O Escritor e o Medidor de Palavras

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Por: Nat King



“Livro bom, para mim, só de quinhentas páginas para cima!”

“Duzentas páginas nem é livro de verdade!”

“George R. R. Martin é rei!”

Quantas dessas expressões você já ouviu ou leu? Ou, ainda, quais delas você já usou?

Não é errado termos como preferência uma história que rende facilmente centenas de páginas, ou sermos atraídos por livros de lombadas largas que poderiam facilmente substituir tijolos em uma construção… O problema mora na ideia de que apenas esse tipo de livro é digno de atenção, em uma substituição de “julgar o livro pela capa” com o “julgar o livro pelas páginas”.

Com o passar do tempo, essa busca por milhares de palavras, estendeu-se às histórias digitais, o desejo de que nossas fanfics somassem tantas palavras quanto nossos trambolhos literários preferidos cresceu e, com ele, muitos de nós nos tornamos profundamente críticos quanto o que chamamos de rendimento. Afinal de contas, quantos de nós já finalizou um capítulo com tudo o que queríamos passar, tendo como soma final de palavras, desapontadoras duas mil? Às vezes nem isso! E quando sequer chega perto de mil? A morte! Vergonha para toda uma classe de escritores! Machado de Assis, se já não estivesse morto, cairia duro no chão, tamanha desgraça! Camões mudaria inclusive o curso, se esbarrasse com você na rua! José Saramago, então?! Clarice Lispector com toda certeza morreria, ela e seus dois pseudônimos.

Mas gente, calma, desde quando nos tornamos tão obcecados com isso?

Embora ainda hoje haja uma briga sobre o que é ser escritor de verdade (e termos nossas fanfics atacadas como se não fossem válidas no clubinho literário), nós mesmos temos nos cobrado criar histórias cada vez maiores e mais complexas, como se elas pudessem compensar a falta de credibilidade que muitas vezes nosso nome no Nyah provoque. Estipulamos tipo de enredo, mínimo de palavras, migramos de plataforma com a esperança de sermos levados mais a sério e, quando percebemos, o que começou como um prazer, tornou-se uma obrigação, uma briga de ego que culmina em um estresse desnecessário e textão nos grupos literários, questionando com profunda indignação: POR QUE FANFIC TAL TEM MAIS COMENTÁRIO DO QUE A MINHA HISTÓRIA SUPER INCRÍVEL E MARAVILHOSA??

Hey, calma lá, vamos conversar, fera, senta aqui e respira! Calma, eu não estou te julgando! Calma, eu não acho que você está tendo um chilique desnecessário! MEU DEUS DO CÉU, ABAIXA ESSA PEDRA!!

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Já é seguro me manifestar?

Prezada pessoa que escreve, eu não estou aqui para condenar sua frustração ou medir quando pode sentir isso, pelo contrário! Eu também acho frustrante ver história minha sem nenhum comentário e poucas visualizações… Também torço com todo meu coraçãozinho para os leitores fantasmas se manifestarem! E, principalmente, eu também comparo meus capítulos de mil e oitocentas palavras (ou menos) com aquela mega fanfic que cada capítulo estoura o limite de vinte mil palavras estipulado pelo Nyah. É onde mora o perigo.

Para muitos escritores, fazer uma ideia simples render capítulos enormes, é de uma naturalidade imensa. A escrita flui, os dedos se agitam no teclado e, em uma única sentada, está pronta uma cena cheia de detalhes, que transmite até mesmo cores e sabores… E a descrição nada mais foi que uma pessoa saindo da cama de manhã. Esse escritor é maravilhoso? Claro que é! Porém, não pela sua facilidade em fazer de cada capítulo um Game of Thrones tupiniquim, mas o de transmitir o que deseja naqueles parágrafos. E isso também é possível através de mil palavras, oitocentas, cem! As drabbles estão aí para provar o meu ponto!

O que muito acontece, nessa nossa busca de consolar a frustração em não atingirmos as metas absurdas estipuladas por nós mesmos, é a perigosa “encheção de linguiça”, o acréscimo de cenas desnecessárias que parecem segurar a história ou empurrá-la com uma enorme barriga, acompanhado ou não do uso de um palavreado rebuscado que estiquem suas linhas e aumente a contagem de palavras. Se antes achávamos estar pecando pela falta de texto, acabamos pecando pelo excesso de detalhes e aquela pessoa que tão naturalmente saía da cama de manhã com sete mil palavras, se arrasta sem nenhuma vontade de viver naquele amontoado de palavras que você forçou. Se nem ela está feliz, imagine seus leitores.

Imagine você.

Novamente, não é errado ter preferência por histórias mais compridas, tem até quem só procure fanfics com no mínimo quatro mil palavras por capítulo, sempre vejo fazerem esse tipo de pedido! E também, há quem prefira ler coisas mais curtas, como drabbles! Acho que vai da nossa preferência pessoal e parte dessa inconformidade em “escrever pouco” vem dessa nossa crença de que livro bom é livro comprido, mais de quatrocentas páginas, livro grosso que dê para enxergar a lombada de longe, como Harry Potter e as Relíquias da Morte. Mas quem só vê valor na quantidade de palavras de Relíquias da Morte, se esquece que A Pedra Filosofal nem foi tão comprido assim... Certas obras, como A Hora da Estrela, não precisaram de mais que noventa páginas para marcar gerações, ou ainda Edgar Allan Poe, com tantas obras em seu nome, teve ele gravado na história pelo memorável “Nevermore”, o “Nunca Mais”. Então não se preocupe com a quantidade de palavras que escrever, importe-se que, no fim, sua criação esteja do seu agrado. Tenho certeza de que você é capaz de transmitir tudo o que deseja, seja em vinte mil palavras, seja em cem.

Continue escrevendo. Continue criando. Celebre cada nova criação; nenhum outro seria capaz de fazer o que você está fazendo. Sua escrita é boa o bastante e nenhum contador de palavras pode medir isso por você.
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Guia de Bolso do NaNoWriMo – Parte 3

segunda-feira, 30 de outubro de 2017
Por: Michele Bran
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Novembro está às portas e a essa altura você já sabe o que ele traz: NaNoWriMo. Caso seja um newbie aqui no blog, por favor, leia esse post em que falo mais sobre o que é o desafio e depois clique aqui para saber como cadastrar seu projeto.
Caso já conheça, vamos seguindo. Já devo ter feito uns dois posts sobre minha preparação lá no meu blog pessoal, mas é sempre bom dar uma atualizada nas coisas. Além disso, se você está meio perdido e não sabe como começar o desafio, vamos lá com umas diquinhas rápidas (para dar tempo).
Let's go!


