Os clichês e o mito da originalidade

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Por Senhorita Ellie

O ingresso no mundo da escrita, mais especificamente no mundo das fanfics, pode se mostrar como um momento de insegurança para o escritor. O autor está em frente ao seu primeiro projeto de história e pretende postá-la em um site de grande circulação, onde, obviamente, ele espera acessos e comentários.
Em muitos grupos de escrita, é comum encontrar tais escritores de primeira viagem. Eles pedem dicas para suas histórias e são bombardeados com conselhos sobre coisas para se fazer e não fazer, sobre caminhos que eles devem ou não tomar, sobre coisas que eles devem definitivamente evitar e sobre coisas que eles devem idealizar. É aí que entram os conceitos de originalidade e clichê.
Clichê, segundo o dicionário, é uma frase repetitiva e sem originalidade, ou expressão que peca pela repetição, ou banalidade repetida com frequência – é fácil encontrar listas dos clichês mais comuns, histórias rotuladas por esses tropos, pessoas que evitam ler histórias que tenham essa ou aquela situação repetitiva – enquanto originalidade é definida simplesmente como o caráter daquilo que é original. Mas tais definições frias como essas não exprimem bem a situação: em grande parte dos autores, clichês são vistos como coisas a serem combatidas e, a originalidade, como o objetivo do escritor ao começar uma história. Supõe-se que todo escritor quer que a sua história seja diferente das outras, que seja inovadora, que conte algo nunca contado antes...
É interessante notar que isso, de fato, não existe.
Todas as ideias que temos para escrever são baseadas em alguma coisa e, muito provavelmente, todas as histórias que vamos contar já foram contadas por alguma outra pessoa em algum lugar do mundo. Não com as mesmas palavras, não do mesmo jeito, não com a mesma abordagem. Isso não torna as nossas histórias piores, nem as das pessoas que tiveram a ideia primeiro “melhores”. É simplesmente o fato de que duas pessoas têm visões diferentes sobre uma mesma ideia e a partir dela, duas histórias diferentes podem surgir.
A originalidade está nos detalhes. Não está na história, mas na forma como é contada. Não está na situação, mas em como ela se desenvolve, em como os personagens reagem a ela, no cenário... Está nos personagens, nas figuras que criamos e em como elas agem, porque personalidades são recriação dos seres humanos e não há duas pessoas iguais. Muitos autores se assustam pelo fato de encontrar histórias com o mesmo tema que as suas, ou se esforçam demais para tentar encontrar um tema pouco desenvolvido, quando a chave não é essa; não é procurar uma ideia diferente, mas fazer da sua história algo diferente.
Por isso, é interessante não deixar que o medo do clichê nem a expectativa da originalidade sejam uma pressão para os escritores.
Uma história clichê não é necessariamente ruim, assim como uma história dita “original” não é necessariamente boa. Não é saudável ter medo de escrever uma passagem apenas porque, no fim, a ideia já está batida. Você sempre pode acrescentar uma nova perspectiva, um novo detalhe, ou encaixar a ideia de um jeito diferente... Ou simplesmente escreva a coisa como a vontade surgir, porque até mesmo as histórias mais clichês têm público. Muitas pessoas apenas querem uma história leve para passar o tempo, algo que lhes distraia a cabeça.
Só não é bom tornar a escrita um ato cheio de restrições. Acima de tudo, ela deve ser algo divertido, não uma coisa que faça você se preocupar o tempo inteiro se está ou não fazendo direito. Não tenha medo do clichê, não coloque a originalidade num pedestal. É bom ter em mente o objetivo de escrever a melhor história que podemos, mas que isso seja confortável para nós, e não uma fonte de sofrimento.



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O desenvolvimento de uma história como quebra-cabeças

segunda-feira, 20 de outubro de 2014


Por: Takahiro Haruka

Que há gosto para tudo, todos nós sabemos. Mas quem é que não gosta daquelas histórias em que você se pergunta: o que vai acontecer depois disso?

Eu sou a Noni, e nosso assunto de hoje é exatamente esse: O desenvolvimento de uma história como quebra-cabeça.

Acompanhar uma boa história nos dá aquela sensação deliciosa, além, é claro, da expectativa por mais. Mas o que é que consegue esse efeito de "prender" o leitor? Bem, podemos dizer que há vários elementos, como a espera pelo romance, os personagens cativantes e os vilões marcantes. Não há um só elemento, mas sim um conjunto de fatores que atraem o leitor. E um deles, sem dúvida alguma, é o famoso "perguntas sem respostas".

Investir em falsos "furos" no enredo pode causar um bom efeito na trama. Os roteiristas de novelas apostam muito nesse modelo. No início é jogada uma enxurrada de informações em cima do espectador: personalidade distorcida, segredos complicados, sentimentos guardados no fundo do coração. O segredo é instigar e surpreender. Mas como fazer isso?

