Enredo x Shipping

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Por: Anne L


É sempre necessário centrar a história em um romance para que ela seja boa?



A maioria dos escritores de fanfiction diria que “sim! É sempre necessário”. Muito embora boa parte das histórias postadas por aí girem em torno de um casal (ou vários), eu temo em discordar. Primeiro, vamos ver algumas definições.

O enredo (chamado às vezes também de “plot”) é o conteúdo da história, uma sequência de fatos e ações feitas ou sofridas pelos personagens. É ele que faz a história caminhar, desenvolvendo-se para alcançar o clímax e, então, seu desfecho.  
Shipping, termo em inglês muito usado em fanfics, vem de “relationship”, relacionamento, e se refere a uma relação amorosa entre duas pessoas. 

A princípio, eles não têm uma relação direta. Então, por que tantos autores escrevem como se um completasse o outro, como se fossem mutuamente excludentes?

Acredito que seja o puro e simples desejo de fazer seus personagens favoritos “se pegarem”. A história em si, o enredo, acaba deslocado para se tornar um mero pano de fundo para o romance explorado pelo autor, especialmente se envolver sexo. O casal se conhece, interage e nada mais acontece, às vezes como se nem houvesse um mundo ao redor deles. Outro motivo seria um medo de que os leitores não mostrem tanto interesse no texto, se a pitada (uma concha cheia, na verdade) de romance não estiver no meio. Mas tudo isso que mencionei não é pré-requisito para uma boa história.

Podemos pegar um exemplo real para ilustrar, como a famosa trilogia “O Senhor dos Anéis”. É uma narrativa épica sobre um grupo que se une e, com o intuito de destruir o Um Anel, fonte de poder do vilão principal, viaja pela fictícia Terra Média, encontrando todo tipo de adversidades e aventuras. O romance está presente, pode-se evidenciá-lo, por exemplo, com Arwen e Aragorn, mas, em meio a guerras e conflitos, ele nem de longe é o foco da história. 

E desenvolver um enredo sem apelar para o romance não é tão difícil. A primeira coisa a se fazer seria estabelecer os pontos principais dele, saber como andaria a história. Voltando à definição, temos algumas partes a serem decididas:


1. Introdução – Como o nome sugere, é a introdução da história, seu começo, parte em que você apresenta seus personagens, a história, as relações entre as pessoas, o espaço em que tudo está ambientado; 
2. Desenvolvimento – Aqui começam a aparecer e tomar forma os conflitos, o corpo da história, o enredo em si é apresentado, desenvolvendo-se até convergir em seu clímax. É nessa parte que a maioria das fics que foca no romance desanda ou acaba se rendendo a clichês. E tudo por falta de planejamento, de uma análise mais extensa na sequência de acontecimentos escolhidos para formar o enredo e em como eles se relacionam, se entrelaçam;
3. Clímax – É para onde toda a história caminha, seu auge. É o motivo pelo qual todo o desenvolvimento existe, pois resulta nele. E aqui muitas vezes ocorre o mesmo que no item anterior, apenas por falta de planejamento e análise;
4. Desfecho – marca o fim da história. Tem a resolução dos conflitos, o desenlace do clímax e tudo volta ao equilíbrio fazendo um contraponto com a situação inicial.


Com isso em mente, é perfeitamente possível escrever uma história sem precisar recorrer ao romance para que ela fique interessante. 

Não me entendam mal, não repudio textos desse tipo, inclusive um dos meus livros preferidos tem seu enredo, em poucas palavras, em volta da personagem e seus encontros e desencontros com um homem que inicialmente ela odeia (Orgulho e Preconceito). O objetivo deste post é apenas ajudar as pessoas a pensarem além do romance, além do casal que querem tanto juntar e, assim, escrever histórias mais complexas, mais envolventes. 

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Material consultado: 

Ricardo Sérgio. O Enredo na narrativa. Disponível em:


Anne L é beta reader, moderadora do Nyah! Fanfiction, supostamente escritora e estudante de Engenharia Mecatrônica. É louca por seriados, mangás, HQs e livros e gosta de manter coleções de tudo apesar de não ter lugar para guardar.
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Uso da vírgula

terça-feira, 28 de maio de 2013

Por: Haruka Lanovishin


Vírgula: é um sinal de pontuação. Tem como função indicar uma pausa e separar membros constituintes de uma frase. 



Aprendemos lá no início da escola, ainda no ensino fundamental, sobre os sinais de pontuação, tais como o ponto final, os dois pontos, o travessão, o sinal de exclamação e interrogação e, por fim – mas não menos importante –, a vírgula. 

Seu uso é constante e até mesmo podemos usá-la despercebidamente, sobretudo na hora de falar. Como a definição nos mostra, um dos usos da vírgula é para indicar pausa. Na escrita, a vírgula é extremamente importante para que o leitor organize de forma lógica suas ideias. 

Veja um exemplo do mau uso da vírgula: 


"Ela era, tão bonita que eu não, poderia resistir." 


Pode parecer que não, mas as vírgulas fazem uma grande diferença no texto, e não é apenas na escrita dele. Sua boa colocação também pode deixar o texto mais atrativo, e é muito comum que leitores deixem de ler um livro por causa da falta de vírgulas ou por causa do excesso da mesma – geralmente no caso do uso desnecessário dela. 

O modo correto seria: 


"Ela era tão bonita que eu não poderia resistir." 



Conseguem notar a diferença? A própria leitura da frase não foi diferente? 


Seu uso não é obrigatório e, em alguns casos, pode ser substituída por outros sinais, veja na frase abaixo: 


"Não havia um único motivo para matá-la, ela era perfeita para os meus planos." 

"Não havia um único motivo para matá-la – ela era perfeita para os meus planos." 


Em ambas as frases houve uma quebra de narrativa para se explicar algo. A vírgula pode muito bem ser usada exatamente para fazer essa quebra, assim como outros sinais gráficos ou pontos. 

Há o caso típico em que a vírgula é usada para separar ou isolar membros de uma frase, seja advérbios, adjetivos ou orações, como na frase: 


"Fui à feira e comprei tomate, cenoura, batata, alface e banana." 


Influenciando no modo como algo é dito, a vírgula pode causar uma sensação diferente para quem lê, se colocada no lugar certo, de modo a transparecer o que se sente no momento, no caso de livros das narrativas. 


"Não, não, não, não, não. O que pensa que está fazendo, hein?" 

"Não não não não não… Isso não poderia estar acontecendo!" 



Não sei se deu para notar a sublime diferença, mas as pausas da primeira frase passam um ar de revolta, enquanto, na segunda, a falta da vírgula dá um toque de desespero a cada "não". A falta dela também nos encaminha a ler as palavras rapidamente, contribuindo também para a mudança no tom da leitura. 

É importante saber que a vírgula, apesar de não ser um ponto obrigatório em alguns casos, como o ponto final é em finais de frases, ainda assim é essencial. Seu uso pode fazer uma diferença enorme no sentido da frase como um todo. Veja o exemplo a seguir: 


"Esqueci de dar, boa noite." 


Essa é uma frase popular que se espalha pelo facebook com uma força impressionável, mostrando que uma simples despedida pode ganhar um sentido completamente diferente por causa de uma única coisa posta no lugar errado – no caso, a vírgula. 

Outro bom exemplo é esse, que chega até a fazer os sentidos se contradizerem: 


"Se o homem soubesse o valor que tem a mulher, andaria de quatro a sua procura." 

"Se o homem soubesse o valor que tem, a mulher andaria de quatro a sua procura" 


Completamente oposto, não? Dá para notar a diferença que uma vírgula faz? Também existem alguns momentos em que ela é obrigatória, como sempre antes do "mas" e antecedida do "pois". Veja: 


"Queria ir com ela, mas não podia desmarcar meu outro compromisso." 

"Não corra, pois você pode tropeçar e cair." 



É isso pessoal. Lembrem-se de que a vírgula é muito influenciada pelo contexto e, para aprender onde colocá-la, tentem ditar em voz alta o que está escrito, com calma, pois ficará mais fácil de localizar onde ela deve ser posta dentro da frase. 