#Escolha bem seu projeto
Não adianta forçar uma história que não está saindo. Você precisa escolher uma que goste de verdade, uma que te deixe no clima, motivado para escrever. Apostar em uma com a qual não se tem essa ligação é receita de fracasso.
Ano passado, eu pretendia fazer outra história, mas não deu certo. Acabei mudando com três ou quatro dias de desafio. Mas você pode descobrir apenas quando for tarde demais e acabar perdendo muito tempo.
Por via das dúvidas, separe um projeto reserva. Assim, se precisar mudar, pelo menos já sabe para onde vai.

#Prepare um ambiente livre de distrações
Separe um cantinho da casa onde possa escrever concentrado e sem interrupções. Isso vai garantir um progresso rápido, uma vez que você se livrará de tudo aquilo que prejudique seu fluxo de ideias.
Quem não tem problema com isso e consegue retornar de boas mesmo com algumas pausas fruto de problemas externos, ok; mas saiba que parar o tempo todo pode, sim, prejudicar seu trabalho porque impede que você entre no estado de fluxo, o ponto alto da concentração. Quanto mais concentrado, mais inspirado se fica.
Coloque o celular no silencioso e resista à tentação de conferi-lo com frequência, saia da internet (o ideal é fazer suas pesquisas antes e aproveitar o momento de escrever apenas para escrever), avise a quem mais more com você que não deseja ser interrompido por um tempo, tranque seu gato ou cachorro fora do quarto, faça uma playlist inspiradora, guarde imagens de referência (prompts são sempre uma boa pedida, caso fique perdido no que quer escrever) coloque uma garrafinha de água por perto e vá ao banheiro antes de começar a escrever, etc.
Tudo para não tirá-lo desse estado de concentração fundamental para sua escrita.

#Pesquise o Máximo Possível Antes de Começar
O segredo para vencer o NaNo é aproveitar o tempo. Mesmo que você tenha horários longos livres, eles não adiantarão de nada se você não souber manejar isso. Eu sei muito bem o quanto uma pesquisa pode ser longa e consumir muitos dias (levei mil anos pesquisando para outra história), então o ideal é que você já comece novembro com seus estudos feitos, suas anotações sempre à mão e os conhecimentos na cabeça.
Mesmo que você não faça um planejamento, é bom ter uma ideia geral em mente do que planeja abordar, assim você pode se preparar direitinho antes e tirar novembro apenas para a escrita.
Dica extra: quando o desafio começar, escreva todos os dias. Deixar para fazer tudo no final vai estressar você e deixá-lo com metas altíssimas para cumprir. Dividindo 50 mil palavras por 30 dias, dá uma média de 1.667 palavras. Não é muito. Uma hora por dia de escrita concentrada já te fará alcançar esse número, e até passar, se você escrever rápido.
O mesmo vale para o planejamento. Se curte planejar sua história, faça isso antes. Hora de escrever é hora de escrever. Pesquise e planeje antes. E deixe para revisar apenas depois, pelo amor de Deus.
Repita de novo: Novembro é apenas para escrita!

#Programe-se
O que mais afasta pessoas do NaNo é o fato de ser em fim de semestre, época que sempre coincide com as provas de escolas ou faculdades. Porém a menos que sua agenda seja bastante apertada e cheia de compromissos, ou você trabalhe e estude, dá pra separar um tempinho por dia e escrever.
Como disse antes, dá em torno de 1.667 palavras diárias, não é muito. Uma hora de escrita concentrada e você consegue. Basta observar seus horários antes e separar um tempinho para a escrita, sem falhar. É algo que dá até pra fazer em outras ocasiões, não só no NaNo.
Outra alternativa é escrever aos fins de semana, dividindo o que você escreveria de segunda a sexta entre sábado e domingo. Por exemplo, do dia 1/11 (quarta) até o dia 5/11 (o domingo mais próximo), espera-se que o participante tenha feito 8.335 palavras. Dividindo por dois, temos uma média de 4.168 palavras, algo que dá para você fazer. Não precisa ser tudo de uma vez. Você pode, por exemplo, dividir em dois ou três turnos. Assim, coloca a matéria em dia durante a semana e escreve nos sábados e domingos.

#Descanse!
Essa dica também vale para o durante e o depois do desafio.
Assim que terminar essa fase de programação, relaxe e se divirta. Não comece com a mente cansada, não se esforce demais.
A jornada é puxada mesmo para quem tem tempo sobrando, calcule para quem não tem. Então não vale se desgastar desde já. Se não der para escrever agora, não tem problema. Você pode se reunir com amigos e fazer seu próprio NaNo fora de época em seu mês de férias ou mesmo separar um mês para escrever sozinho, se ninguém quiser acompanhar. Nada impede!


Como eu me preparo:
Agora vamos falar de maneira bem pessoal. Como eu fiz para vencer tudo?
Não precisei fazer nenhum pacto (será? rs). O segredo é um só: até o momento, eu não comecei nenhum Camp ou o NaNo sem saber o que eu queria escrever. Eu posso ter mudado de ideia e ido escrever outra no meio do caminho, porém comecei com uma ideia X.
E quando decido por tais projetos em detrimento de outros é justamente porque já tenho bem definida a ideia do que quero escrever neles. No mínimo, tenho um planejamento geral, um resumão com começo, meio e fim da história.
Mas vamos por partes. Minha preparação é por em etapas. Primeiro analiso dentre as histórias que já tenho o planejamento pronto qual delas eu estou mais a fim de escrever. Decidido isso, abro esse plot para ver se está tudo ok, se quero mudar algo, retirar, acrescentar, enfim.
Fechando essa parte, vou para o campo das pesquisas. Faço um apanhado geral do que eu preciso saber (normalmente, conforme faço o plot, já vou fazendo esse roteiro também) e crio umas anotações ao longo do plot (que é o único doc que deixo aberto quando começa a escrever para ir consultando) conforme a pesquisa avança com os conceitos-chave que preciso saber para desenvolver o enredo mais ou menos bem.
Apenas algo preliminar. Depois quando a história fica pronta, ou a maior parte dela, é que vejo se realmente preciso pesquisar mais alguma coisa, que parte precisa de maior aprofundamento, etc, aí vou fazendo os ajustes. 100% de precisão não é algo com o que eu me preocupe nessa fase
Toda essa parte pronta, vou colher coisas que me inspirem. Então faço uma pasta separada e coloco imagens de referência dos personagens, de cenários, de objetos que possam aparecer ao longo da história, fotos e desenhos que possam ter a ver com o enredo, etc.
Por último, antes de escrever, crio uma playlist (atualmente no Spotify, antes no pc mesmo) com músicas que eu goste e me deixem no clima para essa história, que tenham a ver com as cenas e personagens, que eu possa usar como epígrafes, etc.
Com tudo isso pronto, vou tentar relaxar um pouco e fazer outras coisas para deixar a mente fresca. Assim, quando o desafio começa para valer, estou de boas para começar a jornada que durará o mês inteiro.
Esse é meu segredo: dedicação, organização e começar com a mente descansada. Tenta também! Vai que funciona ;)