Para começar, é necessário entender que os furos no enredo devem ser propositais. A informação não foi colocada ali de propósito. O melhor seria criar um plot onde seria colocado que, em tal capítulo o assunto foi instigado, em tal capítulo foi citado, em outro foi desenvolvido e em outro resolvido. Plots são muito bons quando a intenção do autor é deixar coisas subentendidas. É uma ótima ferramenta. Mas tem autores que funcionam muito melhor sem plot. O importante é que o autor tenha total ciência dos pontos em aberto na história. Utilizar plot não é obrigatório, é por uma questão de organização de ideias.

Organização de ideias, achei a expressão correta. Para conseguir desenvolver um suspense, e não estou dizendo uma história desse gênero, e sim uma situação onde algo fica pendente, é necessário organizar perfeitamente cada detalhe. Se uma porta se abre, ou um novo personagem aparece, é tudo planejado. Ele pode ser o assassino da mocinha ou pode ser o espião do vilão. Cada detalhe é colocado para levar à resolução do mistério. Deixar coisas no ar ou simplesmente mal resolvidas vai levar os seus leitores a continuarem lendo a história.

Podemos dizer, então, que é quase um truque psicológico. O ser humano é curioso por natureza. Às vezes lemos um livro ou assistimos a um filme simplesmente porque algo no início nos deixou instigados. Uma pequena informação, um personagem que teve pouca participação. Não importa o que for, o segredo para criar uma história geniosa e que prenda o leitor é saber exatamente quando, onde, como e por que algo foi feito ou deixou de ser.

Ou seja, usem e abusem do suspense, do mistério e da ferramenta de informações subentendidas. Escrevam a cena uma, duas vezes. Consultem amigos, perguntem o que eles acham, pesquisem sobre o assunto na internet ou em livros. Quanto mais conhecimento e experiência, mas fácil será criar um enredo criativo e que prenda a atenção do leitor nos pontos-chave.


É isso aí, galera. Espero que essas dicas possam ajudá-los.



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Como criar um mundo em (talvez mais que) seis dias (2/3)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Por: M L Carneiro

Ahoy! Cá estou de volta para continuar a série sobre criação de mundos. Na primeira parte vimos algumas coisas básicas para se preparar para essa construção, hoje, vamos partir para áreas mais palpáveis. Continuem comigo nessa jornada que logo seu mundo estará de pé!
Ah, e para quem ainda não leu a primeira parte deste post, sugiro que a leiam aqui: http://www.ligadosbetas.blogspot.com.br/2014/07/como-criar-um-mundo-em-talvez-mais-de.html

