Clichês: Fuja de Mary Sue

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Por: Annye (Beta reader – Liga dos Betas)


Imagine o seguinte: há uma personagem que, pasmem, tem o mesmo nome da autora da fanfic. Além do nome, elas também dividem as mesmas características físicas, porém, com uma beleza/habilidade maximizada. Essa personagem está inserida no universo de seus personagens favoritos (ou em um universo criado pela autora), e torna-se peça chave para concluir o objetivo principal da história. Dentre as habilidades mais comuns da Srta. Mary Sue estão: magia ilimitada, ser filha de um deus e receber bênçãos sem fim, jogar arco e flecha e nunca errar o alvo, adquirir superpoderes sem mais nem menos, vencer um exército gigantesco usando apenas uma faca de cozinha e claro, assoviar e chupar cana ao mesmo tempo.

O exemplo acima pode parecer absurdo, entretanto, personagens assim são escritos por muitos autores, de forma que eles nem percebem. Antes das conclusões, iremos explorar mais o universo perfeitamente clichê de onde saem as Sues.


O que é Mary Sue?

A definição que mais se acha sites a fora é: “uma personagem tão perfeita que irrita”. Em melhores palavras, Mary Sue é nomenclatura atribuída por ficwritters a personagens principais que se destacam por sua extrema perfeição. Por perfeição é claro, temos a interpretação pessoal de cada autor, mas algumas generalidades sempre estão lá: uma menina muito bonita, inteligente, super simpática, que atraí as pessoas a sua volta e que com certeza será de extrema importância para o que estiver para acontecer na estória. O masculino da personagem chama-se Gary/Martin Stu. Nesse texto falarei mais no feminino, citando Mary, entretanto, absolutamente tudo se aplica igualmente a Gary Stus.



Quais são as características de uma Mary Sue/Gary Stu?



Como dito acima, o conceito que define essas personagens é a “perfeição”, e isso pode ser demonstrado de diversas formas, dependendo do autor e do fandom a que a estória pertence (sendo também diferente em fics originais). Ainda assim, vamos listar as características mais genéricas:


- Tem o mesmo nome ou características físicas do autor da fic; 
- Possui forças superiores que a deixa em vantagem para alcançar o objetivo principal da estória;
- Possui um passado ou uma linhagem desconhecida, que quando revelada, muda a vida não só da personagem, mas de todos que a cercam (de preferência, o local em que se passa a estória);
- Tem um nome pretensioso e cheio de referências – como Vitória, Milagre, Salvador, etc.; 
- O defeito da personagem acaba sendo uma característica positiva, por exemplo, beleza, inteligência ou carisma excessivo;
- O antagonista não luta por uma causa, e, sim, para destruir a personagem, motivado por ciúme.




Tipos de Mary Sues


Além das características gerais, temos arquétipos próprios para definir Sues:


- Mary-Sue Clássica: basicamente o arquétipo de mulher frágil, doce e delicada, que necessita desesperadamente de seu príncipe encantado para protegê-la. Costuma atrair todo núcleo masculino, apesar dela mesma não se considerar bonita. O enredo gira em torno dela e seus conflitos amorosos, geralmente, e se houver uma batalha, provavelmente ela não lutará (pois há quem o faça). 

- Warrior-Sue: essas personagens costumam ter um passado trágico, quase sempre eram filhas de reis/chefes de estado que foram depostos, e agora, tem de travar uma guerra para recuperar seu reino e restabelecer a ordem no local. Ah, claro, elas tem um grande distanciamento emocional, mas apesar disso, acabam achando seus próprios príncipes encantados. Importante ressaltar que no fim tudo dá certo, e apesar da impossibilidade, ela consegue atingir seu objetivo, sem perdas significativas. 

- Mage-Sue: ela pode ser uma bruxa, uma maga, uma deusa, uma louca, uma feiticeira... Enfim, ela tem poderes superiores, que irão garantir seu triunfo dentro do enredo. Algumas vezes, elas já sabem que possuí esses poderes, noutras o objetivo é justamente descobrir como ela os adquiriu. Porém todas as fics com esse tipo de Sue terá obrigatoriamente uma cena de treinamento de poderes. 