Apesar das dificuldades, vale a tentativa. Mesmo que você não vença, qualquer avanço em sua história já será uma vitória, especialmente se você está há muito tempo parado (será um ótimo exercício de retorno) ou só escreve sob pressão (como eu rs).
Adoraria ter vocês como meus coleguinhas de jornada literária, então convido todos que estiverem lendo isso a me adicionarem como amiguinha lá no site do NaNo.
Sem mais, me despeço. Separem seus cadernos e canetas, ou computadores, aqueçam os dedos, deixem água ou café por perto e SE PREPAREM! The challenge is coming!
Até qualquer dia \ô/
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Guia de Bolso do NaNoWriMo – Parte 2

terça-feira, 24 de outubro de 2017
Por: Michele Bran
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Olá, pessoal. Como vão?
Continuando nosso post sobre o NaNo, agora veremos como cadastrar seu projeto no site oficial do desafio.
Se você caiu de paraquedas nesse post e não sabe do que se trata, estamos falando do “National Novel Writing Month”. Apesar de ter o “National/Nacional” ali, escritores do mundo inteiro tiram o mês de novembro para escrever 50 mil palavras em alguma de suas histórias já existentes, para continuá-la, ou começar uma nova. Para conhecer mais, só clicar neste post.
Caso já saiba e esteja com a empolgação lá em cima para começar, vamos em frente.
Antes de tudo, obviamente, você vai precisar se cadastrar no site, caso ainda não tenha uma conta. Acho que o que mais assusta a galera BR é o fato de o site ser em inglês, mas é simples: se você não tem conta ainda, só clicar no “Sign Up”. Se já tem, só ir pra “Sign In” e entrar com seu e-mail e senha:


Para quem não tem cadastro, isso é bem fácil de fazer. Após clicar no “Sign Up”, vai carregar essa página de baixo. Você escolhe um nome de usuário, coloca seu e-mail, confirma seu e-mail, escolhe uma senha, confirma essa senha.
Depois seleciona o seu fuso horário, clica na primeira caixinha se tiver mais de 13 anos e na segunda, para aceitar os termos de uso (dica importante que o Bilbo nos deu n’O Hobbit: não assine/aceite nada sem ler antes :v).
Então, clica ali no captcha, depois em Sign Up (que não apareceu no print, mas fica logo embaixo) e voi là! Sua conta foi criada:


Com isso feito, vai carregar uma nova janela, onde você deve cadastrar a história que você quer escrever. Como foi explicado no outro post (que você deve ler, se ainda não leu. Fiz um F.A.Q bem interessante lá), o site não vai guardar sua história, é apenas para registrar suas estatísticas (como o projeto está avançando, quantidade de palavras que você já fez, etc.).
De novo, é super simples também. Clique em “create your novel” e espere:


Conforme o print abaixo, coloque no primeiro campo o nome de sua história e no seguinte selecione o gênero dela. Têm vários, de horror/sobrenatural a romance LGBT. Se precisar de ajuda, não tenha vergonha de recorrer ao tradutor.
Em seguida, você pode escolher uma imagem para ser a capa.


Você também pode adicionar uma sinopse para seu projeto:



E um trecho dele:



Mas esses últimos dois campos não são obrigatórios, então não precisa preencher se não quiser. Depois disso, só clicar no “create novel” e já estará tudo pronto para começar. 

Além disso, você também pode adicionar amigos, para acompanhar o progresso deles também, e badges a seu perfil.


Esses são os meus badges desse ano. Os azuis e laranja você ganha automaticamente. Os primeiros são de participação. Você ganha ao preencher seu perfil, selecionar sua região local, adicionar amigos, participar dos fóruns e doar para o NaNo, respectivamente. Só me faltam esses dois últimos.
Os laranja são desbloqueados conforme você avança no desafio: cadastra seu projeto; atualiza sua contagem pela primeira vez e por 5, 10 e 30 dias seguidos; alcança 1.667, 5.000, 10.000, 25.000 e 40.000 palavras; valida sua contagem; e, após o fim do NaNo, se compromete a fazer uma revisão. Ano passado ganhei todos (chupa, haters #aquelas HAUAHAHHAU), já esse ano... Bem, vamos tentando HAHAHA.
Os últimos você desbloqueia de acordo com sua atividade, preparação e conquistas pessoais em relação ao NaNo. Os meus eu ganhei por fazer back-up da história, cuidar do meu bem-estar (afinal, né, como escrever com sono e fome? Não dá rs), planejar a história com antecedência (sou dessas, beijos rs), participar do Camp NaNoWriMo, ser uma REBELDE (a proposta original do NaNo é começar uma história nova, mas você pode continuar outra; só é recomendado desbloquear esse badge), fazer playlist para a história (também sou dessas, beijos rs), espalhar o NaNo pro mundo (“com licencinha, senhor(a), teria um minuto para ouvir a palavra do NaNoWriMo?”), por ter #gratidão pela força recebida e ajudar os amiguinhos.
Para saber quais os outros badges e desbloquear os seus, só fazer como na imagem abaixo.


