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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
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Transtornos Psicológicos

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Por: SayakaHarume


Hallo, filhotes~
Bem, pra quem não me conhece, eu sou uma sofredora acadêmica de psicologia, e durante meu percurso no mundo das fanfics, encontrei muitas com personagens que possuíam algum tipo de distúrbio mental e precisavam ir ao psiquiatra/psicólogo.
O que pode enriquecer muito um texto, também pode deixá-lo fraco, se não tratado devidamente. Já vi vários distúrbios explicados e mostrados de forma incorreta, pendendo para um estereotipo que eu não acho legal incentivar, por que existem pessoas de verdade com esses problemas, e não sabemos quantas estão do outro lado da tela, lendo nossos textos.
Porém, nada está perdido! Estou trazendo aqui alguns dos distúrbios que eu mais vi aparecerem nas fanfics que li por aí. Vou tentar deixar o mais explicado e simples possível :P







Não posso falar muito sobre a psiquiatria, além de que, como acredito que todo mundo saiba, ela é uma especialização da medicina e exclusiva da medicina. Já cruzei com pessoas que achavam que quem se forma em psicologia pode fazer psiquiatria, mas não.
Já sobre a psicologia... Só tenho amor por isso. Porém, não se prendam ao velho conceito de deitar no divã. O divã é exclusivo da psicanálise, que é apenas uma parcela de um todo. Na psicanálise, o terapeuta não faz contato visual com o indivíduo para não chamar a atenção para si e deixar o indivíduo fazer a associação de ideias que quiser, falar o que quiser. Nas outras correntes da psicologia, já não temos muito disso. É valorizada a transferência, o olho no olho. Não que as outras correntes sejam melhores, são apenas diferentes, abordagens diferentes. Só quero mostrar aqui que nem só de divãs se fazem as terapias.
Sobre o termo de confidencialidade acredito que todos já sabem: o que é falado no consultório, fica no consultório, exceto em poucos casos:
  1. O indivíduo é menor de idade (porém, nesses casos, o psicólogo só fala o quadro geral do cliente e como a família pode ajudar, o que é dito por ele fica em segredo);
  2. Quando há risco de vida para o cliente (indivíduos que mostram ideação suicida);
  3. Quando há risco para terceiros;
  4. Quando alguém confessa algum crime no consultório (o psicólogo tem que reportar ao Conselho Regional de Psicologia).
Porém, nos dois primeiros casos, o indivíduo é informado que o psicólogo vai conversar com a família, e o psicólogo tem que tranquilizar o cliente quanto a isso, valorizando o laço de confiança criado entre eles. No terceiro caso, dependendo do tipo de risco que o indivíduo representa, o psicólogo tem que tomar cuidado para que não se torne um alvo. No quarto caso, o psicólogo agirá segundo as orientações do CRP.

No SBLAN, grupo de interação entre a Liga dos Betas e a comunidade do Nyah!, alguns meses atrás eu fiz uma pesquisa a respeito dos distúrbios sobre os quais mais tinham dúvidas na hora de escrever e fiz uma lista para explicá-los em uma série de três artigos. Neste, vou falar sobre a Bipolaridade e o TOC. Apenas dois para o artigo não ficar muito extenso e cansativo, mas estão previstos para os próximos artigos sete distúrbios!