- Punk-Sue: bem comum nas fics atuais, essa personagem é a típica revoltada, protestadora, que não segue modinhas. Outro adjetivo bem utilizado para expressá-la é “não conformada” (com a vida, em geral). Costuma ser representada por uma menina de quinze anos, que já se considera madura suficiente (apesar de ainda estar no ensino médio e na casa dos pais) para mudar o mundo. Fisicamente, ela usará roupas “despojadas”, pois ela não se importa com moda, e provavelmente terá o cabelo de mais de uma cor, querendo mostrar seu estilo transgressor. Como uma boa Sue, no fim ela atinge seus objetivos, e de quebra, acha um garoto que aceita seu estilo, e vive feliz para sempre. 

- Misfit-Sue: ela é inteligente, porém desajustada socialmente. Uma nerd. Diferente das outras Sues, a estória não começa com ela absolutamente linda, entretanto, ela irá passar por um “makeover”, mostrando que ela já era linda e só precisava colocar isso para fora. Ah, ela vira um imã de homens. Importante dizer que esse tipo enquadra-se melhor ainda para Gary Stus. 



E qual o problema em escrever uma Mary Sue?



Perceberam acima, que pelo tipo de Mary Sue vocês já conseguem imaginar toda a estória em torno dela? Esse é o problema.

Em uma narrativa personagens são essenciais, porém, mais importante ainda é a estória para o personagem viver. No caso de autores que escrevem Sues, eles escolherem o melhor para a personagem, causando vários desvios no enredo (em geral deixando buracos, ou ignorando completamente a verossimilhança). 

Por isso, geralmente quando esse tipo de personagem é identificado em uma fic (e é possível fazê-lo logo no início), os leitores já se desanimam a ler, uma vez que o futuro fica bem previsível. 



Como fujo dessa "personagem"?


Primeira dica: o personagem deve ser criado para estória, não o contrário. Todo animal é guiado por ações e objetivos. Ter um personagem que você considera incrível e não ter uma estória para ele é deprimente, porém, se não há um conflito na vida dele, uma causa que o tire da inércia, não há um motivo para ele existir. 

Segunda dica: em hipótese alguma se coloque na estória. Quando a personagem tem muita proximidade conosco, é criado um “vínculo”. Se você pudesse escrever sua história, só aconteceriam coisas legais com você. Ninguém quer se prejudicar. E por isso mesmo, se você se coloca na estória, com certeza criará uma Sue.

Terceira dica: planeje. Quando paramos para escrever fichas de personagem ou o rumo do enredo, as chances de criar essa personagem são bem menores, uma vez que você já está pensando no rumo da estória. E sobre as fichas de personagens, temos a proposta de uma aqui no blog (link logo no fim do texto) adaptado pela Anne L, que particularmente acho perfeita. Fazendo a ficha, se o autor não pular nenhum item, ou então tentar “enganar” (colocando, como já foi citado, uma qualidade no lugar de um defeito), é bem difícil criar uma Mary Sue. 

Por fim, se ainda está em dúvida se sua personagem é ou não uma Mary Sue, não se desespere. Existem testes online para elucidar sua dúvida. Infelizmente, até a conclusão desse post não haviam testes em português. Mas deixarei um link do melhor teste que eu achei (em inglês). 

Links:
A personagem (2/2): proposta de ficha –


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Material Consultado:






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[Sugestão atendida] Como descrever as emoções

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Por: Anne 


Não é nada fácil lidar com as emoções, isso é um fato. E escreve-las ou melhor, descreve-las, é fácil? 

Para muitos, não. Mas relaxem, a partir desse post, isso vai mudar.

Quem nunca se emocionou com a cena de um filme, novela e também com a de um livro preferido? São inúmeras as cenas que mexem com a gente, seja de uma forma boa, ruim, dolorosa, triste ou feliz e até mesmo amedrontadora. Quando escrevemos, queremos fazer com que os acontecimentos da nossa história sejam capazes de atingir os leitores, da mesma forma como somos atingidos quando lemos ou assistimos algo, mas essa não é uma tarefa da mais fáceis. Você visualiza em sua mente tudo tão intenso, expressivo e tocante, mas quando coloca tudo em palavras, sumiu, nada daquilo que imaginou está lá! Saiba o porquê nos dois passos a seguir. 


O primeiro passo para descrever melhor as emoções é:


Saiba diferenciar o que é emoção e o que é sentimento


Muitas pessoas se confundem com o significado dessas duas palavrinhas, acham até que sentimento é sinônimo de emoção e vice-versa, mas não é bem assim, existe uma grande diferença entre sentir (sentimento) e agir (emoção). De acordo com o site Cola da Web emoção é:


“A emoção é uma experiência afetiva que aparece de maneira brusca e que é desencadeada por um objeto ou situação excitante, que provoca muitas reações motoras e glandulares, além de alterar o estado afetivo.”