Nossa jornada está quase no fim. Na semana que vem, falarei como me preparo para o NaNo e vocês podem usar como sugestão para seu #Preptober (outubro da preparação rs) de vocês também. Se a gente correr, ainda dá tempo rs
Nos lemos na próxima segunda ô/
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Guia de Bolso do NaNoWriMo – Parte 1

segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Por: Michele Bran
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Olá, escritores e betas. Como vão? Espero que bem.
Como já puderam ver pelo título, hoje falaremos do conhecido desafio de escrita “NaNoWriMo”, ou “National Novel Writing Month”, o mês em que escritores do mundo inteiro se comprometem em escrever 50 mil palavras e, quem sabe, terminar algum trabalho.
Particularmente, sou uma das divulgadoras do projeto e adoro trazer mais gente para ele. Tanto na versão oficial quanto na versão Camp (falaremos das diferenças entre os dois mais adiante), esse evento fez maravilhas em minha vida literária.
Comecei a participar no Camp de abril de 2016 e de lá para cá, tenho escrito cada vez mais ou me dedicado a revisar e pensar sobre meus textos a cada novo Camp. Esse ano, será meu segundo NaNo e espero terminar mais uma história.
Vamos falar de números? Pois bem. Em abril de 2016, cumpri o desafio com quase 57 mil palavras escritas. Em julho do mesmo ano, fiz 123 mil. Em novembro, no NaNo oficial, fiz mais de 90 mil. Em abril de 2017, me comprometi com duas histórias de uma só vez e alcancei mais de 60 mil palavras. A única diferença é que em julho resolvi me dedicar a começar a revisão dessas danadas para ver se posto alguma coisa e, depois de mil anos de procrastinação, terminei DE VERDADE uma história.
Enquanto deixo o texto descansar para revisar uma última vez antes de mandar para minha beta (sim, betas também precisam de betas #betaception rs), quero aproveitar o post para tirar as principais dúvidas que vejo a respeito do NaNo e, por que não?, tentar te convencer a vir nessa junto comigo.


1) Quando o NaNo começa? Até quando vai?
O desafio acontece durante todo o mês de novembro, então se você quer participar, já corre para decidir com qual projeto, fazer a conta no site, reunir link de pesquisa, etc...

2) Do que preciso?
Vontade de escrever alguma coisa, uma ideia na cabeça e uma conta no site (veremos como fazer isso no próximo post). E, claro, muita paciência e persistência rs.

3) Preciso escrever em inglês?
Não! Você escreve normalmente em seu editor de textos preferido ou no caderno, depois verifica quantas palavras fez naquele dia e só entra no site para atualizar sua contagem.
Ou seja, o site não salva sua história, apenas registra seu progresso.
Para isso, você pode escolher se quer somar tudo o que vai fazendo e colocando o total, ou se vai inserir a quantidade diária e o site que se vire para somar.

4) Como o site se certifica de que as pessoas estão mesmo cumprindo o desafio?
Para isso, há a validação. Lá pelo dia 20 do mês, ela estará disponível para que as pessoas possam garantir ao mundo que escreveram mesmo.
Para isso, vá até o(s) arquivo(s) onde escreveu, copie TUDO e cole no campo certinho para validar. Normalmente o contador dá mais palavras do que o Word, então fique atento.
Repetindo: não se preocupe porque eles não registram nem divulgam nada. É apenas para ter certeza de que todos os participantes estão mesmo escrevendo.

5) Como posso acompanhar meu progresso?
Conforme você vai atualizando sua contagem (validada ou não), vai sendo gerado um gráfico no qual você pode verificar quanto já fez, quanto ainda falta, entre outras estatísticas.
Além disso, você também pode acessar os resultados de seus amigos, se tiver algum adicionado.

Print do site Conversa Cult.

6) E o Camp? Como funciona?
O Camp acontece todos os meses de abril e julho e também dura o mês inteiro. A diferença é que você pode escrever qualquer coisa, não apenas histórias ficcionais, e define sua própria meta. Tem quem vá de 10 mil palavras, assim como tem quem vá de 100 mil. Fica a seu critério.
Além disso, o Camp tem uma funcionalidade bem bacana: as cabanas. É como um grupo do Facebook dentro do site do próprio Camp, que é desfeito 9 ou 10 dias após o fim de cada edição do desafio. Você pode entrar em cabanas de outras pessoas, ir parar numa cabana aleatória, criar a sua e colocar seus amigos lá dentro ou mesmo não ir para nenhuma cabana e escrever sozinho.
A vantagem é que temos apoio moral de quem está escrevendo também, o que deixa jornada bem mais fácil, e podemos até nos juntar com outros amigos e criar uma competição saudável entre diferentes cabanas.

7) Será que eu vou conseguir terminar o desafio?
Bom, só tem uma forma de saber: participando. Eu ganhei todas as edições até agora, mas julho de 2017 foi bem complicado, quase não cheguei lá. Acontece.
Talvez não role (vários de meus amigos não venceram, embora alguns tenham chegado bem perto), talvez você pare no meio (também soube de vários casos assim). Talvez eu também não consiga levar até o final dessa vez, embora esteja bastante empolgada de novo.
Mas a gente só vai fazer depois que já estiver lá dentro.
Você não perde nada com a tentativa. Se não der certo, qualquer mil palavras que você tenha completado já será bem melhor do que quem não fez nenhuma, então não precisa ter medo. Várias histórias bacanas (algumas postadas no Nyah, inclusive) começaram ou terminaram no NaNoWriMo. Pode ser aquela oportunidade de que você precisa para se comprometer com a escrita e manter o foco.
Não precisa terminar a história, se conseguir avançar com ela, já será um progresso e tanto. Especialmente se você, assim como eu, só escreve sob pressão.
Uma dica boa é tentar escrever um pouco todos os dias, não deixar tudo para o final. No meu primeiro Camp, por exemplo, optei pela meta de 30k, que dava mil palavras exatas por dia. Apesar de ter outras obrigações, consegui separar essa uma hora por dia e às vezes conseguia até escrever o dobro do que tinha me prontificado a escrever diariamente. O resultado disso foi que fiquei bem perto mesmo de seguir os conselhos da Dilma e dobrar a meta que estava aberta.
Claro que para quem está em época de provas na faculdade ou na escola, vai ser mais complicado, mas como eu disse, vale a pena a tentativa.
Há até o recurso dos “sprints”, que é ótimo de participar quando você chamou amigos para entrar na piscina gelada participar junto, mas mesmo escrevendo sozinho já vai ajudar bastante. Trata-se de escolher um período de tempo para escrever completamente focado, sem parar para banheiro, água/café, ou comer (exceto se for extremamente necessário), mas principalmente sem olhar a internet ou fazer qualquer coisa que distraia.
Você pode fazer o sprint por dez minutos. Vinte. Trinta. Quarenta. Até mesmo uma hora, se quiser. Se estiver fazendo sprints com amigos, a diversão reside no fato de que “ganha” aquele que escrever mais palavras no período escolhido.


