Como Abordar G!P E Transexualidade Em Histórias

Por: Cris Reese Link:   https://fanfiction.com.br/u/595046/ E aí galera! Belezinha? Sejam bem vindos à minha estreia no blo...



Por: Cris Reese

E aí galera! Belezinha?

Sejam bem vindos à minha estreia no blog! - olha ela se achando -.

Sou Cris Reese e venho aqui para trazer um tema, de certa forma, polêmico. Um tema muito usado nas fic's da categoria séries: intersexualidade e transexualidade.

As assanhadas de plantão adoram, né?

Entraremos nesta jornada para entender qual a diferença e como abordar esse tema delicado, o que será um auxílio para sua próxima ou atual fic.

Lembrando que é necessário ter uma mente aberta para esse assunto, que muitas vezes é vulgarizado ou deturpado em algumas histórias. O foco aqui será na abordagem de fic’s, mais detalhes sobre o tema deixarei nas referências.        


Primeiro, as diferenças:
  • Inter e G!P:
    G!P é um termo muito usado nas fic's americanas, Girl with penis (garota com pênis). No entanto, intersexualidade não se restringe apenas às mulheres.
    Intersexo é quando o seu sexo biológico não se encaixa na binária masculina/feminina.
    Ex: Uma mulher nasce com um pênis, desenvolvido ou não. Ou ao contrário, quando o homem nasce com uma vagina. Nesses casos há a possibilidade do individuo ser fértil. Há também o caso de apenas o órgão sexual reprodutor interno ser diferente (útero, escroto, etc).
    Nas aulas de biologia é dado o exemplo do menino que aos 13 anos sentiu muito dor e, ao ir no médico descobriu que era cólica... E que era uma mulher. Alguém lembra dessa aula? Alguns inters não sabem de sua condição até a puberdade.

    Famosos Inter BR
    :
    Roberta close
    (Há mais, porém é apenas especulação)

  • Trans:
    “Transexual é o indivíduo que nasce biologicamente pertencente a um determinado sexo, mas sente-se, percebe-se e tem a vivência psíquica de pertencer ao outro sexo. Dizemos que a identidade de gênero (saber-se homem ou mulher) não é congruente com o sexo anatômico, biológico.” explica Alexandre Saadeh, psiquiatra coordenador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo.
    Em outras palavras, nasceu homem(mulher), mas jamais sentiu ser um(a).

    Famosos trans BR:
    Thammy Gretchen, Lea T, Tereza Brant, etc.



Pesquisar é imprescindível:
Empatia ainda mais. Então, antes de começar sua história, seja o tema primário ou secundário, se coloque na pele de uma pessoa que tem essa condição.

Se fosse você lendo, gostaria da forma como você está sendo retratado? Se sentiria ofendido?

É importante avaliar isso, porque é um grupo discriminado, subjugado e incompreendido de pessoas que você estará falando a respeito.


Identidade sexual:
Ser inter ou trans não é garantia de homossexualidade.

Um nascido homem, transexualizado para mulher, pode continuar gostando de mulher. (Seu cérebro deve ter bugado aqui, mas deu para entender, né? Só esqueça os rótulos que ficará mais fácil).


Caracterização nas fic´s:
É muito comum nas fic's esses personagens serem uma Shane (personagem "fodástico" no quesito “pegação” da série The L word ). Porém, não é por aí que a banda toca. Há sim muita curiosidade acerca do assunto, no entanto, há muito preconceito também. É quase ofensivo dizer que um trans ou inter entra em algum lugar e é aclamado por ser diferente. Há uma distância muito grande da realidade ao escrever isso (com exceção quando as pessoas desconhecem a condição inter ou trans).

Leve isso em conta e observe as opiniões alheias, pesquisar é importante não apenas para deixar a fic realista, mas para seu conhecimento e embasamento sobre vários assuntos também.
No caso dos inter, eles são “invisíveis”, devido ao fato de sua única diferença ser a genitália, muitos se escondem por vergonha.