Antes, algumas explicações: na corrente psicológica que eu sigo, o Humanismo, não chamamos o indivíduo de paciente, já que a pessoa não é passiva em seu tratamento, nós chamamos de cliente, e vai ser assim que vou chamar no decorrer do artigo.
Deixando claro que tentarei usar o mínimo possível de termos clínicos, mas algumas vezes, terei que recorrer a eles. Por isso, peço que deixem seus pré-conceitos sobre a psicologia e tudo que a envolve bem aqui, porque os significados desses termos, muitas vezes são bem diferentes do significado “popular”. Nesse artigo, três desses termos clínicos foram, para mim, impossíveis de traduzir no texto corrido, então, trago a “tradução” aqui:
Episódio Maníaco – Também chamado em alguns textos de Mania, é um distúrbio mental definido como um período distinto, durante o qual existe um humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável. É característico, embora não exclusivo, do transtorno bipolar no qual os episódios maníacos alternam com episódios depressivos.
Episódio Hipomaníaco – Também chamado de Hipomania, é uma alteração de humor semelhante à mania, porém com menor intensidade. A pessoa se sente muito bem, com bastante energia. Normalmente a necessidade de sono diminui e a libido aumenta.
Episódio Depressivo Maior – Não é a Depressão Nervosa em si. Diferencia-se do humor "triste", que afeta a maioria das pessoas regularmente, por se tratar de uma condição duradoura (a maior parte do dia, quase todos os dias, pelo menos 2 semanas), de maior intensidade ou mesmo por uma tristeza de qualidade diferente da tristeza habitual, acompanhada de vários sintomas específicos e que trazem prejuízo à vida da pessoa.
Por favor, não se autodiagnostiquem caso se identifiquem com alguns sintomas.
TRANSTORNO BIPOLAR
Transtorno Bipolar é um distúrbio complexo. Sua característica mais marcante é a alternância, às vezes súbita, de episódios de depressão com os de euforia (maníaco e hipomaníaco) e de períodos assintomáticos (sem sintomas) entre eles. As crises podem variar de intensidade (leve, moderada e grave), frequência e duração. As flutuações de humor têm reflexos negativos sobre o comportamento e atitudes dos indivíduos, e a reação que provocam é sempre desproporcional aos fatos que serviram de gatilho ou, até mesmo, independem deles.
Em geral, essa perturbação do humor se manifesta tanto nos homens quanto nas mulheres, entre os 15 e os 25 anos, mas pode afetar também as crianças e pessoas mais velhas.
Clinicamente, existe mais de um tipo de Transtorno Bipolar que podem vir a serem diagnosticados no cliente: transtorno bipolar tipo I, transtorno bipolar tipo II, transtorno ciclotímic e outros mais raros que não tratarei nesse artigo.
Transtorno Bipolar tipo I: É o que antigamente, nos primórdios das descobertas dos distúrbios mentais, se chamava psicose afetiva. De lá pra cá, foi descoberto que não há exigência de psicose ou de experiência na vida de um episódio depressivo maior, ainda que, a maioria dos indivíduos que são diagnosticados, tenham tido episódios depressivos maiores durante sua vida.
Para o diagnóstico dessa modalidade do transtorno, é necessário o preenchimento de alguns critérios para um episódio maníaco e pode ser antecedido ou seguido por episódios hipomaníacos ou depressivos maiores, ainda que não seja regra.
Episódio maníaco: Um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável, e aumento anormal e persistente da atividade dirigida a objetivos ou da energia, com duração mínima de uma semana e presente na maior parte do dia, ou quase todos os dias. Traduzindo: Por uma semana ou mais, o indivíduo fica com o humor facilmente irritável e expansivo, com a bateria ligada no máximo, durante a maior parte do dia, na maior parte dos dias da duração desse episódio.
Durante esse período, três (ou mais) dos seguintes sintomas estão presentes em grau significativo e representam uma mudança notável do comportamento habitual:
  1. Autoestima elevada ou grandiosidade;
  2. Redução da necessidade de sono (p. ex., sente-se descansado com 3horas de sono);
  3. Mais falante que o habitual ou pressão para continuar falando;
  4. Fuga de ideias ou sensação que os pensamentos estão mais acelerados;
  5. Distrabilidade (a atenção é desviada muito facilmente por estímulos externos insignificantes);
  6. Aumento da atividade dirigida a objetivos (seja socialmente, no trabalho ou escola, ou mesmo sexualmente) ou agitação psicomotora (atividade sem propósito não dirigida a objetivos);
  7. Envolvimento excessivo em atividades com elevado potencial para consequências dolorosas, como: surtos desenfreados de compras (e não se trata de consumismo. É sair comprando coisas sem motivo algum. Já vi um estudo de caso de uma mulher que saiu de casa para comprar uma cortina e comprou um carro), indiscrições sexuais ou investimentos financeiros insensatos, e por aí vai.
Essa perturbação no humor é suficientemente grave a ponto de causar prejuízo no funcionamento social ou profissional do indivíduo, ou a ponto de necessitar de hospitalização para evitar dano ao cliente ou a terceiros.
O episódio não é atribuível aos efeitos de substâncias (p. ex., abuso de drogas ou medicamentos, etc.)
Episódio Hipomaníaco: Em comparação ao Episódio maníaco, as diferenças se dão em relação à duração (neste tipo de episódio são no mínimo quatro dias), está associado a uma mudança clara no comportamento do indivíduo, tanto que elas são observadas mais claramente por terceiros, mas o episódio não é tão grave a ponto de causar prejuízos ao indivíduo.
Episódio Depressivo Maior: Quando cinco (ou mais) dos seguintes sintomas persistem durante duas semanas e representam mudança de comportamento; pelo menos um dos sintomas é humor deprimido ou perda de interesse ou prazer (tem que ter pelo menos um desses dois!):
  1. Humor deprimido (em crianças e adolescentes pode ser humor irritável);
  2. Acentuada diminuição de interesse ou prazer em todas, ou quase todas, atividades na maior parte do dia, quase todos os dias;
  3. Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta;
  4. Insônia ou hipersonia (sonolência excessiva) quase diária;
  5. Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observável por outras pessoas; não apenas sensações de inquietação ou de estar mais lento);
  6. Fadiga ou perda de energia quase todos os dias;
  7. Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada (que pode ser delirantes – sem motivo) quase todos os dias (não apenas autorrecriminação ou culpa por estar doente);
  8. Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, ou indecisão quase todos os dias;
  9. Pensamentos recorrentes de morte (não somente medo de morrer), ideação suicida recorrente sem plano específico, tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio (dependendo da intensidade do episódio).
A principal diferença entre os Transtornos Bipolares I e II é que, no primeiro, há o Episódio Maníaco, enquanto no tipo II, há os episódios hipomaníaco e depressivo maior. Também, o tipo II caracteriza-se por episódios de humor recorrentes, mudando de um ou mais episódios depressivos maiores e pelo menos um hipomaníaco. No tipo I, a existência desses outros dois tipos de episódios não são obrigatórias.
Entre esses dois, não há um considerado mais leve ou mais grave, já que são casos diferentes. A euforia e irritação do tipo I é mais forte, enquanto no tipo II, prevalece a depressão e euforia em formas mais brandas.
Transtorno Ciclotímico: É o quadro mais leve do transtorno bipolar, marcado por oscilações crônicas do humor, que podem ocorrer até no mesmo dia. O paciente alterna sintomas hipomaníacos e de depressão leve que, muitas vezes, são entendidos como próprios de um temperamento instável ou irresponsável. Outras características:
  1. Por pelo menos dois anos (um ano em crianças e adolescentes), presença de vários períodos de sintomas hipomaníacos que não satisfazem os critérios de episódio hipomaníaco (são menos de três sintomas) e vários períodos com sintomas depressivos que não satisfazem os critérios de episódio depressivo maior (são menos de cinco sintomas);
  2. Durante o período citado em A, os períodos com sintomas hipomaníacos e depressivos estiveram presentes por pelo menos metade do tempo, e o indivíduo não permaneceu sem os sintomas por mais que dois meses consecutivos;
  3. Os critérios para episódios maníacos, hipomaníacos ou depressivos maiores nunca foram satisfeitos;
  4. Outros distúrbios como esquizofrenia e outros transtornos psicóticos foram descartados;
  5. Os sintomas não são atribuíveis a efeitos de substância;
  6. Os sintomas causam sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
Ufa! Terminei de explicar os três principais tipos. Bipolaridade é algo bem complexo, não é só estar feliz em um momento e daqui a pouco, estar triste. É algo que causa muito sofrimento a quem possui o distúrbio e deve ser conduzido com cuidado.
Causas: Ainda não tem uma causa determinada, porém, já se sabe que vem de fatores genéticos hereditários.
Diagnóstico: O diagnóstico do transtorno bipolar é clínico, baseado no levantamento da história e no relato dos sintomas pelo próprio paciente ou por um amigo ou familiar. Em geral, ele leva mais de dez anos para ser concluído, porque os sinais podem ser confundidos com os de doenças como esquizofrenia, depressão maior, síndrome do pânico ou distúrbios da ansiedade. Daí a importância de estabelecer o diagnóstico diferencial antes de propor qualquer medida terapêutica.
Tratamento: Transtorno bipolar não tem cura, mas pode ser controlado. O tratamento inclui o uso de medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida, tais como o fim do consumo de substâncias psicoativas, (cafeína, anfetaminas, álcool e cocaína, por exemplo), o desenvolvimento de hábitos saudáveis de alimentação e sono e redução dos níveis de estresse. A associação de lítio com antidepressivos e anticonvulsivantes tem demonstrado maior eficácia para prevenir recaídas. No entanto, os antidepressivos devem ser utilizados com cuidado, porque podem provocar uma guinada rápida da depressão para a euforia, ou acelerar a incidência das crises.
A porcentagem de pessoas com bipolaridade de qualquer tipo que tentam o suicídio está entre 30 e 50%.
Exemplos:
Tipo I:
“Patrícia passou horas no shopping, fazendo compras. Quando chegou em casa, a mãe a advertiu que tudo aquilo – um conjunto de abajures, um kit de jardinagem e dois vestidos de festa – não era necessário no momento, e lhe disse para ter cuidado com o cartão de crédito. Patrícia irritou-se, apesar do tom da mãe não ser de reprimenda, e iniciou uma discussão. Após meia hora não aguentou e saiu de casa, indo conversar na praça com quem estivesse passando. Tornou a discutir com a mãe no final do dia, por alguns objetos fora do lugar, e sua mãe aproveitou para externar sua preocupação por ela estar dormindo pouco e estar extremamente distraída, mas Patrícia menospreza essa preocupação, dizendo que a mãe não vê que ela está sempre ocupada com coisas mais importantes.” – Um exemplo de um dia de um Episódio Maníaco.
Tipo II:
“João levantou-se da cama com esforço. Não estava em nada interessado nas atividades do dia: a preparação para a comemoração do final do ano. Sentia-se cansado, já que havia alguns dias que não conseguia dormir, e também vinha perdendo peso com facilidade, embora não estivesse sequer saindo de casa, quanto mais se exercitando. Encontrou suas irmãs na cozinha, lavando já a louça do almoço e se tomou por um sentimento de culpa, já que uma vez que elas já haviam preparado o almoço, devia ao menos ajudar a limpar a cozinha, mas sempre achava que era melhor não atrapalhar do que acabar estragando alguma coisa. Ana, sua irmã mais nova, percebeu sua chegada e lhe sorriu, o que o fez pensar que ela estava ansiosa pelos dias bons que ela sabia que viriam.” – Exemplo de Episódio Depressivo Maior, comum no Transtorno Bipolar tipo II.
Transtorno Cíclico:
“Samantha se dirigiu ao consultório do seu terapeuta logo depois de deixar os filhos na escola. Havia brigado com o namorado no dia anterior, quando ele a acusava de ter se esquecido de pegar as crianças na escola por preguiça, o que não era verdade. Ela só não havia percebido o tempo passar enquanto ficava na cama, ocupada com vários pensamentos depressivos. Em um geral, ela se sentia mais fraca e desanimada, como se houvesse uma corrente a arrastando para mar aberto, e se sentia ainda pior, já que tinha a esperança de que seus dias bons fossem durar um pouco mais. Estava há um mês sem escorregar para a depressão, ainda que seus dias eufóricos fossem igualmente ruins e prejudiciais. Na última vez, perdera tempo demais no trabalho organizando a papelada antiga e esqueceu de terminar o balancete do mês, e quase foi demitida.” – Exemplo de alternância de Episódio Hipomaníaco e Episódio Depressivo Maior, que ocorrem tanto no Tipo II, quando no Transtorno Cíclico.

TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO – TOC
A principal característica do TOC é a presença de crises recorrentes de obsessões e compulsões.
Entende-se por obsessão pensamentos, ideias e imagens que invadem a pessoa insistentemente, sem que ela queira. Esses pensamentos ficam rodando dentro da cabeça e o único jeito para livrar-se deles por algum tempo é realizar o ritual próprio da compulsão, seguindo regras e etapas rígidas e pré-estabelecidas, que ajudam a aliviar a ansiedade. Alguns portadores dessa desordem acham que, se não agirem assim, algo terrível pode acontecer-lhes. No entanto, a ocorrência dos pensamentos obsessivos tende a agravar-se à medida que são realizados os rituais e pode transformar-se num obstáculo não só para a rotina diária da pessoa, como para a vida da família inteira.
Em geral, os rituais se desenvolvem nas áreas da limpeza, checagem ou conferência, contagem, organização, simetria, colecionismo, e podem variar ao longo da evolução da doença.
Já me deparei com estudos de caso em que o cliente achava que um acidente de carro terrível aconteceria se antes de ele entrar no carro, ele não abrisse e fechasse cada porta e o porta-malas duas vezes. Também outro que, tinha rituais diferentes para cada dia da semana.
O indivíduo também não consegue apenas não fazer o ritual. Ignorar o ritual pode deixá-lo incrivelmente ansioso e inquieto, gerando um mal-estar que pode se mostrar físico.
Por favor, não confundir TOC com mania de limpeza e/ou organização. Uma pessoa com essas manias pode se sentir irritada se algo estiver fora do lugar. Alguém com TOC vai se sentir angustiado se seu ritual não for feito.
Causas: Estudos sugerem a existência de alterações na comunicação entre determinadas zonas cerebrais que utilizam a serotonina. Fatores psicológicos e históricos familiares também estão entre as possíveis causas desse distúrbio de ansiedade.
Diagnóstico: Em geral, apenas nove anos depois que manifestou os primeiros sintomas, o portador do distúrbio recebe o diagnóstico de certeza e inicia o tratamento. Por isso, a maior parte dos casos é diagnosticada em adultos, embora o transtorno obsessivo-compulsivo possa acometer crianças a partir dos três, quatro anos de idade. Na infância, o distúrbio é mais frequente nos meninos. No final da adolescência, porém, pode-se dizer que o número de casos é igual nos dois sexos.
Tratamento: Nos casos mais graves pode ser necessária a utilização de antidepressivos inibidores da reabsorção da serotonina, mas sempre aliado à terapia cognitivo-comportamental, que é usada tanto nos casos mais leves aos mais graves (nesses, aliado a medicação).
Seu princípio básico é expor a pessoa à situação que gera ansiedade, começando pelos sintomas mais brandos. Por exemplo: mostrar ao indivíduo que nada de ruim acontecerá se ele não acender e desligar a luz duas vezes antes de sair de casa. O terapeuta parte dos mais simples para os mais complexos, respeitando o tempo do cliente.
Exemplos:
“Maria roía as unhas sem parar, sentindo as mãos suando e ouvindo o pé bater no chão. Seu estômago estava se revirando, e havia um gosto ruim em sua boca. Tinha quase certeza absoluta que não abrira e fechara as janelas de sua casa antes de sair, para verificar se estavam bem trancadas. Com certeza, quando chegasse depois do trabalho, encontraria tudo revirado e seus pertences valiosos roubados. Não parava de se perguntar se nas duas horas que teria de almoço seriam suficientes para ir até em casa verificar as janelas. Sem falar que já ficara sabendo que no refeitório era dia de bolo de carne, e ela absolutamente não poderia comer aquilo. Era terça-feira, ela só podia comer salada nas terças-feiras!” – Exemplo de uma crise de ansiedade de uma pessoa com TOC.
“André respirou fundo enquanto seu terapeuta lhe incentivava mudamente. Tudo que ele queria era voltar e organizar toda aquela prateleira de livros, organizando todos por tamanhos e cores, mas entendia o quanto aquilo já lhe prejudicara durante toda a sua vida. Já perdera as contas de quantas brigas arranjou, quantas vezes se atrasou, porque precisava que tudo estivesse em simetria. Respirou fundo mais uma vez e começou a andar mais rapidamente para longe daquele brechó de livros. Olhou para o lado e o terapeuta lhe parabenizou, o que não o impediu de perguntar timidamente:
― Não podemos voltar e dizer a um dos vendedores que aquilo tudo está uma desordem total?” – Exemplo de tratamento de pessoa com TOC.

Bem, escolhi esses dois distúrbios para irem primeiro por ver que eles são bastante utilizados por aí, mas também são os que mais contêm equívocos na forma como são mostrados, perdendo apenas para a Depressão, mas essa última vai ficar para outro momento, para que eu possa falar dela como se deve. Não quis me estender muito, uma vez que são temas complexos e eu não quero sobrecarregar ninguém com muita informação.
Os próximos distúrbios a serem discutidos nos dois artigos que faltam: Depressão, Transtorno Dissociativo de Personalidade (Dupla Personalidade, mas não a minissérie –q), Transtorno Boderline, Psicopatia x Sociopatia Funcional, Autismo x Aspenger, Fobia Social e Esquizofrenia Paranóide.
Até a próxima o/

DSM – V: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais

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[1/2] Novo Acordo Ortográfico – Teoria

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Por: Takahiro Haruka


Olá, galera!

Hoje eu venho falar sobre o terror dos professores, dos estudantes e, é claro, de nós, escritores: o Novo Acordo Ortográfico. Achava eu, em meados de 2008, que a língua portuguesa era um pesadelo constante e que eu nunca conseguiria gravar todas aquelas regras longas, cansativas e confusas. E olhem só que irônico: apesar das décadas sendo usada e aprendida com muito esforço, em 2009 vimos uma reestruturação, e em 2012 o uso do novo acordo tornar-se intenso. Foi uma blasfêmia aos que tanto se esforçaram para aprendê-la!

Mas essas são águas passadas. Há quem é contra a reforma, há quem está se adaptando, há quem nem chegará a aprender as regras anteriores e, por fim, há quem não se importa com o assunto. Nós, escritores, no entanto, precisamos estar atentos a nossa ortografia e, para fazer bonito, precisamos nos adaptar o quanto antes.

Tendo em mente a importância da adaptação ao novo acordo, desenvolvi dois posts falando sobre o assunto. Mas por que dois, Noni? Simples, querido: vamos tratar isoladamente da história da tal reforma e das mudanças resultantes dela. Ou seja, teremos um post chamado Teoria e um chamado Prática.

Antes de começar o nosso conto de fadas ao avesso, gostaria de declarar que este post será um tipo de curiosidade, e o segundo um guia. O que queremos é que você os consulte sempre que precisar. As mudanças ocorrerão aos poucos, então não tem por que sermos afobados. O caminho para se aprender a língua portuguesa é longo e cheio de curvas. O importante é ter sempre em mente que o conhecimento vem do buscar.

Pois bem. Era uma vez, em 1943, um formulário desenvolvido pela nossa grandíssima Academia Brasileira de Letras...

Brincadeiras à parte, a história se inicia quando, procurando internacionalizar (lê-se: unificar) a língua portuguesa, Brasil e Portugal se unem para criar um único acordo ortográfico. Porém, o acordo desenvolvido em 1945, que foi acatado por Portugal, não teve o mesmo sucesso no Brasil. Retrocedemos e mantivemos as normas estabelecidas em 1943, mantendo-as até 2008.