Antes que eu me esqueça, vale a pena falar das “premiações” do NaNoWriMo. Assim como no Camp, ao terminar o desafio e validar a contagem, ganhamos um certificado de que vencemos e imagens de vários formatos pra sairmos esfregando na cara da sociedade fazendo inveja pra quem não participou colocando em todo o lugar que é possível e chamarmos mais gente para participar no ano que vem.
Além disso, vencedores do Camp e do NaNo conseguem descontos para comprar itens na loja do NaNo, como canecas, camisetas e material para ajudar na escrita (em inglês). Infelizmente ainda não há um prêmio em dinheiro pros vencedores (eu bem que queria ganhar por palavra escrita HUE).
Se você vai participar ou não, eu não sei. Mas eu gostaria muito de contar com sua companhia nessa jornada. Imagina só se você consegue finalizar uma história bacana? Depois é só passar lá na página da Liga para convidar um de nós para betar e correr pro abraço.
Semana que vem ensino vocês a fazer a conta e cadastrar o projeto, então não saia daí.
Ou melhor: saia. Vamos preparar logo nossas histórias, por que né? Novembro tá quase aí. HELP!
Até segunda.
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Espectros da Assexualidade

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Por: Luh Black
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/18115/

                Assexualidade.
                Se tem “sex” no meio é porque é bom, certo?
                Certo, mas não é nada do que você ta pensando. Tem mais a ver com bolo do que com… “sex”.
                Assexualidade é o nome dado às pessoas que não sentem atração sexual, independente de gênero, aparência, sorriso e papo bom. Achou confuso? Perai, que eu explico.
                Desde pequenos ouvimos que vamos encontrar uma pessoa que realmente amamos, que seremos amados de volta e desse amor viria um casamento e filhos e tudo o mais. Quando ficamos mais velhos, descobrimos que o ato físico e carnal desse tal amor tem nome, sexo, e que se queremos transar com alguém, é porque nos sentimos atraídos por essa pessoa. Daí vem a puberdade, hormônios, e os olhares e toques começam a ficar um pouco diferentes, mais intensos. Pouco depois, descobrimos que podemos sentir essa atração sexual até por pessoas do mesmo gênero que nós – mais do que isso, que podemos sentir atração sexual por mais de um gênero (pra alguns, isso é uma baita descoberta)!
                No parágrafo acima eu falei de heterossexualidade (atração sexual por outro gênero que não o seu), homossexualidade (atração sexual por pessoas do mesmo gênero que o seu), bissexualidade (atração sexual por dois gêneros) e panssexualidade (atração sexual independente do gênero). Além dessas, porém, ainda existe uma quinta categoria: (rufem os tambores!) a Assexualidade, que é a não-atração sexual independente do gênero da outra pessoa.
                Em outras palavras? Uma pessoa assexual não tem vontade de transar com ninguém (ou até tem, mas é algo mais específico). São pessoas que não se importam com sexo, não tem vontade de participar de uma atividade sexual e/ou tem aversão a sexo. Aquele fogo todo que as pessoas dizem sentir, que lemos em fanfics, vemos em filme? Assexuais não tem isso.
                Claro, existem casos e casos. Entendendo que ninguém é igual a ninguém e que a atração sexual (ou a falta dela) é algo muito relativo de pessoa para pessoa, a assexualidade acaba sendo mais do que não sentir atração sexual – ela se divide em subcategorias, em um espectro que chamamos de área cinza, onde encontramos, por exemplo, demissexuais e grayssexuais.
                Agora você, jovem, está se perguntando se “demissexual” é alguém sexualmente atraído pela Demi Lovato (haha, essa piadinha é velha na comunidade, sorry) – mas não, não é. Confere só:
Assexual: alguém que não sente atração sexual;
Demissexual: alguém que só sente atração sexual se houver vínculo emocional;
Grayssexaul: alguém que sente atração sexual de forma extremamente rara ou específica.
                Demissexuais, para sentir o fogo todo da atração sexual, precisam antes criar intimidade com a pessoa, se aproximar emocionalmente dela (nada que alguns passeios, jantares e cafés não ajudem a resolver). O grayssexuais, por outro lado, não tem uma regra de como sentir ou deixar de sentir a atração sexual – acontece muito raramente, sem explicação, motivo ou aviso.
                Daí você dá uma risadinha debochada e comenta “E daí? Essas pessoas só são frescas, isso é só gosto”. Não, jovem, a questão não é frescura nem gosto. Se fosse, o fato de você preferir cabelo curto a cabelo longo seria uma frescura; o fato de você preferir pessoas mais baixas seria frescura; o fato de você preferir chá ao café seria frescura. Isso tudo é só parte de quem você é, um pedacinho de como a sua atração funciona (ou deixa de funcionar), e nada disso merece ser desconsiderado ou debochado.


“Ta, então assexuados não amam?”

                Duas coisas: 1) Assexuados são seres que se reproduzem sem relação sexual, por mitose. Assexualidade é outra coisa; o jeito correto de chamar quem não sente atração sexual é assexual (porque, bem, nenhum assexual é uma ameba); e 2) sim, eles amam. Atração sexual e atração romântica podem ser independentes uma da outra. Você nunca sentiu atração sexual por alguém que não amava romanticamente? Nunca olhou pra alguém e pensou “eu pegava”, mesmo sem saber o nome da pessoa?
           Algo interessante que a comunidade assexual trouxe foi a diferenciação entre atração romântica e atração sexual. São duas atrações independentes que muita gente acha que são iguais. Você pode estar sexualmente atraído por alguém, mas não romanticamente. E, acredite, você pode estar romanticamente atraído por alguém, mas não sexualmente.
                Então alguém que é assexual também pode ser heterromântico (sente atração romântica por alguém de outro gênero), homorromântico (sente atração romântico por alguém do mesmo gênero), birromântico (sente atração romântica por dois gêneros diferentes), panrromântico (sente atração romântica independente do gênero) ou arromântico – que não sente atração romântica. 


                Se alguém não sente atração sexual, quem diz que obrigatoriamente sente atração romântica? São pessoas demais no mundo para a gente achar que todo mundo vai sentir atração do mesmo jeito.
                Daí você pergunta: mas se a pessoa não sente atração sexual e/ou romântica, o que ela sente?
                O ser humano tem vários tipos de relacionamentos. Além dos sexuais e românticos, também temos os relacionamentos familiares (pai, mãe, irmão, avós etc) e platônicos – que não, não são amores românticos não correspondidos, são as amizades. Aquela pessoa que você ama de verdade, que é amiga do peito e você não conseguiria viver sem. A atração platônica é olhar para alguém e pensar “uau, deve ser incrível ser amigo dessa pessoa” (e claro, qualquer pessoa pode senti-la).
                Agora, tente pensar: como você escreveria um personagem assexual e/ou arromântico? O que eles pensam? O que eles comem? Quais são os seus interesses? (Primeiro de tudo, comemos bolo, muito bolo. Bolo pra caramba. Muito bolo mesmo.)
                Tem muito mais na vida do que só romance e sexo. Além de contas para pagar, livros pra ler e coisas pra estudar, as pessoas ouvem música, vão ao cinema com os amigos, fazem planos, viagens, trocam de emprego e de casa, riem de piadas idiotas. Nossas mentes não giram em torno dos relacionamentos que temos ou queremos ter. Nossa vida social não gira em torno dos nossos interesses românticos/sexuais – ou da falta deles.
                Sabendo disso, como você escreveria sobre um personagem assexual e/ou arromântico? Conta pra gente!
                Eu sou a Luh. Linda, maravilhosa, assexual e arromântica, e esse foi o meu primeiro post pro Blog da Liga. A gente se vê na próxima!
                Ainda tem muita coisa para falar, mas em um post só infelizmente não dá. Quer saber mais sobre assexualidade? Confere aqui:
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Resenha: Magisterium - O Desafio de Ferro

segunda-feira, 2 de outubro de 2017
Por: Juliana Gava
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/596693/


