Romantização de abuso e doenças

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Precisamos falar sobre a romantização de abusos e doenças

Por: Clara Aeva
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/388220/

Olá, pessoas!
Tudo bom? Andam lendo muito?
Bom, esse é meu primeiro post no Blog da Liga e para início de conversa, eu nem tinha pensado em fazê-lo, mas recentemente eu abri uma história muito boa e interessante que uma amiga me recomendou e resolvi ler. Logo no primeiro capítulo tinha um estupro que me deixou extremamente de cara e eu decidi que eu precisava falar sobre isso em algum lugar de uma forma séria e objetiva.

A história que li se passava em um universo ABO – Alfa, Beta, Ômega, para quem não conhece -  e durante o cio de um dos principais, o ômega, que já tinha deixado extremamente explícito que não queria absolutamente nada com o alfa, ele ficou "fora de si" por conta dos hormônios e o alfa, que estava perto, se sentiu atraído pelo cheiro que o ômega exalava no cio e disse, simplesmente, que não ia se segurar durante o cio do outro e puf, rolou. No final, o ômega estava chorando as pitangas silenciosamente e o alfa perguntou o motivo dele estar chorando e ele respondeu que era porque estava se sentindo sujo por ter transado com o alfa sendo que ele só o fez por estar fora de si por causa do cio. A questão é que quando eu olhei os comentários, 90% deles eram "Deixa de frescura", "Você topou, agora cala a boca" e até "E daí, olha só quem é ele pra tu ficar reclamando".
Acho que nunca fiquei tão embasbacada na vida, de verdade. Depois de ler esse capítulo e o resto da história (olá, mania de conclusão), eu vi cada vez mais e mais comentários reclamando que o ômega estava era fazendo drama, que não tinha sido um estupro – mesmo depois dele ter gritado aos quatro ventos que não queria nada com o alfa −, que ele estava reclamando de barriga cheia só porque o alfa era o mais desejado de toda a cidade e que tinha escolhido ele e que isso e aquilo e eu simplesmente não consegui tirar essa questão da cabeça: qual a graça e a necessidade de culpar uma vítima de abuso?
Não digo para simplesmente irem em todas as plataformas de histórias existentes para protestar contra histórias que contenham abuso, até porque algumas são extremamente bem escritas e fundamentadas com um plot que faz sentido e sem essa romantização infeliz de algo sério. Peço que caso forem escrever alguma história que envolva abuso, que tome um extremo cuidado com as cenas tanto do ato do estupro quanto da repercussão que terá dentro e fora da história. A culpa nunca é da vítima, o agressor não pode sair impune, não se deve tratar esse assunto como algo banal.
Pensando assim, aqui vai um breve step-by-step para escrever sobre abuso sem romantizar a coisa ou idealizar como algo bom:



1) Pense nos detalhes:
Como assim "pensar nos detalhes", Clara? Tenha em mente que estupro é algo extremamente sério e que muda totalmente a personalidade da vítima, o modo com o qual ela se relaciona com as pessoas e o modo que ela vê o mundo e faz as coisas. Muda o rumo da história, basicamente. Tendo isso em mente, pense no motivo da existência dessa cena. Você a quer só para dar um "up" na história? Impor um drama leve? Se for por isso, aconselho que não faça uso desse ato porque, como eu já disse, estupro é sério demais para ser uma brincadeira. É preciso pensar também em como vai abordar isso, se vai ser narrado, se não vai ser, se a vítima conhecia o estuprador ou não, onde vai ser, o quão pesado vai ser, o objetivo do agressor ao fazer tal coisa com a outra e etc.



2) Pense nas sequelas e em como a vítima vai reagir:
Como a vítima vai reagir ao estupro? Como ela vai lidar com a realidade que foi imposta após isso? Ela vai se recuperar e tentar volta à rotina que tinha antes, ou vai se isolar de tudo e todos e consequentemente demorar a aceitar isso? Como vai ser a recuperação dela? Qual será a ordem das "etapas" que ela vai passar antes de aceitar o que aconteceu? (Obs: As etapas básicas são o choque, negação, culpa – porque sim, há vítimas que se culpam por terem sido abusadas e ficam remoendo o que podem ter feito para isso acontecer – e a "aceitação", mas não precisa ser nessa ordem.) Ela vai ter traumas em decorrência disso? Pense bastante em como esse fato vai refletir na personalidade da personagem.



3) Tome muitíssimo cuidado na repercussão da cena:
Tanto dentro da história quanto fora, essa cena vai dar o que falar, seja algo bom – o que acho bem difícil dadas as circunstâncias -  ou algo ruim, mas vai dar o que falar e é exatamente nesse ponto em que o cuidado precisa ser dobrado. Se o abusador já tiver uma relação com a vítima é necessário que deixe claro que foi um estupro, que a personagem não queria e foi totalmente contra a vontade dela. É realmente importante frisar que estupro não é forma de demonstrar amor, afeição ou algo do tipo e relembrar que é crime (código Penal Brasileiro, artigo 213, Lei nº 12.015, de 2009). De todo modo, tenha extremo cuidado com o que escreve, querendo ou não, alguns leitores pegam o que leem como verdade absoluta e isso é perigoso, por isso tenha em mente a repercussão que isso pode ter.


~x~

 Outro ponto que decidi abordar foi a idolatria sem sentido das doenças e problemas psicológicos que começou há uns dois anos. Passou um tempo que era considerado atraente você dizer que tinha algum problema ou que se cortava. Foram tempos difíceis, não há como negar. Eu lembro de entrar no Facebook, Tumblr etc e dar de cara com fotos de garotas e garotos chorando afirmando ter depressão, fotos de pulsos cortados e sangrentos e a única coisa que eu conseguia pensar era no quanto isso era errado e absurdamente sem sentido, eu digo como alguém que faz tratamento para depressão e ansiedade que aquilo não é nem dois por cento verossímil.
Quando você tem depressão, não costuma sair   espalhando isso para Deus e um mundo que "Oh, eu estou em depressão, olha que legal, não consigo sair da cama e tenho pensamentos suicidas, incrível, não?", na realidade, é exatamente o contrário, você não sente vontade de fazer nada, muito menos de falar com outras pessoas. Isolamento quase que total é o que acontece em grande parte dos casos.
Quanto à ansiedade, ela não é uma doença simples de lidar − ela existe em níveis que vão desde o desconforto até crises de pânico que comprometem várias atividades do dia-a-dia. Ansiedade não é aquilo que você sente ao fazer uma simples prova, que você fica levemente desconfortável, ansiedade é você tremer dos pés à cabeça, suar de modo desenfreado, hiper-ventilar e passar realmente mal.
Essas doenças e outras semelhantes não se curam do dia para a noite −, algumas nem possuem cura, mas sim um tratamento que diminui a intensidade delas. Os únicos conselhos para dar ao escrever sobre essas doenças são quase iguais aos dados com relação ao estupro, só mudam algumas palavras, a essência é a mesma.
Caso resolva abordar algo relacionado ao suicídio, o cuidado precisa ser triplicado e cuidadosamente trabalhado, porque é um assunto delicado e motivo de muitas divergências de opiniões, já que há pessoas que condenam quem tem pensamentos que levam ao suicido e tem gente que não condena e que tenta ajudar.
O conselho geral desse post é: saiba o que você quer alcançar ao colocar alguma dessas coisas na história. Assuntos delicados assim devem ser muito bem estudados e deve-se ter certeza de que é necessário para o andamento da história ou se é só um "drama adicional". Caso tenha dúvidas, não escreva sobre isso. Sugestão de quem entende das coisas: não escreva nada tiver dúvidas, vai por mim.  

E bem, caso não tenha dúvidas e saiba como desenvolver, vá em frente! Só vai! E para quem pretende narrar o abuso, eu recomendo um post, também da Liga, sobre como escrever cenas de estupro, é de 2014, mas ainda assim tem dicas ótimas, então aproveite e faça bom uso. 
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Representatividade de GLBTS e estereótipos

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Por: Captain Ricci
Link: https://fanfiction.com.br/u/530496/

Hey. how you doin’? Esse é meu primeiro post por aqui, e decidi escrever sobre uma coisa na qual penso já faz bastante tempo: a relação entre representatividade LGBT em histórias e os estereótipos.
É cada vez mais comum a presença desses personagens em fanfics e em originais, e enquanto é ótimo que o assunto seja tratado com mais naturalidade, quando a base de um personagem é um estereótipo, ele tende a não ser muito bem construído. Estereótipos são ferramentas narrativas questionáveis mas, muito além disso, são prejudiciais para o grupo que representam. Frequentemente levam a clichês e, mais ainda, quase sempre reproduzem preconceitos.
Se a ideia é trabalhar a sexualidade do personagem com certo enfoque, eu sugiro que haja bastante pesquisa da parte do autor para garantir uma boa representação.
Grande parte do que é falado aqui gira em torno da tal representatividade, porque não adianta colocar minorias em histórias e pensar que as representa, é necessário comprometimento com essa escrita.
Sobre os estereótipos nocivos, há três casos que normalmente andam juntos e prejudicam a história:

·       Heteronormatividade: apesar de possuir uma definição bem ampla, a maneira como ela aparece nessas histórias é a mesma, ou seja, mesmo numa relação homossexual existe a ideia do “homem da relação” e “mulher da relação”.
·       Sexualidade como única característica: um equívoco recorrente na construção desses personagens, que é tratá-los como se sua sexualidade fosse o que define o resto de sua vida como personagem. Tudo gira em torno da sexualidade, não existem interesses, sonhos ou traços de personalidade no geral que não se baseiam nisso. O resultado é um personagem vazio.
·       Personagens secundários e alívios cômicos: esse personagem não ocupa nenhuma função na narrativa além da “representatividade”, não é necessário em nenhuma escala para a história a não ser, talvez, a de alívio cômico.

O que esses três aspectos têm em comum? Um mau desenvolvimento de personagens que trabalha com estereótipos, reforçando-os, além de prejudicar a narrativa. Quando eles são utilizados juntos é praticamente impossível escrever algo verossímil.
Como, então, pode-se escrever personagens LGBT? Simples: escrevendo-os como pessoas, não limitando sua vida à sua sexualidade e principalmente escrevendo personagens que tenham, de fato, importância para a narrativa. Ao escrever um personagem LGBT sem limitá-lo você não só desenvolve melhor sua história, mas também para de reproduzir estereótipos nocivos.

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Fundamentos da critíca - Parte 1

quinta-feira, 7 de setembro de 2017


Por: Edgar Varenberg



Às vezes caímos numa daquelas situações em que precisamos de uma opinião ou, equivalentemente, precisam da nossa. Muito além daquilo que o verbo “gostar” tem a nos oferecer, às vezes tais opiniões pedidas vão muito além do quesito pessoal, daí começa a se perceber uma diferença entre “opinar” e “criticar”; enquanto o primeiro termo fala sobre falarmos de alguma coisa sob nosso ponto de vista, o segundo abordar falar dessa mesma coisa sob o ponto de vista geral da área a qual tal coisa se origina.
A crítica, diferente da opinião, trata de aspectos universais de um determinado material, ou seja, independente das opiniões, dos gostos, etc serão elementos que terão aquele fundamento sempre. Neste post encontraremos formas de identificar quais são esses aspectos e como percebê-los e aponta-los. No caso, o foco será na crítica de textos.

