Como pontuar diálogos?

Por Ana Coelho  Perfil: http://fanfiction.com.br/u/93887/      Olá a todos! Como vão? Espero que esteja tudo ótimo com vocês! ...



Por Ana Coelho

     Olá a todos! Como vão? Espero que esteja tudo ótimo com vocês!

Hoje trago aqui ao blog um post que penso que vos será muito útil. Inspirado em e mais aprofundado até do que um post que eu tenho no meu blog pessoal, venho falar de diálogos.

Afinal, vocês sabem pontuar diálogos corretamente ou não? Sabem onde devem aparecer os pontos finais, as vírgulas, as maiúsculas…? Usam aspas ou travessão? E que tipo de aspas? E, afinal, como podem inserir o símbolo do travessão no texto?

Pois é, essas são algumas das questões mais frequentes que eu espero que fiquem esclarecidas quando este post chegar ao fim!

Vamos saltar já para a primeira parte:

Aspas ou travessão? Afinal, qual é a diferença?

Na verdade, podem pontuar como quiserem. Quer escrevam com um, quer escrevam com o outro sinal de pontuação, a escolha é vossa. Lembrem-se apenas de optar por um ou pelo outro ao longo de toda a história ou poderão confundir os vossos leitores. Decidam qual opção querem e mantenham-na até o final, porque misturarem as duas já é errado.

Mas… como é que é possível que haja duas opções? De onde saiu isso?

Reza a lenda que, tradicionalmente, em português, se deve usar o travessão para marcar diálogos. (O travessão é esse sinal “ — “ . No final do post eu explico como o podem arranjar.) Aliás, nem as aspas tradicionais do português são iguais àquelas que estão habituados a ver por aí. As aspas tradicionais (e que ainda aprendemos a usar em Portugal, apesar de pouco se falar no assunto) são as típicas das línguas latinas, as retas ( « » ). No entanto, com o tempo, isso tem vindo a mudar. No Brasil é muito mais usual usarem-se as aspas curvas (essas), nem há teclas próprias para as aspas retas duplas como há nos teclados portugueses. Apesar de tudo, em Portugal também se tem passado a usar muito mais as aspas curvas duplas. Parece que elas estão cá para ficar, quer as usemos nos diálogos quer não.

Teclado de Portugal, com a tecla das aspas duplas retas assinalada. Ela existe, mas é bastante ignorada.

De facto, a história das aspas é curiosa e há vários tipos diferentes usados em línguas diferentes. Há aspas retas duplas ( « » ) ou simples ( ‹ › ), e há aspas curvas diferentes, como ( “ ” ), ( ‘’ ’’ ), ( ‘ ’ ) ou ( ” “ ), entre muitos mais tipos. Tudo depende da língua em que se está a escrever ou até do país de onde vem o texto. Aconselho-vos a verificarem a página da wikipédia que fala do assunto para mais esclarecimentos e podem até investigar por conta própria, se continuarem curiosos.

Mas, se é assim, então quais são as diferenças de se usar o travessão ou as aspas? Têm regras diferentes?

Como eu já expliquei anteriormente, nas línguas latinas o usual é usarem-se as aspas retas, mas as aspas usadas nos diálogos por aqui, hoje em dia, são as curvas (“essas”). E as regra são ligeiramente diferentes.

Isso acontece porque a forma de pontuar diálogos com aspas curvas também não é nossa, dos países com língua latina. Essa forma de escrever diálogos foi adquirida por influências de outras línguas onde essa é a forma predominante. Hoje em dia também é aceite (/aceita, em português do Brasil) na língua portuguesa e é por isso que as aspas são uma opção válida que podem considerar quando escreverem as vossas histórias.

Convém ressaltar que este texto tem em conta a pontuação em inglês americano, já que é seguindo essa norma que as aspas duplas são usadas, e que o inglês britânico tem regras de pontuação próprias, que explicarei por alto no final do texto.

Aconselho-vos a escolherem a forma que vos deixar mais confortáveis, juntamente com as regras correspondentes.

Mas vamos avançar e vamos falar logo dessas regras! Elas são fáceis, vocês vão ver.

Vamos começar com uma questão simples:


Sabem quando devem usar letra maiúscula ou minúscula?

Esse é o erro que eu mais vejo no Nyah!, quer pontuem os textos com aspas quer os pontuem com travessão. Apesar disso, e contrariamente ao que pode parecer, a solução é bem simples.

Nos diálogos, as regras mais importantes dependem do texto. Isso quer dizer que, dependendo daquilo que escreverem junto com a fala, a letra ou será maiúscula ou será minúscula.

Mas daqui a pouco eu entro em mais detalhe sobre isso. Para já, vamos começar com os exemplos sem grandes acessórios!

— Gosto de bolo.
~~
Gosto de bolo.”

Pronto, aí temos uma frase bem simples, pontuada das duas formas mais usuais. E quem não gosta de bolo?

Nessa frase, duvido que haja dúvidas na pontuação. É só colocar a fala a seguir a um travessão ou dentro de aspas, com letra maiúscula no início e ponto no final. Sem problemas aqui.

Mas assim não sabemos quem falou, ou como a fala foi dita, ou em que circunstâncias se desenrolou esse diálogo. Nas nossas histórias, costumamos ter muita coisa a dizer sobre as falas. E como fazemos nesses casos? Como fazemos se quisermos transmitir uma ideia com mais pormenores, como “O Pedro disse que gosta de bolo”? Como e onde colocamos esse “disse o Pedro”?

Comecemos pela forma mais simples e mais usual — depois da fala, na parte final da frase.
Exemplos A.
Queres um sapato? — perguntou a Joana.
~~
Queres um sapato?” perguntou a Joana.