Terceiro dia – Esculpindo

ou “Como vai ser a geografia do meu mundo?”
Na minha opinião, fazer o mapa de um mundo que você está criando é uma das partes mais divertidas. Você não precisa ser um mestre do desenho, os seus rabiscos já ficam incríveis quando você vai criando ilhas, continentes, penínsulas... Mas para criar esse mapa é legal que você tenha definido alguns pontos sobre a geografia do seu mundo, e é disso que vamos tratar neste dia.
Qual o tamanho do seu mundo?
No post anterior já falamos um pouco disso, no sentido do tamanho do universo que você quer criar. Mas agora vamos pensar no tamanho literal mesmo. Vai ser um planeta inteiro do tamanho da Terra ou apenas um continente pequeno e isolado? Tente pensar no que você quer para a sua história e o quanto o tamanho do mundo vai influenciá-la. Fazer um mundo gigante é bem legal, mas lembre-se de que quanto maior o mundo, mais tempo você levará detalhando-o, então tente pensar em algo razoável para as suas necessidades.
Esse mundo segue as mesmas leis que o nosso?
Aqui eu digo das leis físicas, químicas e biológicas. Se sua história vai ter um tema mais verossímil, é bom que ela siga todas as leis da natureza que temos aqui, ou que pelo menos você descreva bem como vão ser as novas leis. Mas numa história mais fantasiosa ou utópica, você pode ter coisas como gravidades invertidas ou oscilantes, inércia inexistente, som no espaço, enfim, você vai ter bastante liberdade criativa. Entretanto, tenha em mente se o mundo segue ou não as mesmas regras da Terra e, se não, quais são as leis dele.
Outro detalhe a se pensar é em como o tempo funciona no seu cenário. Quantas horas um dia possui? Quantos dias existem em um ano? Os dias e noites funcionam como na Terra, equilibrados, ou há mais tempo de um deles? Como funcionam as estações? Existem outras divisões temporais, como meses e semanas? São vários detalhes que vão enriquecendo seu mundo.
O quanto do mundo já é explorado?
Se seu mundo for situado com uma tecnologia futurística ou ao menos próxima da atual, muito provavelmente todo ele já vai ter sido explorado, ou ao menos cartografado. Mas até poucas centenas de anos atrás a própria Terra não estava totalmente no mapa. Então, se seu cenário segue um tema semelhante à época das grandes navegações ou anterior a isso, é bem provável que existam grandes pedaços de terra inexplorados no planeta que você está criando. Isso normalmente ocorre quando temos continentes separados por pedaços muito grandes de mar, quando os continentes são grandes demais em alguma direção, ou ainda quando um pedaço dele chega a uma parte muito gelada ou muito quente do planeta, e então ninguém consegue passar e povoar além dali.
Com isso em mente, defina qual é a parte “principal” de seu mundo, onde estão as principais civilizações, onde sua história vai se passar. Em seguida, defina onde serão os limites daquele pedaço do planeta, levando em conta o quanto a tecnologia dele o deixaria ser explorado. Em cenários futuristas os limites serão para além dos planetas, serão até a parte da galáxia em que se é possível chegar. Por fim, pense um pouco nas partes inexploradas. Você não precisará detalhá-las ao máximo, mas seria interessante ao menos pensar no quê e em que povos existem nesses lugares.
Quais são os principais pontos geográficos?
Todo planeta possuí acidentes geográficos característicos e interessantes. Alguma cordilheira gigantesca que percorre toda a costa de um continente, uma ilha-continente isolada ao sul do planeta, uma península pontiaguda e comprida onde é possível encontrar grandes quantidades de pedras preciosas, enfim, deixe sua criatividade fluir. Muitas pessoas se limitam a criar cidades e construções interessantes, mas lembre-se de que a natureza estava no seu mundo muito antes das civilizações chegarem, e que em muitos momentos ela é extremamente mais interessante, complexa e bonita.
Como é o clima e a vegetação do planeta?
Você pode achar que não, mas esses dois pontos também definem muito as interações entre os povos do planeta. Um planeta muito frio ou muito quente vai impor grandes dificuldades de desenvolvimento para sua população. Ao mesmo tempo, a vegetação (ou a falta dela) de um lugar pode auxiliar ou prejudicar as raças que vivem ali. Então gaste algum tempinho pensando em como são esses pontos nos vários cantos de seu mundo. Se ele for extenso, muito provavelmente terá diversos climas e vegetações, então aqui também vale a regra máxima da verossimilhança: se você quer deixar seu cenário muito próximo do real, pesquise bastante sobre como funciona na Terra, que vegetações existem em cada clima, que tipo de terreno existe de acordo com a vegetação e o clima, e depois disso, replique essas regras na sua criação.

Quarto dia – Povoando

ou “A demografia de seu mundo”
Pronto, já conseguimos moldar como vai ser o nosso mundo. Mas de que adianta um lugar onde ninguém vive? Agora é a hora de povoar esse planeta! Para começar, vamos ver quais são os povos, ou raças, que existem.
Quais são as raças existentes neste mundo?
Percebam que estou falando de raças, não de etnias. Estamos falando da raça humana, da raça élfica, raça anã, e assim por diante. Se seu mundo é fantasioso, você provavelmente vai querer colocar essas e algumas outras raças místicas nele. Então agora é a hora de pensar em quais e em como serão elas. Você pode, e deve, se inspirar em outras obras para tirar as raças fantasiosas mais comuns, como elfos, anãos, gnomos, orcs, fadas, entre outros. Com elas você terá bastante material de inspiração e consulta pronto, facilitando bastante seu trabalho.
Mas não se limite a isso, você pode alterar substancialmente as características dessas raças ‘tolkienianas’, adaptando-as às suas necessidades, como você também pode criar raças totalmente novas e diferentes. Isso acontece muito em histórias futurísticas, com diversos planetas a serem a explorados na galáxia, mas também não há problema algum em você inovar nas raças de histórias medievais. Só é preciso cuidado e dedicação para criar uma nova raça. Para isso, colocarei aqui um miniguia para auxiliá-los na criação dessas novas raças:
  • Tome como comparação o humano. É com essa raça que estamos mais acostumados, afinal somos dela, então todas as características da nova raça serão mais bem entendidas quando comparadas às dos humanos.
  • Equilibre bem as vantagens e desvantagens que essa raça tem. Se você fizer um povo que é apenas mais forte e mais inteligente, sem nenhuma desvantagem, vai desequilibrar a balança e deixar espaço para que as outras raças sejam subjugadas e pereçam. É só olhar para a Terra, você conhece algum Neandertal hoje? Não, porque o Homo Sapiens era mais evoluído e “venceu” na dominação do planeta.
  • Como é a aparência física desse novo povo? São humanoides, ou seja, muito parecidos com o homem, apenas com alguns detalhes diferentes? Ou são bem distantes? Faça o “design” da sua raça, essa pode ser uma das partes mais divertidas, especialmente se você for criativo e um bom desenhista.
  • Defina como são as características mentais dessa nova raça, ou seja, qual é o comportamento comum dela, como é a personalidade de integrantes dela, quais são suas ambições e desejos no mundo, etc.
  • Como é a organização política dessa raça? É uniforme ou possui diferenças em diversas regiões? Lembre-se do que falei no post anterior, é legal você definir muito bem como é a organização política de cada povo, mas elas não precisam ser sempre as mesmas.