Para conhecimento supérfluo, já que nosso foco é no acordo seguinte vigente, podemos citar a retirada das letras K, W e Y do alfabeto oficial, as regras para a acentuação das oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, apóstrofo, hífen e sinais de pontuação e a mudança na divisão silábica (para saber todas as mudanças, vide link no fim do artigo).

Discussões sobre a unificação da língua foram sendo feitas ao longo dos anos. A Academia Brasileira de Letras e a Academia de Ciências de Lisboa desenvolveram, juntas, um Novo Acordo Ortográfico, e reuniram os representantes dos sete países lusófonos*, em 1990, para assiná-lo. Os países são: Angola (África), Brasil (América do Sul), Cabo Verde (África), Guiné-Bissau (África), Moçambique (África), Portugal (Europa) e São Tomé e Príncipe (África). Timor-Leste (Ásia) posteriormente aderiu ao acordo.

Embora o acordo tenha sido assinado, seu uso não foi posto em prática imediatamente. No Brasil e em Portugal, apenas foram oficializados em 2009. São Tomé e Príncipe ratificou em 2006 e Timor Leste em 2004.

Apesar de ele estar já em vigor no Brasil e em Portugal, seu uso ainda não é obrigatório. Ambos os países têm um prazo de até o fim de 2015 para oficializar definitivamente e vigorar as normas. No Brasil, os livros didáticos das escolas estaduais já utilizam o novo acordo.

Vale observar, por fim, que a língua portuguesa possui duas ortografias: a portuguesa (PT-PT), aderida por todos os países do CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), exceto o Brasil, onde é exercido o português brasileiro (PT-BR).

O que vem a seguir sobre o assunto são as mudanças ocorridas por causa do Novo Acordo. Para não estender muito este post, e para tornar fácil a localização apenas das mudanças, elas serão colocadas no segundo post sobre o assunto: Novo Acordo Ortográfico – Prática.

Fiquem no aguardo da sequência, que é também a parte mais complicada do assunto.


Nos vemos por aí. Beijocas! ;)



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Como escrever uma fanfic interativa

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Por: Jean Claude

As fanfics interativas estão ganhando um espaço incrível no mundo da escrita. Com a sua forma inovadora de criar personagens e uma interação bem mais direta entre autor e leitor, esse tipo de fanfic vem se tornado popular justamente por ser uma experiência diferente tanto para quem escreve quanto para quem lê.
No entanto, como organizar tudo isso? Como manter as características clássicas de uma história já que o autor não tem total controle das personagens? Este post do blog orientará como fazer uma fic interativa e como deixá-la nos padrões literários, afinal, a história tem que continuar sendo boa, não é mesmo?
Obs: O termo “fanfic interativa” utilizado nesse post se refere às conhecidas “fanfics de fichas” e não às fanfics que utilizam o sistema html para modificação dos textos.
Passo 1 – Montando o seu enredo
Como qualquer história comum, a primeira coisa que você precisa fazer é montar um enredo. Faça a si mesmo(a) as seguintes perguntas:
I - De quantas personagens eu precisarei?
Quando você está fazendo uma fic normal, você também pensa nas personagens principais, certo? E, geralmente, com o tempo, você vai criando os secundários, os figurantes, etc. No entanto, tratando-se de uma fic interativa, lembre-se de que todos os leitores (que tenham uma personagem participante) serão personagens principais. Nenhum leitor vai gostar de saber que a personagem do outro é mais importante que a dele, isso gerará desinteresse.
Precauções: Tenha cuidado com os extremos! Não vá fazer poucos personagens, senão você atrairá poucos leitores, as vagas terminarão rapidamente e a interação não será bem proveitosa. Entretanto, também não vá exagerar na quantidade de personagens, lembre-se de que todas precisarão da devida importância, portanto, não crie mais do que você consegue administrar. Crie o que o seu enredo precisa, sem forçar.
II – O que eu pretendo fazer com elas?
Será uma história com foco no romance e todos terminarão em pares? Será uma competição em que só um sairá vivo? Qual será o destino da vida das personagens? Independente do que você escolha, deixe isso claro desde o início para o seu leitor, afinal, ninguém gostaria de ver, por exemplo, a sua personagem morrer logo no segundo capítulo assim, de surpresa. Se a proposta for eliminar personagens, faça eliminações justas que despertem a interação.
Precauções: Não se prenda a gêneros. Se você decidiu que a fic terá 8 vagas, não as faça 4 masculinas e 4 femininas, mesmo que a sua intenção seja unir todos no final, até porque um desses 8 pode ter uma sexualidade diferente ou pode ser que ele simplesmente queira aparecer na história, mas não deseje ser fruto de um casal. Se você uniu os casais e tem gente que quer um casal, mas sobrou, crie novos personagens ou, melhor ainda, abra novas vagas! Se a proposta envolver eliminação das personagens (não digo só morte, afinal, sua fic pode ser um reality-show, por exemplo), não elimine a personagem de determinado leitor só porque, por exemplo, os reviews dele são curtos, faça uma proposta justa, também não vá dar preferência àquele leitor que recomendou a fic antes de todo mundo.
III – Elas poderão mudar, diretamente, o rumo da história?
Se tem uma coisa óbvia é que toda personagem tem a sua história. Todas terão um conflito, um problema, um objetivo e, claro, obstáculos. E, no meio disso, está a história principal, o seu enredo. Decida se as suas personagens podem, ou não, causar alguma mudança à história principal (devido às suas próprias histórias). Caso a resposta seja positiva, é um bom momento para interagir com o leitor e perguntá-lo o que ele gostaria que a personagem dele alterasse.
Precauções: Claro que você, como autor(a), não é obrigado(a) a concordar com todos os pedidos e sugestões, afinal, imagina se você dissesse “sim” para tudo? Ficaria um caos, não é mesmo? Então pondere tudo e, se necessário, passe as ideias dos leitores por uma “peneira” e as encaixe da maneira que achar melhor.
IV – Qual tipo de interação eu quero com o meu público?
É preciso definir se os leitores atuaram apenas como leitores (e confeccionadores da personagem) ou se eles poderão opinar nas mudanças da trama. É claro que, independente do que você escolher, sempre virá um leitor dar aquela sugestão básica. Contudo, quando eu digo “sugerir”, nesse caso, é se o leitor terá que tomar uma decisão – pela personagem dele – durante todos os capítulos ou não. Caso a resposta seja positiva, esteja preparado(a) para ter que sempre criar várias versões de um determinado acontecimento, pois nunca se sabe o que um leitor pode pedir.
Precauções: Lembre-se de que, caso você escolha que o leitor terá que decidir, será preciso muita paciência, afinal, cada leitor tem o seu tempo de leitura diferente, então uns darão sua opinião mais tarde que outros. Não desconte na personagem de um determinado leitor só porque ele demora a mandar a decisão dele. Se for o caso dele demorar muito, faça com que a personagem realize uma ação neutra.
Passo 2 – Criando uma ficha
Com um enredo pronto, aquele capítulo de introdução já feito, está na hora de pedir as fichas! Mas, caramba, o que eu peço na ficha, Roberto? Bom, as características mudam, afinal, as histórias são diversas, mas aqui vão algumas sugestões:
I – Nome – Talvez a citação mais óbvia do post. Não preciso explicar a importância desse quesito, né? Se preferir, pode pedir, também, um apelido.
II – Idade – É importante, independente do tipo de história, afinal, ajuda muito na hora de imaginar características, principalmente físicas.
III – Classe, Raça, Distrito, Ordem, Casa, etc – Se a sua fic exigir alguma dessas coisas, algo que o segregue em qualquer tipo de grupo, é obrigatório estar numa ficha.
IV – Gênero – Para fins de identificação. Masculino, Feminino, Bigênero, Agênero, etc, como a personagem gosta de ser tratada, chamada e afins.
V – Características Físicas – Também não é preciso explicar a importância. Minha sugestão é pedir características escritas mesmo, mas, se preferir, pode pedir fotos/imagens.
VI – Personalidade – É a chave da personagem, é o que vai diferenciá-la dos demais, portanto, seja bem exigente e peça bastantes detalhes. Cuidado para não cair num beco sem saída e ver que todos os personagens são muito iguais, como, por exemplo, todos serem frios, antissociais e sem comunicação, até porque a comunicação é outra chave da fic, certo?
VII – Habilidades, Armas, Elementos, Talentos, Vocações, etc – Se for necessário para o seu enredo, esse quesito é indispensável!
VIII – País, Localização, Origem, etc – É opcional, mais para fins culturais mesmo.
IX – História – Fundamentalíssimo! É aqui que você precisa pedir a maior quantidade de detalhes possíveis. Organize bem as ideias e molde-as conforme o seu enredo.
X – Gostos e não-gostos, medos, sonhos – Pode não parecer tão importante assim, mas uma informaçãozinha dessas pode fazer a diferença em determinados capítulos.
XI – Orientação Sexual – Se a sua intenção for jogar algum romance, pergunte a sexualidade da sua personagem, é claro. Também pergunte se o leitor quer que a sua personagem tenha um par.
XII – Observações – Campo que serve para colocar quaisquer informações não contidas nos demais campos. É muito útil quando não se sabe mais o que perguntar.
Passo 3 – Prosseguindo com a história
Não é muito bom todas as personagens já aparecerem de uma vez. Todavia, também não é bom isolar um capítulo para cada personagem (a não ser que sejam poucos). A sugestão que eu dou é tentar cruzar as informações das personagens disponíveis. Sempre tem uma coisinha que, mesmo que pequena, mesmo sendo apenas um detalhe, já é o suficiente para o cruzamento dos personagens e, se o seu objetivo for unir todos, junte aos poucos, uma hora você conseguirá.
Além disso, lembrando que as personagens não precisam – nem devem – ser todas amigas, aproveite a quantidade de possibilidades e crie rivalidades! Polêmicas, caos! E quem é que não gosta daquele momento novela em que descobrimos que uma amiga traiu a outra? A fic, independente do gênero, tem que ter esses pontos, afinal, estamos falando de comunicação entre pessoas, ninguém se dá só bem a vida toda, não é mesmo? Inove! Tente ousar com os personagens, os leitores adorarão e sentirão o gostinho da rivalidade fictícia.
E o mais importante: como finalizar uma fic assim? Nesse caso, não é diferente de uma história original, até porque os personagens já estarão bem desenvolvidos, conhecidos na trama, como se fossem personagens seus. Justamente termine da mesma forma que você fez com todos os capítulos anteriores. Chega uma hora que a história fica tão dinâmica que às vezes nem parece ser interativa, pois a familiaridade com as personagens dos outros passa a ser bastante notável.
Observações:
I – Quando for postar o seu capítulo introdutório, poste um capítulo mesmo! É contra as regras do Nyah postar capítulos de aviso ou capítulos somente com fichas, portanto, deixe a sua ficha nas notas finais.
II – Tome cuidado na hora de pedir fotos/imagens para descrição física, ainda mais se pretende postá-las como hyperlink. Abusar do recurso hyperlink também é contra as regras.
III – Lembre-se de classificar a sua história corretamente, com os devidos gêneros e avisos. Lembrando que as alterações podem ser feitas a qualquer momento, isto é, podem ser editadas conforme o andamento da história.
Conclusão:
Fanfics interativas precisam ser bem administradas. As personagens não são suas (totalmente), portanto, é preciso ter bastante cuidado na hora de representá-las. Não hesite em perguntar ao(à) criador(a) da ficha sobre como a personagem dela agiria em determinado momento, pergunte mesmo, afinal, isso também faz parte da interação desejada. Faça propostas justas com as personagens e mantenha seus leitores antenados do possível!
Bibliografia:
Não há material profundo relativo ao tema. Baseei-me nas experiências próprias com fanfics do gênero (seja como autor ou como leitor).
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Personagens que vestem a perfeição (física)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Por: Anne