Fontes:

R7 – Português

Wikipédia

Folha Online

Universo Policial


Haruka Lanovishin mora ali na esquina da perdida com a instável, procure-a por lá. Cursando administração, se distraí com seu vários blogs e seus quilos de histórias, não passa de uma garota boba procurando uma resposta para suas dúvidas.

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Ponto, parágrafo: e agora?

quarta-feira, 22 de maio de 2013


Por: Lady Salieri

Recentemente alguém me mandou uma MP no Nyah! pedindo que eu mostrasse como se escreve um parágrafo. Como essa aula ainda está um pouco longe e o assunto é demasiado interessante, resolvi escrever um post falando sobre esse tema, tendo em conta que pode ser a dificuldade de muitos, pois o parágrafo é considerado mais um recurso visual que qualquer outra coisa, já que o nosso pensamento não é organizado assim, com tudo perfeitamente categorizado. Alguém aqui pensa por parágrafo? Se alguém pensar assim, por favor, me ensina!

Antes de começar, quero deixar claro que vou falar sobre a estruturação do parágrafo enfatizando os textos narrativos. Não escrevam deste jeito as dissertações da escola, porque senão os professores de vocês não serão bonzinhos...

Para darmos início ao post de hoje convém perguntar: mas o que é um parágrafo?

Um parágrafo não é nada mais que uma unidade de composição. Geralmente, ele é conformado por uma ideia principal, que chamamos “tópico frasal”, e de seu desenvolvimento. Assim como um texto completo, o parágrafo também tem seu começo, meio e fim; sua introdução, desenvolvimento e conclusão. Quando você fecha um argumento ou narração de um fato no seu texto, você está fechando um parágrafo. Quando você inicia outro argumento ou narração de um fato, você está dando início a um novo parágrafo, ou seja, ele é responsável por avisar o seu leitor quando um bloco de ideias está sendo finalizado e quando outro bloco está sendo começado.

Esteticamente, essa unidade de composição é identificada por um afastamento da margem do papel (que no momento o blogger não me está permitindo fazer xD), o que facilita sua apreensão por parte do leitor, assim como facilita sua assimilação de ideias, permitindo a compreensão do texto como um todo.

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Não é uma resposta muito precisa, não é verdade? Mas não há uma fórmula exata para dizer como e quando um escritor deve começar a sua ideia e quando deve terminá-la. Isso é algo que varia muito, não só de pessoa para pessoa, mas de estilo para estilo, e depende muito da competência linguística. Tendo isso em conta, você já pode concluir de imediato que a extensão dos parágrafos será variável e dependerá da sua capacidade enquanto escritor de organizar os pensamentos e transmiti-los da maneira mais clara possível.



O parágrafo narrativo


Quando narramos, estamos "contando" ao nosso leitor “coisas que aconteceram”. Desse modo, na narrativa, a ideia central de um parágrafo é um incidente, ou seja, um episódio curto. Por exemplo, se eu quero escrever uma one-shot contando a história de uma menina que no caminho da escola é atropelada por um ônibus, eu posso iniciar a história contando como ela iniciou seu dia. Assim, posso estruturar meu primeiro parágrafo tendo como ideia central o fato de ela “acordar se sentindo estranha”. Em torno desse incidente eu posso tentar descrever como ela estava se sentindo e poderia, ainda, inserir aspectos de sua personalidade pertinentes para a história. Fechando essa ideia, eu teria um parágrafo. Em seguida eu poderia mostrá-la conversando com seus pais sobre a possibilidade de ela não ir a escola naquele dia, por estar se sentindo estranha. Mudamos de incidente aqui, já não estamos falando de ela ter acordado estranha, mas da conversa com os pais. Pois, ponto, parágrafo e vamos desenvolver essa nova ideia.

Como vocês puderam perceber, na minha tentativa de descrever uma possível estruturação de um parágrafo, falei basicamente de coisas que a personagem “fez”, ou seja, podemos notar que nos parágrafos narrativos há um predomínio dos verbos de ação (o que não é uma redundância, pois verbo não se refere só a ações xD), além de indicações de circunstâncias relacionadas ao incidente que eu pretendo narrar, como o lugar onde ocorreu, a causa, etc.

Outra coisa importante é o fato que existem ainda parágrafos que servem para reproduzir as falas das personagens. Aconselho que cada fala deva corresponder a um parágrafo para que ela não seja confundida com a fala do narrador ou com a fala de outra personagem (a não ser que a confusão seja proposital, é claro...).

Dissemos no início deste texto que um parágrafo tem um “tópico frasal”, ou seja, uma ideia central. Nas narrativas, essa ideia não é exatamente clara, ela vem diluída dentro do texto. Eu não narro começando com: "agora vou falar como a minha personagem começou o último dia da sua vida", mas eu narro suas ações, de modo que meu leitor entenda que era isso que ela estava fazendo em seu último dia.


Algumas dicas para desenvolver seu parágrafo 
(retiradas e adaptadas de: http://pt.wikihow.com/Escrever-um-Par%C3%A1grafo):

1. Determine o propósito do seu parágrafo. Essa é a parte mais importante. O seu parágrafo deve comunicar aquilo que você deseja dizer.
· Que ideia, fato ou ação exatamente, dentro de um assunto, você está escrevendo a respeito?
· Quem é o público para o qual você está escrevendo, o que eles precisam saber e o que eles já sabem?

2. Estabeleça uma ideia principal, um fato, ou ação da personagem, e desenvolva essa ideia nas frases seguintes por meio de descrições que enriqueçam seu texto. Procure não tratar de mais de uma ou duas ideias em cada parágrafo.

3. Conforme você continua o texto, discurse sobre uma ideia ou grupo de idéias sempre em um novo parágrafo. Inicie cada parágrafo com uma frase-tópico e discorra sobre ela nas frases seguintes.

4. Varie a estrutura de suas frases. Se as últimas quatro frases começarem com "Eu", tente modificá-las.

5. Releia e corrija o seu texto. Modifique se algo não tiver saído do jeito que você queria.

6. Pratique! Como qualquer outro processo, escrever parágrafos fica mais fácil conforme você melhora sua técnica.

7. Se um parágrafo parece estar ficando longo demais, tente alterar algumas frases ou simplesmente separe o parágrafo em dois.

8. No entanto, escreva minimamente duas frases por parágrafo.

9. Deixar de lado coisas não relacionadas ao assunto principal é tão importante quanto escrever. Se algo não serve ou não é relevante, deixe de fora.

10. Erros de gramática e ortografia podem tornar ruins de ler até mesmo os textos bem planejados. Utilize um corretor que verifique a ortografia ou peça para alguém ler o seu trabalho se você tiver dúvida em relação a alguma coisa.

11. Quando estiver lendo algo, note como os parágrafos estão divididos. Se você aprender o que é um parágrafo por experiência de leitura, você vai conseguir dividir o texto de forma natural.


Bom, é isso meus queridos, espero que a postagem tenha sido útil. Deixo vocês agora com uma citação que encontrei durante as pesquisas para escrever esse texto:

O famoso detetive Sherlock Holmes, personagem criado pelo autor Arthur Conan Doyle, diz no livro “Um Escândalo na Boemia”: “Você olha, mas você não observa. A distinção é clara”. Prestar atenção aos detalhes e ter a habilidade de apresentá-los ao leitor de forma clara e interessante é uma característica de bons escritores. Criar a imagem mental certa é essencial para que seus leitores entendam corretamente o contexto de sua narrativa (UNIVERSIA BRASIL).