Existem raças dominantes? Raças em guerra?
Isso também é algo muito comum, apesar de tentarmos equilibrá-las, sempre terá alguma raça que possui algumas vantagens em certa região e por isso dominam aquele local. A região pode ser desde um pequeno condado até o planeta inteiro, e por isso essa raça pode entrar em conflito com outras raças, algo que é extremamente comum. Se entre nós, humanos, temos guerras entre etnias diferentes, imagine como seria a interação entre raças diferentes. Não é algo que pareça ser simples. Se existe alguma guerra entre raças, explique o porquê, pense de onde essa guerra surgiu, quem está ganhando, quais são os aliados de cada lado e o quanto essa guerra pode afetar o desenvolvimento do planeta, e também da sua história.
Quais são as raças “civilizadas” e as “bárbaras” ou “monstruosas”?
Aqui podemos entrar em um maniqueísmo entre o bem e o mal. Sabemos que dentro de uma própria raça vão existir indivíduos bondosos e maldosos, mas cada raça normalmente possui sua tendência média. Algumas serão as raças “do bem”, como normalmente são os homens, anãos e elfos, e outros serão “do mal”, como orcs, goblins e dragões. Fazer essa divisão pode ajudar muito na criação do desenrolar da história. É onde normalmente dividimos as raças civilizadas dos “monstros”.
Dentro de cada raça existem muitas divisões?
Reinos, países, casas, famílias... Mesmo dentro da mesma raça os povos costumam se dividir, confiam em se agrupar para se proteger. Então pense em quais são esses tipos de divisão, relacionando-os com a sua organização política. Detalhar isso ajudará você a entender como as raças vão se relacionar entre si e com o mundo exterior.
Existem idiomas diferentes nesse mundo?
A menos que seja um mundo bem pequeno, é bem provável que existam vários idiomas nele. Normalmente temos um tipo de linguagem para cada raça, e às vezes mais de uma língua dentro de cada uma delas. Outra coisa normal é termos o idioma “comum”, ou seja, aquele que a maior parte do planeta sabe, e que é utilizado entre os diferentes povos.
Então pense em como você quer que seja a distribuição de linguagens no seu mundo e decida também se você quer deixá-las explícitas ou implícitas, isto é, se você quer realmente criar outros idiomas, ou deixar implícito que os povos estão falando em outra língua, mas sem ter que detalhá-la. Tome cuidado aqui, apesar de que criar um novo idioma pode ser bem interessante, dá um trabalhão, principalmente para deixá-lo bem feito.
Que outros tipos de criaturas extraordinárias existem no mundo?
Ok, já falamos das raças inteligentes, mas um mundo não é feito só delas, não é mesmo? Existem diversos outros tipos de animais para povoar o mundo. Então você pode pensar em que tipo de animais, além dos já encontrados na Terra, existem no seu planeta. Monstros, bestas mitológicas, humanoides não muito inteligentes... Vale pensar em tudo aqui. Buscar inspiração em outras obras é uma ótima dica, mas tente inovar também e criar algo novo, da sua cabeça, tenha certeza de que vai ficar bom!
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Ufa, lá se foram mais dois dias de criação, já estamos chegando ao fim. Os próximos dois e últimos dias serão “Explicando” e “Detalhando”, onde vamos falar dos últimos detalhes da criação. Mas uma coisa que queria lembrar aqui é que vocês não precisam seguir esses posts como um guia de passo-a-passo, durante a criação tudo fica misturado. Você pensa em como vai ser o tamanho do planeta, depois numa raça que vai existir, depois no clima em que essa raça vive... Enfim, coloco aqui tudo que eu vejo de principal para você detalhar em seu mundo numa ordem agrupada, mas a ordem de criação para seu mundo é você quem faz!
Espero que tenha sido útil e que vocês tenham gostado. Lembrem-se, qualquer dúvida podem falar nos comentários.
Até a próxima! Cheers!