Um indivíduo muito entendido do assunto, o neurocientista português António Damásio, diz que sentimento é a forma como a mente vai interpretar todo conjunto de movimentos causados pela emoção. 

Resumindo, emoção é a ação que temos quando somos postos diante de uma situação, e sentimento é a maneira como nossa mente vai processar aquela ação.

Segundo passo: 

Coloquem seus personagens em movimento!


Como foi dito anteriormente, emoção significa agir, e não faz sentido o personagem em um momento de tristeza, por exemplo, ficar parado, sem nenhuma expressão facial ou sensações internas. Saibam que o nosso corpo também fala, não é só verbal e oralmente que nos comunicamos, a linguagem corporal é uma das formas de sabermos muitas coisas sobre o que outras pessoas estão sentindo e até mesmo omitindo, utilize essas belezinha como ferramenta na hora da descrição.


Entendido os dois passos, vamos amplificar as emoções! 


O amplificador de emoções é uma ferramenta de linguagem corporal para descrever diversas emoções e condições, como fome e desidratação, ajudando a amplificar as reações internas e externas dos personagens. Ele foi retirado de um artigo chamado "EMOTION AMPLIFIERS: A COMPANION TO THE EMOTION THESAURUS", e foi traduzido pelos membros Anne L, Laranja Lima e Gabriela Petusk da Liga do Betas, vocês podem encontrar o arquivo original AQUI (em inglês).

Nas tabelas a seguir, vocês irão saber como amplificar as emoções de atração, tédio e vício.


Atração

Atração: ter a habilidade ou poder de evocar interesse ou prazer.



Dica da Escritora: Com um estado reativo forte como a atração, tenha em mente que as expressões da pessoa variarão de acordo com sexo, idade e experiência.

Tédio

Tédio: sentimento de cansaço mental provindo de falta de interesse ou de estímulo.




Dica do escritor: Ninguém gosta de ficar entediado, mas essa sensação não precisa ser negativa. Transforme-a em positiva usando-a como um catalisador que impulsiona seu personagem a descobrir a verdade, a encontrar uma nova paixão ou a consertar um problema existente na sociedade.



Vício

Vício*: a necessidade compulsiva por uma substância, marcado por sintomas psicológicos agudos mediante a retirada da fonte.


*Nota: Embora pessoas possam ser viciadas à qualquer número de coisas, para clareza, esta estrada foi limitada para os sinais associados à substâncias viciantes.


Dica da Escritora: Quando estiver escrevendo sobre uma situação que está fora de sua experiência, consulte experts. Livros, profissionais na área, ou amigos com experiência própria podem fornecer os detalhes necessários para descrever o evento com credibilidade.


Agora é com vocês, arrasem na descrição das emoções nas cenas e até mesmo na fanfic inteira!


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Referências

http://www.institutoluz.com.br/artigos/item/128-as-emocoes-basicas-do-ser-humano
http://www.coladaweb.com/psicologia/emocao-e-sentimento
http://www.coladaweb.com/doencas/o-controle-das-emocoes
http://globotv.globo.com/editora-globo/revista-galileu/v/antonio-damasio-a-diferenca-entre-emocao-e-sentimento/2736952/
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/os-sentimentos-sao-fundamentais-para-a-sociedade-diz-antonio-damasio


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Clube de leitura: 7a rodada

sábado, 23 de novembro de 2013

Por: Lady Salieri


Olá, meus queridos!

Um pouco atrasada, em vista do post "extraordinário" sobre os desvios de betagem no teste da Liga, venho publicar as resenhas do nosso último clube de leitura do ano!

Foram 11 resenhas! Creio que foi um recorde. É muito bom ver nosso clube crescendo cada vez mais! E espero que assim continue.

Sem enrolar mais, aqui estão as resenhas. Divirtam-se:




Com isso encerramos as atividades do clube para o ano de 2013, mas em 2014 tem mais, galerinha, inclusive vamos começar com o sorteio das seguintes histórias:

NoFicAutor
1 http://fanfiction.com.br/historia/428903/No_caminho_da_luz/Marcio Fonseca 
2http://fanfiction.com.br/historia/421214/Um_Beijo_No_Passado/Carolina Fernandes 
3 http://fanfiction.com.br/historia/118980/For_You/The Escapist 
4http://fanfiction.com.br/historia/327977/Beyond_The_Barricade/Sweet Poppy
5 http://fanfiction.com.br/historia/163099/A_Terceira_Noiva/Elyon Somniare
6http://fanfiction.com.br/historia/419744/Se_Ao_Menos_Eu_Pudesse_Dizer/Fujoshi Otaku
7http://fanfiction.com.br/historia/424113/Bad_Dream/Holly Robin
8http://fanfiction.com.br/historia/149933/O_primeiro_de_Seus_Ultimos_Dias/Hairo Rodrigo




Aproveitem esse recesso do clube para ler todas as fics dispostas acima! Não tem efeito colateral, eu garanto.