Aprendendo a abandonar o “eu”
A primeira coisa a tentar é buscar ficar pouco apegado ao texto. Não apegado do tipo “amar o texto”, mas sim abandonar certas ideias, como “Eu não faria assim” ou “Ficou confuso para mim”. Isso porque a crítica parte de pressupostos universais (ou o mais universal possível), então a partir do momento em que você passa a reparar em algo porque isso TE incomodou, talvez você esteja se distanciando do seu objetivo.

Tenha material teórico sempre em mãos (ou em mente).
Saiba o básico das coisas que compõem um texto narrativo. O que a gente precisa para formar um? Personagens, ambientes, diálogos, situações, problemáticas, etc. Agora pare e pense: “essas coisas realmente são obrigatórias?”. Pesquise tudo a respeito das suas próprias perguntas que surgirão após esta. Mas por que isso? Simples, textos literários possuem regras e fundamentos, o basicão; mas o que os tornam realmente literários é a forma como eles usam (e às vezes abusam dessas regras). Um texto mais seguro e menos ousado vai seguir todas as regras fielmente (a crítica aí geralmente o aponta como comum), já outros vão querer inovar ou se rebelar de alguma forma, seja abandonando diálogos, não descrevendo coisas propositalmente, é aí que o papel da crítica começa a se formar, em analisar se essas fugas funcionam ou não.

Linguagem de um crítico: funcionar ou não funcionar.
Atentem-se, a crítica nunca trabalha com “certo” e “errado”. Fica a dica: leia todo o texto tentando defender o máximo possível de pontos positivos; aquilo que não tem como defender de jeito nenhum, significa que faz parte daqueles quesitos universais citados mais acima. Além disso, a linguagem crítica busca trabalhar com “funciona” e “não funciona”. E, claro, acompanhadas do sagaz “porquê”.

Abordagem é a alma do negócio.
Uma crítica deve ser branda. O seu objetivo como crítico de um texto não é questionar a habilidade literária de ninguém, nem o potencial da história, é simplesmente apontar o direcionamento do texto, o quão ele está se aproximando ou se afastando do conceito que o texto aparenta. Então não precisa vir com pedras e facas; palavras objetivas e sugestões já bastam.

Entendendo os propósitos do autor.
Criticar um texto fica sempre mais fácil quando podemos simplesmente perguntar ao autor seus objetivos em cada uma das situações. Entretanto, há momentos em que isso não é possível e, além disso, antes de começarmos a questionar o autor, temos que, claramente, preparar nossos questionamentos. E para isso acontecer, temos que, às cegas, descobrir os propósitos do autor “intuitivamente”. É daí que passamos a ler o texto com uma mentalidade alternativa. Isto é, ler as cenas e se perguntando “por que x e não y?”; em seguida, com as informações que você tem no próprio texto, você mesmo deve tentar responder essas questões. Por exemplo, você viu que o personagem A se estressou por uma coisa boba, aí você começa a pensar “Por que ele simplesmente não fez isso? Resolveria e ele não se estressaria.”, mas aí você repara que em um momento da narração é citado sobre a sua personalidade explosiva e irracional, então passa a fazer sentido; caso tal descrição não esteja presente, pode ser que seja uma boa ideia apontar isso e conversar com o autor a respeito.

Enxergando além do autor.
Um crítico não precisa, necessariamente, se prender a todos os conceitos do autor, até porque a escrita costuma ser muito inconsciente, isto é, usamos certos recursos literários, que cabem ali perfeitamente (e, por isso, usamos inconscientemente), mas não fazemos ideia de que usamos, não foi proposital; isso acontece muito. Então quando o crítico vai além daquele conceito já dado e começa a enxergar essas coisas (e posteriormente leva-las ao autor), você pode estar contribuindo para um maior entendimento do texto até para o próprio autor, seja para dizer que está ou não funcionando. Se você acha que algo vale a pena ser comentado, comente sem hesitar.

Por fim, aceite o ultimato do autor.
Independentemente do que você tenha encontrado ou comentado, a voz do autor sempre será a mais poderosa no seu próprio texto, então não tente forçar ou insistir, por mais forte que seja a sua convicção naquele fato, somente o autor sabe 100% sobre o texto dele.

Conclusão
Os elementos de uma crítica buscam analisar formas diferentes de usar aquilo que é usual. Se a pessoa não foge do usual, dificilmente vai ter algo para analisar ali, assim como dificilmente o texto dela será interessante (no sentido de ter um algo a mais); um crítico deve sempre orientar o quanto o autor se aproxima ou se afasta do seu próprio objetivo, através de seus próprios conhecimentos e pesquisas (e também das inúmeras perguntas que ele tem que se fazer enquanto lê texto em questão).


Na segunda parte do post, veremos exemplos práticos de como estes elementos se aplicam na crítica.
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Marina: uma resenha

segunda-feira, 7 de agosto de 2017
 
Por: Raven Hraesvelg
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/334899/
Olá! Todos aproveitando as férias de julho? Espero que sim.
Na resenha deste mês, decidi falar sobre a minha mais nova descoberta do ano: Carlos Ruiz Zafón. Escritor espanhol, começou a carreira com contos infanto-juvenis, e é um desses contos que eu trago aqui. Marina foi publicado em 1999 e foi, de acordo com o próprio autor, o último livro desse gênero que ele escreveu (após isso ele deu início à sua série O Cemitério dos Livros Esquecidos, que estou louca para ler). Mas vamos ao que interessa, sim? 

Autor: Carlos Ruiz Zafón
Título Original: Marina
Tradução: 192 páginas
Editora: Suma de Letras
Sinopse: Na Barcelona dos anos 1980, o menino Óscar Drai, um solitário aluno de internato, conhece Marina, uma jovem misteriosa que vive num casarão com o pai idoso. Em passeios pela cidade, os dois presenciam uma cena estranha num cemitério e se envolvem na resolução de um mistério que remonta aos anos 1940. Numa tentativa inútil de escapar da própria memória, Oscar abandona sua cidade. Acreditava que, colocando-se a uma distância segura, as vozes do passado se calariam. Quinze anos mais tarde, ele regressa à cidade para exorcizar seus fantasmas e enfrentar suas lembranças — a macabra aventura que marcou sua juventude, o terror e a loucura que cercaram a história de amor.

Resenha:
Como eu disse na introdução, o livro é voltado ao público juvenil. Dizem as más línguas que de juvenil só tem a idade dos personagens, mas eu discordo disso, apesar de reconhecer a abordagem mais séria que o livro tem. Eu diria que é um infanto-juvenil bem ao estilo de Coraline, de Neil Gaiman — onde você só consegue se perguntar se o objetivo do autor era traumatizar criancinhas. Certo, não é para tanto.
Eu comecei a ler sem muitas expectativas e, apesar de ter me desapontado um pouco com a história, eu completamente amei a escrita do Zafón. A narrativa é poética e cheia de figuras de linguagem, e ele tem uma simplicidade ao escrever que dá aquele toque de fluidez na coisa toda e você se sente lendo música. É aquele tipo de autor que te faz sentir confortável com as palavras dele. Enredo a parte, eu leria o livro só pela narração.
Fiquei encantada com as descrições que ele faz das ruas e das construções de Barcelona. Aliás, descrição é algo que o Zafón faz muito bem, tanto do ambiente quanto dos personagens. Não é superficial e raso, como também não é monótono e extenso. Fica ali, bem entre esses dois extremos.
A construção do mistério é maravilhosa, a narração traz a carga certa de suspense para deixar o leitor curioso e as cenas de horror são narradas para causar desconforto. Porém, chegando nas soluções do mistério, achei tudo muito previsível.
Todo aquele mistério em torno de Marina, que começou interessante, no fim era só suspense porque não tinha mistério nenhum. O final, em relação à Marina, foi mais previsível e clichê o possível. Não gosto desse recurso trágico e dramático que insistem em usar como se fosse algo mirabolante (estou olhando para vocês, John Green e Nicholas Sparks). Estou sendo bem vaga aqui porque senão vou acabar entregando o final, o que na verdade é um cuidado meio desnecessário porque é bem provável que vá ser adivinhado logo no início do livro.
E o outro mistério, envolvendo o cemitério e a marca da borboleta, acabou sendo nada do que eu já não tenha visto ou lido. Adicione isso ao fato de que quando esses suspenses e mistérios acabam sendo ficção científica, eu costumo ficar decepcionada (só que aí já é problema meu, podemos dizer). Eu ainda me permiti ter esperanças de haver algum plot twist bem louco ou coisa do tipo, mas não, não teve nada. Volto a dizer, porém, que apesar dos finais previsíveis, a construção do mistério é muito boa.
O livro é bem curtinho, li em uma sentada só, mas o melhor é que você não sente o tempo passar. Então fica aí a indicação para aquela leitura a caminho da aula ou trabalho!
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As 10 Melhores Dicas de Grandes Autores

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Por Michele Bran 
Nyah: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Olá, pessoal.
Como estão? Espero que escrevendo bastante!
E por falar em escrita, vamos pegar umas diquinhas hoje com quem manja da coisa? Em minhas muitas andanças pelo mundo da interwebz, cavando links para me ajudar a escrever melhor, encontrei uma coleção de posts com dicas de gente grande no meio que me foram muito úteis, desde as questões mais complicadas até as mais simples (cujas soluções, muitas vezes, estão na nossa cara e não conseguimos enxergar).
Pensando que tais pensamentos poderiam ajudar outras pessoas tanto quanto me ajudaram, fiz um post a respeito com o melhor do melhor das dicas que encontrei.
Pega o bloquinho de notas pra registrar tudo e não esquecer, e vem comigo!

1) Aceite críticas:
Em uma carta ao seu editor, Tolkien mencionou alguns comentários que C. S. Lewis fez sobre “O Senhor dos Anéis”. Nas palavras do próprio:
“Quando ele dizia, ‘Você pode fazer melhor do que isso. Melhor, Tolkien, por favor!’, eu tentava fazer. Eu sentava e escrevia a seção repetidas vezes. Isso aconteceu com a cena que acho que é a melhor do livro: o confronto entre Gandalf e seu mago rival, Saruman, na cidade destruída de Isengard”.
Há críticas que são necessárias para melhorarmos nossa forma de escrever. Alguém que está de fora pode ver seu trabalho com outros olhos e encontrar as mínimas falhas, que não conseguimos ver por estamos tão acostumados com o texto.
Saber ouvir essas sugestões e, sobretudo, separar as que vão ajudar das que não vão é fundamental. Saiba ouvir seus leitores, seus amigos, seu(s) beta(s).
E, por favor, chega de espalhar que críticos são necessariamente haters, frustrados ou invejosos. Se até o Tolkien aceitava críticas de boas, quem somos nós, pobres mortais, pra fazer mimimi?