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Sexualidade e Verossimilhança (3/3)

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Por: Roberto Lasneau

Nos dois posts anteriores, vimos as principais informações sobre a homo, bi e assexualidade, a fim de mostrar, da maneira mais clara possível, como funciona esse universo que muitos desconhecem, visto que nossa sociedade é heteronormativa.
Este post tratará sobre os principais tópicos da Transsexualidade e da tão conhecida Heterossexualidade. O post também terá um grande foco numa situação que é facilmente confundível: a diferença entre sexualidade e identidade de gênero.
Parte 3.1 – Transsexualidade
O mais importante de tudo:
Sexualidade x Identidade de gênero
A primeira coisa que precisa ser desmistificada é que a transsexualidade tem a ver com homossexualidade. Seja na hora de construir suas personagens ou tratando-se de pessoas reais, esses dois termos (sexualidade e identidade de gênero) são totalmente independentes. Nenhum tem relação com o outro.
Para entender melhor, podemos fazer uma simples relação da sua personagem e, você, escritor, verá que não é nada tão complicado. Vamos pegar um exemplo aleatório:
Mulher¹ cisgênera² homossexual³
¹É a sua identidade de gênero. Ela se identifica como mulher. Gosta de ser mulher e de tudo que o gênero lhe proporciona. Gosta que a tratem por meio de pronomes femininos.
²O termo “cisgênera” indica a “concordância” entre a identidade de gênero e o sexo biológico (que se difere do sexo psicológico). Falando de forma mais simples, ela se identifica com o gênero que lhe foi determinada no nascimento (biologicamente falando).
³É a sexualidade dela. Perceberam como isso não interfere na identidade de gênero? Como eu disse mais acima, ela se identifica como mulher; logo, não tem interesse por coisas de identidade masculina, não se sente como um homem. Ser homossexual, no caso, não significa que ela queira ser homem.
Vamos criar outra personagem aleatória para visar melhor:
Homem¹ transgênero¹ bissexual¹
¹É a identidade de gênero do personagem. Ele se identifica como homem, gosta disso e gosta de que o tratem como homem.
²O termo “transgênero” indica a “não-concordância” entre a identidade de gênero e o sexo biológico, isto é, ele não se identificou com o gênero que lhe foi determinado no nascimento.
³Independente da identidade de gênero, sua orientação sexual é definida pela bissexualidade, ou seja, ele sente atração por mulheres e homens, o que mostra mais ainda que esses três itens não influenciam uns aos outros.
Não-binários
Ainda há outro grupo de pessoas que são classificadas como não-binárias, que, como o próprio nome já diz, são aqueles que não se prendem aos dois gêneros: masculino e feminino. Nesse caso, sendo tanto uma pessoa bigênera (que se identifica com os dois sexos) quanto uma agênera (que não se identifica com nenhum). Além disso, existem casos de gêneros fluídos e até mesmo algumas culturas que nomeiam terceiros sexos.
Sexo: a necessidade e o ato
Não vou me estender muito nesse tópico porque o assunto já foi abordado. Identidade de gênero não tem a ver com sexualidade, portanto, uma pessoa transgênera terá as mesmas necessidades da sua orientação sexual, sendo iguais a todos os outros da mesma sexualidade.
F.A.Q. sobre a Transsexualidade
1 – Eu tentei pesquisar sobre o assunto, mas são tantos termos que eu me confundi. Queria criar uma personagem trans, mas vi tantos nomes que não sei como farei a devida referência. Como proceder?
Bom, as principais nomenclaturas conhecidas são “Transexual”, “Transgênero”, “Travesti” e “Não-binários”. O transexual é aquele que, por desconforto, acaba por optar a fazer a operação da genitália, “mudando” para o sexo com o qual se identifica. O transgênero é aquele que simplesmente não criou uma “concordância” com o sexo que lhe foi designado (o que inclui os travestis e os transexuais). O travesti é aquele que tem o desconforto com o gênero, mas não necessariamente com a genitália, isto é, com a necessidade de fazer uma operação. Já os não-binários são aqueles que não se prendem aos dois gêneros, como foi explicado mais acima.
2 – Um transgênero pode ser homossexual? E assexual?
Pode, em ambos os casos. Lembrando que, no caso da homossexualidade, leva-se em conta o gênero com que a pessoa se identifica, portanto, se for uma pessoa transgênera que se identifique como mulher, a homossexualidade será definida pelo fato de ela sentir atração por outras mulheres. O sexo biológico não tem relevância nisso.
3 – Como eu posso fazer a insatisfação de gênero da minha personagem sem parecer algo forçado?
Creio eu que não há como fazer isso forçadamente, afinal, insatisfação é algo fácil de explorar num personagem, algo bem abrangente também. No entanto, acho que cair em contradição possa tornar o texto forçado, isto é, escrever, por exemplo, dois desejos totalmente opostos que, juntos, gerariam algum conflito.
4 – Supondo que minha personagem nasceu homem, mas sempre se sentiu incomodada com isso. Minha fic falará sobre esse processo de “transformação” dele e eu pretendo que na primeira metade da fic ele ainda esteja como homem e, na segunda metade, já como mulher. Como devo me referir à personagem na primeira metade da fic?
Se sua narração for em primeira pessoa, use pronomes femininos (caso contrário, seria uma contradição). Se a narração for em terceira pessoa, fica a seu critério, já que este tipo de narração é impessoal. Já sobre as personagens restantes, sempre terão aqueles que respeitarão e os que não respeitarão a identidade de gênero da sua personagem, mude conforme as ocorrências.
5 – O que é drag queen? Tem algo a ver com o tema?
Não tem muito a ver com o tema, mesmo se tratando de um ser travestido. As drag queens (ou drag kings, para mulheres que se travestem de homem) são apenas manifestações artísticas, ou seja, trata-se de arte ou até mesmo de profissão. Existem homens héteros que trabalham como drags, então não há nenhuma relação.