“Com seus lindos fios dourados sendo atiçados pela brisa tépida da tarde, Mariazinha corria pelos jardins da redondeza.
Mariazinha gostava do lugar. Vivia em Perfeitanópolis desde que nascera. Com seus três irmãos, Perfucto, Perféilo e Perfeitício, dividia uma herança milionária. Perfucto era uma graça. Desde cedo inclinado à Literatura e às Artes, parecia mesmo com uma escultura grega. O corpo escultural, os membros todos muito chamativos. O sonho de todas as amigas de Mariazinha. Perféilo era um bad boy de olhos azuis, pele branco-pálida e boca avermelhada; sempre havia gostado de boas danceterias e de paquerar as líderes de torcida. Perfucto tinha lindos olhos amêndoas, uma cabeleira ruivo-acastanhada e uns músculos de doer na alma de tão lindos!” 

Acredite você ou não, caro escritor (seja do Nyah! Fanfiction ou de qualquer outro lugar, ou mesmo do Nyah! e de qualquer outro lugar), essa é a onda. Imagino que você já tenha visto, pelo menos uma vez, uma história onde os personagens, todos — não só o(s) protagonista(s), como é de se esperar —, vestissem a perfeição física. É comum, mesmo cotidianamente, que classifiquemos o belo como irresistível. É mais comum ainda transferir seus gostos, suas preferências físicas e seus padrões, sejam eles quais forem, para as narrativas que faz. Não tô julgando, não. E, mesmo que tivesse, você poderia me dizer (a arma mais potente): “A história é minha, a fic é minha, o futuro livro é meu; faço como quiser!”. Sim, você pode e deve fazer como quiser...
Só que o pessoal da Liga tá aqui pra ajudar. Nem falo muito “o pessoal” nessa postagem, porque pode ser que eu diga coisas com as quais algum deles não concorde, quem sabe? Mas voltemos ao assunto: vestir a perfeição. Antes de falar ou criticar qualquer coisa, coloquei um texto exemplificando o que quero dizer com “vestir a perfeição”. Na maioria das vezes, a perfeição também vem em forma de caráter — o personagem que sofre demais por seu caráter benévolo, altruísta e sempre perfeito —, mas vamos falar só da perfeição física (por enquanto?), porque isso seria assunto pra outro post.
Agora vou soltar uma bomba com a qual as pessoas que estão lendo ou lerão esse post podem concordar ou discordar profundamente (mas não me xinguem):
  •      É falta de respeito vestir a perfeição nos seus personagens.