2) Leia bastante:
Parece óbvio, mas ainda vejo pessoas internet a fora que mal terminal a leitura de um conto curto e querem ser os próximos pica das galáxias quando o assunto é escrever. Sobre isso, temos opiniões de peso.
G. R. R. Martin (juro que o “opinião de peso” e o Martin no mesmo post não foi piadoca de mal gosto rs) já nos diz “eu acho que, a coisa mais importante para qualquer aspirante a escritor, é ler. (...) Você precisa ler de tudo. Leia a história, ficção histórica, biografias, leia novelas de mistério, fantasia, ficção cientifica, horror, os sucessos, literatura clássica, erótica, aventura, sátira. Cada escritor vai ter algo para ensinar a você (...)”.
Ray Bradbury também recomenda que os autores leiam bastante para melhorar seu lado intelectual, desde histórias curtas e poemas a textos de política, biologia, filosofia, entre outros. O mais interessante é que ele recomenda que se faça isso antes de dormir: “no final de mil noites, você estará cheio de material”.
Por último, temos Stephen King e seu conselho curto e grosso: “se você não tem tempo para ler, você não tem tempo ou as ferramentas [necessárias] para escrever”.

3) Escreva:
De nada adianta querer ser escritor sem escrever porra nenhuma (preciso tatuar isso, pra ver se aprendo). O Martin aconselha escrever todos os dias, ainda que uma ou duas páginas, pois é apenas praticando que você pode melhorar sua forma de escrever.
Mas escritores de fanfics, atenção: “Mas não escreva no meu universo, no de Tolkien, no universo Marvel, de Star Trek ou em qualquer outro que você pegue emprestado. Cada escritor precisa aprender a criar seus próprios personagens, mundos e configurações. Usar o mundo de outro é o método preguiçoso. Se você não exercitar esses “músculos literários”, você nunca vai desenvolvê-los”.
Claro que se você não quer ser um escritor profissional um dia, pode ficar feliz escrevendo somente suas fanfics. Então registre a ferro e fogo apenas mais essa dica do Stephen King e elimine qualquer coisa que possa distrair você da atividade de escrever, como telefone/celular, TV ou videogame.

4) Descanse:
Como toda atividade, física ou intelectual, escrever também cansa e, para não desistir, você precisa de uma pausa. Refrescar a mente com outras atividades, seja leitura, exercícios físicos, ou atividades domésticas é sempre uma boa pedida.
O autor Chuck Palahniuk recomenda: “Alternar entre o trabalho cerebral de escrever com o trabalho não-pensante da máquina de lavar roupas ou pratos te dará os intervalos que você precisa para que novas ideias e epifanias ocorram. Se você não sabe o que vem a seguir na estória… limpe seu banheiro. Troque os lençóis. Pelo amor de Cristo, tire a poeira do computador. Uma ideia melhor surgirá”.
Mas também não vale parar de qualquer jeito. Hemingway dizia que o melhor é parar quando você está indo bem na escrita e sabe o que virá nas cenas seguintes. Assim, sua mente estará sempre trabalhando no texto ativamente, o que pode evitar o tão temido bloqueio criativo.

5) Comece devagar:
Se você começou a escrever há pouco tempo, talvez não conseguirá fazer um bom trabalho se já começar de cara fazendo séries gigantes. Sobre isso, Martin e Bradbury pensam o mesmo: é como querer aprender a escalar começando pelo Everest e leva tempo demais. Comece com histórias curtas e contos, que não apenas vão ajudá-lo a aprender como desenvolver personagens e enredo, como podem ser o pontapé inicial para você se tornar mais conhecido, caso resolva participar de antologias.
Trabalhe com calma e lembre, como já sugere King, que você deve escrever uma palavra de cada vez. Dificuldades vão surgir sempre, seja por você não curtir algumas coisas em sua escrita ou por problemas pessoais, mas não se apresse.
Faça como Tolkien e mantenha-se firme. Se ele conseguiu lidar com doenças, problemas pessoais e um filho na Guerra enquanto escrevia obras fodas como “O Senhor dos Aneis” e “O Hobbit”, nós também podemos. É só manter o foco e não parar. 

6) Pense sobre suas cenas e personagens:
Como nós sabemos, as histórias precisam ter uma razão de ser e os personagens, de um objetivo. Antes de começar cada história, é interessante que o autor já tenha pensado em tudo isso. Já falei em inúmeros outros posts do meu blog sobre a importância de planejar sua história, mas é algo tão fundamental que não custa bater de novo na tecla em qualquer lugar onde eu ponha os pés.
Nas palavras de Chuck Palahniuk: “Antes de sentar e escrever uma cena, pondere sobre ela em sua mente e saiba o propósito daquela cena. Para quais tramas anteriores esta cena vai ser vantajosa? O que isso criará para as cenas seguintes? Como esta cena levará seu enredo adiante? Conforme você trabalha, dirige, se exercita, tenha apenas esta questão em sua mente. Tome algumas notas conforme tiver ideias. E apenas quando você decidiu a ‘coluna vertebral’ daquela cena – então, sente e escreva-a. Não vá até aquele computador chato e empoeirado sem algo em mente. E não faça seu [personagem] se esforçar ao longo de uma cena na qual pouco ou nada acontece”.
Já sobre os objetivos dos personagens, todos eles precisam ter algo que os motive, que mova para frente eles e a história. Como já dizia Kurt Vonnegut, “todo personagem deve querer alguma coisa, nem que seja só um copo de água”.
Mas claro, preocupe-se também em passar os sentimentos e modos de ver o mundo daquele personagem da forma mais verdadeira que puder. Para Hemingway, escrever bem é escrever com sinceridade.

7) Não poupe ninguém, nem você:
Escrever tem ótimos momentos, como criar um universo, criar personagens críveis, divertir os leitores... Mas também tem as partes sofridas. Como por exemplo, ter que se livrar de personagens, cenas ou tramas que a gente aprendeu a gostar tanto ao longo do processo de escrita.
Vários autores falam sobre a importância desse desapego literário, mas selecionei minhas três citações preferidas. John Steinbeck já alertava “Cuidado com cenas que se tornam muito queridas para você, mais do que as outras”. Pode ser que elas se mostrem supérfluas e você precise retirá-las em algum momento. Então não se apegue. 
Também não se apegue a personagens. Kurt Vonnegut já recomendava que os autores fossem sádicos e fizessem coisas terríveis acontecerem aos personagens se fosse necessário, não importando quão doces ou inocentes eles fossem.
Stephen King é ainda mais drástico: “mate seus queridinhos, mesmo que isso destrua seu coraçãozinho egocêntrico”.
Desnecessário dizer que o Martin segue isso à risca e eu ainda preciso aprender muito com esses caras, não é?

8) Não escreva somente pensando no público:
Outra dica fundamental é não escrever apenas pensando no que os outros querem ler, em como conseguir leitores ou fazer sucesso. Menos ainda pensando no que os outros vão pensar de mal do seu texto ou que os outros irão criticar.
Simplesmente escreva.
Para John Steinbeck, o autor deve esquecer o público generalizado. “Em primeiro lugar, o público sem rosto e sem nome vai assustá-lo. Em segundo lugar, a menos que você esteja num teatro, ele não existe. Na escrita, o público é um único leitor. Eu descobri que às vezes ajuda escolher uma pessoa ― alguém que você conhece ou que imaginou ― e escrever para ela”.
Já para King e Palahniuk, o fundamental é você escrever para si mesmo, o que você deseja ler. Só então você deve se preocupar com os leitores.

9) Primeiro escreva, depois edite:
Essa é uma dica que sempre dou a quem me pergunta. Escreva. Coloque a ideia no papel. Depois você se preocupa com repetições, erros, clichês, etc. Ao fazer isso e respeitar seu fluxo de ideias, você tem menos chances de ter bloqueios e, em geral, termina de escrever mais rápido e de forma mais natural.
Mas como vocês não estão aqui para minhas dicas, fiquem com esse trecho excelente do John Steinbeck: “escreva o mais livre e rápido possível e coloque tudo no papel. Nunca corrija ou reescreva até que tenha terminado. Reescrever é um processo geralmente usado como desculpa para não seguir adiante”.
Stephen King, apesar de aconselhar o não uso de advérbios, recomenda que você não deve se preocupar exageradamente com a gramática perfeita, porque o objeto da escrita não é a correção gramatical, e sim contar uma história.
Por mais que a língua seja importante, não perca o foco: escreva primeiro. Corrija depois.

10) Escreva com alegria:
E por último, mas não menos importante (pelo contrário), vem a que é outra de minhas dicas preferidas. Remonta ao conselho de escrever primeiro pensando no que você gostaria de ler e no que vai deixá-lo confortável.
Para ser um bom escritor, você precisa de fato gostar do que faz. É um trabalho árduo por si só, então precisamos nos lembrar do que nos deixa feliz em fazê-lo e seguir em frente com isso na cabeça. Ray Bradbury já dizia a seu público: “eu quero que você inveje minha alegria”.
King também arremata dizendo que escrever não é sobre fazer sucesso, ficar rico, conseguir encontros ou fazer amigos. Menos ainda sobre fazer os outros felizes. É sobre ser feliz fazendo arte.
Mantenha isso em mente. Escreva muito, faça sua arte e seja feliz com ela! 

E aí? Curtiram? Espero que tenham gostado e se motivado a continuar escrevendo.

Vejo vocês em outros posts. :*

Fontes e Dicas Adicionais:

Em português:

- Aprenda a escrever ficção de verdade com Ernest Hemingway – 7 dicas de escrita: http://homoliteratus.com/aprenda-escrever-ficcao-de-verdade-com-ernest-hemingway-7-dicas-de-escrita/

- 12 dicas para escritores iniciantes por George R. R. Martin: http://www.gameofthronesbr.com/2014/02/12-dicas-para-escritores-iniciantes-por-george-r-r-martin.html

- A rotina diária de 13 grandes escritores e o que eles fazem para continuar escrevendo: http://papodehomem.com.br/a-rotina-diaria-de-13-grandes-escritores-e-o-que-eles-fazem-para-continuar-escrevendo/

- 10 regras para escrever ficção do escritor e roteirista Elmore Leonard: http://ficcao.emtopicos.com/2013/08/escrever-ficcao-escritor-elmore-leonard/

- Conheça 13 conselhos do transgressor Chuck Palahniuk sobre escrever: http://literatortura.com/2013/05/13-conselhos-de-chuck-palahniuk-sobre-escrever/

- Conselhos de Escrita de Ray Bradbury: http://dicasderoteiro.com/2012/09/25/conselhos-de-escrita-de-ray-bradbury/

- 6 Segredos Que Escritores Experientes Não Admitem: http://corrosiva.com.br/como-escrever-um-livro/6-segredos-que-escritores-experientes-nao-admitem/

- Dicas para novos escritores de outros autores: http://www.youtube.com/watch?v=SdtM3gjNkvs&list=UUNTBIwGaMcImg4C8R3Gq6eQ

- 9 dicas de George R.R. Martin para quem deseja escrever: http://narrativaberta.com.br/9-dicas-de-george-r-r-martin-para-quem-deseja-escrever/

- 22 Conselhos de Stephen King para escritores(as): http://homoliteratus.com/22-conselhos-de-stephen-king-para-escritoresas/



Em inglês:

- 6 Of The Best Pieces of Advice From Successful Writers: http://www.huffingtonpost.com/belle-beth-cooper/6-of-the-best-pieces-of-a_b_4628690.html

- Stephen King top 20 rules for writers: http://www.openculture.com/2014/03/stephen-kings-top-20-rules-for-writers.html

- 7 Kick-Ass Writing Tips from 7 Best Selling YA Authors: http://tomiadeyemi.com/writing-tips-from-7-best-selling-ya-authors/

- We Asked 8 Famous Authors For The Most Important Advice They’d Give To Young Writers: http://www.clickhole.com/article/we-asked-8-famous-authors-most-important-advice-th-2562?