                Olá a todo mundo. Eu sou a Juliana e esse é meu primeiro texto aqui no blog. Faz pouquíssimo tempo que decidi tentar escrever para cá e, na dúvida sobre o que falar, escolhi a solução mais simples: decidi pegar um livro para ler e resenha-lo. Mas de novo bateu a interrogação: ir com uma obra que eu já conheça e que goste, ou arriscar algo novo? Ir pelo meu gosto ou tentar agradar a maioria? Escolher um livro famoso ou um totalmente obscuro?

                Acabou que optei por um meio termo de todas essas perguntas, um livro que queria ler a algum tempo, que deve agradar quase todo mundo e que, se não é tão famoso ainda, vai ficar. Por isso vou resenhar hoje “Magisterium - O Desafio de Ferro”. Espero que ao terminar possa transmitir um gostinho do livro, para você saber se ele é combina com você ou não. E isso evitando spoilers.

                Bom, sobre o que é tal livro? Ah, é a história de um menino órfão de mãe, deslocado na vida, que sofre bullying na colégio, mas que, ao descobrir um poder interior, acaba indo para numa escola de magia, onde acabará fazendo dois grandes amigos e se envolvendo com eles com o descobrimento de um mundo mágico, fascinante por vezes, mas também envolto num aterrador conflito.

                Eu já vi isso em algum lugar...

                É, é realmente impossível ler “O Desafio de Ferro” e não comparar com “Harry Potter” diversas vezes. Semelhanças existem em vários momentos, mas seria injusto acusar essa obra de plágio, visto a quantidade de elementos surpreendentes e originais nessa história. Nosso protagonista, Callum Hunt, é bem menos óbvio do que parece. Acompanhem-me.

                Prólogo. Doze anos atrás. Os magos travam ferrenha com os Dominados pelo Caos, com inúmeras perdas humanas. Uma batalha decisiva está para acontecer, e cada lado manda seu maior campeão para ela. Porém, os magos foram ludibriados, o inimigo não comparece. Percebendo isso, o mago Alastair Hunt se dirige para um esconderijo nas geleiras, onde velhos e crianças foram deixados. Chegando lá, é visível o massacre, o Inimigo deu seu golpe aqui. Alastair procurar e só encontrou corpos sem vida, além de sua esposa, também morta. Felizmente, seu filho Call sobrevive nos braços dela. Na parede ao lado, há um estranho recado deixada pela mãe: MATE A CRIANÇA.

                Fim do prólogo, curtinho, de apenas três páginas. Aqui começa a história. Call foi criado como uma criança normal por seu pai, que, além renunciar totalmente da magia, ainda desencorajou tudo relacionado a ela quando teve que contar a seu filho. Afinal, para ele, os magos só estão interessados em recrutar soldados para seu exército, e qualquer envolvimento com eles é quase certo levar a morte. Um tanto super-protetor, embora seja complicado dizer que ele não tem razão.

                Algo que esqueci de dizer: Call não fica sabendo do episódio da morte de sua mãe (muito menos da mensagem sobre ele). E dessa tragédia ele acabou herdando uma perna avariada, que doi, o deixa mancando e é feia. Isso, juntando ao temperamento arredio do garoto, só faz com que seja alvo de isolamento de alunos e professores nos colégio em que passa. Mesmo assim, o menino anda de skate (alguém lembrou de “Os livros da magia”?).

                Completando doze anos, uma seleção é feita para selecionar (ou não) alunos para o Magisterium, a escola de magia. É óbvio que Alastair não quer que o filho vá para lá, mas o teste é algo obrigatório. Por isso ele combina com o filho para falhar no teste e esse aceita, já que confia no pai. Acontece, que por mais que o menino se esforce para ser reprovado em todas as provas, o resultado obtido é exatamente o contrário (e muito engraçados) de forma que ele acaba aprovado, para desespero do pai. Então Call tem que dar adeus ao pai (e melhor amigo) e se dirigir para as cavernas onde fica Magisterium.

                Não estou dando nenhuma revelação surpreendente, isso é bem o início do livro mesmo. E, a história até aqui está escrita na contracapa.

                Já na seleção (que reprova muita gente) Call começa a conhecer alguns de seus futuros colegas, uns legais, outros nem tanto assim. Os aprovados são divididos em pequenas grupo, guiados por um professor individual. Call é escolhido por Rufus, o mestre mais gabaritado, e junto com estão mais dois alunos Aaron, um menino com jeito de Capitão América, e Tamara, outra que parece toda certinha. Eles PARECEM isso, mas com o passar da trama veremos ser raros os personagens que continuam se mostrando da mesma forma que o início.

                A partir daqui, o livro segue aquela linha básica: exploração de um mundo novo, conflitos, construção de amizades, revelações (muitas, muitas!) e diversas aventuras. A trama vai se emaranhando de um jeito que fica mais densa a cada camada que retiramos. Eu me coço toda para falar, mas isso seria estragar muitas das surpresas. Vou deixar apenas uns questionamentos: como Call conseguiu ser orientado pelo professor mais top de Magisterium? Por que Alastair queria o ele tão longe de magia? E por que razão a mãe de Call pediu para o filho ser morto? Tudo isso está interligado e foge do clássico “Ah, ele está predestinado a salvar o mundo”.

                Saindo um pouco do enredo, posso dizer que a narrativa é bem agradável. Perdi a conta de quantas gargalhadas soltei lendo, Call fala e faz umas coisas sem muita noção da situação. É meio que um imã para confusões. Mesmo assim, não dá para deixar de perceber que ele é só um garotinho, passando por situações muitas vezes acima do tolerado.