Material consultado:

Vânia Maria do Nascimento Duarte. A estruturação do parágrafo. Disponível em: <http://www.portugues.com.br/redacao/a-estruturacao-paragrafo-.html> Acesso em: 22/05/2013

Universia Brasil. Como escrever um parágrafo descritivo. Disponível em: <http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2012/04/23/924751/como-escrever-um-paragrafo-descritivo.html> Acesso em: 22/05/2013

Dad Squarisi. Como desenvolver o parágrafo. Disponível em: <http://concursos.correioweb.com.br/htmls2/sessao_11/2010/02/05/interna_dicas/id_noticia=27891/interna_dicas.shtml> Acesso em: 22/05/2013

Colégio Web. O parágrafo. Disponível em: <http://www.colegioweb.com.br/portugues/paragrafo.html> Acesso em: 22/05/2013

PCI concursos. O parágrafo. Disponível em: <http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/paragrafo> Acesso em:22/05/2013


Lady Salieri é mestre em teoria literária pela UFU, cuida das aulas de português do NYAH!, junto com a Letícia, e da Liga dos betas suportada por um grande Team. Não sabe se é uma pessoa que paga de poeta ou se é uma poeta que paga de pessoa.
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Conselhos de George Orwell para escritores

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Por: Lady Salieri

Não é necessário falar muito sobre esta figura, tendo em conta que se trata de um escritor bastante conhecido. No entanto, a título de introdução, é interessante ressaltar que George Orwell é um dos escritores mais influentes do século XX. Entre seus livros mais famosos estão A revolução dos bichos, lançado em 1945 - que discute a ideia do poder, narrando, por meio de uma fábula, a insurreição dos animais de uma fazenda contra seus donos -  e 1984, sua obra-prima, lançada em 1949, cuja história fala sobre uma sociedade controlada pela tecnologia e dominada por um regime totalitário, sob os olhos do Grande Irmão. 

Aqui, lhes trago algumas dicas desse escritor tão importante para que você melhore suas habilidades como escritor:



>> Quando você estiver escrevendo uma sentença, você deve se perguntar:


1. O que estou tentando dizer?

2. Quais palavras expressarão isso?

3. Qual imagem ou idioma tornará mais claro [o que quero expressar]?

4. Essa imagem é original o suficiente para causar impacto?

5. Eu deveria escrever isso de maneira mais breve?

6. Eu disse alguma coisa que é legitimamente horrível?



>> Tendo escolhido as palavras, siga essas regras:


1. Nunca use uma metáfora, comparação ou outra figura de linguagem que você está acostumado a ver em impressos.

2. Nunca use uma palavra longa onde você pode usar uma curta.

3. Se for possível cortar uma palavra, corte-a.

4. Nunca use a voz passiva onde é possível utilizar a voz ativa

5. Nunca use uma locução estrangeira, uma palavra científica ou uma gíria se você pode encontrar o equivalente padrão.

6. Rompa qualquer uma dessas regras antes de dizer uma grande barbaridade.

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Material consultado:
LolaLolet. Tips de autores famosos para ser un buen escritor. Disponível em: http://www.taringa.net/posts/apuntes-y-monografias/15975200/Tips-de-Autores-Famosos-para-ser-un-buen-escritor-Parte-1.html Acesso em: 20/05/2013
Daniel Scocco. 12 Writing Tips from George Orwell. Disponível em: http://www.dailyblogtips.com/12-writing-tips-from-george-orwell/ Acesso em: 20/05/2013
???. Tudo sobre George Orwell. Disponível em: http://www.duplipensar.net/george-orwell/ Acesso em: 20/05/2013

Lady Salieri é mestre em teoria literária pela UFU, cuida das aulas de português do NYAH!, junto com a Letícia, e da Liga dos betas suportada por um grande Team. Não sabe se é uma pessoa que paga de poeta ou se é uma poeta que paga de pessoa.


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Entrevista com a escritora Adriana Lisboa

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Por: Nana Akimoto


Adriana Lisboa, nascida no Rio de Janeiro, publicou dez livros e suas obras já foram traduzidas em vários países, incluindo França, Estados Unidos, México, Itália, Suécia e Suíça. Dentre elas, Contos Populares Japoneses foi a primeira que li. Trata-se de pequenos contos que retratam algumas lendas e mitos japoneses, todos escritos numa releitura do ponto de vista da autora. Adriana concordou em falar um pouquinho sobre ela e a entrevista você confere logo abaixo…


1. Quando você soube que queria ser escritora? Quais foram suas maiores fontes de inspiração?

Eu soube desde cedo que queria ser escritora, desde que comecei a escrever os meus primeiros poemas, aos nove anos de idade, na escola. Acabei indo estudar música na faculdade, mas sempre escrevi nas horas vagas, e finalmente aos 29 anos publiquei meu primeiro romance e comecei a me dedicar somente à literatura (como tradutora também, durante dez anos, para fechar as contas, mas hoje somente como ficcionista). Minhas maiores fontes de inspiração sempre foram em primeiro lugar os livros que tive o grande privilégio de ler ao longo da vida, mas também a própria vida, a existência cotidiana, que está cheia de momentos surpreendentes.


2. De que maneira você descreveria o processo de escrita dos seus livros? Você faz algum tipo de pesquisa ou preparação?

Depende muito do que vou escrever. Em alguns casos, a pesquisa histórica é necessária, como num romance em que recriei a Guerrilha do Araguaia, ou as leituras sobre a Guerra do Vietnã que estou fazendo atualmente. Em outros casos, pesquisei a obra de determinados autores, como os poetas Manuel Bandeira e Matsuo Bashô. Às vezes a pesquisa pode ser sobre uma determinada doença, cidade ou tradição. Toda obra de ficção envolve pelo menos algum tipo de pesquisa. Já com a poesia é diferente, é um processo muito mais instantâneo, comparável a tirar fotografias.



3. Você nasceu aqui no Brasil, morou na França, passou pelo Japão e hoje mora nos Estados Unidos. Essa diversidade cultural influenciou na sua maneira de escrever, nos personagens e nas situações em suas obras?

Influenciou e influencia muito. Observar as diferenças é uma das coisas mais fantásticas da vida – e claro que não é preciso dar a volta ao mundo para isso. Basta ir para uma cidade perto da sua, ou mesmo para um outro bairro dentro da sua cidade. No meu caso, a sorte de ter podido entrar em contato com culturas tão diferentes me fez relativizar muita coisa na minha escrita e na minha própria vida. Principalmente, eu diria, desenvolver um olhar de curiosidade, que não espera que o outro seja igual a mim. É algo que venho tentando transmitir sempre nos meus livros: o valor das diferenças.


4. No seu livroContos populares japoneses, você nos mostra muito da mitologia e do misticismo nipônico. Quando esse interesse pelo Japão surgiu?

Minha história com o Japão, que nunca teve a ver com uma busca de exotismo, começou quando me interessei pelo zen-budismo, há uns doze anos, e comecei a ler um pouco da filosofia e da poesia japonesas. Acabei fazendo minha pesquisa de doutorado sobre o poeta Matsuo Bashô, estive em Kyoto e Tóquio com uma bolsa da Fundação Japão, e escrevi dois livros inspirados pelo país: “Contos populares japoneses” e “Rakushisha.” Hoje em dia eu sou membro de um centro zen aqui nos Estados Unidos (em Denver), de tradição japonesa. Também continuo estudando o idioma – quem sabe um dia vou ser fluente! Eu me identifico profundamente com certos valores muito presentes na cultura clássica japonesa, como a impermanência, a incompletude, a assimetria, a irregularidade, a simplicidade e a modéstia.


5. Há alguma figura da mitologia japonesa ou dos seus livros sobre o assunto com quem você se identifica?

Não especialmente, mas as histórias que leio sobre os mestres zen sempre me fascinaram. Algumas são extremamente engraçadas.


6. O que você esperava despertar nos leitores deContos populares japoneses?

Acho que esperava compartilhar um pouco da minha admiração pela visão de mundo que encontrei nas lendas recontadas no livro. O que elas falam sobre respeito, reverência, a transitoriedade da vida. Quanto mais percebemos o quão efêmeras e passageiras as situações da nossa vida são, mais temos condições de aproveitá-las a fundo.