- Ten Rules of Writing from Famous Writers: https://curious.com/lyracommunications/ten-rules-of-writing-from-famous-writers

- Neil Gaiman’s 8 Rules of Writing: http://maxkirin.tumblr.com/post/92478828861/neil-gaimans-8-rules-of-writing-a-remake-of-this

- 27 Pieces Of Advice For Writers From Famous Authors: http://www.buzzfeed.com/ellievhall/27-pieces-of-advice-for-writers-from-famous-authors
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O Guia da Procrastinação Para Escritores, parte 1

quinta-feira, 6 de julho de 2017


Por: Lariez (https://fanfiction.com.br/u/505672/)
Oi, gente! Esse é meu primeiro post no blog da Liga dos Betas, e acabei escolhendo um tema que sempre me assombrou. Como já li trocentos artigos sobre esse assunto, resolvi juntar minhas experiências (algumas felizes, outras horríveis) e escrever eu mesma um pequeno guia. Espero que te ajude!
Com as férias de muita gente chegando, bate aquele pensamento já conhecido: “cara, eu vou usar esse tempinho livre pra escrever a minha história”. Então, você lembra da história, se anima de novo com o enredo e abre o Word. Quinze minutos depois, a sua amiga te chama para bater papo e, de repente, você se encontra vendo algum vídeo muito aleatório no YouTube ou descendo a página do Facebook. Difícil, né? Esse é o maior inimigo do escritor: a procrastinação. E ela é malvada.
Muitas vezes, fazemos isso sem perceber, e quando percebemos já é tarde demais: a procrastinação quebrou a marteladas o seu raciocínio e você perdeu a animação (de novo, talvez). Isso provavelmente vai fazer com que você volte para os vídeos aleatórios e desista. Isso é normal e acontece com todo mundo, até com a pessoa que escreveu um guia para tentar evitar a procrastinação (sim, por mais irônico que isso seja).
Existem várias ferramentas para evitar que você volte para os vídeos aleatórios enquanto você devia estar escrevendo, mas poucas pessoas as conhecem e as usam. Uma das mais importantes, inclusive, são os softwares (programas de computadores) desenvolvidos para a escrita que nos ajudam a matar a nossa procrastinação interior, e são desses que nós vamos falar nesta primeira parte. Abaixo, estão cinco dos vários programas que escolhi, e um breve resumo deles.

1. FocusWriter

O FocusWriter é um programa bem conhecido pelo seu modo “distraction-free” (do inglês "livre de distração") e por ser simples de se manusear. Ele ocupa todo o espaço da sua tela (sim, aquela barra de ferramentas só aparece se você passar o mouse por ali, assim como a barra inferior onde ficam os documentos editados) a fim de deixar apenas um espaço para que você escreva. O programa também conta com vários outros recursos opcionais, como definição de meta diária, salvamento automático do seu trabalho e dicionário próprio, por exemplo.
Além disso, o FocusWriter é totalmente customizável, ou seja, você pode adicionar backgrounds, escolher o tipo de caixa e as letras! Esse é o layout que eu costumo usar quando escrevo nesse programa. Ele suporta todos os sistemas operacionais disponíveis, desde Windows até Linux, e é de graça (o que eu acredito ser a melhor parte), mas você pode contribuir com os criadores, caso tenha dinheiro. Para fazer o download, acesse a página do software, selecione seu sistema operacional e coloque $0.00 USD como opção de pagamento.



2. Write or Die
Write or Die é uma ótima opção para quem precisa escrever urgentemente ou está simplesmente procurando um desafio. Para começar a escrever neste website (a versão software, infelizmente, é paga), você precisa determinar uma meta de palavras, um tempo determinado para alcançá-la e escolher um modo de escrita, dos quais existem três disponíveis, que vão desde o mais “pega leve” até o mais difícil. Diferentemente dos outros, ele não oferece uma tela livre de distrações, então é preciso que você tenha um pouco de autocontrole. Uma boa sugestão é deixar apenas esse site aberto e colocar o seu navegador em tela cheia (F11).
No “Stimulus Mode”, você escreve ao som de músicas de ambiente, como barulhos de chuva, e quando você para de digitar por um determinado tempo, o som desaparece e a tela se torna vermelha até que você volte a escrever. No “Consequence Mode”, se você para de escrever, a tela fica vermelha e barulhos horríveis começam a aparecer, como choros de vários bebês juntos e buzinas. Já no “Kamikaze Mode”, que aparece no print, o programa começa a apagar letras aleatórias do que está escrito (aproximadamente uma letra por segundo!) até que você volte a escrever. É possível pausar a sessão se você precisar, e também salvar suas palavras.
Para começar a escrever, acesse a página do Write or Die. Vários recursos adicionais irão aparecer, mas você precisa comprá-los por aproximadamente US$ 20.00. Para usar o website de graça, há uma pequena caixa abaixo dessa que permite decidir apenas a meta, o tempo e o modo. Escolha de acordo com a sua coragem, aperte o botão “Try” e divirta-se!

3. WriteMonkey
O Write Monkey é um software com um design super simples, como a imagem mostra. Na tela do seu computador sobram você, suas palavras e um relógio. O design do fundo pode ser personalizado assim como as fontes usadas, mas nada muito sofisticado; muda-se apenas as cores. Você pode ver mais screenshots na própria página do WriteMonkey, além de informações mais específicas sobre o programa.
Além disso, o programa oferece vários recursos adicionais, que vão desde inserção de marcadores no seu texto até opção de outras línguas no programa (infelizmente, o corretor ortográfico na língua portuguesa só está disponível para o português de Portugal), sem contar dos plug-ins disponíveis, que podem ser bem úteis ao escritor. Isso faz dele um dos softwares mais completos, porém um pouco difícil de manusear. Mas é claro, se você está aqui apenas porque precisa terminar aquele capítulo o mais rápido possível, a maioria desses recursos não serão necessários a primeira instância.
Para fazer o download, acesse a página do WriteMonkey e clique em downloads.

4. Calmly Writer

Assim como “Write or Die”, o Calmly Writer não é um software e sim um website (oferecendo uma opção de extensão no navegador Google Chrome), mas merece estar na lista pela praticidade e pelo modo distraction-free.
Na tela de escrita, não há nada mais que o símbolo do website, que leva as preferências (caso o usuário queira, é possível que a contagem de palavras/caracteres também apareça). É recomendado que se escreva na tela cheia, minimizando assim a chance de procrastinação. Isso pode ser feito acessando o menu e selecionando a opção “toggle full screen”.
O Calmly Writer também possui outros recursos, que vão desde o modo focus, que deixa destacado apenas o parágrafo que você está escrevendo, até os sons de teclado. Para usá-lo, apenas acesse o site e clique em “Open Calmly Writer”.

5. FORCEdraft
Deixei esse software por último pelo fato de ser o mais radical da lista, e que provavelmente vai te fazer escrever o que você precisa por bem ou por mal. FORCEdraft é um programa cujo objetivo é não te deixar fazer nada no seu computador até que você escreva o que precisa. Ele “trava” sua barra de ferramentas do Windows para que você não consiga sair da tela, e com isso, continue escrevendo.
São oferecidas três alternativas antes que apareça a tela de escrita: você pode definir um tempo para o bloqueio da tela, um número de palavras ou simplesmente sair quando você quiser (padrão). A única forma de sair do programa é clicando no logo FORCEdraft; porém, dependendo da opção que você escolheu, ele obviamente não vai te deixar sair tão fácil assim e mostrará quantos minutos/palavras faltam. Quando você completa os minutos ou a sua meta de palavras, é só clicar no logo e depois em “save and exit”.
Dica: Cuidado para não confundir as opções! Da primeira vez que usei esse programa, escolhi 500 palavras e cliquei erroneamente na opção dos minutos. No fim, tive que esperar 500 minutos (chorando) para usar meu computador novamente. Além disso, é bom que você faça tudo o que precisa no seu computador antes de começar a escrever no FORCEdraft.
Infelizmente, o site oficial deste software não existe mais, mas ainda é possível fazer download de graça (assim como os desenvolvedores o disponibilizaram) acessando o link.

Existem outros softwares disponíveis por aí, como o DarkRoom, o ZenPen e o OmmWriter. Vale a pena dar uma olhada neles se você não gostou ou não se deu bem com algum dessa lista.
Quero ressaltar que nenhum desses softwares vai te salvar 100% da procrastinação (infelizmente). Eles oferecem apenas a base, e cabe a você construir a casa em cima dela. O que eu quero dizer com essa metáfora de qualidade duvidosa é que você precisa se policiar, fazer a sua parte. O programa já é de grande ajuda, mas se você ficar interrompendo sua escrita para ver os vídeos aleatórios, não vai adiantar muita coisa. É preciso que você tenha, acima de tudo, foco.
Uma coisa que costumo fazer é desligar a internet e deixar apenas o software de escrita em execução no computador. Assim, se eu acabar me distraindo e abrir o navegador, ele não vai se conectar e eu vou acabar voltando a escrever. Além disso, não comece estipulando metas muito grandes, como terminar todo o capítulo naquele dia ou escrever 2000 palavras. Começar do pouco vai fazer com que você alcance a meta de uma forma mais rápida, e então você pode aumentar gradativamente. Tentar escrever 500 palavras por dia, tecnicamente, vai ser mais eficaz do que tentar escrever 2000 em um único dia.
E é isso! Espero ter ajudado com essa lista. A parte 2 sairá em breve, se eu parar de procrastinar.
XOXO, Lariez.
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A costureira e o cangaceiro - Resenha

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Por: Rodrigo Caetano
Perfil:  http://fanfiction.com.br/u/82481/

E aí, povo do Nyah! Tudo certo com vocês?
Voltei nesse mês de junho com uma resenha fresquinha pra vocês. E, no espirito das festas juninas, escolhi um livro nacional que conta uma história do interior do nosso Brasil.
Mergulhando fundo na história e na cultura do nordeste e, ao mesmo tempo, abordando aspectos modernos do nosso dia-a-dia e nos trazendo uma trama de família, amor e ação dignas de Hollywood. Não é a toa que o filme baseado no livro deve ser lançado ainda esse ano aqui no Brasil.
Sem mais delongas, vamos ao que interessa:

Autora: Frances Pontes Peebles
Editora: Nova Fronteira
Sinopse: Na pequena Taquaritinga do Norte, Emília e Luzia aprendem desde cedo o ofício da tia, a melhor costureira da região. Em meio a moldes, fazendas, linhas e agulhas, as moças vão tecendo caminhos inesperadamente opostos. Luzia é incorporada a um bando de temíveis cangaceiros e vai viver com eles no sertão. Emília encontra no casamento a sua passagem para a tão sonhada vida na capital, o Recife. Sertão e cidade desafiam as irmãs a se transformarem, mas o laço que as une não se abala com as mudanças, e elas farão de tudo para tentar proteger uma à outra.