Pois bem, sim, pode parecer-vos estranho, e o Word pode até sugerir que façam aí uma mudança drástica, mas essas duas frases estão bem pontuadas e bem escritas. Comecei de imediato com frases com pontos de interrogação porque quero que entendam uma coisa importante: na pontuação dos diálogos, o que conta realmente é o verbo que acompanha as falas. Mais nada.

Vamos comparar estas com as seguintes.
Exemplos B.
Queres um sapato? — A Joana esticou um dedo e apontou para os seus pés.
~~
Queres um sapato?” A Joana esticou um dedo e apontou para os seus pés.

Conseguem ver o que há de diferente dos exemplos A para os B? Nos A, depois da pergunta, havia letra minúscula. Nos B, depois de escrevermos exatamente a mesma pergunta, surge uma frase com letra maiúscula. Então os exemplos A estão certos e os exemplos B estão errados? Não. Então são os B certos e os A errados? Também não. Ambos os exemplos estão certos.

Eu disse ainda há pouco que o que diferenciava a pontuação do diálogo era o verbo que acompanhava a fala, certo? Vamos lá olhar para os verbos. E não se preocupem, não há nada gramatical aqui.

Nos exemplos A, o verbo era “perguntar”. Nos exemplos B, os verbos são “esticar” e “apontar”. Conseguem ver aqui a solução?

Pois, a verdade é que, para se descrever uma fala, nós usamos verbos que exprimem essa ideia de falar. Verbos como “dizer”, “perguntar”, “berrar”, “inquirir”, mesmo que seja através de metáforas (“chutar”: “— Gostas da Mariana? — chutou o Pedrinho.”). Todos os verbos que descrevam o ato de falar e que estejam diretamente ligados à fala têm de vir ligados a essa fala. Essa ligação é expressa através da letra minúscula, que indica que a ideia da fala ainda continua na narração, que uma complementa a outra.

E agora reparem nos exemplos B. Os verbos “esticar” e “apontar” referem-se à fala? Não, claro que não. Referem-se a duas ações que a Joana fez, imediatamente a seguir a ter falado. Então isso quer dizer que temos duas ideias diferentes e que não há um verbo de fala que una diretamente a linha do diálogo à narração. Dessa forma, temos de usar letra maiúscula.

Deixo aqui mais exemplos, para irem percebendo melhor. E vou apenas usar pontos de exclamação e de interrogação.

Gostas de chocolate? — questionou a Madalena.
Gostavas de dançar comigo? — O olhar de Rodrigo era sincero.
Tu és louco! Afasta-te de mim! — berrou o João.
Sou alérgica a chocolate! — A Rita afastou-se do bolo sobre a mesa.
Gostas de gatos?” inquiriu o Pedro.
Tenho um enorme gato preto chamado Chinelo!” O Ricardo sorriu ao relembrar as patas fofas do seu Chinelito.
Não gosto nada de ti!” exclamou a Bárbara.
Detesto baratas!” A Marina fugiu para a cozinha.

Perceberam até aqui tudo?

Quando o verbo descreve a fala (são chamados verbos dicendi universalmente), o verbo vem com letra pequena, unindo a narração ao que foi dito. Quando o verbo descreve uma ação paralela ou seguida à fala, então passamos a ter duas ideias diferentes e a letra que vem depois do ponto é maiúscula.

Nesta altura devem estar a perguntar-se por que só optei por usar frases com pontos de interrogação e de exclamação. A minha intenção era que entendessem e não se voltassem a esquecer de que, nos diálogos, é o verbo quem manda e o resto só lhe obedece. É uma ideia bem simples e é ela que rege todas as outras regras.

Tendo isso em mente, vamos agora ver o que acontece em frases mais comuns, frases que tenham pontos finais. Aqui as coisas tornam-se diferentes para o travessão e para as aspas, mas vamos avançar por um de cada vez.

Acho que o melhor é dar um exemplo para vocês poderem pensar e analisar a explicação em seguida.
Não gosto de cães — disse o Ricardo.
Não gosto de gatos. — O Ricardo afastou-se do animal.
Tenho pena de ti. — O tom da voz de Madalena era de pura compaixão.

Analisemos estes exemplos. Como podem ver, a letra maiúscula ou minúscula ainda está dependente do tipo de verbo. “Dizer” é um verbo de fala, então vem com letra pequenina. “Afastar-se” e “ser” são verbos que descrevem ações e não se aplicam diretamente sobre a fala, mesmo que indiretamente falem dela, como acontece no terceiro exemplo. Nesses últimos dois casos, usou-se letra maiúscula.

Conseguem reparar agora na outra diferença entre o primeiro caso e os outros dois? No primeiro não há ponto final, mas nos outros há. Percebem porque usei apenas pontos de exclamação e de interrogação há bocado, certo? Porque as regras são diferentes para um e para o outro tipo de ponto.

Podemos dizer que, em certos casos, os pontos de exclamação e de interrogação não funcionam realmente enquanto pontos. Eles são marcadores visuais que nos dão a entoação da frase, mas não servem para lhe colocar um final. Nos diálogos, é assim que eles funcionam e é esse o seu papel.

Comparando esses pontos com o ponto final, vemos que o ponto final já serve para colocar um final real nas frases sempre que aparece. Quando a frase não termina na fala e continua na narração através de um verbo dicendi, o ponto não aparece. Quando a frase da fala termina e é seguida de uma outra frase que se refere a uma ação completamente diferente, temos lá o ponto, para mostrar que as ideias são diferentes.

Entendem agora o que eu quis dizer com ser o verbo a mandar na pontuação? O tipo de verbo define como a pontuação se comporta a cada caso.