7. O que você considera necessário para escrever um livro? Você acredita que qualquer um pode se tornar escritor?

Não acho que qualquer um possa se tornar escritor, como não acho que qualquer um possa se tornar bailarino, músico, jardineiro, jogador de futebol ou político. Cada um de nós tem interesses especiais, habilidades especiais para certas atividades mais do que para outras. Mas acredito que a vontade genuína de escrever e o amor pela leitura já demonstram uma centelha dessa habilidade, e nesse caso sim, é possível se tornar um escritor. É uma atividade que exige grande dose de dedicação, esforço, humildade e autocrítica. Poucos escritores nascem prontos. A gente precisa se aprimorar sempre, e na verdade não fica pronto nunca.



8. O que você acha mais difícil na hora de escrever uma obra?

Encontrar o narrador. No momento em que encontro o narrador, a voz que vai contar a história, seu tom, sua “cor,” sei que já tenho o problema principal solucionado. Às vezes recomeço um livro quatro, cinco vezes até encontrar esse narrador. Vou fazendo várias experiências: primeira pessoa, terceira pessoa, um homem narrando, uma mulher narrando, uma criança narrando. Já escrevi até um conto narrado por um boi (era um conto sobre a farra do boi, e achei que ninguém melhor do que o protagonista dessa “festa” absurda para relatá-la).


9. Você está trabalhando em algum livro atualmente? Tem algum projeto para o futuro?

Estou escrevendo um romance chamado “Hanói,” que tem dois fios narrativos, e como pano de fundo a história recente do Vietnã, sobretudo logo após a guerra. É um livro no qual eu quis, também, refletir sobre a violência da guerra e suas consequências para a vida de tantas pessoas. A Guerra do Vietnã deixou um saldo de novecentos mil órfãos naquele país. Pode parecer algo muito distante para nós, brasileiros, mas acho que a luta por um mundo pacífico diz respeito a todos e a cada um.


10. O que você diria para os que almejam escrever um livro? Que dicas você daria a futuros escritores?

Em primeiro lugar é sempre a leitura. Ler muito. Em segundo lugar, buscar a sua própria voz na escrita. Aquilo que você tem a dizer e o modo como vai dizer são o que farão de você um escritor de valor – nada de imitar temas e estilos em voga, por exemplo. E para encontrar esse tom é preciso uma dose imensa de paciência, de persistência e de humildade. A gente tem que ser um terço maratonista, um terço jogador de xadrez e um terço antena parabólica, atento ao mundo, sensível ao que acontece ao nosso redor.



Curtiram? Para saber mais sobre a Adriana Lisboa visite o site pessoal da autora clicando aqui (link = http://www.adrianalisboa.com.br/)


Matéria escrita por Nana e retirada, originalmente, do Expresso Japão (link = http://expressojapao.com)
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Criatividade

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Por: André Felipe



“Faculdade ou atributo de quem ou do que é criativo; capacidade de criar coisas novas; espírito inventivo.”
(Dicionário Aurélio da língua portuguesa)


“É preciso provocar sistematicamente confusão. Isso promove a criatividade. Tudo aquilo que é contraditório gera vida.”
(Salvador Dalí)

           ***


Em “Imaginação e Criação na Infância” Lev Vygotsky define o processo criativo como um “parto de longa gestação” onde podemos dizer que a criatividade é o início dessa gestação. Se formos classificá-la como um comportamento, seria algo como ter ideias que se diferem das outras por algum fator, seria o que nos ajuda a ter boas ideias.

Albert Szent diz que descobrir consiste em olhar as mesmas coisas que todos olham e pensar algo diferente, mas como fazer isso? Tendo em conta que a criatividade flui de um conflito com algo, separou-se uma lista para nos ajudar a “despertar a criatividade”.

  • Leia!
Ler sempre foi a melhor maneira de ser criativo. Leia desde verbetes do dicionário a livros famosos; toda leitura é produtiva. Além de aguçar nosso senso crítico, ler traz conhecimentos novos que alimentam nossa imaginação, nos ajudando a ser mais criativos.

  • Mude sua rotina
Não há nada que desgaste mais a criatividade do que a rotina. Faça algo diferente, saia para dar um passeio de bicicleta, se possível, escreva em outro lugar, passeie por lugares onde você não costuma ir. Além de ser ‘desestressante’, ativa regiões do cérebro e até ajuda a prevenir o Alzheimer.


  • Seja curioso
Procure investigar o que te instiga, não hesite em perguntar se não compreendeu. Participe de grupos de discussão, além de ajudar na criatividade isso vai melhorar sua capacidade argumentativa.

  • Ouça música
Uma das fontes de inspiração mais conhecidas. A boa música toca a alma, nos diz coisas e ajuda a relaxar.
      

AVISO: É importante ter em mente que nessas dicas, generaliza-se. Pode ou não funcionar com você, mas vale à pena tentar.


Por fim, disponibiliza-se um teste interessante criado pelo autor Tony Buzan, que tem como objetivo “definir” nosso nível de criatividade.

O teste consiste de 14 perguntas, que você deve refletir e responder com sim ou não. Contabilize a quantidade de sins e nãos, se a resposta for “sim” em mais da metade das perguntas, sua criatividade está em dia!

  1. Você “sonha acordado”? 
  2. Você planeja cardápios e cozinha para si mesmo, para a sua família ou amigos? 
  3. Você mistura e combina cores, tecidos e acessórios ao comprar roupas para criar um estilo próprio? 
  4. Você gosta de diferentes tipos de musica? 
  5. Você se lembra com prazer dos pontos altos da sua vida, por exemplo, períodos especiais em que passou com amigos, grandes momentos desportivos, férias inesquecíveis, algum “fracasso” ou vitória importante? 
  6. Você fazia muitas perguntas quando era criança? 
  7. Você ainda faz muitas perguntas? 
  8. Você às vezes se encanta diante da complexidade ou da beleza das coisas e procura saber como isso funciona/foi feito/aconteceu/surgiu em sua vida? 
  9. Você tem fantasias sexuais? 
  10. Você tem em casa jornais, revistas ou livros que prometeu a si mesmo que leria, mas ainda não encontrou tempo para fazê-lo? 
  11. Há outras coisas em sua vida que você prometeu a si mesmo que faria ou realizaria, mas ainda não tomou a decisão de concretizá-las? 
  12. Você é movido ou estimulado por espetáculos excepcionais nos campos da música, dos esportes, do teatro ou das artes? 
  13. Você diria “sim”, se eu, com uma varinha mágica de repente: 
  • O tornasse um dançarino hábil, leve, esplêndido, capaz de surpreender a platéia em cada etapa da dança?
  • Desse a você uma voz igual à do seu cantor preferido, capaz de cantar praticamente qualquer canção, para sua satisfação pessoal e para prazer e diversão de outras pessoas?
  • Fizesse de você um artista competente, capaz de rascunhar em poucos instantes desenhos humorísticos, esboços, paisagens e retratos, e de esculpir tão bem que o próprio Michelangelo o consideraria um aluno brilhante?

E então, você está em dia com a sua criatividade?

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Material consultado:
Lev Vygotsky. Imaginação e criação na infância. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/118343867/Imaginacao-e-Criacao-na-Infancia. Acesso em: 13/04
Café Psicológico. Criação e Imaginação. Disponível em: http://el511i.blogspot.com.br/2011/06/criacao-e-imaginacao.html. Acesso em: 13/04
Sérgio Navega. De onde vem a criatividade? Disponível em: http://www.intelliwise.com/seminars/criativi.htm. Acesso em: 13/04
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Como escrever o primeiro capítulo de sua fanfic

terça-feira, 7 de maio de 2013

Por: Letícia Silveira


Introdução


Sendo o primeiro capítulo de suma importância, como será visto a seguir, não serão apenas os iniciantes os beneficiados com esse artigo. Aqueles que acabam escrevendo algumas linhas que matam qualquer beta-reader ou leitor que já tenha esse senso crítico também poderão apropriar a sua escrita através desse texto.