                Magisterium está longe de ser um conto de fadas. As disciplinas são rigorosas, estressantes e até perigosas. É interessante como a magia é demonstrada aqui, é mais como uma ciência que requer conhecimento e disciplina. Os elementos da magia são cinco (água, fogo, terra, ar e caos) que, se mal equilibrados, podem resultar em desastre. Como os magos mais jovens apresentam poder em abundância, embora pouco conhecimento, ele são fontes frequentes de descontroles mágicos, coisas como tentar acender uma vela e por fogo no prédio. Algo assim .O “Ferro” do título se refere como é chamado o primeiro ano de ensino. São cinco no total: ouro, cobre, prata e um outro elemento que não lembro (chumbo?) e não nessa ordem. Ouro é o quinto ano.

                E há a guerra. Embora esteja em uma trégua, a última guerra mágica na prática continua, com magos sendo mortos e Dominados pelo Caos podendo estar a espreita em qualquer lugar, dentro de elementais, animais e até pessoas.

                Bom, o que posso falar mais? Eu adorei esse livro, tanto que li suas 384 páginas em três dias. Chegando as últimas, bateu uma saudade por terminar, consolada por saber que a saga completa será uma pentalogia, sendo que outros dois já foram lançados, inclusive no Brasil (e os próximos não devem demorar, sem esperas eternas, a la GoT).

                Acredito que contribuiu muito para a história ser tão amarradinha o fato dele ser escrito a quatro mãos - sim, ele possui dois autores, na verdade autoras. Uma é a Cassandra Clare, famosa pela série Instrumentos Mortais (que agora passei a considerar a ler), outra é Holly Black, que devem ter algum parentesco com Sirius.

                A única coisa que não gostei foram aquelas letras coloridas na capa, acaba sugerindo que o livro é bem mais infantil. E as ilustrações dentro do livro também são bem bobinhas. Não se pode acertar tudo.


                Tirando isso, eu adorei “Magisterium - o Desafio de Ferro”. Uma leitura leve, mas que mesmo assim me surpreendeu de forma crescente. E tem tanta coisa que não comentei aqui, mas tenho que terminar o post... Bem, quem gosta de magias e aventuras não pode deixar de o ler. Aproveite descobrir essa saga agora, antes que algum filme seja lançado, para no futuro poder se dizer um fan de raiz!
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Romantização de abuso e doenças

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Precisamos falar sobre a romantização de abusos e doenças

Por: Clara Aeva
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/388220/

Olá, pessoas!
Tudo bom? Andam lendo muito?
Bom, esse é meu primeiro post no Blog da Liga e para início de conversa, eu nem tinha pensado em fazê-lo, mas recentemente eu abri uma história muito boa e interessante que uma amiga me recomendou e resolvi ler. Logo no primeiro capítulo tinha um estupro que me deixou extremamente de cara e eu decidi que eu precisava falar sobre isso em algum lugar de uma forma séria e objetiva.

A história que li se passava em um universo ABO – Alfa, Beta, Ômega, para quem não conhece -  e durante o cio de um dos principais, o ômega, que já tinha deixado extremamente explícito que não queria absolutamente nada com o alfa, ele ficou "fora de si" por conta dos hormônios e o alfa, que estava perto, se sentiu atraído pelo cheiro que o ômega exalava no cio e disse, simplesmente, que não ia se segurar durante o cio do outro e puf, rolou. No final, o ômega estava chorando as pitangas silenciosamente e o alfa perguntou o motivo dele estar chorando e ele respondeu que era porque estava se sentindo sujo por ter transado com o alfa sendo que ele só o fez por estar fora de si por causa do cio. A questão é que quando eu olhei os comentários, 90% deles eram "Deixa de frescura", "Você topou, agora cala a boca" e até "E daí, olha só quem é ele pra tu ficar reclamando".
Acho que nunca fiquei tão embasbacada na vida, de verdade. Depois de ler esse capítulo e o resto da história (olá, mania de conclusão), eu vi cada vez mais e mais comentários reclamando que o ômega estava era fazendo drama, que não tinha sido um estupro – mesmo depois dele ter gritado aos quatro ventos que não queria nada com o alfa −, que ele estava reclamando de barriga cheia só porque o alfa era o mais desejado de toda a cidade e que tinha escolhido ele e que isso e aquilo e eu simplesmente não consegui tirar essa questão da cabeça: qual a graça e a necessidade de culpar uma vítima de abuso?
Não digo para simplesmente irem em todas as plataformas de histórias existentes para protestar contra histórias que contenham abuso, até porque algumas são extremamente bem escritas e fundamentadas com um plot que faz sentido e sem essa romantização infeliz de algo sério. Peço que caso forem escrever alguma história que envolva abuso, que tome um extremo cuidado com as cenas tanto do ato do estupro quanto da repercussão que terá dentro e fora da história. A culpa nunca é da vítima, o agressor não pode sair impune, não se deve tratar esse assunto como algo banal.
Pensando assim, aqui vai um breve step-by-step para escrever sobre abuso sem romantizar a coisa ou idealizar como algo bom:



1) Pense nos detalhes:
Como assim "pensar nos detalhes", Clara? Tenha em mente que estupro é algo extremamente sério e que muda totalmente a personalidade da vítima, o modo com o qual ela se relaciona com as pessoas e o modo que ela vê o mundo e faz as coisas. Muda o rumo da história, basicamente. Tendo isso em mente, pense no motivo da existência dessa cena. Você a quer só para dar um "up" na história? Impor um drama leve? Se for por isso, aconselho que não faça uso desse ato porque, como eu já disse, estupro é sério demais para ser uma brincadeira. É preciso pensar também em como vai abordar isso, se vai ser narrado, se não vai ser, se a vítima conhecia o estuprador ou não, onde vai ser, o quão pesado vai ser, o objetivo do agressor ao fazer tal coisa com a outra e etc.



2) Pense nas sequelas e em como a vítima vai reagir:
Como a vítima vai reagir ao estupro? Como ela vai lidar com a realidade que foi imposta após isso? Ela vai se recuperar e tentar volta à rotina que tinha antes, ou vai se isolar de tudo e todos e consequentemente demorar a aceitar isso? Como vai ser a recuperação dela? Qual será a ordem das "etapas" que ela vai passar antes de aceitar o que aconteceu? (Obs: As etapas básicas são o choque, negação, culpa – porque sim, há vítimas que se culpam por terem sido abusadas e ficam remoendo o que podem ter feito para isso acontecer – e a "aceitação", mas não precisa ser nessa ordem.) Ela vai ter traumas em decorrência disso? Pense bastante em como esse fato vai refletir na personalidade da personagem.