Vamos agora ter mais exemplos, com tudo:

Adoro gatos! — declarou a Maria.
Não gosto muito da tua tia… — disse a Matilde.
Tens quantos cães? — perguntou a Mariana?
— Tens olhos bonitos — afirmou a avó.
Detesto pó! — A Maria estava com os olhos vermelhos de alergia.
Não gosto do meu pai. — A voz de Pedro era fria como gelo.
O que te aconteceu? — A Mariana estava genuinamente preocupada.

Compreenderam tudo direitinho até aqui?

Vamos avançar e ver, afinal, o que distingue a pontuação com aspas da pontuação com travessões. Vamos introduzir mais exemplos, que eu acredito que eles tornam tudo mais simples.

Adoro camaleões!” disse a Vânia.
Amas mais o teu marido do que eu pensava, não é?” perguntou a sogra.
O golfinho sabe nadar.” Matilde bocejou.

Até aqui, é tudo igual, certo? Mas, quando se relaciona uma frase com a narração com um verbo de fala, deixa de ser.
O golfinho sabe nadar,” disse a Matilde.

Notaram ali aquela vírgula? Bom, com as aspas é necessário colocar uma vírgula quando a mesma frase tem fala e tem narração, e se passa de uma para a outra.

Ficou claro o porquê da vírgula aparecer ali? Mudou de fala para narração, tem de haver alguma coisa que o indique, então surge a vírgula.

Vamos expandir o exemplo e vamos colocar-lhe uma vírgula para eu falar de mais alguns pormenores e da posição na vírgula nessas frases. A fala que vai ser dita será O golfinho sabe nadar, mas o morcego não sabe.
O golfinho sabe nadar,” disse a Matilde, “mas o morcego não sabe.”

Notem que a vírgula vem sempre junto do primeiro elemento e não junto do segundo. Assim, se primeiro vier algo entre aspas, a vírgula vem dentro das aspas, junto à última palavra desse primeiro elemento. Se a vírgula separar narração de fala, e primeiro vier a narração, a vírgula vem fora das aspas, junto à última palavra da narração (vejam a segunda vírgula do exemplo). Assim, a vírgula que pertencia à fala acaba por aparecer logo de início. É bem simples, não é?

Agora, aproveitando o exemplo, vamos ver como ficaria intercalada uma pequena narração dentro de uma fala maior com travessão. Reparem no que acontece à vírgula:

O golfinho sabe nadar — disse a Matilde —, mas o morcego não sabe.

Ao contrário do que acontece com as aspas, nunca se coloca uma vírgula junto do primeiro elemento, ela vem sempre junto do segundo. Isto quer dizer que não podemos ter vírgulas antes de travessões. Se a fala tiver uma, temos de colocar a narração antes dessa vírgula, para que o travessão possa ficar antes dela, e a vírgula virá a acompanhar a fala.

Vejam os exemplos:
1. *— O golfinho sabe nadar — disse a Matilde — mas o morcego não sabe.
2. *— O golfinho sabe nadar — disse a Matilde, — mas o morcego não sabe.
3. *— O golfinho sabe nadar —, disse a Matilde — mas o morcego não sabe.
4. *— O golfinho sabe nadar, — disse a Matilde — mas o morcego não sabe.

Todas estas frases estão mal pontuadas (geralmente, um asterisco representa uma frase errada, e é o que está a representar aqui). Pensem assim: a vírgula existe na fala, então tem de estar lá, não pode desaparecer (1). A vírgula pertence à fala, então não pode vir junto da narração, isso não faz sentido (2 e 3). E a última regra é a mais simples: a vírgula nunca vem antes de um travessão (4).

Assim sendo, só a primeira frase dada anteriormente estava correta:
O golfinho sabe nadar — disse a Matilde —, mas o morcego não sabe.

E eu agora pergunto: e se vier um verbo de fala dentro de duas frases diferentes?
O golfinho sabe nadar. O morcego, por sua vez, sabe voar.
Quero colocar “disse a Matilde” entre as frases.

Vamos lá pontuar isso corretamente. Ficaria:
O golfinho sabe nadar — disse a Matilde. — O morcego, por sua vez, sabe voar.
O golfinho sabe nadar,” disse a Matilde. “O morcego, por sua vez, sabe voar.”

Sim, a narração vai restringir-se apenas a uma frase. O verbo “dizer” está ligado à primeira parte da fala. Depois, a frase termina e começa outra, sem verbo na narração. Assim, temos de assinalar a separação das duas frases da fala com o ponto antes da segunda, separando a primeira da segunda. A narração fica “embutida” nas falas se tiver um verbo dicendi. É como se a fala se estendesse e perdurasse durante a narração que a descreve. Só aí é que termina e, terminando a narração, termina a fala que lhe estava ligada.

Noutros casos, se tivermos uma ação no meio da fala, fica assim:

O golfinho sabe nadar.” A Matilde sorriu. “O morcego, por sua vez, sabe voar.”
O golfinho sabe nadar. — A Matilde sorriu. — O morcego, por sua vez, sabe voar.

A ação não está ligada à fala por um verbo dicendi, então temos três ideias e três frases diferentes.

Se tivermos um verbo de fala MAIS uma ação, unindo as regras anteriores, fica assim:

O golfinho sabe nadar,” disse a Matilde, sorrindo. “O morcego, por sua vez, sabe voar.”
O golfinho sabe nadar,” disse a Matilde. Ela sorriu. “O morcego, por sua vez, sabe voar.”
~~
O golfinho sabe nadar — disse a Matilde, sorrindo. — O morcego, por sua vez, sabe voar.
O golfinho sabe nadar — disse a Matilde. Ela sorriu. — O morcego, por sua vez, sabe voar.