Um abraço a todos e boa sorte a todos os autores. 
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NaNoDiário - Semana #3 ou Quando Tudo Realmente Complica

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O mês está chegando ao fim, o desafio também e esse é o nosso penúltimo NaNoDiário. Difícil até de acreditar, mas nossa, que mês. Nunca vi o tempo passar tão rápido e tão devagar. Mas aqui estamos, mais uma vez, para compartilhar os detalhes da nossa aventura nesse mundo do NaNoWriMo. Compartilhem vocês também!


Hairo-Rodrigo

Pois é, semana passada eu estava começando a me preocupar. Essa semana eu estou bastante preocupado. Quase arrancando os cabelos, para falar verdade. Passei por um bloqueio e minha contagem de palavras não subiu quase nada nos últimos sete dias. Verdade.

Nunca fui bom em escrever nos fins de semana. Sempre rendi mais nos dias úteis, como disse na primeira semana. E acontece que aqui no Rio, dos últimos sete dias, só três foram dias de trabalho. 

E eu só consegui escrever em dois. 

O que significa que faltando pouquíssimo tempo, fiquei bem atrasado pela primeira vez. Confesso que a previsão de fim de mês agitado me desanima um pouco, e não tenho certeza se vou alcançar a meta de cinquenta mil. Mas também sei que meu recorde pessoal em um único mês é de trinta e cinco mil. Então essa é a minha meta mínima. 

Isso significa que eu desisti? - No way! 

Não me dou bem com esse termo. Não me dou bem com essa palavra. Sei do desafio pela frente. Sabia quando me inscrevi. Firmei um compromisso comigo mesmo de que faria o meu máximo, e o mês ainda não acabou. Acima de trinta e cinco mil será o meu mês mais produtivo da vida em relação a escrita, mas eu ainda não tirei os olhos das cinquenta mil. Estou tentando recuperar o ritmo. Estou tentando recuperar o animo. E vou continuar tentando, até o último dia. Se sair derrotado, que pena. Sairei derrotado com dezenas de milhares de palavras em baixo do braço como prêmio. 

Prêmio de consolação? Talvez. Mas ainda assim feliz, orgulhoso e animado com o que fiz até agora. 

E, no lado positivo, fiz uma avaliação geral da minha história durante os dias de bloqueio e consegui mapeá-la inteira, capítulo por capítulo. Descobri que tenho que reescrever muita coisa, mas eu tenho um caminho muito mais tranquilo pelo qual seguir daqui para frente. Se eu não sair daqui com cinquenta mil palavras, saio do desafio com um livro muito bem encaminhado e bem consciente de que esse mês de Novembro pode ter mudado a minha vida.

***

Elyon Somniare


Não vou mentir, a hora está negra. Se a segunda semana era problemática, a terceira tem até nome oficial: Síndrome da Terceira Semana. Porquê? Não é a desmotivação ou o bloqueio da segunda semana, é a sensação que tudo o que se escreveu saiu fora do controlo, as coisas não batem certo umas com as outras, a plot que se tinha planeada mudou a meio do caminho e tudo o que se escreveu no início vai ter de ser alterado. Eu, como muitos outros, senti isto em anos anteriores - a solução é ignorar e andar.

Mas não este ano. Este ano o problema é maior, e prendeu-se com o facto de eu ter sido incapaz de me manter fiel a uma só história. Ok, acabei uma das minhas short-stories, e alguns dos contos, mas a long-story ficou-se pelo caminho, don’t know why (para o ano tento planear, a ver se corre diferente). Isso, e o facto de ainda estou 5 mil palavras atrasada. Never in my life eu me tinha atrasado tanto, but hey, NaNos diferentes, experiências diferentes! 

E ainda sobra uma semana para recuperar. See you in the end of November.

PS: Depois de escrever este testemunho, lancei-me a escrever pornô (whut?), e consegui ficar on track. Teehee.