Sabe aquela famosa primeira linha de “Meu nome é Xis, tenho tantos anos...”, que dá início a uma introdução da personagem? Ou aquelas que dizem depois “Ah, me desculpem” ou “Ah, me esqueci de me apresentar”? Assumo que já escrevi coisas assim — e, nesse e em todos os momentos, tenho vontade de tacar fogo nas minhas fanfics. E esse desejo não cresce por ser errado começar uma história desse jeito, mas sim porque é inadequado, sendo sinônimo do amadorismo. Há uma diferença tênue entre esses termos.

Vamos, então, às dicas? Para iniciá-las, é preciso haver o entendimento da importância do primeiro capítulo (não só para o escritor como também para o leitor).



“A primeira impressão é a que fica”


O primeiro capítulo é a segunda coisa que mais representa a sua fanfic (já que a primeira é a sinopse). Do enredo, porém, será o capítulo mais importante por introduzir o leitor a um novo mundo, ao mundo que você proporcionou e continuará proporcionando a ele. 

Nesse primeiro capítulo, além de introduzir a história, você também mostrará o seu estilo de escrita. Por acaso, você se lembra do velho ditado “a primeira impressão é a que fica”? Logo, em livros, é exatamente assim. Se a pessoa ler o seu primeiro capítulo com o seu estilo e não gostar, adeus, leitor. Ele não terá piedade de abandonar a fanfic, e ninguém quer que isso ocorra, certo? Por isso, preste atenção nas dicas que aqui serão distribuídas especialmente para você. Não se quer ofender ninguém, aqui se busca ajudá-lo.


Rabiscando em um computador


Espera-se que você já tenha montado o início, o meio e o fim da sua história. Caso contrário, não está na hora ainda de escrever o primeiro capítulo. Depois de ter feito já a descrição do que ocorrerá na fanfic, escreva um parágrafo resumindo os principais acontecimentos do primeiro capítulo, que deve iniciar a trama da fanfic. Por exemplo (e esse exemplo foi baseado em uma novela mexicana e, por isso, é dramático):

“Maria é uma policial disfarçada em um pequeno vilarejo. Fingindo ser uma fotógrafa de lugares exóticos, o seu verdadeiro objetivo era prender o corrupto prefeito do local. Apaixonada pela justiça, ela não contava com o paradigma de um novo visitante por quem se apaixonará: um fugitivo da polícia que está usurpando o lugar de um morto. Agora, ela terá de escolher entre o amor e a justiça.” 

Nesse parágrafo, há uma pequena apresentação da trama. É algo que ocorre antes do clímax, ou seja, do auge da história que iniciará a partir da confusão do paradigma amor-justiça no caso do exemplo. Os acontecimentos aqui narrados dão início a, justamente, esse auge. Para constar, muitos escritores americanos, principalmente de ficção, utilizam esse meio para escrever histórias. Pois é, aquele livro que você idolatra não começou com o primeiro capítulo — começou assim mesmo: com um parágrafo aleatório e introdutório. 

Depois de ter feito isso, tente expandir esse parágrafo. Adicione informações a ele, preencha-o — sempre, é claro, dando coerência. Continuando o exemplo acima, mencionar-se-ia o conflito interno da personagem diante de tal paradigma. Tentar-se-ia expandir a situação para o quadro psicológico. 

Quando você terminar esse parágrafo, você poderá começar a escrever o primeiro capítulo utilizando várias ideias que foram distribuídas nele, mas começando o capítulo do zero. Será um jeito de você ver as perguntas que surgem com o clímax para tentar colocá-las no primeiro capítulo para o leitor querer continuar a sua leitura, a fim de resolver os mistérios que despertaram a sua curiosidade.


Ambientação e sua descrição


Seguindo em frente, após escrever esse pequeno parágrafo, note em que lugar você começou a narrar a fanfic. Naquele parágrafo de exemplo, não se mencionou o local de início, então se começaria por algum lugar do vilarejo caso o foco narrativo começasse com Maria. Senão, se o foco pertencesse ao fugitivo, poderia indicar que tudo iniciou na fuga da prisão, o que também daria certo ritmo à história. 

Logo, isso é muito importante: dar intensidade para não entediar o leitor. Como é a parte mais importante do livro, tente prender o leitor logo ali, mas sem apelar para lutas, invasores ou qualquer outra coisa. Não crie um novo acontecimento a cada capítulo apenas para prender o leitor. O desenvolvimento do enredo já o faz por si mesmo.

Além disso, trate de realmente ambientar o local. Não diga algo como “estava na prisão”, diga “as paredes o cercavam por diversos lados, e, quando não as havia, se sentia como um animal enjaulado”.

Além de tudo já mencionado, é importante também realçar que o primeiro capítulo demonstra ao leitor o onde e o quando. Não é preciso mencionar obviamente, apenas guie sem pesar muito nas descrições.



Caracterização das personagens


É aqui que encontramos o elemento que prenderá o leitor à fanfic. Assim que houver uma identificação com uma personagem, o leitor quererá saber o que acontecerá em seguida, qual será o próximo acontecimento ou como ele resolverá o problema.

Chuck Wendig, romancista, roteirista e designer de jogos, disse: 

“Se eu chegar ao final do primeiro capítulo e eu não tiver uma ideia sobre o seu personagem principal — se eu e ela não estivermos conectados através de alguma corda psíquica pegajosa invisível — eu estou fora. Eu não preciso gostar dela. Eu não preciso saber tudo sobre ela. Mas eu tenho a maldita certeza de que preciso me preocupar com ela. Faça-me importar! Acione o botão de volume do fator se importar. Deixe-me saber quem ela é. Faça-me temer por ela. Fale-me de sua busca. Sussurre para mim por que é importante a sua história. Dê-me isso, e eu vou segui-la através das entranhas do Inferno”.

Sendo assim, nunca idealize uma pessoa. Ninguém é perfeito, nós sabemos disso. Então, aproveite para explorar os defeitos — bem como as qualidades. Não faça alguém só cheio de defeitos ou só cheio de qualidades. Tente sempre conciliar as características. Para facilitar esse processo, pode até basear a pessoa em você (nada ao pé da letra como nome, idade, colégio, nome dos amigos...), pois o melhor é sempre você escrever sobre algo que você domine. Se não souber descrever lutas, por exemplo, fuja delas. Coisas do gênero. Quanto mais você souber sobre o que você está falando, melhor.

Foco, foco! Voltemos à introdução, observando que não queremos uma avalanche de detalhes da personagem. É preciso desenvolvê-la aos poucos. Por exemplo, “Maria era uma policial séria, discreta, paciente e racional” não seria escrito. Desenvolver-se-ia ao longo do capítulo para não deixar isso tão previsível.

E, quando você for escrever algo como “— Só pode ser praga! — exclamou ele”, procure dar mais informações. Diga algo como “exclamou ele, cerrando os punhos e os levando à cabeça, enquanto o seu queixo tremia devido à sua força”. Isso demonstraria a irritabilidade desse personagem recém-criado. Assim, é mais legal o leitor se envolver na história ao juntar as peças do quebra-cabeça do que você dar um quebra-cabeça completo. Qual seria a graça do presente? E é justamente isso que a leitura é ao leitor: um presente. Podemos viajar, podemos esquecer, podemos viver. É um reino mágico onde não deveria ser tão difícil de entrar, certo? Deveria haver mais autores, certo? Errado. Escrever é difícil, é necessário dedicação. E, principalmente, leitura. Vamos ver a equação da escrita:



Leitura está para escrever assim como escutar está para falar. Se você não escutar, não conseguirá falar algo que preste. Ou seja, se você não ler, não conseguirá escrever decentemente.



Diálogo é o que há


Além disso, é essencial realçar a importância dos diálogos. É o melhor caminho de caracterizar um personagem, repassando os aspectos físicos e emocionais que você pensou ao escrever. Diálogo é o jeito mais rápido de fazer o leitor conhecer a personagem. 