Vamos terminar agora ao falar dos casos com frases maiores.
Apesar de ser correto intercalarem uma narração com verbos de fala no meio de uma linha de diálogo longa sem a quebrarem, não podem intercalar ações no meio de uma linha de fala grande sem a interromperem. Lembrem-se, os verbos de fala completam o diálogo, a fala estende-se para os verbos dicendi… mas os verbos de ação interrompem a fala, abordam ideias completamente diferentes e não se ligam entre si.

Peguemos na frase longa:
Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos.”
Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos.

Podemos ter um enunciado de fala no meio:
Eu gosto de caracóis,” disse a Mariana, “mas detesto porcos.”
Eu gosto de caracóis — disse a Mariana —, mas detesto porcos.

Ou podemos ter um enunciado de fala no final:
Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos,” disse a Mariana.
Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos — disse a Mariana.

A ideia é que, realmente, enunciados com verbos dicendi completam a fala, venham onde vierem, e ela segue sem problemas, esteja o enunciado onde estiver, e desde que não quebre nem interrompa nenhuma ideia que componha a frase.

Mas se tiverem uma ação já não têm essa liberdade. Vejam como se inicia uma frase nova no final por causa do verbo em questão:

Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos.” A Mariana coçou o queixo.
Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos. — A Mariana coçou o queixo.

A única maneira de intercalarem uma ação durante uma fala é cortando a fala em várias frases distintas, assim:

Eu gosto de caracóis…” A Mariana coçou o queixo. “Mas detesto porcos.
Eu gosto de caracóis… — A Mariana coçou o queixo. — Mas detesto porcos.


E pronto! Eu disse que estávamos a terminar! Já abordámos todas as exceções e todas as situações básicas de pontuação de diálogo!

Foi um post longo, mas espero que vos tenha ajudado!

Vou agora deixar aqui uma lista com exemplos de diálogos um pouco maiores e intercalados com mais narração para as duas formas de pontuação. Espero que não tenham mais dúvidas! Estudem os exemplos agora do final e reparem nos verbos e na pontuação usada ao intercalar o diálogo com os enunciados.

Boa escrita para todos!
~~
Queria um pouco mais do teu incrível café mágico.” Lourenço deu um toque na caneca à sua frente, sorriu para a sua filha. “Por favor, claro.”
Está bem, está bem… Mas só porque o senhor é um bom cliente!” Ela saiu da cozinha a correr e no segundo seguinte berrou do quintal, “Com muita ou com pouca terra?”
Lourenço suspirou e depois respondeu de volta, “Com muita, minha senhora!” Ele só esperava que desta vez não houvesse minhocas.
~~
Odeio-te! — exclamou Renata. Ele tentou aproximar-se dela, mas a mulher foi mais rápida. — Não me toques! — Antes que ela sequer pudesse pensar no que fazia, a sua mão subiu e acertou no rosto dele.
~~
Não acredito nisto!” disse Linda. Olhou à sua volta e ainda lhe custava reconhecer a jarra que fora da sua avó entre os cacos espalhados no chão. As flores jaziam sobre uma poça de água suja. Ela voltou a sua atenção para os seus filhos. “Quem foi que fez isto?” As crianças recusavam-se a olhá-la. “Eu fiz uma pergunta!” exclamou. Eles tremeram, e ela tornou a insistir, “Quem foi o pobre infeliz que fez isto? Juro que se vai arrepender de ter achado que brincar às espadas com a vassoura era uma boa ideia!”
~~
De certeza que sabes conduzir isto?
Flávia apertou mais as mãos à volta de Hugo. Ele sorriu, mas estava de costas para ela sobre a mota e ela não o viu.
Sim, de certeza, boneca. — De travão bem preso, ele acelerou um pouco, só para fazer barulho com o motor. Ouviu o guincho dela com prazer e o seu sorriso aumentou. — Estás com medinho? — perguntou. — Se tens medinho, diz-me. Não precisas de vir agora.
Ela mordeu o lábio e apertou-se mais contra ele.
Claro que não tenho medo! — disse. A sua voz soou surpreendentemente mais firme do que ela estava à espera, e isso agradou aos dois.
Mas Flávia tinha tanto medo que nem sentia as pernas. Apesar de tudo, ela deu por si a incentivá-lo:
Estás à espera de quê? És tu quem tem medo agora?
Hugo riu-se alto e no momento a seguir a sua risada deixou de se ouvir sobre o som ensurdecedor da mota a arrancar a toda a velocidade.
~~
Já não sei o que mais posso fazer, sabes?” disse Inês. Tinha as sobrancelhas franzidas e a boca contraída numa linha fina. “Tudo me parece tão… estranho,” concluiu. “Não confio em ninguém aqui.”
Sim, eu sei o que queres dizer,” respondeu Rodrigo, pegando na cerveja que tinha sobre a mesa. Fez o líquido girar no seu interior e depois bebeu um gole rápido. “É como se o tempo corresse de forma diferente, não é? As prioridades aqui são diferentes. Mas as pessoas têm-nos ajudado,” concedeu.
Ela suspirou e retrucou, “Esta cidade deixa-me confusa.” Formou-se um beicinho amuado no seu rosto. “Quanto tempo ainda vamos ficar aqui?”
Isso depende.” Rodrigo coçou a sobrancelha direita e pareceu pensativo por um momento. Depois olhou para ela. Não disse nada e tornou a coçar a sobrancelha, com o olhar perdido na parede atrás de Inês. “Isso depende e não é só de nós os dois…”
~~
Gostas de mim? — perguntou ela. O seu sorriso era confiante. Ela sabia que a resposta seria positiva. Ela só queria torturá-lo por mais um momento.
Ele indicou que sim com um meneio de cabeça.
Diz-me — insistiu —, gostas realmente de mim?

...