Resenha:
A costureira e o cangaceiro foi um dos melhores livros que li este ano. Um livro que me pegou de surpresa e que, pela primeira vez na vida, me deixou ansioso para ver um filme do nosso tão subestimado cinema nacional.
O livro conta a história de duas irmãs do interior do Recife que crescem pobres nas décadas de 20 e 30. Além de retratar muito bem a situação da época, a autora conseguiu modernizar o conto ao tratar de maneira tão madura e inteligente o papel da mulher na sociedade precária em que as duas personagens principais estavam inseridas.
Sempre sonhando alto, mas com objetivos e modos de pensar diametralmente opostos, as duas irmãs, Emília e Luzia, são levadas por suas escolhas a dois caminhos distintos, separando-se quando jovens e retratando ambos os lados da sociedade recifense da época: a burguesia que ganhava força na capital, subindo de classe, e o povo esquecido do interior, assombrados e, ao mesmo tempo, devotos do cangaço.
O contexto histórico da alçada de Getúlio Vargas ao poder e da modernização que o país enfrentou à época, no período entre a primeira e a segunda guerra, são o pano de fundo perfeito para esse romance, servindo como um atrativo extra nos momentos em que a trama, por sua própria necessidade, precisa diminuir o ritmo.
Enquanto isso, os momentos de ambas Luzia e Emília roubam a cena, mostrando tanto a intriga moderna da alta sociedade recifense quanto a vida dura e os momentos de ação vividos por aqueles que vivam livres em grupos de cangaceiros — que cometiam atrocidades e salvavam vidas, sempre no limite da capacidade humana.
Uma história cativante, emocionante e que, por vezes, chega a tirar o fôlego — isso sem contar na riqueza de detalhes e na precisão da caracterização histórica de um período tão interessante da sociedade brasileira, que, por vezes, chega a pulsar nas páginas.
Uma leitura fortemente recomendada, que merece a atenção de todos. O filme deve sair até o final do ano — talvez entre setembro e outubro — e nos resta torcer para que ele faça jus ao livro.
Por hoje é isso, galera! Um abraço e até a próxima!
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Deixando interessante uma história narrada por lembranças

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Por: Helen Corrêa
(https://fanfiction.com.br/u/484171/)

Hello, leitoras e leitores do blog! Depois de um tempinho sem escrever para o blog, volto com um tema tirado do banco de sugestões.
Creio que a primeira coisa que precisamos definir aqui é que, se estamos falando sobre uma história que possui “lembranças”, estamos falando nada mais nada menos que sobre os famosos “flashbacks”, não é mesmo?
Eu, particularmente, sou uma pessoa que adora ler histórias que possuem flashbacks. Não sei ao certo o porquê, mas deve ser pelo ar de mistério que a história possui enquanto tais cenas do passado não são reveladas. E esse geralmente é um dos principais motivos pelos quais os escritores fazem uso desse recurso. Contudo, há que se ter cuidado com a utilização dessa ferramenta, pois, se não usada pelos motivos certos, pode ser um grande tiro que sairá pela culatra.
Primeiramente, vamos relembrar aqui as principais formas pelas quais podemos narrar um flashback dentro da nossa história:

1. Uma simples menção do narrador em alguma parte da história, sobre algum evento que ocorreu na vida do personagem, mas sem que haja uma dramatização;
2. Uma cena dramatizada, ou seja, é como se a história realmente retrocedesse, e pudéssemos enxergar “em tempo real” o que aconteceu dentro da história no passado;
3. O próprio personagem narrando um fato sobre o passado.

Agora, sim, podemos partir para os conselhos do artigo de hoje.

Como já foi dito anteriormente, o flashback é uma ferramenta muito interessante para revelar mistérios e montar os “quebra-cabeças” que são postos no enredo de uma história. Talvez por isso mesmo ele seja muito utilizado por diversos autores. Contudo, embora seja uma ferramenta muito utilizada, nem sempre ela tem uma relevância que seja justificável ou plausível para a história. Isso significa que muitas pessoas simplesmente colocam uma lembrança dentro da história que acaba não significando nada relevante dentro do enredo. Ou pior, a pessoa coloca uma lembrança que revela coisas precipitadamente e mata o resto do enredo, bem como a vontade do leitor em continuar a leitura, que acabará se tornando ou repetitiva ou entediante.
Com isso, o que precisamos ter em mente ao colocar um flashback dentro da história?

1. O seu personagem tem que possuir um passado interessante.
Isso é o básico de toda a narrativa de lembranças. Se o seu personagem não tiver algum segredo que valha a pena vir à tona, se ele não vivenciou nada de interessante, por que retirar essa lembrança das cinzas e ressuscitá-la para dentro do seu enredo? Isso não faz sentido nenhum, não é mesmo? Por exemplo: Se eu pedisse a você que detalhasse todos os dias que você vivenciou desde janeiro até agora, você saberia me dizer? Mas é claro que não! O nosso cérebro descarta os momentos corriqueiros pelos quais passamos, simplesmente porque iria sobrecarregar a nossa memória e não iria ter relevância nenhuma em nossa vida! Nós lembramos das coisas que para nós são importantes, ou que nos impactaram de alguma forma: um evento no qual fomos, um dia sensacional, um dia muito péssimo, etc. Da mesma forma deveria funcionar a narrativa de uma história — se não possui relevância nenhuma para o personagem e, consequente, para o leitor, descarte. Não é necessário colocar um flashback na história só porque parece ser uma ferramenta legal ou que todo mundo usa.

2. O passado deve mover o enredo da história.
Bem, além de contar uma lembrança relevante na vida do personagem, a revelação desse tal passado deve, também, ter um impacto importante dentro do enredo. Se o personagem lembrar desse passado que ele viveu, isso fará com que ele tome uma atitude que será crucial na história? Ou, se o narrador mostrar uma cena do passado para o leitor, isso revelará segredos importantes que ele ainda não entendeu, e que ele precisa saber para entender o que está se passando no presente? Se a resposta for “sim”, muito bem, revelar este passado será útil na sua história. Caso contrário, há grandes chances de que ele não seja de muita utilidade para você, seus personagens e seus leitores.

Quando um flashback é mal colocado dentro de uma história, três características podem ser notadas:
  • A primeira é que o flashback não irá oferecer novas informações o suficiente para o leitor. Você já leu alguma história na qual a lembrança do passado levantava mais perguntas do que respostas? Ruim, né? Se isso também está acontecendo dentro da sua história, você está fazendo algo não muito bacana, acredite.
  •  É normal que, a princípio, alguns flashbacks levantem algumas perguntas na mente dos leitores. O problema é quando eles não respondem questão nenhuma e, de quebra, ainda levantam muitas outras! Assim sendo, um flashback deveria evitar linguagem muito metafórica ou cenas muito vagas, pois isso acaba freando o desenvolvimento do enredo, enquanto devia estar fazendo-o andar.
  • A segunda característica de um flashback mal-usado é quando ele destrói completamente os subtextos da história. Já deixamos bem claro aqui que flashback bom é aquele que traz informações relevantes para o leitor. Contudo, se você coloca um flashback extremamente detalhado já no início da história, todo o ar de mistério, suspense e/ou curiosidade que o enredo causa vai direto para o espaço! Você não pode “entregar o ouro” logo de cara para o autor, entende? Você deve mantê-lo envolvido na leitura do começo ao fim, dessa forma, caso seus flashbacks ofereçam revelações chaves, talvez seja melhor dar uma segurada neles e deixá-los para a parte final do seu enredo.
  • A última característica é quando ele muda completamente a ênfase da história de lugar. Você quer dar ênfase no passado do seu personagem ou no presente dele? E se você quer dar tanta ênfase no passado dele, por que, então, já não pensar em escrever uma prequela de uma vez por todas? Assim, cuidado para não os usar em exagero.

Ditas todas essas coisas, chegamos à conclusão de que, para que uma história que possui a narrativa de uma ou várias lembranças se mantenha interessante, é necessário saber usar os flashbacks com parcimônia. Não o use para narrar coisas cotidianas que não causarão emoção ou impacto nenhum ao leitor ou à vida do seu próprio personagem. Não o use caso ele seja mais importante até mesmo que o tempo atual da sua narrativa. Não o use cedo demais, revelando coisas que deveriam ser contadas mais para o final da história.

Embora os flashbacks geralmente revelem um elemento chave na composição do enredo, um trauma do personagem ou algo do tipo, isso não quer dizer que ele sempre tenha que ser algo ruim. O flashback também pode revelar coisas boas, contudo, lembre-se da premissa: essa lembrança vai causar alguma emoção significativa na mente do leitor? Ela vai causar alguma empatia? Se a resposta for não, provavelmente é melhor deixar o passado para lá.
À vista de todas essas coisas, posso dizer que por hoje é só, crianças. Quando estiverem escrevendo as histórias de vocês, “conheçam” o passado de seus personagens com antecedência. Imaginem cenas importantes que contenham revelações que deixarão seus leitores de boca aberta, chocados, emocionados... Imaginem um flashback como se ele fosse uma boa fofoca, o famoso “bapho”: se causar algum tipo de impacto, é porque realmente é bom. Se não, melhor focar apenas no presente, afinal, reza a lenda que quem vive de passado é o museu, rs.

