porque quis escrever sobre alguns gêneros e outros não.

O importante é você ter em mente que explicar seu mundo usando a perspectiva histórica, social e religiosa dará muito mais profundidade e o fará parecer mais crível aos olhos do seu leitor. Tomando esse cuidado, os leitores terão a sensação de que as coisas realmente passaram por todo um processo até chegar ao que são no “atualmente” que você deseja contar.

Em resumo: explicar o presente é voltar no passado. Não precisa falar tudo ainda, explicar as minúcias das coisas por agora. Apenas registre os pontos mais importantes, que de fato expliquem o que quer que deva ser explicado nesse momento.
Com isso, poderemos passar para o dia seguinte...

Sexto Dia - Detalhando
Ou “Dando vida e dimensão ao seu mundo”

O simples exercício de explicar coisas já vai ajudar você a começar a detalhar alguns aspectos do seu mundo. Quanto mais você pensar no porquê das coisas, mais informações sobre cada aspecto do seu mundo vão aparecer.

Quanto mais você pensar nos porquês, ondes, quandos e com-quens dos eventos que deseja contar (ao menos, dos principais, que influirão positiva ou negativamente na configuração do mundo), mais ele ganhará vida e detalhes, seja geográfica, histórica ou socialmente falando.

Particularmente, gosto de começar no ponto inicial, de como tudo foi criado, e a partir disso seguir em frente com a história do mundo, então essa parte para mim não é tão difícil.

Mas não se desespere.

Há formas de aprofundar tudo e fazer seu universo parecer real mesmo que você siga outro método. O que não falta na internet, tanto na do Braza quanto na gringa, é formulário e tabela para ajudar você a pensar detalhadamente em todo esse lado de sua criação. Desde perguntas específicas sobre o aspecto físico, até questionamentos sobre seus povos e raças, religião, magia, tecnologia, cultura, educação, interação entre as populações, fauna, flora e por aí vai. Alguns são mais detalhados que outros e sempre é possível você acrescentar partes se achar necessário. Use a seu critério.

Tenho dois preferidos, um em pt-br e outro na língua do Obama, caso você compreenda, que estão linkados no final do post — junto com mais sites bacanudos que podem ajudar em vários aspectos do worldbuilding.

Outra dica fundamental é você rascunhar um mapa, nem que seja bem rudimentar, do seu mundo e destacar os principais lugares onde sua história se passa (vilas, cidades, reinos, estados, países, etc.). Assim você também evita ficar perdido sobre quanto chão sua história cobre e sabe exatamente onde estão e para onde vão seus personagens. Mesmo que você não seja desenhista (eu sou péssima, só faço boneco-palito e olhe lá), é interessante ter algo nesse sentido. Aliás, justamente para quem não é desenhista há vários sites que podem fazer esse trabalho por você. Novamente, linkei um deles ao fim do post.

Um último conselho ou dica. Ou sugestão. Ou pedido. Whatever. Está mais para opinião impopular, mesmo, mas vamos lá: é totalmente liberado se inspirar em eventos reais para criar coisas para seu mundo, seja no esboço ou nesse processo de detalhamento, mas... Se for para criar culturas completamente idênticas às que já existem em nosso mundo, com os mesmos costumes, o mesmo visual, os mesmos valores, não seria mais simples pesquisar mais sobre nosso mundinho e escrever nele? O mesmo vale para raças de mundos de fantasia que você use de base.

Há sempre algo de seu que você pode criar ou acrescentar. Há sempre coisas novas que você pode fazer, basta exercitar sua imaginação. Lembre-se de que por mais que seu leitor possa não se importar com clichês, o que não falta é história de fantasia usando certos conceitos por aí. Não custa nada quebrar essas expectativas de vez em quando, aliás, é excelente até para seu crescimento literário que faça isso.

Escolha suas referências, adicione sua própria criatividade, bata no liquidificador e sirva como preferir. De qualquer forma, boa sorte nesse caminho árduo.

BÔNUS: Sétimo dia – Organizando
Ou “Achou que ia descansar, né?”

Spoiler: Descanso? Seu trabalho está só começando. Ajeite essa postura, abra esse Word e volte ao trabalho!


Agora que, pelo menos, o grosso de seu mundo já está criado, que já há pessoas, animais e plantinhas vivendo em harmonia (ou não rs) nos diferentes locais geográficos criados por você, que tal ordenar isso de uma forma lógica e simples, que não vá deixá-lo confuso procurando onde está X coisa na hora de escrever?

De minha parte, tenho TOC em organização. Estou literalmente desde o começo do mês passado organizando minha pasta de fics e alguns escritos dos últimos meses e sinto que não vou conseguir trabalhar direitinho até que tudo esteja devidamente no seu lugar. Se você também é assim, já deve estar em polvorosa pensando em como vai arrumar tudo isso de forma que fique fácil de consultar.

Calma, seus problemas acabaram (????).

Se você fez uso de algum daqueles worksheets lá em cima, já tem boa parte de seu trabalho na parte de organização pronto, a não ser que tenha respondido de forma não-linear em múltiplos arquivos.

Se for o caso, tente separar seu material em diferentes pastas. Uma para as raças, outra para as civilizações humanas, outra para história do mundo, outra para geografia, e por aí vai.

É altamente recomendado que você use imagens para se ajudar a criar as referências visuais dos ambientes (naturais e criados), das raças e etnias que compõem esse mundo, etc. Nesse caso, talvez o melhor a ser feito é separar uma pasta apenas para as imagens e subpastas para cada um desses tópicos em que você vai utilizá-las.
Também é desnecessário dizer que, para o bem de sua sanidade mental, a história em si deve estar separada desses arquivos todos, certo? Tenha duas pastas, uma para o processo de criação completo e outra para seu plot e escrita em si da história.



Ao final de todo esse processo, dependendo de como você trabalhou, espera-se que pelo menos a maior parte do mundo já esteja devidamente criada e “pronta para uso”. Daqui em diante, dependendo de seu gosto, você pode se aprofundar e detalhar mais, procurar por furos e inconsistências e trabalhar em como superar esses problemas, ou já começar a escrever mesmo.

O que importa é que você sempre pesquise e busque novas formas de criar seu mundo com o máximo de detalhes possíveis que deseja colocar, que se dedique e procure sempre dar o melhor de si em seu trabalho. É isso o que faz mundos parecerem reais.

Foi o suor no rosto de seus respectivos autores que criaram universos incríveis, como a Terra-Média, Nárnia ou Westeros, e tantos outros que eu poderia citar aqui (mas não vou poder porque esqueci). Não é um processo fácil, não é simples e certamente você vai quebrar a cabeça muitas vezes até tudo ficar como você quer/precisa (experiência própria aqui, eu poderia ser exagerada e dizer que não tenho mais cabelo pra arrancar, mas convém não mentir).

Mas, ao final, quando seus leitores se sentirem tão ansiosos para visitarem seu mundo quanto você fica interessado no mundo dos autores que admira, tudo terá valido a pena.

Até as sugestões de internação em clínicas psiquiátricas.

Boa sorte com essas histórias e espero que esta última parte do artigo tenha sido útil.

Nos vemos por aí, beijo nessas bunda :*


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