Sim, pasmem. É falta de respeito? What? O personagem não é meu? A história não é minha? Vou ter que ter regras de escrita, agora?!
Não, gente. Nada de regras de escrita. Mas é que já vi gente (e eu mesma) que se sente incomodado com essa perfeição toda. Às vezes o roteiro da história é legal, o conteúdo é até bacana, você tá interessado...
... mas aí descobre que o autor coloca padrões perfeitos em todos os personagens. Muitas vezes sem querer. Sei como é. Também sou autora, também já fui assim. E a gente sabe que, quando você começa a descrever um personagem “por alto”, sem falar como ele se parece para os demais (bonito ou feio), sempre tendemos a imaginá-lo do jeito (que achamos) bonito. Vou te condenar ou me condenar por isso? Não, é claro.
   Mas nem só de perfeição vive o homem. Sabemos que vivemos numa sociedade onde existem muuuitos tipos diferentes de beleza. Não dá pra tacar só o nosso tipo numa história, por mais que seja nossa e não vá ser publicada e que escrevamos só por hobby. Não dá, entende?
      Eu sei que a maioria dos autores que estão no Nyah! não escreve somente pra si mesmo — até porque, se fosse assim, qual seria o motivo de postar num site? Sendo assim, é sempre bom dar dicas pra que você consiga agradar seu leitor. Não que essa questão da desmistificação dos padrões perfeitos vá ajudar só ao leitor a se interessar mais pela sua fic. Nada disso. Vai te ajudar, amiguinho escritor, assim como me ajudou. O mais comum de uma escrita iniciante com poucos detalhes e pouca variedade é isso mesmo: narrar personagens sempre bonitos, usando todos os adjetivos já aprendidos nos clássicos-clichês-adolescentes. “Ah, agora você tá dizendo que tem problema com os clichês e que quem escreve clichê é amador e iniciante?!”. Não, não, para com isso. Até pra narrar clichê é preciso ter dotes. Aliás, “até” não, porque o clichê não tem nada demais, mesmo. É uma forma de escrever e roteirizar sua história como qualquer outra. Mas o fato é que, meu caro gafanhoto, nem em clichês podemos adocicar tanto as aparências. Nada disso.
    “Ah, mas cada caso é um caso, querida”. Sim, queridos, é verdade: cada caso é um caso. Ex.: numa história que envolva mitologia, a maioria dos personagens — se não todos, o que eu acho muito entendível — vai carregar detalhes estéticos quase perfeitos. Perfeitos mesmo, algumas vezes.
   O problema é quando isso acontece sem circunstâncias que justifiquem. “Mas eu ser o autor e querer que a história seja assim já não é uma circunstância que justifique, Anne?”. Bom... na verdade, é. Mesmo assim, só quero que você entenda que dá um cansaço crônico ler uma história formada por perfeição física. Dá um estorvo na leitura, dá uma ideia de que todo mundo nasceu bonito. Nos filmes, até que dá pra aguentar... Beleza atrai os olhos, isso é verdade. Mas em livros, meus caros, isso fica “vomitante”. Você cansa de ler que fulano de tal é atrativo, é sexy, é tão bonito quanto, é isso e aquilo mais. É importante que você saiba o seguinte: não quero te impor uma condição pra sua escrita ser boa e/ou sua história ser chamativa pros leitores. Eu só quero dar uma opinião construtiva.
   Alguns pontos importantes que podem modificar e desconstruir essa cultura da beleza fixa — apenas o seu tipo de beleza, e nenhuma outra — nas histórias:
  •          Aborde outras culturas — muitas vezes, abordar outras culturas é uma boa. Você diversifica as características, narra de uma forma mais rica e consegue construir detalhes mais ousados. Uma pesquisadinha aqui, outra ali e você vai andando!
  •          Baseie-se em pessoas à sua volta — quem nunca viu aquela pessoa, seja da escola, da faculdade, do dia a dia no trabalho ou das noites de saída, e quis se basear na aparência dela pra um personagem? Às vezes é muito eficiente que você pegue características físicas de pessoas que conheça e coloque lá, só pra tirar um pouco a tendência de colocar só os traços que lhe são agradáveis e bonitos esteticamente.
  •          Seja generoso em cores, físicos e consistências — aprenda a ser generoso com seus personagens. A cada 3 personagens brancos, 3 negros; a cada um negro, um pardo e assim vai. A cada 3 cabelos lisos, 3 ondulados, crespos, cacheados, afros etc. Vai misturando. A cada um esguio, um mais gordinho; a cada um mais alto, um mais baixo. Não fica em um tipinho.




Bom, pessoal, é isso! Espero que tenha ajudado.
E, lembrem-se:
A diversidade é uma das maiores riquezas do ser humano no planeta e a existência de indivíduos diferentes numa cidade, num país, com suas diferentes culturas, etnias e gerações fazem com que o mundo se torne mais completo.” (www.brasil.gov.br)

  
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Resenha: O legado de Avalon: o Garoto, o Velho e a Espada

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Resenha por Elyon Somniare





MENDES, Luiz Fabrício de Oliveira – O Legado de Avalon: o Garoto, o Velho e a Espada, Paracatu - Minas Gerais, Buriti, 2014



Sinopse: Quando a lenda termina, a aventura começa. Desde que a feiticeira Morgana Le Fay passou a perseguir e aniquilar os poucos descendentes do Rei Arthur, a Ordem de Excalibur encarregou-se de espalhá-los pelas colônias e países amigos do antigo Império Britânico, incluindo o Brasil do Segundo Reinado. Mais de 150 anos mais tarde, Aurélio Britto, garoto morador da periferia do Rio de Janeiro, fã de futebol de botão e games de estratégia, é atacado na casa do avô por um misterioso homem-onça. O dono do antiquário da esquina, senhor Campbell, revela-se na verdade o milenar mago Merlin, prestes a apresentá-lo a uma arriscada jornada de herói: sobreviver às investidas dos seguidores de Morgana e reencontrar a espada Excalibur, desaparecida nas mãos da Dama do Lago há mais de mil anos. Junto com a implicante Gui (e ai de quem chamá-la pelo nome inteiro, Guilhermina!), o fã de rock, Gabriel, o pessimista Bruno e o primo deste, Junior, além do avô Genaro é formado um pacto em torno de uma mesa de parquinho redonda, visando o objetivo de restaurar o sonho de Camelot na pessoa de seu último herdeiro.



Resenha: Virado para um público juvenil, O Legado de Avalon destaca-se no uso dos mitos, da acção e da aventura. Ao longo da sua leitura, são notados dois elementos muito comuns à literatura de fantasia: o jovem “Escolhido” e a estrutura da “Jornada do Herói”, cunhada por Campbell. Clichés, talvez, mas nem por isso negativos. O autor não só demonstra ter conhecimento sobre os mesmos (inclusive inserindo “Mr. Campbell” na narrativa), como uma capacidade em os utilizar a favor da sua narrativa.
Uma outra área em que o conhecimento do autor vem ao de cima é a histórica. Não são raras as ocasiões em que informações sobre a História brasileira são contextualizadas. Abrangendo locais, pessoas ou acontecimentos, os detalhes são inseridos de forma credível no enredo, ligando-se de alguma forma ao protagonista, ou à lenda de Arthur. Deste modo, o que poderia tornar-se num infodump, apresenta-se como um dosagem moderada de curiosidades, que ascendem a necessidade pelo contexto.
Esta capacidade de contextualização e ligação encontra-se ainda em evidência numa outra área: a fusão, chamemos-lhe assim, dos mitos arturianos com o folclore brasileiro. Torna-se difícil alongar muito nesta questão sem entregar spoilers, mas não haverá problemas em afirmar que o autor pegou nos elementos que existem em comum, e os trabalhou de forma que o leitor não estranhasse a presença de mitos da Inglaterra de séculos passados, no Brasil contemporâneo.
Como referido no início da resenha, o público-alvo do romance é o juvenil. Em consonância com essa faixa etária, a narrativa é acessível e perceptível sem, contudo, infantilizar os possíveis leitores. Um reparo a fazer prende-se, no entanto, com a pontuação: o excesso de reticências. Estas são usadas com uma abundância desnecessária, e que passou despercebida na revisão.
Apesar de o enredo apresentar um arco completo – princípio, meio e fim –, o livro acaba deixando mistérios e questões suficientes para o conectar com uma continuação, se não mesmo pedir por ela. O Legado de Avalon é, portanto, o primeiro de uma série, que pelo bem dos leitores, se espera continuar a ser publicada.