Referência:
https://www.helpingwritersbecomeauthors.com/reason-story-flashbacks/
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Como Escrever História sobre Balet - Parte I

segunda-feira, 5 de junho de 2017
 
Por: Lollallyn (Palloma Antunes)
Link: https://fanfiction.com.br/u/279239/

Olá!
 Se está pensando em escrever uma história bailarinística e não tem um contato prático com o ballet, este post é especialmente para você. Essa não é uma dança fácil de praticar, imagina de descrever. Pensando nisso, esquematizei algumas dicas para auxiliar na construção de um enredo com essa temática, procurando facilitar o trabalho sobre os pontos chave. Então, pegue lápis, papel e suas sapatilhas e venha dançar um pouquinho comigo.
 Quando planejamos escrever sobre um tema específico, é importante produzir uma ambientação bem estruturada para que os leitores possam visualizar cada cena com clareza e se sintam realmente inseridos na proposta de enredo. No caso do ballet, por exemplo, descrever os passos, o ritmo da dança, as roupas de ensaio e/ou os figurinos de palco, as sapatilhas, o esforço dos músculos é essencial para dar aquele gostinho mágico e deixar a história palpável. Claro, não é preciso escrever tudo tim-tim por tim-tim (até porque, os leitores sem familiaridade com essa dança ficariam perdidos), basta dar a base necessária para que sua história, de fato, transmita as cenas que você imaginou.
 Então, vamos por partes:
 
OS PASSOS
 O ballet tem uma gama grande de passos que variam em graus de dificuldade, direçãoe e tamanho, e outros que são compostos por passos menores. Além disso, dependendo do método que o bailarino segue, alguns pormenores na execução dos passos recebem uma ênfase diferenciada. Mas esse é um detalhe que pode ser deixado de lado, visto que puxa para uma área mais técnica.
 Cada passo é acompanhado por uma posição de braços (mesmo que ele seja executado nos exercícios de barra), mas você pode pular essa parte também, pois ela pode variar dependendo do exercício. O importante é conhecer alguns passos básicos e preencher as descrições de maneira superficial, não deixando os leitores tão perdidos e permitindo que você tenha autonomia sobre sua narração.
“Os pés começaram a se mover calmamente em pas de valse, tornando-se mais ágeis conforme a música ia ganhando velocidade gradativamente. Aqui e ali surgia um floreio com um cambré, um attitude rápido.” — Pas de Deux, Sir AK’s¹
 A descrição sugere toda uma sequência, mas observe que o autor citou apenas três passos (os principais dessa sequência). Além disso, ele usa o pas de valse que é um passo composto por uma pequena coreografia de passos menores. Esse é o truque: temperar a narrativa com alguns nomes técnicos (apenas dos passos mais relevantes), transmitindo a cena de maneira satisfatória sem fazê-la parecer grego para o leitor. Nas notas finais, é legal deixar um glossário resumido explicando o que essas nomenclaturas significam na linguagem do ballet.
 Para dar uma mãozinha, separei uma lista com a descrição de alguns dos passos desse estilo:
  • Plié – (pliê) dobrar, flexionar
  • Tendu – (tandí) alongado (pé)
  • Battement – (bat'mã) batida, bater
  • Échappé – (exapê) escape, escapado
  • Relevé – (relevê) elevado
  • Sauté – (sotê) saltado
  • Attitude – (atitid') atitude. Pose do ballet inspirada em uma famosa estátua de Hermes/Mercúrio. O joelho fica prevento dobrado e a perna sustentada. A linha do attitude varia de acordo com o método. Também é o nome da posição de braços que acompanha a pose.
  • Arabesque – (arabésq') arabesco. Inspirado em ornamentos árabes, esse movimento consiste em sustentar a perna derrière, na linha da quinta posição. Pode ser feito fondu, elevée, saltando ou em attitude.
  • Passé – (passê) passado. É uma passagem; assim como na relação tendu-dégagé, o passé só é chamado assim quando ele é apenas uma passagem para outro movimento.
  • Retiré – (retirê) retirado. Movimento onde se sustenta a perna com a ponta do pé na altura do joelho da perna de base.
  • Coupé – (cupê). Diz-se que o nome deriva de 'sur le cou de pied' (sur le cu de piê - sobre o colo do pé). O pé é sustentado em ponta na altura do tornozelo, acima do colo do pé de base. Também varia de acordo com o método.
  • Frappé – (frapê) batido. Movimento que consiste em 'bater' a perna e fazer um breve développé. Pode ser feito em flex para ponta (para trabalhar a força de pé), bem como em coupé. Esse exercício trabalha agilidade e precisão.
  • Changée – trocar. Significa que no final do passo os pés estarão trocados, ou seja, o pé que estava incialmente na frente, vai estar atrás. A troca é feita em salto no ar.
  • Cambré – (cambrê) arqueado. Deslocamento do tronco para trás, criando um arco. Usado pra ornamentar. O cambré décoté é uma contração lateral, usada posta alongar e ornamentar.
  • Dégagé – (degajê) Passo de ligação. É basicamente um tendu que liga uma coisa à outra, por exemplo, na transferência da primeira pra segunda posição de pés.
  • Rond de Jambe – (ron dê jam) movimento em que desenhamos um círculo com a perna. Pode ser feito também com fondu, en l'air, grand ou demi.
  • Développé – (developê) desenvolver. A perna sai do chão, faz um passé ou coupé, passa por um attitude e termina completamente esticada. Pode ser feito em fondu também.
  • Enveloppé – (anvelopê) envelopar. Oposto do développé.
  • Raccourci – (racurrsí) recolhido. Termo do método Vaganova para o enveloppé.
  • Pas – (pá) significa "passo". São passos no ballet compostos por vários movimentos básicos, inspirados em observações.
  • Pas de Bourée – (pá dê burrê) passo inspirado em na dança folclórica de bourée. Pode ser composto de fondus, elevées, dégagés, coupés, etc. É usado para deslocamentos e é o passo do ballet com mais variações.
  • Pas de Basque – (pá dê basque) inspirado nas danças dos povos bascos/vascos. É composto por fondu, rond de jambe, glissade, chassé e dégagé.
  • Pas de Valse – (pá dê váls') passo de valsa/waltz. Também chamado às vezes de Balancé decoté (balansê decotê - balanço lateral). Composto por dégagé, elevée e coupé. Pode ser executado em tempo de valsa (1, 2, 3, 1, 2, 3, 1, 2, 3...) ou em tempo oitavas.
  • Pas de Chat – (pá dê chá) passo do gato, imita o salto felino. Basicamente dois passés feitos em sequência para deslocamentos. Possui uma variação italiana, que termina no coupé fondu.

AS APRESENTAÇÕES
 Aqui você pode se basear nos famosos ballets de repertório, como Dom Quixote, O Corsário, O Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida, O Quebra Nozes entre outros. É um pouco difícil uma escola de dança remontar o repertório inteiro, geralmente o foco recai sobre os solos (também chamados de variações) e os grand pas de deux. E aqui pode rolar o truque: especificar o repertório e o solo, por exemplo, já sugere a ideia da coreografia inteira.

“Ana preparou-se com calma e respirou fundo. A introdução da música começava a fazer as caixas de som vibrarem, colocando-a em alerta para o início da dança. Suas pernas abriram-se em um arabesque saltado, então, de repente, ela já não era mais Ana, mas sim Harlequinade.” — Arquivo Sir AK’s²

 Aqui o autor cita a variação (recebe esse nome porque alguns passos podem ser adaptados dependendo da habilidade técnica do bailarino/do método adotado) de Harlequinade. Você pode dizer que solo é e temperar com alguns passos (como o arabesque nessa citação), como a dica na primeira sessão. Se sua coreografia for original, vale o mesmo: cite alguns passos e preencha a descrição com a música e as sensações da personagem.

Vamos encerrar a parte I aqui e fazer um pequeno intervalo (aproveite para alongar os músculos enquanto isso). Sinta-se à vontade para deixar suas dúvidas no comentário do post obrigada pela leitura.
Nossa dança continua no mês que vem!
 
Referências
https://fanfiction.com.br/historia/578313/Pas_de_Deux/¹. Acesso em 27 de maio de 2017, às 05h45. Citação permitida pelo autor.
Arquivos pessoais do autor Sir AK’s². Citação fornecida pelo autor em 27 de maio de 2017.
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Resenha: Corte de Espinhos e Rosas

segunda-feira, 29 de maio de 2017
 

Por: Raven Hraesvelg
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/334899/

Olá, pessoa! (Infelizmente não temos o CAPTCHA para confirmar que você não é um robô, então te tratarei como pessoa mesmo, ok?). Como o Rodrigo noticiou, agora eu também estarei trazendo resenhas para o Blog, yey!
Eu estava meio que num dilema quanto ao que trazer para resenhar, porque ou eu trazia um livro que eu goste, mas que já li há um tempo, ou eu trazia um livro que li recentemente e não gostei tanto. Mas como eu gosto de reclamar, trouxe o livro mais recente lido mesmo.
Como o título indica, estarei comentando sobre o livro Corte de Espinhos e Rosas. Esta resenha é mais focada no primeiro livro, porém eu vou fazer uns paralelos com o segundo livro (a série atualmente tem três livros publicados — o terceiro foi lançado ainda esse mês, então não li). Por quê? Digamos que se eu resenhasse só o primeiro livro da série eu acabaria desencorajando a leitura, o que eu não quero fazer porque, para o público alvo a que é dirigido, acho que é uma série que vale a pena ser lida.
Eu particularmente não gosto de livros Young Adult e não sou muito dada ao romance (principalmente esses voltados para mais para jovens), porém uma amiga me obrigou recomendou ler essa série e me afirmou com toda a certeza que até eu iria ver alguma coisa positiva neles (no segundo livro, pelo menos. Ela bem me avisou que seria difícil passar do primeiro, mas que valeria a pena). Dito e feito, valeu mesmo a pena, apesar de eu ter relevado muita coisa em prol dos temas que são abordados. Gostei muito de como certos assuntos são retratados, sendo fiéis ao que acontece na realidade, e sem romantizações desnecessárias de temas sérios. Sem mais delongas, vamos à resenha.