Aliás, é um dos melhores jeitos de começar o primeiro parágrafo da sua história. É melhor que “Era uma vez”, que “Era o ano de XXXX” ou que “Maria estava caminhando pelo vilarejo”. Porém, não pode ser qualquer diálogo. Tem de ser bom, tem de ser intrigante, tem de grudar o leitor ao computador e fazê-lo nunca querer tirar a cara dali. Por isso, muitas histórias possuem o Prólogo. Essa parte revela algo crucial à história, podendo conter alguma coisa da própria ação. Por exemplo, se eu começasse uma história de ação com um Prólogo assim, você leria?



“— Dave, por favor, não fica mais aqui. Eles estão vindo, eles estão vindo! — por mais aguda que a sua voz estivesse, verdadeiramente, ela não queria que ele saísse dali. Em um acesso de egoísmo, queria agarrá-lo e apenas ficar ali com ele, mas não conseguiria privá-lo de sua própria vida. 
— Não, Duda, eu vou te tirar daqui, eu prometo. — a sua voz era firme ainda que os seus olhos estivessem cheios d’água. 
Mais uma vez, ele tentou retirá-la das ferrugens do carro em que estava preso o seu pé. Em meio às lágrimas, Duda já não sentia mais a dor física, agora apenas se preocupava com David, que morreria junto a ela por tentar salvá-la. Ela realmente tinha feito algo para merecer morrer, mas ele, não. Com certeza, o rapaz não merecia um destino tão cruel quanto aquele”.
           

Há, aí, a tentativa de estabelecer um trecho que ocorreria no meio da fanfic. E, afinal, você ficou curioso para saber o que está acontecendo com a Duda? Qual é a relação entre ela e o David? Como eles são? Quem está vindo? Essa é uma dica que também vale ouro: desperte perguntas que você seja capaz de responder depois. Até você esclarecê-las, o leitor está preso a você. 

Por conseguinte, busque ser o mais realista possível com os diálogos; de tal maneira, as personagens não precisam falar na norma culta — a não ser que seja uma fanfic escrita no passado ou algo da sociedade de mórmons (?). Use gírias, saia da concordância verbal — os faça pessoas reais, parecidas com quem você convive. Dependendo da idade, falará de um jeito. Se baseie, por exemplo, em adolescentes que você conhece para escrever os diálogos deles. Claro, procure evitar tantos estrangeirismos (principalmente das palavras em inglês) para não guiar a fanfic ao grupo de pessoas que entende essa língua e não exagere demais. É sempre bom ter uma margem bem ampla de público, ficando sempre aberto a todos. Há, porém, aqueles que se desafiam e fazem algo bem restrito, e penso que eles merecem palmas.



Conclusão


Em suma, para ter um bom primeiro capítulo, é necessário introduzir sobre o que é a fanfic. Além disso, cuide sempre a ambientação sem optar pelo óbvio assim como deve ser feito na caracterização das personagens. Busque sempre o próximo do real e dê o seu ponto de vista sobre ele. 

O primeiro capítulo deve ser o mais difícil de escrever, não se preocupe. Você não está sozinho nessa, pois todos passam pelo mesmo problema. Não sendo monótono, você conseguirá uma grande abertura para a sua fanfic. Se tiver dúvidas se o primeiro capítulo está entediante, contrate um beta-reader (que permanecerá lá dando o seu ponto de vista por toda a história), pois ele criticará coisas assim (além de muito mais).

Lembre-se: a sua missão aqui na Terra é a de abduzir leitores. Caso você não o faça, voltará para o seu planeta de origem.



Fontes: 




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Letícia Silveira é vestibulanda, beta-reader, ficwriter e colaboradora das aulas do NYAH! Fanfiction junto à Lady Salieri. Indecisa sobre qual carreira deve seguir, segue em busca de respostas ainda que as tema escutar.

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Dicas para melhorar sua betagem

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Por: Gabriela Petusk


Leitores, é bom tê-los aqui de novo! Já comentei do sucesso que foi meu post 18 erros mais comuns em fanfics? Muito obrigada a todos que se interessaram e espero que ele tenha sido de utilidade pública.

O texto de hoje tem como alvo não os autores, mas os leitores beta. De acordo com conversas que li Facebook e Nyah afora, algumas pessoas estão com vontade de corrigir histórias e não sabem por onde começar, ou estão trocando as bolas na relação com o autor. Vim aqui para dar algumas dicas espertas e conselhos aprendidos com minha experiência ou não. Vamos começar? Cintos afivelados e cadeiras na posição vertical.


Estabeleça um prazo para entregar o capítulo e respeite-o

Você é ocupado? Estuda muito? Trabalha? Passa o dia inteiro em casa comendo Cheetos na frente do computador? Tudo isso influencia no tempo que você leva para entregar a correção. Calcule o quanto você leva em dias para terminar uma betagem, levando em conta todas as suas obrigações versus seu tempo livre e adicione alguns de folga em caso de imprevistos. Se você se irrita quando o autor te cobra antes do prazo, deixe isso claro para ele. E que fique claro para você também: prazo significa “eu me comprometo a entregar seu capítulo em até X dias”, o que quer dizer que depois de X dias o autor pode e deve te perguntar a respeito, aí não adianta se estressar.


Comunicação com o autor é essencial

MP no Nyah, Facebook, Twitter, mensagem de celular, Skype, e-mail, telefonema, pessoalmente, linguagem de sinais, aviãozinho de papel. Estamos na era da comunicação e da informação. O meio você e o autor escolhem, mas conversem, nem que seja pra avisar um sumiço repentino. Perder o contato é uma das coisas que mais faz autores e betas abandonarem projetos. Mais do que só manter o trabalho em dia, conversar sempre a respeito da história ou não ajuda no surgimento de ideias e aumenta a intimidade entre vocês, o que é bom para qualquer coisa que dependa de crítica e opinião. É muito mais fácil dizer “Seguinte, a história não está boa” a um amigo do que a um desconhecido que pode se ofender.



Conheça bem sua ferramenta de texto

Muita gente usa computadores, celulares e outros aparelhos muito abaixo do que eles oferecem, e é a mesma coisa com programas. O Microsoft Word não serve só para digitar: ele tem corretor ortográfico embutido, ferramenta de comentário, permite inserção de tabelas, ajuste de parágrafos, localizador de palavras... Use a ajuda que o próprio programa oferece para aprender como ele funciona. Por recomendação da Cyndi (http://fanfiction.com.br/u/113711/), baixei o LibreOffice (http://libreoffice.org/), que é a ferramenta de texto para Linux. Funciona no Windows também, é superleve, quase não trava, o corretor ortográfico é mais inteligente, mais fácil de mexer, etc, etc, etc.


Tenha uma legenda funcional na sua correção

Quando eu digo funcional, quero dizer “que funciona”. Como seria uma legenda que funciona? Uma que é bem explícita, rápida de aplicar, simples de entender e não polua o visual do documento. (isso de poluição visual já é sugestão minha, não gosto de nada lotado) Se quiser copiar o meu modelo, eu faço assim:

(Negrito) ou Negrito: Comentário do beta

Sublinhado: Este trecho é referente ao comentário seguinte
Marca-texto: Palavra com ortografia errada ou erro de digitação

Este post (http://nyahmarshmallow.blogspot.com.br/2013/03/metodos-de-betagem.html) ensina outros métodos. Fique à vontade para escolher o seu e seja cuidadoso na hora de criar um.



Recomende obras que possam ajudar seu autor

Ninguém é 100% original. “Mas Gabi, isso é negativo! A história vai ser sempre clichê?” Não, camarada, não vai. Um clichê bem utilizado não é mais clichê. Enfim, o assunto do tópico é outro: se ninguém é totalmente original, existem obras por aí em comum com a sua, a minha e a do autor que você beta. Caso você conheça alguma que dialogue com a história do seu autor, sugira que ele a leia/assista. Isso é muito bom para ter uma referência e se inspirar também.