Extras:

1. COMO COLOCAR TRAVESSÕES
Se o vosso teclado tiver o number pad (o “num lock”) do lado direito, é muito simples. Mantenham o dedo sobre a tecla ALT e primam os números 0151. Esse é o código ASCI para o travessão aparecer.
Se tiverem um notebook/computador portátil e ele não tiver o number pad, podem colocar o travessão ao acederem à aba INSERIR do Microsoft Word, acederem a SÍMBOLO e o encontrarem na lista que aparece.
Uma sugestão muito boa é criarem um atalho próprio no programa que usam para escrever para poderem ter o travessão facilmente. O meu atalho é ALT + A. Sempre que eu primo essas teclas, eu coloco um travessão no Word. No Word podem ir a SÍMBOLOS e depois escolher TECLA DE ATALHO para definirem qualquer atalho à escolha para qualquer símbolo que queiram.
Se não tiverem um processador de texto que permita essas edições ou essas inserções de símbolo, podem fazer o que eu faço quando uso o Google docs. Procuro literalmente “travessão Wikipédia” no Google e acedo à página da Wikipédia sobre o travessão. Aí só tenho de copiar o símbolo diretamente da página e colá-lo sempre que precisar de colocar um no texto. Em vez de fazer ALT+A, faço CTRL+V.


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2. UMA ÚLTIMA DICA SOBRE DIÁLOGOS — O VOCATIVO
Esta dica é um extra. Acrescento-o aqui porque é outro erro grave que incontáveis diálogos no Nyah! têm e que é realmente simples, se quiserem tentar descobrir qual é esse erro.
O vocativo é o que se chama ao “nome” da pessoa com quem estamos a falar.
Se eu me viro para um grupo de pessoas e falo “Gente, socorro!”, esse “gente” é o que eu estou a chamar a esse grupo de pessoas. “Gente” é o vocativo.
Se eu digo “Professor, tenho uma dúvida!”, “professor” é o que eu estou a chamar à pessoa com quem falei. “Professor” é o vocativo da frase.
Se eu digo “Meu amor, podes passar-me o sal?”, “meu amor” é a forma que eu tenho de chamar a pessoa com quem estou a falar, então é o vocativo.
Caso tenham reparado, tudo aquilo que eu identifiquei como vocativo veio entre vírgulas nas frases. É uma regra gramatical muito importante e simples, que basta que interiorizem para não errarem. O vocativo tem sempre de vir entre vírgulas. Ele vem só com uma se estiver encostado ao início ou ao final da frase, mas tem de vir sempre isolado do resto.
Deixo aqui outro mini exemplo de diálogos, mas com alguns vocativos em todas as falas para servir de exemplo:

— Sabes, Pedro, eu detesto o frio…
— Sei sim, Maria, estás sempre a falar disso…
— Estou? Deixa de ser chato, deixa-me em paz, seu… seu chato!
— Eu sou chato? Tu é que és irritante, sua irritante!
— Não sejas mau, irmão, não me quero chatear contigo.
— Nem eu contigo, maninha. Tens razão.
— Vamos fazer as pazes, cabeça de mula?
     — Vamos, ancas de cegonha, vamos…


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3. DIFERENÇAS DE PONTUAÇÃO US VS UK
As diferenças de pontuação com aspas são poucas. Basicamente, nos Estados Unidos da América usam as aspas curvas duplas (“ “) e no Reino Unido e na Austrália usam as aspas curvas singulares (‘ ‘). Para além disso, na norma norte-americana, a posição da vírgula entre fala e narração com verbos dicendi é fixa. Na norma britânica e australiana, essa posição é normalmente um pouco relativa.



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79 comentários

  1. Depois disso, as dúvidas sobre pontuação em diálogos devem diminuir bastante. Que post de extrema utilidade pública, Ana, parabéns! :)

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  2. Puxa, ajudou bastante! :D
    Obrigada!

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  3. Eu estava perdida até ler este post. Realmente, ajudou-me muito e a explicação é muito clara! No entanto, ainda tenho uma dúvida: quando há verbo dicendi depois do travessão a fala do personagem não é pontuada com o ponto final. Contudo, utilizo a mesma regra quando o nome, pronome pessoal ou substantivo que se refere ao personagem é colocado na frente do verbo dicendi? Para deixar mais claro, vou exemplificar:

    — A casa é grande — Eu disse.

    — A casa é grande. — Eu disse.

    Enfim, volto a dizer que adorei o post. Essa é a única dúvida que restou. ☺

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    1. Eu acho que fica:
      — A casa é grande — eu disse.

      Mas, para evitar confusão, eu escreveria:
      — A casa é grande — disse eu.

      Espero ter ajudado.

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  4. Melhor post do blog. Caramba, como me ajudou <3

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  5. Estava procurando algo do tipo e a explicação ajudou bastante. Obrigada <3

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  6. Grande ajuda! Uma dúvida: usando travessão, quando a fala possui muitas frases seguidas, utiliza-se o travessão uma única vez antes da primeira frase? Abração!

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    1. Se a fala é sempre da mesma personagem, sim, a não ser que o narrador faça alguma intervenção pelo meio.
      Beijos

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  7. Tenho uma dúvida bem específica. Vejam a seguinte frase:
    — Faremos assim: — Ray continuou — Dois de vocês virão comigo, e eu direi tudo que tenho a dizer.

    O travessão corta a fala para adicionar um verbo discendi, mas a fala já estava cortada pelos dois pontos ":". Nesse caso, como devo proceder? Pensei em colocar, após a narração, "—:", mas isso seria especialmente indesejável.

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    1. O que eu sugiro fazer é:
      — Faremos assim: dois de vocês virão comigo, e eu direi tudo que tenho a dizer — Ray continuou.
      Espero que tenha ajudado.