Autor: Sarah J. Maas
Título Original: A Court of Thorns and Roses
Tradução: 434 páginas
Editora: Galera Record
Sinopse: Nesse misto de A Bela e A Fera e Game of Thrones, Sarah J. Maas cria um universo repleto de ação, intrigas e romance. Depois de anos sendo escravizados pelas fadas, os humanos conseguiram se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de um casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família. Após matar uma fada zoomórfica transformada em lobo, uma criatura bestial surge exigindo uma reparação. Arrastada para uma terra mágica e traiçoeira — que ela só conhecia através de lendas —, a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, senhor da Corte Feérica da Primavera. À medida que ela descobre mais sobre este mundo onde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade até uma paixão avassaladora. Enquanto isso, uma sinistra e antiga sombra avança sobre o mundo das fadas e Feyre deve provar seu amor para detê-la... ou Tamlin e seu povo estarão condenados.
Resenha:
Já deu para perceber pela sinopse que esse livro parece ser um senhor clichê, não? Confesso que foi complicado ler esse livro, levei dias para conseguir chegar na metade do livro porque a história não me descia. Eu só consegui pegar um ritmo de leitura lá para o final do livro.
A protagonista, Feyre, é aquele estereótipo que a gente já conhece muito bem: uma garota que perdeu tudo o que tinha, precisando aprender a caçar para alimentar a família e que não é a exata definição de simpatia, além de ter uma personalidade meio medíocre, que não sabe se impor e que "precisa de cuidados" (ela tem problemas com baixa autoestima, auto piedade excessiva e por aí vai). Só depois de ter lido os dois livros dessa série foi que entendi que a escritora fez isso de propósito, talvez até mesmo como uma crítica, porque uma das coisas que ela mais gosta de fazer nos livros dela é o desenvolver seus personagens. Percebi que ela gosta de trabalhar bastante com o lado psicológico, abordando até mesmo estresse pós-traumático, depressão, etc, e ela usa isso para “evoluir” seus personagens (todos, não só a protagonista). Aliás, fazendo um adendo aqui, outro ponto alto da Sarah J. Maas é que ela trabalha bem as emoções e sentimentos na sua narração e eu adoro quando um escritor faz isso.
Mas voltando à Feyre, como era meu primeiro contato com a autora e com a escrita dela, foi muito difícil gostar da protagonista nesse primeiro instante, antes de perceber que havia um motivo por trás do comportamento dela. Com o passar da leitura você percebe isso e também repara que a própria protagonista reconhece um pouco essa passividade que ela tem. Ainda assim era extremamente irritante ver algumas coisas, como, por exemplo, o modo do pai e as irmãs mais velhas a tratavam (o que na verdade acaba por ser interessante, porque Maas demonstra nessa situação que famílias também podem ser abusivas) e também o modo como ela vai se relacionar com o Tamlin.
E desse macho aí eu nem quero comentar muito (eles usam “macho” no livro mesmo, referindo-se aos homens féericos), primeiro porque vou estragar a experiência de quem ainda não leu os livros e segundo porque não vai sair coisa agradável daqui. Assim como Feyre, ele é o personagem que a gente já viu em infinitos livros Young Adult. É príncipe da Corte da Primavera (agora imagem borboletas saindo da tela e voando ao seu redor enquanto passarinhos assoviam uma canção; é exatamente essa impressão que você tem ao ler as descrições dessa corte). E quanto os dois se apaixonam... Melodrama, doce melodrama. Muito felizmente eu acabei descobrindo que esse romance foi um mal necessário para tocar num assunto muito importante que só vai ser trazido à tona no segundo livro. Não se enganem com a relação deles, lembrem do que eu disse sobre a família dela.
Sobre o enredo em si, eu diria que uns 80% do livro é... clichê. Feyre se adaptando ao seu cativeiro e ela e Tamlin se apaixonando. Mas eu gostei do mundo que a Maas criou, dos feéricos, da mitologia. Isso não é tão explorado no início, mas vai melhorando com o passar da leitura. O universo que ela cria é bem rico, fantasioso mesmo, mas de uma maneira doce e agradável. É bastante baseado no paganismo, principalmente mitologia celta, temos até a presença de um Caldeirão, objeto que no livros seria o criador do mundo, fazendo uma clara referência à deusa Ceridwen. Aliás, a “divindade maior” dos livros é mulher, a deusa de três faces.
E por falar em pontos positivos, vamos falar dos outros 20% restantes então. Do meio ao fim acontece uma reviravolta que muda o livro da água para o vinho. É sério, parece até outra pessoa escrevendo. Tudo fica mais denso, pesado, o clima de contos de fada é extinguido. Temos a inserção de novos personagens (que são muito maravilhosos, preciso dizer, porque possuem o tipo de personalidade que eu pessoalmente gosto bastante) e a própria personalidade da Feyre começa a se desenvolver a partir daí por causa dos eventos que acontecem e das coisas que ela vai ter que fazer. Quando a sinopse diz “misto de A Bela e A Fera e Game of Thrones” ela está exagerando um pouquinho, mas não vou negar que a escritora trabalha bem sim com sofrimentos. Se a primeira parte da história é a parte de contos de fada, a segunda parte é com certeza influenciada por George R. R. Martin (um pouquinho, mas é).
Em resumo, posso dizer que o livro só começa de verdade do meio ao fim. É lá que alguns assuntos são melhor abordados e explicados, onde está a essência da história, a (re)construção da personagem principal e dos secundários, onde o desenvolvimento do enredo acontece. Enfim, é lá onde está tudo. Deixa de ser um conto de fadas que narra a história de um casal se apaixonando e passa a ser um conto de fadas que narra a história de uma mulher descobrindo que ela pode, sim, fazer o que quiser. Tem bastante protagonismo feminino (mais presente no segundo livro, porém). O romance continua bastante presente (mais do que eu gostaria, para ser sincera), mas como faz parte do gênero não dá para reclamar muito. E os livros não ficam só nisso, a Maas faz mesmo um esforço para mostrar que a vida (da mulher, principalmente) não deve se resumir a se apaixonar.
E por hoje é isso. Talvez eu faça uma resenha do segundo livro também, já que falei bastante dele (o lado bom é que vou ter mais coisas boas para falar), mas já adianto que ele é mesmo bem melhor do que o primeiro. Vale a pena ler o primeiro só para ler o segundo, os melhores personagens estão por lá haha Até a próxima e, no mais, boas leituras!
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Os Arcos Históricos dos Relacionamentos

segunda-feira, 22 de maio de 2017





Olá, fanfictionáticos!


Hoje nós vamos conversar um pouco sobre relacionamentos. Hmmm... Exatamente.

Como montar um relacionamento na fic. Gente, para. Como é se relacionar na vida real? Na fic a mesma coisa! Isso mesmo. Você não leu enganado. O problema é que a maioria dos autores se sente ansiosos e querem partir logo para o relacionamento maduro, mas isso não é o que acontece e, dessa maneira, o autor se distancia da veracidade. Isso de vi, peguei, amei, é coisa de amador, certo? Eu sei que você deve estar agora mesmo pensando que é simplista demais o que acabou de ler, que não pode ser tão fácil assim. Pois é.

Sem dúvida a construção de relacionamento entre personagens é quase a mesma da vida real. Por que o “quase” da frase ali? Pois dependendo da fic e de como ela começa, os personagens já têm uma relação, mas muita das vezes não tem nada a ver com situações vivenciadas pelo autor, como uma cena de abuso, por exemplo.

Que tal separarmos as coisas agora? (isso soou um pouco dúbio, mas okay)


Relacionamentos românticos na fic:


Hey, coleguinha, você sabe, pois já deve ter lido em Como escrever cenas de sexo (http://ligadosbetas.blogspot.com.br/2017/01/como-escrever-cenas-de-sexo.html), que ser leviano ou escrever com pressa não ajuda em nada.

Acontece que não é apenas na hora da intimidade que a pressa atrapalha. Quando o personagem é construído com calma e elegância, acontece algo mágico aí, o leitor se conecta com o seu personagem, passa a torcer pelo rapaz ou a moça (ou alienígena) que você está descrevendo.

Como a ideia central é “construção”, vamos começar pela base, pelo alicerce. Confira abaixo algumas circunstâncias que devem ser observadas:


Dicas úteis:

😍 Apresente os seus personagens individualmente: mesmo que a história já se inicie com um romance ou um forte laço de amizade, lembre-se de que os personagens são indivíduos que funcionam sem aquele companheiro de cena. São “pessoas” com sentimentos, manias, trejeitos... E o leitor precisa conhecer e se identificar com esse seu personagem. Não deixe a oportunidade passar por estar ansioso para descrever o romance ou o momento em que seus personagens se descobrem grandes amigos. Dê tempo para que ele possa entrar na cabeça do leitor, respire o personagem, faça dele um alguém quase real, dê a ele um jeito especial de sorrir ou uma covinha na bochecha esquerda. Primeiro trabalhe com ele individualmente, em cenas corriqueiras que possam mostrar ao leitor como ele é. Como por exemplo, um personagem que tem traços de crueldade e que na cena inicial aparece fingindo que não se importa com uma idosa que tenha caído no chão. Ou, um personagem que é bom, e mostra compaixão ao ver a mesma idosa caída no chão e corre para acudi-la. Se beneficie das cenas corriqueiras para apresentar o seu personagem ao público.

😍 Olhar: não precisa descrever excessivamente o quanto eles se olham, mas uma única cena bem descrita será o bastante. Pode ser um olhar de ódio? Por que não?! Seria ótimo — opinião pessoal mesmo —, mas também pode bater aquele interesse à primeira vista, o que seria bem legal também. Ou então, nem uma coisa, nem outra, o encontro poderia ser apenas um encontro, nada de tão impressionante. Sem, é claro, que se esqueça de contar ao leitor como a cena está acontecendo, quem está vestindo o que e tudo mais ao redor, porém, lembrando daquele artigo sobre erros comuns em fanfics (http://ligadosbetas.blogspot.com.br/2013/04/os-18-erros-mais-comuns-em-fanfics.html), não descreva excessivamente, mas o suficiente para ambientar o leitor.



“Ah, Ladybug, eu não sei como fazer isso...”


Que tal darmos uma espiada nos profissionais?



“Morgan examinou o conde. Ele não era um oficial. Estava vestido com elegância em calções de seda cinza, colete bordado em prata, paletó social preto, justo, e camisa e lenço brancos com aplicações de renda. Não era um homem jovem. Era alto, com formas harmoniosas, e bastante bonito, admitiu Morgan. Ela fez uma mesura e percebeu que o conde tinha olhos acinzentados com uma expressão indolente, que pareciam encará-la com certo humor.

Mas Morgan não viu nada no conde de Rosthorn que lhe despertasse grande interesse. Ele era um entre as dezenas de cavalheiros que haviam pedido que os apresentassem a ela desde que debutara na sociedade. (...)

Morgan respondeu com educação ao conde, perguntou como ele estava, mas logo o cortou da lista de cavalheiros que poderiam ter alguma importância especial para ela. E o encarou com a arrogância fria que costumava desencorajar atenções indesejadas. Morgan torceu para que ele entendesse sua expressão e não a convidasse para dançar.

– Estou bem, obrigado – disse o conde em um tom de voz que, de certo modo, combinava com a expressão nos olhos dele, lânguida e com certo humor. – Agora melhor ainda, já que fui apresentado à dama mais encantadora do salão.

A lisonja foi dita como se ele risse de si mesmo.

Morgan não respondeu. Abriu o leque diante do rosto e o encarou, as sobrancelhas erguidas de leve, a expressão abertamente arrogante que era a especialidade dos Bedwyns. Aquele homem a achava mesmo tão tola e obtusa? Esperava de fato que ela sorrisse com afetação e ruborizasse diante de tamanha bobagem?” — Ligeiramente Seduzidos, Mary Balogh."


O que ficou evidente no trecho acima?

A personagem não caiu de amores pelo mocinho logo de cara, na verdade, estava louca para se livrar dele. E deu a ele seu melhor olhar de desprezo.

O que isso nos faz pensar?

Se lhe veio na cabeça: não preciso começar a história com um amor avassalador. Você acertou.

Mas e se eu quiser que eles se apaixonem perdidamente logo no primeiro olhar?

Sem problemas, desde que não fique forçado.