 






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Entrevista: Goldfield

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Olá, pessoal! Tudo belezinha?
É com grande prazer que a Liga traz para vocês mais uma novidade. Estamos dando início a um projeto no qual faremos entrevistas e resenhas — se assim o(a) autor(a) permitir — com aqueles escritores de fanfics que alcançaram a incrível façanha de publicá-las como livro físico.
Para abrir o projeto, temos como convidado o Goldfield, que agora está lançando o seu livro, “O Legado de Avalon”. Muitos de vocês provavelmente já ouviram falar dele, mas hoje saberão como ele fez para alcançar esse sucesso. Obrigada novamente pela entrevista, Goldfield.
A resenha de “O Legado de Avalon” saíra no dia 4 de dezembro. Fiquem ligados!
Se você, leitor do blog, tem alguma pergunta que gostaria que fizéssemos na próxima entrevista, ou conhece algum autor que publicou sua fanfic como livro físico, deixe-nos saber.


Goldfield, pseudônimo de Luiz Fabrício de Oliveira Mendes (baseado em um de seus personagens, o “superespião” Bruce Goldfield), nasceu em Casa Branca – SP, no ano de 1988. Escreve desde os 12 anos de idade (2001), produzindo contos, fanfics e noveletas. Já publicou trabalhos em diversas antologias de literatura fantástica (de editoras como Andross, Literata e Estronho). Formado em História pela Unesp (2010), atualmente leciona em escolas públicas. Além da escrita e da leitura, tem games, RPG, histórias em quadrinhos, miniaturas colecionáveis e cosplay como outras de suas paixões.
Diversos de seus textos podem ser encontrados na internet em sites como www.fanfiction.com.br e www.fanfiction.net, onde também publica com o pseudônimo “Goldfield”.


Liga dos Betas (LB): Na sua biografia você diz que escreve desde os doze anos de idade: qual foi essa primeira história e por que quis escrevê-la? Também foi por volta dessa altura — e com essa primeira fic — que começou a postar online?
Goldfield (G): Bem, antes de escrever, eu criava histórias na minha cabeça. Elas geralmente tomavam a forma de filmes ou jogos de videogame (um entretenimento com o qual convivo desde pequeno). Até imaginava as fases, chefe e tudo mais. Até que em 2001, quando estava na sexta série, meu pai deu a dica de eu começar a colocar minhas ideias no papel.
Minha primeira história veio em outubro daquele ano: um enredo de ação bastante baseado em filmes de Hollywood (e bem clichê, por sinal) em que uma equipe de elite do exército caçava Saddam Hussein no Iraque. Fui muito influenciado pelos atentados de onze de setembro daquele ano. O mais curioso é que essa história jamais foi escrita até o fim e ela desapareceu do meu computador, provavelmente deletada por engano.
Não foi essa história a primeira que postei online. Na verdade, escrevi por muito tempo apenas deixando as histórias no PC, no máximo as enviava por disquetes a alguns colegas de escola. A minha primeira história online, por sinal minha primeira fanfic (antes já tinha escrito vários originais, que não mostrava) foi "Ares-1 Vs. Nemesis: A Batalha do Século", uma história baseada nos games da série Resident Evil, que só comecei a postar em fóruns e sites em 2004, ou seja, um tempo considerável após já começar a escrever.



LB: Você já publicou diversos contos e agora um livro, já é bem experiente nessa área. Como foi o processo de publicação? Foi difícil? Demorado? Qual a diferença entre um e outro?
G: Infelizmente publicar de forma impressa não é fácil e requer bastante insistência e perseverança — embora seja um embate que valha, e muito, a pena lutar.
Quando estive no colegial, cheguei a publicar dois livros de contos em uma gráfica local com tiragem de 100 exemplares cada um — ou seja, uma publicação independente —, mas foram livros quase artesanais e confesso que desde então eu aprendi e ganhei bastante experiência na área.
A partir de 2009 comecei a publicar contos em antologias literárias de literatura fantástica, promovidas por editoras como Andross, Estronho e Literata, que abriam antologias com temas diversificados (Idade Média, histórias policiais, história alternativa, mitologia grega, etc.) e, após o envio de textos pelos escritores, selecionavam os melhores para compor o livro — sendo a publicação paga, em alguns casos, e gratuita em outros. Atualmente ainda há diversas editoras que realizam esse tipo de publicação e elas se mostram um bom meio de introdução ao meio literário, para fazer colegas e contatos.
Desde 2009, ao longo dessas publicações, vim revisando histórias antigas e criando novas, até ter em mãos um livro que me satisfazia 100% quanto a "ser publicável": "O Legado de Avalon", que comecei a escrever no desafio NaNoWriMo (escritores de fics, se não conhecem esse desafio, fica a dica: conheçam!) de 2012 concluí nos primeiros meses de 2013. Minha intenção era lançar o livro por editora, fosse por publicação gratuita ou paga – e aconteceu pelo segundo caso (algo acessível desde que comecei a trabalhar como professor) — eu, autor, realizando um investimento em parceria com a Editora Buriti para publicar minha obra. Meu principal intuito com o Legado é, além de contar uma história pela qual tenho muito carinho desde o início de sua escrita, divulgar mais meu trabalho e abrir caminho para mais publicações no futuro.


LB: Você mencionou que começou a trabalhar como professor de História, correto? De que modo essa profissão influencia os seus escritos?
G: Influencia de uma forma que hoje acho ser quase impossível separar uma coisa da outra. Meu fascínio por História, que me fez optar por essa carreira, é tamanho que, atualmente, situo praticamente tudo o que escrevo em algum contexto de épocas passadas — em alguns casos até "brincando" com a História e criando realidades paralelas (como em meu atual projeto "Os Guaranis", postado no Nyah!). Além disso, como professor, possuo certa veia didática no que escrevo, querendo ensinar uma ou duas coisinhas sobre períodos e lugares passados a quem lê — claro, sem tornar algo maçante ou prejudicando o fluir do enredo. Em "O Legado de Avalon", que é mais voltado para um público infanto-juvenil, essa minha intenção está mais forte e, em alguns pontos, os personagens adolescentes até precisam usar conhecimentos de História para desvendar alguns mistérios do enredo. E não preciso nem falar que me divirto à beça ao escrever essas inserções.


LB: Aproveitando que citou o Nyah, qual você acha que é a maior diferença entre o você–escritor–de–fanfics e o você–autor–de–livro–físico? O que mudou de lá para cá?
G: Acho que, essencialmente, ganhei experiência. Hoje olho meus escritos de quatro, cinco anos atrás, e percebo o quanto evoluí em minha escrita — desde vocabulário, passando por gramática, até a estruturação de frases. Também noto como, com tudo isso, que fui e ainda estou criando minha identidade como autor. Mas fora isso, creio que ainda há muito em comum por trás dos meus textos: a vontade de contar uma boa história, a empolgação quando o enredo avança da maneira que me agrada, e a realização com o retorno dos leitores. Acho muito importante um escritor nunca perder sua motivação artística para se encaixar a moldes editoriais ou tendências mercadológicas, correndo o risco de se perder naquilo que faz. O aprendizado serve para que as asas de nossa imaginação fiquem mais estáveis, mas não percam a emoção do voo.


LB: Sobre o retorno dos leitores: antes de publicar suas histórias como livro físico, era possível receber reviews e interagir com o leitor pela internet, agora isso não é tão fácil. Qual é a sua opinião sobre isso?
G: Acho que não é tão difícil na verdade. Hoje a internet está bastante difundida e é bem mais simples os leitores encontrarem e terem contato com seus autores favoritos pelas redes sociais, como Facebook, Twitter, Skoob e blogs. Na orelha interna de "O Legado", por exemplo, incluí o link de minha página de autor no Facebook com a intenção de já deixar um meio de contato para os leitores. Acho que a publicação em livro na verdade amplia ao invés de reduzir o escopo de leitores aos quais tenho acesso, já que meus escritos deixam a redoma da internet e podem se difundir por praças, escolas etc., atingindo mais pessoas. E há sempre a opção de me encontrar online para conversar sobre a obra. Sem contar os livros já publicados em "ebook" e outros formatos digitais que já permitem um retorno ainda mais direto online.