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  8. A minha dúvida é parecida com a da Lara Souza. Acredito que quando há verbo dicendi após o pronome, o verbo dicendi "puxa" o pronome para a letra minúscula. Além disso, há ocasiões em que o verbo dicendi está subentendido, como em: – Jack? – ela hesitou... (do livro Noites de Tormenta (Nicholas Sparks), ed. Novo Conceito, 2008 p. 73. Neste caso o verbo hesitar descreve a fala, não se trata de uma ação da personagem, mas da forma como ela falou o nome Jack.

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    1. Tens toda a razão! Muito obrigada pela contribuição :)

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    2. O verbo hesitar é um verbo sentiendi e assim como os verbos dicendi, eles vão aparecer com letra minúscula após o travessão. Já que hesitar é uma atitude que as pessoas tomam e por isso que é classificado assim.

      Existem verbos dicendi ou declarandi (de declaração), que são aqueles verbos de elocução, isto refere-se à maneira pela qual alguém se expressa, quais palavras usa para fazê-lo.
      Ex: dizer, falar, afirmar, declarar, indagar e etc.

      E tem os verbos sentiendi ou de sentir (assim chamados, por analogia aos dicendi). Esses verbos são vicários ou variações dos verbos de elocução, pois fazem as vezes destes. Ou seja: do ponto de vista lógico-sintático presumem a existência de um legítimo dicendi oculto. Mas, como variação dos dicendi, expressam a carga de afetividade presente na língua falada.
      Expressam estado de espírito, reação psicológica, emoções, atitudes, gestos, etc.
      Ex: alegrar-se, gemer, suspirar, lamentar-se, queixar-se, explodir, etc.

      Então toda vez que um desses dois tipos de verbo aparecer depois da fala, eles sempre estarão escritos com letras minúsculas.

      Espero ter ajudado! :) Mesmo depois de tanto tempo. kkk

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  9. Nossa! Estou maravilhada! Nunca havia visitado a página de vocÊs e olha, me ajudou demais!Lógico que são muitas regras e não aprendemos da noite para o dia, mas com certeza será meu guia de agora em diante.
    Eu não sabia como usar o travessão, acreditam? Então eu usava o hífen.
    Agradeço imensamente. Abraços.

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    Respostas
    1. Ainda bem que ajudou! Nós temos outros posts sobre regras de escrita e afim, que espero que também te ajudem :)

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  10. Este tipo de coisas deveria de ser ensinado nas escolas. Já estou na faculdade a tirar um curso de letras e até agora nunca ninguém me explicou estas coisas. Nem desconfiava que havia casos em que a narração tivesse que ser obrigatoriamente iniciada com minúscula a seguir a uma fala! E para piorar a situação, nunca soube que estava a escrever as minhas fanfics com um hífen no lugar de um travessão. Juro que pensei que, quando colocava a fala entre os hífens, eles se tornavam magicamente num travessão! (É muita ignorância junta, meu Deus!)
    Tudo isto para dizer que agradeço do fundo do coração por esta aula tão maravilhosa sobre uma coisa que todos pensam dominar e afinal há quem desconheça mais de metade das regras.
    Parabéns pelo excelente trabalho

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    1. De nada! Ainda bem que gostaste e que te ajudou! Beijos

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  11. Por que as pessoas têm tanto preconceito com as aspas? Não é errado, é? Aparentemente, não. Então por quê?
    Enfim. achei o post muito útil, mas ainda tenho um longo caminho a percorrer para convencer meus amigos que não é errado usar aspas para pontuar diálogos.
    Obrigado pelo post. :*

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  12. Obrigado pelo post.
    Uma pena as pessoas ainda terem tanto preconceito com as aspas. Alguns deixam de ler uma história por causa delas. Eu prefiro aspas, mas pra ler, se for uma história, eu aceito tudo.
    Uma pena.
    E eu tenho um longo caminho a percorrer para convencer meus amigos de que aspas não são erradas.
    Obrigado pelo post. Muito útil e esclareceu muitas das minhas dúvidas.
    ^^

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  13. Sou iniciante em fanfics e suas dicas vão me ajudar muito a continuar. Tenho uma dúvida sobre o uso de aspas. Quando eu utilizar uma palavras de forma figurativa e não literal, devo usar aspas nessa palavra? Exemplo: — O rio ''cantava'' de alegria. A palavra cantava precisa ter aspas?

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    1. Depende do contexto em que está escrito, mas a grande maioria das vezes não é preciso, uma vez que estás apenas a fazer uso de um recurso expressivo :)

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  14. Minha nossa! Por qual motivo não me ensinaram isso na escola? :( :O Tava com dúvidas sem tamanho em relação aos diálogos com travessão, em como eu deveria proceder em relação a pontuação e essa questão de maiúsculo ou minúsculo era o mais confuso para mim. Tirou um peso de minhas costas, haha! Obrigada pela aula maravilhosa! Ajudou-me bastante!

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  15. Olá, eu realmente achei esse post sensacional. Tanto que pretendo copiá-lo (com toda a certeza citando a fonte e linkando no post) no projeto literário "Ábaco de letras" (abacodeletras.com.br).
    Por favor, me avise se isso for um problema.
    Blog mais do que assinado!
    E parabéns pela postagem.

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    1. Podes sim citar o post, desde que seja com os devidos créditos!
      Obrigada pelos elogios!
      Beijos

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  16. Esse post foi o melhor que encontrei para esclarecer minha dúvidas sobre pontuação! Perfeito <3
    Obrigada ♥

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  17. Gostei do post, esclareceu algumas coisas, porém ainda tenho uma dúvida. Quando é usado adjetivo no inciso, se usa vírgula?
    Exemplo:
    – O que quer dizer com isso? – pergunto, confusa.

    – O que quer dizer com isso? – pergunto, indignada.

    Estão certos?

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  18. Excelente, me ajudou muito.