Toque: um dos gestos mais bonitos e menos invasivos é o toque nas mãos. É um bom começo. Mesmo quando falamos de amizade, pense no toque das mãos que se cumprimentam, é bem básico, não? Agora, em um relacionamento amoroso, um toque nas mãos pode ser um dos elementos que galgam o romance até o ápice. “Ah, mas isso é chato...”, “Ah, mas não tem nada a ver...”, “Ah, mas não tem como fazer isso ficar bom...”. Veja bem, há alguns casos, e vou falar dos relacionamentos que não começam de forma explosiva, que o toque nas mãos é a primeira barreira a ser vencida.


Novamente, vamos ver como os profissionais fazem?


“Ele desceu do banco e se agachou ao meu lado. Estava perto demais. Eu não conseguia pensar direito. Talvez estivesse um pouco ofuscada pela fama dele. Ou ainda um pouco abalada pelo choro. Em todo caso, estava chocada demais para reclamar quando pegou minha mão.

— Se isso a deixar feliz, posso informar aos funcionários que você prefere ficar no jardim. Assim, você pode vir aqui à noite sem ser incomodada pelos guardas. No entanto, acho que seria bom se houvesse sempre um deles por perto.

Eu queria. Qualquer tipo de liberdade me parecia uma bênção, mas eu precisava ter certeza absoluta de meus sentimentos.

— Não... não sei se quero algo que venha de você — eu disse, puxando meus dedos daquela mão que me segurava de leve.

Ele ficou um pouco surpreso e magoado.

— Como quiser.

Senti mais arrependimento. Não gostar daquele cara não significava que eu podia magoá-lo.

— Você vai voltar para dentro daqui a pouco? — ele perguntou.

— Sim — respondi com um suspiro, olhando para o chão.

— Então vou deixá-la com seus pensamentos. Haverá um guarda perto da porta esperando.

— Obrigada, errr... Alteza.

Balancei a cabeça. Quantas vezes eu o tinha tratado indevidamente na conversa?

— Querida America, você poderia me fazer um favor? — ele pegou minha mão novamente. Parecia muito persistente.

Olhei-o com o canto dos olhos, sem saber direito o que dizer.

— Talvez — repliquei.

Seu sorriso voltou.

— Não conte isso às outras. Tecnicamente, não devo conhecê-las até amanhã. Não quero irritar ninguém. Embora não possa dizer que seus gritos tenham qualquer semelhança com um encontro romântico, não acha? Foi minha vez de sorrir:

— Nem de longe! — respirei fundo e acrescentei: — Não contarei.

— Obrigado.

Ele encostou os lábios na minha mão. Antes de se afastar, pousou-a delicadamente sobre minhas pernas.

— Boa noite — concluiu.

Olhei para o local do beijo na minha mão, atônita por uns segundos. Então voltei o rosto para ver Maxon sair e me dar a privacidade que eu passara o dia querendo.” — A Seleção, Kiera Cass.


A mocinha, América, não estava nada feliz com isso de ter o Príncipe Maxon a cortejando, assim como outras pretendentes, e ela não se privou de deixar claro o quanto estava irritada com toda a situação. Porém, o que vemos no trecho acima? Seria uma barreira sendo derrubada? Com certeza. E isso foi conseguido com um simples toque nas mãos. Não foi preciso entrar em nada mais sensual ou bruto.

A chave para a construção do romance é o que está sendo dito desde o primeiro parágrafo: paciência. Nada de querer correr e atropelar os acontecimentos.

Outro relacionamento muito bacana que a gente pode tomar como exemplo, é o da Katniss e do Peeta, de Jogos Vorazes. A começar que ela nem mesmo estava interessada nele, embora ele sim estivesse de olho nela desde a cena lá do pão e a chuva, lembram? Pois é, o relacionamento deles foi nascendo a partir de um momento muito crítico, onde tiveram que fazer de conta que se amavam para ganhar a simpatia dos patrocinadores que mandariam suprimentos dos mais variados tipos, a fim de garantir a sobrevivência deles nos jogos. Tendo esse exemplo em mente, vamos analisar uma coisa: Era um momento propício para um romance? Claro que não! Estavam no meio de um banho de sangue com canhões troando todo o tempo para anunciar a morte de mais um participante. E o que aconteceu? Se apaixonaram. O amor deles foi crescendo pouco a pouco. Junto com a história. O motivo é bem óbvio e acabamos de falar aqui: não era momento propício para romance. Eles não estavam em um baile de verão, na escola. O relacionamento precisou ser gradativo. Agora imagine se a Suzanne Collins atropela tudo e coloca os dois caindo de amor no meio da matança? Ficaria tão falso, não é? Como quando vemos nos filmes o personagem lá no meio da explosão, salva a mocinha e eles correm e então param no meio do corredor pra se beijarem e trocarem não uma, mas mil juras de amor, quase dá pra gente oferecer uma cadeira de praia pra eles ficarem mais à vontade na hora de se declararem. E o que pensamos? Exatamente.


 “Sério isso? Mas e a explosão?”, “e os zumbis?”, “e as cobras gigantes?”, “e a múmia amaldiçoada?”....



Construir relacionamentos é ter paciência. Não force a barra. Deixe-os terem suas confusões e suas angústias. As dúvidas fazem parte também da história de vida dos personagens.

Não é diferente de uma amizade sendo construída aos poucos. A confiança demora a acontecer, a confiança plena. Os personagens que estão enveredando gradualmente para se tornarem amigos, precisam experimentar pequenas doses de fé. Um segredo pequeno, que não tem tanta importância se for revelado pode ser um teste para aquele amigo, não só na vida real, mas também na ficção. Demonstrações de que aquele personagem se tornará amigo do outro aparecerá a partir de cenas simples: abaixar para pegar um item que caiu no chão; distrair o valentão para outra coisa antes que ele machuque o rosto do futuro amigo; oferecer um lenço de papel ao ver o futuro amigo chorando na escada, mas nada de perguntar o motivo, isso fica pra depois. Pequenas demonstrações ao longo dos capítulos.


“Enquanto isso o que eu faço?”



Ora, faça o enredo andar! Qual o tema principal da fic? Invasão vampírica espacial? Ué, cadê o núcleo dos vampiros? Cadê os alienígenas? Cadê tudo isso? A trama central não pode parar enquanto você se decide quanto o que vai fazer com seu mocinho que ainda não beijou a mocinha, ou o grupo de amigos que ainda não se ajudaram. Você tem inúmeras providências a tomar em paralelo aos relacionamentos em construção.


Desavenças acontecem!


Não se esqueça de que não existe relacionamento perfeito, nem na vida real, nem em fanfic. Até o Edward deixou a Bella pra trás. E se você não se lembra, Harry e Rony também ficaram sem se falar. Claro que não foi algo tão sério quanto o Peeta querer matar a Katniss, aquilo foi sinistro. Lógico que ainda que seus personagens estejam se desenvolvendo, eles podem e devem divergir! Antes do Superman e do Batman ficarem de boa, rolou uma treta e tanto — imagino a grana que não foi pra levantarem todas aquelas edificações.

Pelo que podem brigar? Por um lápis, se você quiser. Fique despreocupado. Olhe para a vida real. Temos um laboratório e tanto de observações, que são as vidas dos que nos cercam e as nossas próprias. Utilize as ferramentas que têm às mãos, não deixe de observar.


Reencontrar e reatar


Assim como as coisas dão errado do nada, a resolução dos problemas pode estar na dependência de uma ação-chave ou de um pedido de desculpas. Salvar a vida de um amigo, mesmo estando brigado, é um grande feito, mas um pedido de desculpas, dependendo de quem está falando, pode ter um significado quase igual. Personagens orgulhosos passando por cima do sentimento para pedir desculpas? Hmmm... Isso funciona. — Não se esqueça da carga emocional que vem acompanhando, nunca é fácil para um personagem durão ter de admitir que errou.

A redenção de um personagem pode mexer com o leitor, isso acontece muito quando o mocinho faz besteira e ele leva uma vida até cair na real e demora outra vida até estar pronto para admitir que foi a sua determinada ação que afastou o seu amor. O que fazer? Pedir desculpas pode funcionar — mas talvez não. É aí que entra uma ação-chave, como pegar aquela informação lá do início sobre a mocinha que sempre achou que a chuva é romântica (mas o tempo está claro e nem sombra de nuvem no céu), o que fazer? Uma chuva de pétalas pode resolver a situação. Imagine ela lá com os braços abertos, sorrindo, olhos fechados e uma chuva de pétalas de rosas rodopiando ao sabor da brisa, espalhadas pela hélice do helicóptero... Entenderam?

Mas até chegar nessa parte, o que teve que acontecer antes? Isso mesmo. TUDO!

Nós, leitores, queremos saber quem são os personagens, do que eles gostam e do que não gostam. Queremos ouvi-los em seus bons e maus momentos. Queremos ver onde moram e como se viram na vida. É muito legal saber como eles são física e emocionalmente, mas não exagerem nisso aí, okay? Quando eles se encontrarem, lembre-se de nos fazer torcer por eles e até ter um ataque cardíaco acaso vocês brinquem de “A Culpa é das Estrelas”, do John Green, ou “Como eu Era antes de Você”, de Jojo Moyes.

Sobre este último:


“Cheguei o rosto tão perto do dele que suas feições ficaram confusas e comecei a me perder nelas. Passei a mão nos seus cabelos, no seu rosto, na sua testa com a ponta dos dedos, as lágrimas escorrendo por meu rosto, meu nariz encostado no dele e ele não parava de me olhar em silêncio, atento como se guardasse cada molécula minha. Ele já estava indo para algum lugar impossível de alcançá-lo.

Beijei-o, tentando trazê-lo de volta. Deixei meus lábios nos dele de maneira que nossa respiração se misturou e minhas lágrimas viraram sal na sua pele e disse a mim mesma que, em algum lugar, pequenas partículas dele virariam pequenas partículas de mim, ingeridas, engolidas, vivas, eternas. Queria apertar cada parte minha nele, deixar alguma coisa minha nele, dar a ele cada pedaço da minha vida e obrigá-lo a viver.

Percebi que estava com medo de viver sem ele. Com que direito você destrói a minha vida — eu queria perguntar —, e eu não estou autorizada a dizer nada a você sobre isso?”


Então, meninada, antes de chegar num patamar desse aí, de amor, amizade e carinho incondicionais, lembre-se de que o caminho deve ser trilhado com paciência e perseverança. Quanto mais se apressar, menos conexão sentiremos com seus personagens. Um passo por vez e vocês construirão relacionamentos tão sólidos quanto o seu enredo.

Boa sorte =)


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Fontes:

Banco de ideias da Liga: Construção de relacionamentos que vão andando junto com a história. Tanto relacionamentos românticos quanto amizades (sugestão de leitor).

Fontes externas:

Ligeiramente Seduzidos, Mary Balogh.

A Seleção, Kiera Cass.

Como eu Era antes de Você, Jojo Moyes.

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