Um exemplo: meu autor, o Raven Gardenfield, escreve uma história que se passa num futuro distante onde a humanidade acabou. Sabendo disso, recomendei que ele assistisse aos seriados Terranova, Fringe e Defiance (é estreia, muito boa). Como a narração dele é em primeira pessoa e o tema é parecido, sugeri também Starters e Jogos Vorazes. Pense no que você conhece e indique sem medo.



Aplique um pequeno questionário antes de iniciar a betagem

Assim que um autor pedir que você bete uma história e você aceitar, faça algumas perguntas a ele. A história vai ser longa ou curta? Que gêneros ela tem? Você já planejou tudo ou ainda não? Isso serve para guiar o beta na hora da correção. Eu tenho uma lista própria de questões e vou postá-la aqui, mas cada um elabora as perguntas que preferir.


Meu questionário


1) O que você considera ser seu ponto forte na escrita?

2) E o seu ponto fraco? Você quer que eu esteja mais atenta a ele ou não precisa?

3) Você considera que precisa de ajuda com ortografia e gramática ou não tem problemas com isso?

4) Para essa história, você pretende que eu faça uma correção mais ou menos detalhada? Caso você queira que eu seja detalhista, vou analisar tudo, criação do mundo e de personagens, acontecimentos, desfecho, enfim. Desmontar a obra toda em vez de só dizer se ela parece bem construída.

5) Você considera que tem algum problema com descrição, seja ela de ambiente, sentimentos ou aparência de personagens?

6) Você já tem um esquema capítulo a capítulo para se guiar na hora de escrever?

A Liga dos Betas também elaborou um questionário. Ele é mais detalhado e pessoal que o meu, que trata mais da história em particular do que da postura do autor. Aqui está.


Questionário da Liga
1- Por que você escreve essa fic?
2- Aonde você pretende chegar com essa fic?
3- Por que você quer escrever algo (escrever em modo geral, não só essa fic)
4- Onde você pretende chegar como escritor? Quer ser profissional e famoso ou apenas passar o tempo se divertindo?
5- Por que você escolheu esse fandom?
6- Em uma escala de 0 a 10, o quanto você está disposto a se esforçar para melhorar a fic? Considere 0 = fazer nada e 10 = escalar o Himalaia de cuecas. (ou biquini, se for menina)
7- O que você costuma ler?
8- Resuma BEM RESUMIDO o que você planejou para essa fic, com começo, meio e fim. Se não tiver planejado, não tem problema, é só pra saber caso tenha pensado no que vai acontecer adiante e no final.
9- O mais importante: Você tem algo a dizer através dessa fic? Se tiver, o quê é?



Não aceite fandoms, ships e gêneros que você não gosta, não conhece e/ou não está disposto a conhecer


Quando você aceita uma betagem cujo fandom não conhece, corre o risco de passar informação errada ao autor ou não entender uma palavra do que ele escreveu. Evite isso, ou corra atrás de ler o livro, assistir ao filme, acompanhar o seriado, ver o anime, o que for. Sobre os gêneros que você não gosta, não aceite a menos que faça isso como um desafio pessoal de trabalhar com aquilo uma vez na vida e se comprometa a não reclamar. Caso contrário, você vai betar o negócio de cara amarrada e não vai ser legal.


Use e abuse das ferramentas que a internet oferece

Dicionários online, corretor ortográfico, fichas de personagem, dicionários de nomes, páginas explicativas, aulas de português, tradutores (embora eu nem sempre recomende), geradores diversos (de roupas, joias, nomes, livros e muito mais)... Tudo isso está por aí para ser usado. Há sites excelentes para suporte ao escritor que você, beta, pode usar ou indicar ao seu autor. Vou deixar aqui os meus favoritos, sendo que algumas páginas estão em inglês.

> Corretor Ortográfico (http://www.flip.pt/FLiP-On-line/Corrector-ortografico-e-sintactico.aspx)

> Dicionário da Língua Portuguesa (http://www.priberam.pt/dlpo/)

> Guia do Estudante (Exercícios de português) (http://guiadoestudante.abril.com.br/busca/?qu=Simulados%20Portugu%EAs)

> Aulas de Português do Nyah, por que não? (http://fanfiction.com.br/aulas.php)

> TV Tropes (Em inglês; uma wiki de clichês, recursos e estratégias das obras de ficção. Dá pra passar horas lá abrindo abas.) (http://tvtropes.org/)

> Springhole (Em inglês; vários artigos, testes e geradores da mesma pessoa a respeito de ficção e criação de personagens) (http://www.springhole.net/)

Claro, nosso blog também! Conte conosco.


Separe uma pasta no seu computador apenas para betagens (uma pasta para cada autor é uma boa pedida!)

Guardar seus arquivos é importante. Salve-os sempre, seja para quando forem necessários ou para comparar a evolução na escrita do seu autor. Sugiro nomeá-los de uma maneira lógica para facilitar a busca, assim: Nome da história – Capítulo 3, primeira correção. Em caso de ter um monte de autores, faça uma pasta com o nome de usuário dele e deixe tudo referente a ele lá.



Não se esqueça de ter um backup

Não dá para contar com a sorte. *salva o arquivo do post* Vai que, por um infortúnio, você está betando um capítulo atrasado na maior pressa e a energia cai. *salva de novo* Ou seu computador estraga. Ou o que a lei de Murphy aprontar para você. *salva de novo* Sugestão da CowardMontblanc (http://fanfiction.com.br/u/232980/): o Google Drive (http://drive.google.com) e o Dropbox (http://dropbox.com), dois serviços de armazenamento online para evitar esse tipo de desastre. *salva de novo* Uma dica minha é salvar o arquivo de dois em dois minutos para não fechá-lo por acidente e perder tudo. *salva de novo*



Nada de desculpas esfarrapadas (quando os autores fazem isso é detestável)

Sabe quando aquele autor preguiçoso diz “o capítulo tá ruim porque fiz com pressa” ou “estava muito cansado quando escrevi”? Péssimo, não é? Infelizmente na internet a história do cachorro ter comido seu dever de casa não funciona, então, as pessoas são cada vez mais criativas na hora de ter cara de pau. Não faça o mesmo que eles. Se você está sem tempo ou se esqueceu de betar, seja sincero e se desculpe. Depois, resolva sua pendência o mais rápido possível.


Trate o autor com educação, mesmo que não concorde com ele

Essa é uma dica básica de convivência e vale pra qualquer coisa. Sua opinião não é universalmente correta; nada é, na verdade, quando se trata de ciências humanas. Seu autor gosta de um casal fictício do qual você mantém a maior distância possível? O ship pode ser o horror que for, mas não é ilegal, não fere ninguém (a não ser sua sanidade mental, dependendo do ship) e ele tem todo o direito de gostar. Dizer “Não sou fã desse ship, não acho que X e Y sejam um bom casal” e “Que ship nojento, sai daqui, seu doente, nunca mais fale comigo” são duas coisas bem diferentes. 

O mesmo conta quando você e o autor discordam sobre que destino uma história deve tomar. Não é porque a história é escrita por ele que você não deve dar sua opinião: você é beta dele e ele te “contratou” exatamente para isso. A palavra final sobre a história é dele, mas sua obrigação como leitor beta é dizer o que pensa a respeito e todos os motivos de achar o que acha. Desde que a conversa se mantenha num nível civilizado, as opiniões de vocês podem divergir do Paraíso ao Inferno sem que surja problema algum, o que leva ao tópico seguinte.



Argumentar e debater não significam brigar

Enquanto algumas pessoas são muito inflexíveis, outras são passivas demais: evitam qualquer tipo de conflito e desacordo só porque não querem problemas, e acabam deixando passar um monte de coisas que podiam ter sido apontadas. Olha só, até o dicionário concorda comigo.


argumentar
v. intr.
1. Aduzir argumentos; objetar.
v. tr.
2. Alegar.
3. Responder.
4. Opor.


debater
v. tr.
1. Discutir em debate.
v. pron.
2. Agitar-se com violência (procurando desprender-se ou se soltar).
3. Empregar resistência.


brigar
v. intr.
1. Ter briga, lutar.
2. Disputar.
3. [Figurado] Destoar, não condizer.