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  19. Alguém já perguntou sobre o uso de só um travessão quando há várias frases. Minha dúvida é: usando travessão como solução de diálogos, quando o mesmo personagem tem uma fala enorme, com vários PARÁGRAFOS, sem qualquer intervenção de outro personagem ou do narrador, como uso (ou não uso) o travessão para abrir o novo parágrafo sem confundir o leitor? (se colocar o travessão no novo parágrafo, ele vai entender que mudou o personagem, mas não mudou. Se não colocar o travessão, ele vai entender que o narrador assumiu, mas não assumiu).

    Também seria legal saber como resolver isso no caso das aspas (se fecho o parágrafo anterior ou não; se abro aspas o novo parágrafo sem fechar o anterior etc.)

    Obrigado.

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    1. Eu também não tenho bem a certeza nesta caso. No entanto, o que eu costumo ver é:

      No caso de travessão: utilização do travessão no primeiro parágrafo e de aspas no início dos seguintes.
      – INÍCIO DA FALA (...) FALA.
      "/« CONTINUAÇÃO DA FALA.
      NARRADOR

      No caso de aspas: utilizar sempre aspas no início, mas não fechar a fala até ao último parágrafo de fala.
      "INÍCIO FALA (...) FALA.
      "CONTINUAÇÃO DA FALA(...) FALA.
      "FALA (....) FIM DA FALA."
      NARRADOR

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  20. Ele lhe perguntou: "De onde vem este 'rabo' de leão?". Ela respondeu: "Hoje não fui ao cabeleireiro". Estão corretos o usos das aspas?

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    1. Creio que sim. Embora as falas não levem os pontos no fim:
      «Ele lhe perguntou: "De onde vem este 'rabo' de leão?"» (sem ponto)

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  21. Tenho uma duvida em frases interrompidas.

    — Como você sabe meu nom- Deixa pra lá! – Me esqueci que tinha assinado o desenho.

    Esta certo?

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    1. Eu acho que sim, mas não tenho a certeza. Tem atenção que, antes da intervenção do narrador ("Me esqueci [...]."), usa-se travessão e não hífen :)

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  22. Eu amo este post desde o dia em que ele foi publicado. Já passei diversas vezes por aqui, cá estou de novo. Sempre que a dúvida me aflige, encontro conforto nessa maravilha da gramática, sério. Parabéns Ana, muito obrigada! ^^

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  23. Ótimo post. Geralmente escrevo em inglês, por isso esqueci das regras usando o travessão.

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  24. Fantástico o post, extremamente útil! Parabéns!

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  25. Que post incrível! Mas minha maior duvida é se eu devo usar espaço ou não depois da travessão ao iniciar a frase... como por exemplo :

    — Que bela criatura, porém digna de pena.
    ou
    —Que bela criatura, porém digna de pena.

    É que eu costumo escrever da ultima maneira e gostaria de saber se é errado, poderia alguém me responder? Grata.

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    1. Ainda bem que o post foi de ajuda =D
      O correto é deixando espaço, como fizeste no primeiro exemplo ;)
      Abraço

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  26. Olá, qual foi a fonte utilizada para tais informações? Alguma gramática específica, várias? Apenas experiência pessoal?

    Pergunto porque tenho grande dificuldade em achar essas informações na maioria das gramáticas que tenho e gostaria de saber em qual me embasar.

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    1. Não fui eu que escrevi o post, logo não te consigo ajudar com isto. No entanto, se quiseres, posso perguntar à autora do texto?

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  27. Uma duvida: É correto usar somente uma(") para quando o personagem for falar um longo discurso ou no caso continua se usando o travessão?
    Exemplo:
    — Reza a lenda que, tradicionalmente, em português, se deve usar o travessão para marcar diálogos. (O travessão é esse sinal “ — “ . No final do post eu explico como o podem arranjar.) Aliás, nem as aspas tradicionais do português são iguais àquelas que estão habituados a ver por aí. As aspas tradicionais (e que ainda aprendemos a usar em Portugal, apesar de pouco se falar no assunto) são as típicas das línguas latinas, as retas ( « » ).
    "No entanto, com o tempo, isso tem vindo a mudar. No Brasil é muito mais usual usarem-se as aspas curvas (“essas”), nem há teclas próprias para as aspas retas duplas como há nos teclados portugueses. Apesar de tudo, em Portugal também se tem passado a usar muito mais as aspas curvas duplas. Parece que elas estão cá para ficar, quer as usemos nos diálogos quer não.

    Ou
    — Reza a lenda que, tradicionalmente, em português, se deve usar o travessão para marcar diálogos. (O travessão é esse sinal “ — “ . No final do post eu explico como o podem arranjar.) Aliás, nem as aspas tradicionais do português são iguais àquelas que estão habituados a ver por aí. As aspas tradicionais (e que ainda aprendemos a usar em Portugal, apesar de pouco se falar no assunto) são as típicas das línguas latinas, as retas ( « » ).
    — No entanto, com o tempo, isso tem vindo a mudar. No Brasil é muito mais usual usarem-se as aspas curvas (“essas”), nem há teclas próprias para as aspas retas duplas como há nos teclados portugueses. Apesar de tudo, em Portugal também se tem passado a usar muito mais as aspas curvas duplas. Parece que elas estão cá para ficar, quer as usemos nos diálogos quer não.

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  28. Olá,eu li o post e gostei muito, tentei aplicar no meu romance. Estava tudo dando certo até que eu me deparei com essa questão:
    (Para o exemplo vou usar hífen mesmo).

    Ex. 1: - Oi? Como você está? - perguntou a mulher.

    versus

    Ex. 2: - Oi? Como você está? - A mulher perguntou.