LB: Então você também utiliza a internet como um meio de divulgação do seu trabalho? Quais são as estratégias que utiliza para divulgar o livro e os contos? A editora costuma ajudar nessa parte?
G: Sim, há ajuda sim. Além de divulgação tanto em minha página de escritor quanto na página e perfil da Editora, os exemplares encontram-se à venda no site da Editora. Também costumo fazer divulgação em grupos do Facebook voltados à literatura e escritores, no Skoob, avaliar parcerias com blogs (que podem render ótimas divulgações e resenhas, se bem feitas), dentre outros meios.


LB: Ao publicar na internet, você teve medo de plágio ou já sofreu algum? Como lidou com isso?
G: Sempre tive medo, confesso. Já sofri algumas vezes com fanfics — nunca com originais, felizmente. De início me importava muito quando acontecia, brigando com o plagiador assim que descobria o ocorrido e forçando-o a tirar o conteúdo do ar, ou dar créditos. Com o tempo acabei ficando mais tranquilo nesse quesito quanto a fanfics, já que elas não podem ser comercializadas e nem terem registro autoral realizado — sendo que o plagiador acaba, de toda maneira, divulgando meu trabalho na verdade. Além disso, posto minhas fics numa gama de sites diferentes, e é muito difícil o indivíduo colocar o trabalho em algum lugar em que já não esteja com meu nome. Quando acontece, geralmente é desmascarado por algum leitor que me conhece.
Quando o assunto é originais, aí a questão é mais séria. Para evitar dores de cabeça, costumo registrar tudo que escrevo na Biblioteca Nacional — uma boa estratégia a qualquer escritor, mesmo que não pretenda publicar sua história fora da internet de imediato. É simples, barato e garante amparo legal em caso de problemas.


LB: Sempre há momentos bons e ruins, mas houve algum em que você realmente pensou em desistir?
G: Não, acredito que nunca. Há mesmo momentos de grande desânimo, em que achamos que nossa arte não vingará e que acabaremos condenados a apenas meia dúzia de leitores lendo nossos escritos — mas então vieram vitórias, ainda que pequenas, que me fizeram perseverar. E continuam fazendo, como meu livro.


LB: Sabemos que escreve, mas você gosta também de ler fanfics? Ou lê apenas livros? Por quê?
G: Leio ambos, porém já fui um mais assíduo leitor de fanfics do que hoje em dia. O motivo é a falta de tempo: livros eu carrego comigo na mochila e leio nas brechas do trabalho, assim como HQs e mangás, mas as fanfics ainda me são restritas ao PC em casa, e geralmente o acesso à noite durante a semana, quando estou cansado demais para ter ânimo de ler online. Porém, sempre que posso e encontro alguma história que realmente me interesse, leio e comento para dar apoio ao autor, além de fazer críticas construtivas.


LB: E como é o seu processo criativo? Você é o tipo de autor que inventa tudo na hora ou que prefere ter tudo planejado antes de escrever? Você tem algum ritual ou dificuldade na hora de passar para o papel?
G: Sou um pouco dos dois: tanto planejo quanto escrevo na hora. Tanto que, às vezes, os próprios personagens me sabotam e, na "hora H", sai no papel algo totalmente diferente do que planejei.
Meu processo criativo envolve muito processo mental, com pitadas de observação do cotidiano para dar verossimilhança aos enredos. Por exemplo, posso estar escrevendo uma história de ficção científica com super-heróis, mas terá sempre aquela cena X com o personagem no bar ou na rua em que eu incluo uma adaptação de algo que aconteceu comigo na realidade, como testemunhar uma briga de casal ou ouvir uma conversa engraçada.
Ouço muita música para me inspirar, tanto que em meu celular quase só há trilhas orquestrais de filmes, jogos e animes — divididas em gêneros de acordo com o tipo da história em que eu estiver me focando. Costumo andar sozinho pelo quarto enquanto refino minhas ideias, até falo sozinho (inclusive em inglês). Quanto a ambientes, costumo ter muitas sacadas decisivas às tramas no banho ou andando de ônibus — algo frequente, visto que trabalho em cidades vizinhas à minha.
Raramente faço mapas, fluxogramas ou listas para não me perder, visto que não tenho problemas em guardar esses detalhes das histórias em minha cabeça — a não ser que o universo da trama tenha uma complexidade muito grande. Quanto à sequência, geralmente tenho facilidade com inícios e finais, o desenvolvimento do enredo exigindo mais — e sendo o que mais muda em relação ao que planejo e o que efetivamente vai para o papel.


LB: E sobre a revisão, como funciona? Você possui um beta reader, um revisor ou prefere fazer tudo sozinho?
G: No tocante a publicações online, confesso que pouquíssimas vezes usei beta readers. Geralmente reviso sozinho, durante e após escrever, embora seja um processo mais trabalhoso e exigente. Porém, quanto a publicações impressas, prefiro ter a ajuda de terceiros.


LB: Então, para finalizar, você tem algum conselho para aqueles autores de fanfics que querem transformar suas histórias em livro físico?
G: Primeiro, nunca desistam. Continuem escrevendo sempre. Aceitem críticas. Deem atenção ao que seus leitores disserem e procurem melhorar nos pontos que eles apontarem. Leiam muito. Quem não lê não melhora sua escrita por falta de referências. E não se prendam a só um tipo de leitura: prezem pela variedade de gêneros e estilos, mesmo que você se interesse em escrever um gênero e estilo só.
Procurem se informar a respeito do meio literário, frequentem blogs, sigam escritores nas redes sociais, enviem material para antologias (em muitas delas vocês poderão publicar sem desembolsar um centavo), participem de NaNoWriMos para aprenderem a criar hábito de escrita, pesquisem editoras. Estudem, trabalhem e tentem guardar algum dinheiro para auxiliar as publicações no início. E, acima de tudo, acreditem no próprio potencial. Valorizem o que escrevem e lutem para que consigam ser grandes autores. É só querer e se dedicar.

Histórico de publicações:
- “À Margem da Idade” (livro independente) – 2004
- “Colombo-2035” (livro independente) – 2006
- Conto "Previsão" (Antologia "Dias Contados", Andross Editora) – 2009
- Conto "Para Sempre" (Antologia "Dimensões BR", Andross Editora) – 2009
- Conto "Justine" (Antologia "Jogos Criminais", Andross Editora) – 2011
- Conto "Epifania" (Antologia "Contos Cotidianos", Editora Regência) – 2011
- Conto "Agoniste" (Antologia "Olympus", Editora Literata) – 2011

- Conto “Belum Arammu” (Antologia em e-book “Deuses”, Editora Virtual Infinitum Libris) – 2011
- Conto “Lucy in the Sky with Diamonds” (Antologia em e-book “Psyvamp”, Editora Virtual Infinitum Libris) – 2011
- Conto “Sanguineus Regium” (Antologia “História Fantástica do Brasil – Inconfidência Mineira”, Editora Estronho) – 2012

- Conto “Cacciatori di Mostri” (Antologia “História Fantástica do Brasil – Guerra dos Farrapos”, Editora Estronho) – 2012
- Conto “Dádiva e Punição” (Antologia “Angelus”, Editora Literata) – 2012
- Conto “Luísa” (Antologia “Sombras Escrituras”, Editora Literata) – 2012
- Conto “Lorem Ipsum” (Antologia “Sala de Cirurgia”, Editora Literata) – 2014, ainda não impresso
- Romance “O Legado de Avalon: O Garoto, O Velho e a Espada” (Editora Buriti) – 2014



Sites em que publica histórias:

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As imagens que servem de ilustração para o posts do blog foram encontradas mediante pesquisa no google.com e não visamos nenhum fim comercial com suas respectivas veiculações. Ainda assim, se estamos usando indevidamente uma imagem sua, envie-nos um e-mail que a retiraremos no mesmo instante. Feito com ♥ Lariz Santana