Exemplos extraídos deste dicionário online. (http://www.priberam.pt/dlpo/)

Tá vendo? Nem sempre discordar é uma coisa ruim. Muitas vezes é o ponto de partida para uma mudança, e que seja para melhor.

Faça alguma coisa legal com seu autor

Crie uma relação descontraída, não puramente profissional. Mande uma piada do fandom no qual ele escreve. Converse sobre assuntos tranquilos, dê risada. Faz bem relaxar um pouco. Ser crítico o tempo todo faz até mal, e eu sei bem disso.


Se possível, torne-se amigo do seu autor

Você e seu autor já estão unidos por um assunto em comum, que é a escrita. Some mais um tema para conversar caso ele escreva uma fanfic e você goste da obra original. Por que não desenvolver uma amizade? Posso dizer que foi uma das melhores coisas que me aconteceu nessa vida de escritora amadora.


Encare a betagem como um serviço sério, sem se esquecer de que é um prazer

Escrever não é brincadeira. Pode ser até uma distração, depende de como você encara a coisa e do que escreve, mas é cansativo, difícil, inconstante e nos torna exigentes. É tão sério que há pessoas sobrevivendo disso por aí. Apesar de tudo, é um meio de expressarmos o que sentimos, uma maneira de passar uma mensagem ao mundo.

Se você beta histórias, você ama escrever. Cuide bem da escrita, tanto da sua quanto da que você corrige. Tenha compromisso. Faça-a evoluir. Não a despreze. Aprenda a gostar dela, porque se não for um produto só seu, tem a sua participação no processo. Dê o seu melhor.


Material consultado:
Entrevista com os betas da Liga



Gabriela Petusk é quase escritora, quase criativa, quase complicada. Aspira ao cargo de editora ou copydesker em algum lugar do país ou do mundo e garantiu uma vaga no curso de Jornalismo da UFU.
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Os segredos na história

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Por: Daniel Cavalcante

Sabe aquele seu segredinho que ninguém conhece? Uma opinião que nunca deu, um ato que jamais confessou ou aquele sentimento sufocado que ninguém sabe? Bem, você não é o único. Todo mundo guarda seus segredos, muitas vezes até de si mesmo. Seja por vergonha, conveniência, auto-proteção ou segurança.
Mesmo em níveis menores, sempre nos preservamos o direito de esconder ou “trocar” informações pessoais dos recém-conhecidos, principalmente na internet.
E por que nossos personagens deveriam ser diferentes?
Nas histórias, os segredos dos personagens são fundamentais para construir um relacionamento realista entre eles e uma carta na manga para o autor tornar a trama mais instigante, deixando aquela coceirinha na cabeça do leitor: “será que agora ele vai confessar?”, “será que dessa vez ela finalmente vai ser descoberta?”.
Mas como assim, “os segredos são fundamentais para um relacionamento”? Não é um contrassenso? Sim e não. Os personagens, em sua grande maioria, devem crescer, amadurecer e aprender ao longo da história. O relacionamento entre eles também deveria ser algo a ser construído aos poucos. Uma das coisas mais precárias nos primeiros passos do relacionamento entre duas pessoas é a confiança.

Perscrutando a Persona
Segundo a psicologia analítica (de Carl Jung), as pessoas aprendem, desde seus primeiros contatos com a sociedade, a desenvolver sua “capa protetora”, a persona. Esta nada mais é que uma função psíquica que desenvolvemos para nos adaptar ao meio que nos cerca. Desde a infância, se percebemos determinada característica em nossa real personalidade que não agrada a sociedade, nós a escondemos. Muitas vezes isso se aprende com traumas, agressões e rejeição. O contrário também é válido; se descobrimos que algo é muito valorizado pelas pessoas ao nosso redor, procuramos aprender e nos adaptamos àquilo para agradar e ser aceitos. É um jogo de sobrevivência na selva da adaptação social, onde as personas mais fortes e convincentes sobrevivem.
Porém a persona prejudica nossos relacionamentos. Enquanto ainda não nos damos conta disso, é ela quem se apresenta às pessoas. É com a persona do amigo o colégio que você se relaciona, e não com a pessoa propriamente dita.
Pare e pense: quantas vezes você já se deparou com situações em que seus amigos se mostraram completamente diferentes daquilo que você estava acostumado a conviver? Quantos conhecidos não mostram um lado mais sensível, triste, solitário ou até mesmo cruel, que você nunca tinha visto antes?
Quantos casais vivem juntos há anos sem sequer arranhar a superfície da persona um do outro?
Vivemos em um teatro onde cada um representa o papel que melhor lhe apetece, procurando agradar o maior número de pessoas à custo de sua integridade e autenticidade. Como em um reality show, só que sem o “glamour” das câmeras.

A Vida Imita a Arte (ou vice-versa)
Nas histórias, esse conceito pode tornar uma trama simples e tediosa em algo muito mais interessante. Tomemos como exemplo a série romântica japonesa Karekano (Kareshi Kanojo no Jijou). É a típica história de romance escolar entre garota atrapalhada e garoto exemplar. Mas o grande diferencial no início são os segredos ocultos.
Os primeiros capítulos giram em torno do conflito entre a persona e a consciência dos personagens principais, Yukino Miyasawa e Arima Soushirou. Ambos escondem suas facetas obscuras sob uma identidade falsa, construída para que fossem aceitos e bajulados. Acompanhamos a história pelo ponto de vista de Miyasawa, logo, conhecemos todos os segredos que ela esconde dos demais personagens e nos divertimos com as complicações de sua vida dupla.
No entanto, quando ela fica intrigada com seu rival, Arima, percebemos que ele também guarda segredos mas não sabemos qual – acompanhamos a história pelo olhar dela, lembra? – até que ele resolve contar tudo para a garota. Isso é uma técnica eficaz e muito usada para surpreender tanto os personagens quanto o leitor.
Outro exemplo de série que utiliza muito este recurso é Supernatural. Desde o início vemos um Sam escondendo seu “lado negro” do irmão, que por sua vez esconde o que precisará fazer a respeito. Muitas vezes nem o público sabe qual segredo eles estão guardando, mas é perceptível pelos olhares e tom de voz que estão mentindo ou que não querem dizer algo importante.

Crescendo
Mas não é porque este comportamento é “natural” do ser humano que devemos seguir este modelo do início ao fim da história. Como disse antes, os personagens devem crescer, e esse é um bom aspecto para trabalhar a evolução deles. Você pode fazer com que aos poucos mudem de atitude e aprendam que melhor do que se esconder é se mostrar e deixar que as pessoas o conheçam e o ajudem a amadurecer.
Algumas das melhores histórias já contadas são sobre a construção de um relacionamento que começou da total desconfiança e atingiu a plena confidencia. É quando uma pessoa passa a considerar a outra mais importante do que seus próprios medos e receios – medos esses que a fizeram construir a persona. Quando o medo não existe mais, tudo o que foi feito por causa dele se desfaz. Nesse instante, ela está pronta para se tornar um herói.

Ps: Apesar dos termos usados, esse texto não deve ser considerado um estudo sobre psicologia analítica, e sim como a visão pessoal do autor sobre o assunto abordado.
***

Daniel é escritor, autor de contos publicados nas antologias Extraneus - Em Nome de Deus (ed. Estronho) e Crônicas da Fantasia (ed. Literata). Esse texto foi um presente para a Liga dos Betas, postado antes na sua extinta Revista eletrônica Quadrinize, especializada em auxiliar os autores iniciantes na composição de seus textos ficcionais . É possível conferir outros trabalhos do autor na seguinte página: http://abismoinfinito.wordpress.com/


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As imagens que servem de ilustração para o posts do blog foram encontradas mediante pesquisa no google.com e não visamos nenhum fim comercial com suas respectivas veiculações. Ainda assim, se estamos usando indevidamente uma imagem sua, envie-nos um e-mail que a retiraremos no mesmo instante. Feito com ♥ Lariz Santana