Parte 3.2 – Heterossexualidade
Por último, e não menos (ou mais) importante, temos a orientação sexual mais comum na nossa sociedade, indicada por cerca de 90% da população mundial, a heterossexualidade. Apesar de ser muito conhecida, ainda existem alguns (poucos) erros que muitos enfrentam, principalmente quando se trata da relação entre um hétero com outra pessoa de outra sexualidade.
Heterossexualidade x Curiosidade
É normal que o ser humano, principalmente na adolescência, queira experimentar coisas novas e diferentes do habitual. No entanto, com a heteronormatividade presente na nossa sociedade, nem sempre esses “experimentos” são muito bem vistos. Há dois tipos de heterossexuais: os convictos e os curiosos.
O heterossexual convicto é aquele que não está aberto a experimentar. Então, no caso de um homem heterossexual convicto, ele somente ficará com pessoas do sexo oposto, exclusivamente. Já o heterossexual curioso é aquele que aceita experimentar uma pessoa do mesmo sexo (seja pra ver como é ou simplesmente por experimentar mesmo) e isso não o faz de indeciso ou de menos hétero; ele continua hétero, ele apenas experimentou.
Concluindo, curiosidade não torna ninguém mais/menos homem ou mulher heterossexual. É uma coisa comum do ser humano, apesar de existirem seres convictos.
Heterossexualidade x Comportamento
Não é todo rapaz hétero que se comporta de forma 100% masculina. Assim como não é toda moça hétero que se comporta de forma 100% feminina. O mesmo vale para pessoas de outras sexualidades. Isso acontece porque os seres humanos são diversificados, cada um é diferente do outro e a sexualidade não influencia no comportamento. Sexualidade não tem relação direta com comportamento!
Existem, sim, rapazes héteros com trejeitos, assim como existem rapazes homossexuais totalmente discretos, e o mundo é repleto dessas diferenças. E ninguém é mais homem (no caso do exemplo) que ninguém, porque ser homem é questão de identidade de gênero e não de quem é mais “macho” que o outro. Pensar dessa maneira já é considerado uma ideologia machista (por machismo temos aqueles que pensam que ter mais masculinidade que alguém é sinônimo de superioridade).
Sexo: a necessidade e o ato
Diferente das outras sexualidades, creio eu que não preciso explicar muita coisa aqui, visto que é bem conhecido (o clássico homem e mulher). No entanto, existem alguns pontos pequenos que merecem ser ressaltados. Um deles é o polêmico fio-terra (para os que não sabem, consiste no ato da mulher introduzir o dedo no ânus do homem, pois, em alguns casos, ele vem a sentir prazer). Muitos dizem que prazer anal é sinônimo de homossexualidade (para homens) e isso é um absurdo total. Não existe isso, gente. Homens héteros podem, sim, sentir prazer anal e isso não faz com que eles sejam menos homens e mereçam desprezo. É preciso respeitar o prazer de cada um. E comparar com homossexualidade não faz sentido, pois existem homossexuais que não possuem prazer anal, por exemplo.
Outro ponto que ocorre muito é a questão da lubrificação feminina e a penetração na mulher. Tudo bem que a vagina é uma área maior, mais lubrificada e mais preparada para a ação de uma penetração, mas isso não é sinônimo de penetração extremamente mais fácil. O erro que ocorre muito são os caras que conseguem penetrar com uma facilidade assustadora (às vezes as meninas são até virgens ainda). Gente, não funciona assim. Além disso, a lubrificação feminina não é um líquido milagroso e inesgotável do puro prazer, isto é, ela não soltará litros e litros com facilidade, e a penetração tem que ser cuidadosa, tanto para o homem (que pode ter o membro lesionado/entortado caso exagere nos movimentos) quanto para a mulher (que pode ter umas lesões internas dependendo de como forem feitos os movimentos). Resumindo, não é pelo fato de, naturalmente, a penetração heterossexual ser mais facilitada que significa que é totalmente mais fácil e sem preocupações.
F.A.Q. sobre a heterossexualidade
1 – Você disse que existem héteros curiosos que só experimentam, mas são héteros. Por que então, no caso, eles não são bissexuais? E nos casos em que o hétero experimentou e viu que só gosta do mesmo sexo?
Para a primeira pergunta, eles não são chamados de bissexuais pelo simples motivo de não serem bissexuais. Lembrando que bissexuais são aqueles que sentem atração por pessoas de ambos os sexos e que, experimentar não tem nada a ver com isso. Você pode escolher ficar com alguém de qualquer sexo, mas não pode escolher sentir (ou não) atração.
Já para a segunda pergunta, se ele percebeu que só gosta de pessoas do mesmo sexo, convenhamos que ele não é um hétero curioso, mas, sim, um homossexual que acabou por se descobrir. Por vivermos numa sociedade heteronormativa, é comum que todos “comecem” como héteros até que se percebam.
2 – Os héteros são contra a população LGBT?
Não todos. Sexualidade não define personalidade. Existem LGBTs que são contra a própria população.
3 – Afinal, o que é essa tal de heteronormatividade? Posso usar isso numa fanfic?
A heteronormatividade é a ideologia que define a heterossexualidade como a sexualidade mais comum, isto é, a qual a sociedade está, culturalmente, acostumada. Com isso, temos muitas coisas sempre se referindo a héteros, inclusive no nascimento (pois, antes de uma pessoa se descobrir de outra sexualidade, ela mesma se considerava hétero). Alguns costumam associar esse termo também ao comportamento (masculino e feminino), mas eu, particularmente, não concordo, pois, como eu disse, existem homens héteros afeminados e homens homossexuais discretos. No caso dessa associação ao comportamento já entra o conceito de “sexismo” (que consiste em rotular os comportamentos e responsabilidades do homem e da mulher). A heteronormatividade é uma questão cultural, flui naturalmente na nossa sociedade, creio que, numa fanfic, ela já apareça por conta própria, não tem como evitar, pelo menos não nos dias atuais.
Conclusão