3) Tome muitíssimo cuidado na repercussão da cena:
Tanto dentro da história quanto fora, essa cena vai dar o que falar, seja algo bom – o que acho bem difícil dadas as circunstâncias -  ou algo ruim, mas vai dar o que falar e é exatamente nesse ponto em que o cuidado precisa ser dobrado. Se o abusador já tiver uma relação com a vítima é necessário que deixe claro que foi um estupro, que a personagem não queria e foi totalmente contra a vontade dela. É realmente importante frisar que estupro não é forma de demonstrar amor, afeição ou algo do tipo e relembrar que é crime (código Penal Brasileiro, artigo 213, Lei nº 12.015, de 2009). De todo modo, tenha extremo cuidado com o que escreve, querendo ou não, alguns leitores pegam o que leem como verdade absoluta e isso é perigoso, por isso tenha em mente a repercussão que isso pode ter.


~x~

 Outro ponto que decidi abordar foi a idolatria sem sentido das doenças e problemas psicológicos que começou há uns dois anos. Passou um tempo que era considerado atraente você dizer que tinha algum problema ou que se cortava. Foram tempos difíceis, não há como negar. Eu lembro de entrar no Facebook, Tumblr etc e dar de cara com fotos de garotas e garotos chorando afirmando ter depressão, fotos de pulsos cortados e sangrentos e a única coisa que eu conseguia pensar era no quanto isso era errado e absurdamente sem sentido, eu digo como alguém que faz tratamento para depressão e ansiedade que aquilo não é nem dois por cento verossímil.
Quando você tem depressão, não costuma sair   espalhando isso para Deus e um mundo que "Oh, eu estou em depressão, olha que legal, não consigo sair da cama e tenho pensamentos suicidas, incrível, não?", na realidade, é exatamente o contrário, você não sente vontade de fazer nada, muito menos de falar com outras pessoas. Isolamento quase que total é o que acontece em grande parte dos casos.
Quanto à ansiedade, ela não é uma doença simples de lidar − ela existe em níveis que vão desde o desconforto até crises de pânico que comprometem várias atividades do dia-a-dia. Ansiedade não é aquilo que você sente ao fazer uma simples prova, que você fica levemente desconfortável, ansiedade é você tremer dos pés à cabeça, suar de modo desenfreado, hiper-ventilar e passar realmente mal.
Essas doenças e outras semelhantes não se curam do dia para a noite −, algumas nem possuem cura, mas sim um tratamento que diminui a intensidade delas. Os únicos conselhos para dar ao escrever sobre essas doenças são quase iguais aos dados com relação ao estupro, só mudam algumas palavras, a essência é a mesma.
Caso resolva abordar algo relacionado ao suicídio, o cuidado precisa ser triplicado e cuidadosamente trabalhado, porque é um assunto delicado e motivo de muitas divergências de opiniões, já que há pessoas que condenam quem tem pensamentos que levam ao suicido e tem gente que não condena e que tenta ajudar.
O conselho geral desse post é: saiba o que você quer alcançar ao colocar alguma dessas coisas na história. Assuntos delicados assim devem ser muito bem estudados e deve-se ter certeza de que é necessário para o andamento da história ou se é só um "drama adicional". Caso tenha dúvidas, não escreva sobre isso. Sugestão de quem entende das coisas: não escreva nada tiver dúvidas, vai por mim.  

E bem, caso não tenha dúvidas e saiba como desenvolver, vá em frente! Só vai! E para quem pretende narrar o abuso, eu recomendo um post, também da Liga, sobre como escrever cenas de estupro, é de 2014, mas ainda assim tem dicas ótimas, então aproveite e faça bom uso. 
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Representatividade de GLBTS e estereótipos

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Por: Captain Ricci
Link: https://fanfiction.com.br/u/530496/

Hey. how you doin’? Esse é meu primeiro post por aqui, e decidi escrever sobre uma coisa na qual penso já faz bastante tempo: a relação entre representatividade LGBT em histórias e os estereótipos.
É cada vez mais comum a presença desses personagens em fanfics e em originais, e enquanto é ótimo que o assunto seja tratado com mais naturalidade, quando a base de um personagem é um estereótipo, ele tende a não ser muito bem construído. Estereótipos são ferramentas narrativas questionáveis mas, muito além disso, são prejudiciais para o grupo que representam. Frequentemente levam a clichês e, mais ainda, quase sempre reproduzem preconceitos.
Se a ideia é trabalhar a sexualidade do personagem com certo enfoque, eu sugiro que haja bastante pesquisa da parte do autor para garantir uma boa representação.
Grande parte do que é falado aqui gira em torno da tal representatividade, porque não adianta colocar minorias em histórias e pensar que as representa, é necessário comprometimento com essa escrita.
Sobre os estereótipos nocivos, há três casos que normalmente andam juntos e prejudicam a história:

·       Heteronormatividade: apesar de possuir uma definição bem ampla, a maneira como ela aparece nessas histórias é a mesma, ou seja, mesmo numa relação homossexual existe a ideia do “homem da relação” e “mulher da relação”.
·       Sexualidade como única característica: um equívoco recorrente na construção desses personagens, que é tratá-los como se sua sexualidade fosse o que define o resto de sua vida como personagem. Tudo gira em torno da sexualidade, não existem interesses, sonhos ou traços de personalidade no geral que não se baseiam nisso. O resultado é um personagem vazio.
·       Personagens secundários e alívios cômicos: esse personagem não ocupa nenhuma função na narrativa além da “representatividade”, não é necessário em nenhuma escala para a história a não ser, talvez, a de alívio cômico.

O que esses três aspectos têm em comum? Um mau desenvolvimento de personagens que trabalha com estereótipos, reforçando-os, além de prejudicar a narrativa. Quando eles são utilizados juntos é praticamente impossível escrever algo verossímil.
Como, então, pode-se escrever personagens LGBT? Simples: escrevendo-os como pessoas, não limitando sua vida à sua sexualidade e principalmente escrevendo personagens que tenham, de fato, importância para a narrativa. Ao escrever um personagem LGBT sem limitá-lo você não só desenvolve melhor sua história, mas também para de reproduzir estereótipos nocivos.

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As imagens que servem de ilustração para o posts do blog foram encontradas mediante pesquisa no google.com e não visamos nenhum fim comercial com suas respectivas veiculações. Ainda assim, se estamos usando indevidamente uma imagem sua, envie-nos um e-mail que a retiraremos no mesmo instante. Feito com ♥ Lariz Santana