Escolhendo como tema principal (sugestões):

  • Trans: Uma sugestão é imaginar que a personagem não se sente bem do jeito que nasceu. Sente-se desconfortável dentro do seu corpo. Às vezes beira o desespero por sentir que tem algo errado, aquilo não é quem deveria ser; as roupas incomodam, parecem erradas; o que o espelho reflete não é o que ela sente ser e apenas ela enxerga isso.
    Se optar por colocar a família na história, é interessante demonstrar a posição deles - família - diante disso. Transexualidade não é normalmente aceita pela família, mas isso não é regra.
    Colocar quando e por que o personagem decidiu lutar para mudar, também fica interessante. Os motivos são o que mais definem o caráter e personalidade do personagem nesse caso.

  • Inter: Há duas ideias interessantes que podem ser exploradas. Uma é o personagem não saber de sua condição e descobrir em sua adolescência; e outra é sempre saber, aceitando ou não.
    No primeiro caso, imagine a personagem pertencendo a um gênero e... de repente tudo mudar! Fica a dúvida sobre quem realmente se é, e milhares outras. O que mudaria na vida dela? O que fazer com uma nova identidade? Será que amou seus amigos como amigos ou era algo há mais?
    No segundo caso, a personagem se sente bem com sua condição? A esconde? Sente vergonha? Não está nem aí? Sente orgulho? Esse caso é mais usado com o personagem adulto.      


“Ei, por que fulano não opera?”  

Essa é uma pergunta que muitos leitores fazem. A ideia de optar pelo mais prático é sempre o mais aceito. E esse é um dos motivos da pergunta: “Não seria muito mais fácil operar para não ter que sofrer preconceito?” Esteja preparado para essa pergunta.
E sobre cirurgia de adequação de sexo, a dificuldade da mudança que o transexual deve suportar nunca é o resultado de um capricho, curiosidade ou tédio. A escolha deste caminho ocorre, porque nenhuma outra forma de vida para ele é suportável.

Dica importante:
Não use a palavra “hermafrodita”, por favor, é um xingamento doloroso. É uma palavra estigmatizada que as pessoas associam com ter os dois tipos de genitália funcionando ao mesmo tempo, o que não é possível para o ser humano.

Como tema secundário ou persona coadjuvante:
Em segundo plano é mais fácil, tudo dependerá da abertura e intensidade que decidir dar a personagem. Não deixe de levar em conta a curiosidade do seu leitor, esse assunto costuma gerar muita curiosidade. O que comem? O que fazem? Vejam hoje no glob... Não espera! Canal errado. Voltando...    


Avisos:
Não esqueça de avisar ao seu leitor que há transexualidade na história, algumas pessoas não gostam de ler. Nas opções de avisos há "transexualidade", não deixe de marcar. Marque a mesma no caso de inter.
Mas não pense que esse assunto é apenas against, é possível sair muita comédia daqui. Já li muitas fic's divertidas com esse tema.

Deixo aqui algumas dicas de filmes, na referência há mais.
Qualquer dúvida, deixe nos comentários.


Dicas de filme:         
Tomboy (2011)
Má educação (2004)
Madame butterfly (1993)
Meninos não choram (1999)
House (5 temp, ep 12) série
XXY (2007)
A garota dinamarquesa (2015)


Referência:
Corpo Em Obra - "contribuições Para a Clinica Psicanalitica do Transexualismo" (Cód. 3658614)
Kalaf Cossi, 2014

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6 comentários

  1. Finalmente falaram desse tema, não aguento mais a confusao que eles faz com isso nas fics de animes que gosto

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  2. Ótimo texto! O que mais me deixa com receio é que muitos autores trazem o tema à tona somente pelo lado sexual, não que seja errado, mas acho bem mais interessante aspectos psicológicos e emocionais nessas histórias (e em todos os tipos, pra falar a verdade). já li uma curta, mas bacana sobre Spideypool, na qual Peter conta que é um rapaz trans.Também li várias outras, mais one-shots, de diversos fandoms. Seria legal um texto especificamente sobre os espectros da assexualidade.

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    1. Obrigada pelo comentário! Vou adicionar a tua sugestão ao nosso banco de ideias!

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  3. O tipo de fic mais interessante (na minha opinião, óbvio) que tem esse tema é uma garota hétera, que namora um garoto. Depois de um tempo, a garota acaba virando menino, mas ainda ama o menino, mas quer ser hétera. Isso gera interessantes conflitos emocionais, não?

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    1. Eu não percebo muito bem a situação que tu criaste, mas acredito que qualquer experiência que tire alguém completamente fora da sua zona de conforto pode criar conflitos emocionais.

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