Respeite sua personagem. Não importa sua sexualidade ou identidade de gênero, não importa se você quer tratá-la como uma pessoa de boa ou má índole. Não se esqueça do principal: sexualidade, identidade de gênero e personalidade não se misturam. Esses três termos são independentes. Não rotule seus personagens. Entenda que seres humanos são diversificados por natureza. E, principalmente, que ninguém quer passar por cima de ninguém, que cada um tem seus interesses e gostos, que, mesmo não sendo aprovados, podem ser respeitados.
Como sempre, meu material foi muito grande, portanto, estou resumindo em poucos links:




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Como fazer uma betagem para a Liga e aspectos que avaliamos no teste

domingo, 5 de outubro de 2014

Por: Lady Salieri

Bom, meus queridos, conforme prometido, venho por meio deste post esclarecer alguns aspectos referentes à segunda etapa do processo seletivo da Liga dos Betas, além de mostrar como fazemos uma betagem. Logo de início quero dizer que esse não é o modo "certo" ou "melhor" de se betar um texto, é apenas  o modo que adotamos na Liga por acreditar ser o mais adequado ao nosso público e também por estar de acordo com nossa visão e missão. 

Tendo isso em conta, gostaria de dividir esse post em três partes, a saber:

1. Diferença entre o beta e o revisor;
2. Aspectos avaliados na 2a etapa do processo seletivo da Liga;
3. Como fazemos a betagem de um texto.

Esperamos, todos os membros da Liga dos betas, que este post seja capaz de esclarecer as dúvidas de muitos e, mais do que isso, orientar a todos os candidatos a beta reader em seus testes.

1. Diferença entre o beta e o revisor


O site revisão para quê? já adiantou bastante meu trabalho e explicou os conceitos tanto de revisor, quanto de copydesque e leitor crítico. Segundo ele: 

"copidesques fazem a limpeza inicial do texto. Buscam, além dos problemas de grafia, falhas de coesão e coerência, problemas no encadeamento de ideias, problemas de estrutura. Um copidesque geralmente tem mais liberdade para mexer no texto que um revisor."
"Ao revisor de texto cabem os ajustes finos do livro, no material já diagramado e geralmente impresso, ou seja, não é ele o responsável por problemas de coesão e coerência do texto, por exemplo."
"Tratando-se de literatura, o leitor crítico fica encarregado de avaliar a qualidade da obra não só do ponto de vista da qualidade da escrita como também da qualidade narrativa.Ele aponta inconsistências no enredo, pontos fracos da trama, pontos fortes que podem ser mais bem explorados, apelo comercial da história e por aí vai. O leitor crítico é uma espécie de anjo da guarda do escritor que sugere o momento certo para uma possível edição da obra."