    Não seria a mesma coisa para os dois casos? A mesma regra da letra minuscula aplicada no primeiro exemplo, não se aplica no segundo, já que temos um verbo dicendi e não um de ação?

    Ou a regra da letra minuscula só se aplica quando o verbo dicendi estiver imediatamente após o travessão?

    Espero ser respondido. :-)

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    1. Olá!
      Que eu saiba, utiliza-se letra minúscula em ambos os casos, visto que tem um verbo dicendi nos dois casos. No entanto, eu posso estar errada, visto que não fui eu quem escrevi o artigo. Espero ter ajudado.

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  29. Eu já vi muitas fanfics escritas dessa maneira:
    Eu: Você só pode estar de brincadeira não é? - eu disse assustado.
    Laura: Não, eu estou falando sério, sei o que acabei de ver! - disse com certeza.
    Esse é um exemplo, eu queria saber se é um jeito errado ou certo de escrever. Eu escrevo uma fanfic com diálogos desse jeito mais tenho medo de publicar por estar errado. :)

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    1. Se a tua fic não é um roteiro, então não está correto escreveres assim (e mesmo que seja, não acho que é assim que se usa). Deves indicar as falas com aspas ou travessão e fazeres com que seja o narrador a indicar quem fala. Por exemplo:
      – Você só pode estar de brincadeira, não é? – eu perguntei assustado.
      – Não, eu estou falando a sério! Sei o que acabei de ver! – Laura disse com certeza.
      Espero ter ajudado!

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  30. Olá!

    Primeiro quero agradecer pelo post, pois foi de grande ajuda. Assim que terminei de ler fui corrigir meus textos e então fiquei com uma dúvida. Se um verbo de ação estiver ligado a fala, subentendo-a, coloco em minusculo também?

    Exemplos:


    “E eu dormi? Estou dormindo por caso?” Apontou para xícara de chá sobre a mesa da cozinha, indicando que estava ali a mais tempo do que gostaria.

    “Ainda?” a encorou preocupado. (coloco uma virgula depois da fala ou não?) "Ainda?", a encarou preocupado.

    “Hum… E apavorado também, lembra?” meneou a cabeça, retribuindo o beijo.

    “Desculpe, amor, tô pilhado demais para isso.” Curvou o pescoço se esquivando com dificuldade.


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    1. Hey!
      Eu não tenho grande experiência com diálogos a usar aspas, mas daquilo que sei, o primeiro exemplo está correto; o segundo não leva vírgula e o "a" em "a encarou" deve ser maiúsculo; o terceiro e o quarto estão corretos.
      Espero ter ajudado!

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  31. Minha beta indicou-me este texto e foi de demasiada ajuda. Entretanto, ao ler o texto, não pude deixar passar a frase: "— Tens quantos cães? — perguntou a Mariana?". O sinal de interrogação ali usado está realmente certo ou foi apenas um engano?
    Pretendo reler este artigo para absorver melhor as informações contidas no mesmo. Obrigada!

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    1. O segundo ponto de interrogação foi engano, sim. Obrigada pelo aviso!

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  32. A forma didática e descontraída com que expôs as inúmeras regras que compõem a arte do diálogo – sutileza, posicionamento e ordem – tornam a compreensão, entendimento e absorção absurdamente mais fácil. O posicionamento, ordem e

    Com certeza um post que vale a pena ser lido mais de uma vez.

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  33. Olá, ótimo post, ajudou muito.
    Tenho apenas uma dúvida, não li todos os comentários e portanto desculpe-me se alguém já fez essa pergunta.
    Percebi em vários diálogos a ausência do travessão entre o final de uma frase e a narração, mas esta na linha de baixo. Qual a regra para isso?
    Por exemplo:

    - Hoje não irei à escola.
    Houve um silêncio na sala e ninguém contestou sua vontade.

    Obrigado!

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    1. Oi!
      Quando se faz parágrafo, como no caso que mostraste, não se deve pôr travessão. Só se continuasse a fala na mesma linha/parágrafo é que se devia colocar travessão, de modo a separar o discurso da narração. No que toca a quando usar o quê, tudo depende do contexto. Beijos :)

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  34. Excelente post! Vez ou outra me pego voltando aqui para reler e tirar dúvidas.

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  35. Mandaram bem! Sempre me preocupou a questão de usar o ponto dentro ou fora das aspas, porque, infelizmente, nossos editores não parecem se preocupar muito com essas minúcias... Sou muito detalhista, e para ser bem franco, acho um tanto feias ambas as formas de introduzir falas de personagens. A maneira empregada por Saramago me parece bem mais elegante, embora, a meu ver, peque pela falta de clareza em alguns momentos. Acho horríveis os travessões — gosto de usá-los apenas para adicionar uma consideração, como acabo de fazer. É o que, salvo engano, os alemães chamam de Gedankenstrich, ou "linha do pensamento". Para inseri-la, a opção padrão do Word é Ctrl+Alt+Num+-. Preferi adicionar uma opção de autocorreção para a combinação "--", o que é muito mais prático. Mas continuo achando as "aspas curvas" (que eu chamo de "aspas inglesas") mais elegantes para introduzir falas.
    Apenas uma dúvida, se por acaso vocês puderem me ajudar. Li há bastante tempo que essa concorrência entre aspas e travessões estaria ligada a duas tradições: a latina e a anglo-saxônica (mas não me recordo qual pertenceria a qual). Isso procede?

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    1. Olá! Infelizmente não te sei responder, mas muito obrigada pelo comentário!

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  36. Nossa, me ajudou muito. Mesmo! Eu estava procurando isso há tempos, mas não tinha encontrado assim tão explicado. Muito obrigada.

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  37. Esse post me ajudou muito, obrigada! E o fato de você responder as perguntas das pessoas nos comentários também tem me ajudado muito.

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