Já deu para perceber que o beta reader se assemelha muito mesmo ao leitor crítico, verdade? Porém, eu afirmo, pelo trabalho que desenvolvemos na Liga, que vamos muito além da leitura crítica, desempenhando também os papéis de revisor e copidesque, pois, além de avaliar a "qualidade da obra" do nosso autor, não deixamos de "limpar o texto" nem de resolver todos os problemas de encadeamento de ideias. E é um acompanhamento feito durante todo o processo criativo do autor, ou seja, "pegamos" a ideia no momento em que ela é concebida e auxiliamos o autor durante todo o seu desenvolvimento, capítulo capitulo, parte a parte.

Como nosso público-alvo é composto de autores iniciantes, já deu para perceber o tamanho da nossa responsabilidade, certo? Dependendo do que fizermos, poderemos prejudicar uma pessoa para sempre, fazendo com que ela desista de escrever e perca, muitas vezes, sua única forma de lidar com a realidade, já que os escritores do Nyah! Fanfiction escrevem por infinitos motivos, menos visando qualquer fim comercial.

Dessa forma, para atuar na Liga, mesmo que sejam pessoas de pouca idade como os autores que costumam publicar ali, precisamos de gente que  tenha certas habilidades desenvolvidas para, além de ajudar efetivamente a quem acompanha, possa passar-lhes a devida confiança. Não acredito que haja aprendizagem sem confiança em âmbito nenhum da nossa vida.

2. Aspectos avaliados no teste da Liga dos Betas


Apesar de parecer, nosso teste não é para nada complicado. É apenas a simulação de um pedido de betagem de um autor X que tem um texto problemático. O candidato deve ajudá-lo realizando a betagem do texto e mandar-lhe de volta. Essa é basicamente a dinâmica do Nyah. 

Tendo o teste em mãos, avaliamos:

1. Abordagem: é a maneira com que o candidato se dirige ao autor (ou se você o faz, claro. A maioria dos testes nem apresenta abordagem). Ele pelo menos cumprimenta o autor? Explica o seu método, fala em linhas gerais sobre a história dele, ou apenas sai marcando os erros e fica por isso mesmo? Ele é agressivo, irônico? Dirige-se ao autor ou ao texto do autor? Quanto mais detalhista o candidato é na sua abordagem, mais ele sai na frente dos demais. 

2. Coesão/coerência dos seus comentários: obviamente, durante sua betagem, o candidato está em constante comunicação com seu autor. Nesse caso, ele sabe transmitir-lhe de maneira clara aquilo que está corrigindo? Sabe explicar-lhe bem sobre o estado do seu texto e sobre o que ele pode fazer para melhorá-lo? 

3. Qualidade da crítica: obviamente, a correção dos aspectos gramaticais e ortográficos é importante, mas nem de longe é tudo o que fazemos. Há ainda a parte estrutural da história e a sua qualidade, em que temos de prestar muita atenção para dar um retorno devido ao autor e não ser leviano, misturando nosso gosto pessoal na análise desses aspectos. Esse é um dos pontos mais importantes na nossa avaliação, porque simplesmente é uma coisa que não se aprende em curto prazo e exige aprimoramento contínuo. 

3. Como betamos um texto na Liga dos Betas


Em primeiro lugar, na Liga prezamos a comunicação com nosso autor, de maneira a transmitir-lhe segurança e credibilidade. Tudo o que explicarei a seguir se resume nessa frase. Assim:

1. Nas comunicações iniciais sempre cumprimentamos o autor e nos explicamos, tanto a respeito dos nossos pontos fortes e fracos, como sobre o que avaliamos mais atentamente na história dele.

2. Marcamos e justificamos todos os seus equívocos.

3. Fazemos um comentário sobre o capítulo como um todo no final da betagem, explicando a nossas impressões, assim como o que acreditamos que faltou à história e o que ele pode fazer para melhorar. 

4. Pedimos a correção e o reenvio do capítulo para reavaliação (o que pode ser feito bem mais de uma vez). 

Mais ou menos assim:

Imagem ilustrativa, não representa uma betagem definitiva do texto

É isso, galera, espero que isso deixe claro sobre o nosso trabalho e sobre o tipo de beta que buscamos para a Liga.

Desde já, boa sorte a todos!

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As imagens que servem de ilustração para o posts do blog foram encontradas mediante pesquisa no google.com e não visamos nenhum fim comercial com suas respectivas veiculações. Ainda assim, se estamos usando indevidamente uma imagem sua, envie-nos um e-mail que a retiraremos no mesmo instante. Feito com ♥ Lariz Santana