***


Last Rose of Summer


Eu comecei o Nano com uma boa dianteira - e poderia até mesmo dizer ótima! 25 mil palavras em cerca de sete dias me deixaram absurdamente feliz e confiante, confiança esta que foi minada aos poucos nos outros sete dias que eu não consegui escrever nem mesmo 500 palavras. 

Estou atrasada, acho. Sou covarde demais para abrir a página do nano e ver exatamente o quanto eu preciso escrever por dia para chegar às cinquenta mil, mas sei exatamente que é isso que eu preciso fazer. Talvez eu consiga, talvez não, mas de qualquer forma, não vai ser uma experiência perdida, ou um tempo desperdiçado. Eu avancei mais nesta história do que jamais havia avançado em qualquer outra, e descobri que tenho a capacidade de escrever muito em pouco tempo. Você não consegue imaginar o que isso faz para o seu ego até passar pela experiência.

Não acho que vou chegar às cinquenta mil, e estou tentando, juro que estou, não me dar por vencida. Ainda não desisti, e sei que até o dia 30 de novembro, não terei desistido. Me desejem sorte :)

***

*voz de narrador da Sessão da Tarde* Parece que nossos bravos aventureiros não estão muito bem, mas, como um sábio homem (pode ter sido uma mulher também) uma vez disse, a esperança é a última que morre. Desejem sorte nos comentários, compartilhem suas próprias experiências, falem conosco!

Link para o #1 e o #2.

Continua...

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[Sugestão atendida] Desvios mais comuns no teste da Liga dos Betas e dicas para betar um texto

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Por: Holly Robin (Beta Reader - Liga dos Betas) e Lady Salieri



Queridos nossos,

Atendendo a pedidos, e também pensando no teste da Liga cujo processo começa dia 25.11, resolvemos fazer este post voltado para aqueles que desejam ser betas. Na verdade, a Holly Robin o escreveu e eu (Lady Salieri) me intrometi aqui, apenas acrescentando alguns detalhes. Espero que possa sanar as dúvidas em relação ao nosso teste e sirva de guia para aqueles que desejam ser betas. Desde já, desejamos boa sorte a todos!


********

Quando você pensa em um beta, o que vem à sua mente? Muitos ainda veem um beta reader apenas como um corretor ortográfico e pensam que para passar no teste da Liga só é necessário ser bom em gramática. É importante ter prestado atenção a todas as aulas do seu professor de português e ser bom nos aspectos gramaticais da nossa língua? Sim. Mas não é apenas isso que fará de você um bom beta.


Mas por que você está falando isso, tia, já não existe um post na Liga falando o que é um beta reader?


Sim, existe! Mas foi preciso ressaltar mais uma vez o que é um beta antes de começarmos a falar sobre o tema deste post. Todos os meses, centenas de testes são aplicados, mas muitos possuem os mesmos erros. Boa parte deles nos mostra que o candidato não compreendeu muito bem o que é um beta e simplesmente saiu corrigindo cada vírgula do texto. Para acabar de vez com as dúvidas, explicaremos os desvios mais cometidos nos testes, assim como se beta uma história. Então, vamos lá!


a) Acreditar que beta só corrige gramática — o candidato corrige “todas as vírgulas”, mas não diz por que o está fazendo. Além disso, se esquece de que a expressão escrita é muito — mas muito mesmo! — mais do que escrever frases gramaticalmente corretas.

Então, seja crítico! Quando você pega uma história para betar, deve ‘entrar’ na história, avaliar o enredo, as personagens, tudo. Para tanto, é necessário ter mente aberta e um excelente senso crítico. Lembrando que criticar não significa humilhar e utilizar-se de piadas maldosas. Avalie a história, veja todas as inconsistências e aponte-as para o autor. Não tenha medo de ser sincero, só tome os cuidados necessários para não ofender ou influenciar o autor a modificar sua história. Tudo não pode passar de uma sugestão.


b) Hipercorreção — o autor/avaliador escreve: “ele colocou a ‘pia’ na lanterna para procurar as ‘teias’ de aranha.” O candidato vai lá e corrige: “ele colocou a ‘pilha’ na lanterna para procurar as ‘telhas’ de aranha.” “Pilha” ficou certo, estrelinha na testa, mas não existe “telha” de aranha, não é mesmo?

Dessa forma, nada de “corrigir em excesso”. Primeiramente, como beta, o seu objetivo é guiar o autor. Lembre-se de que você vai ajudá-lo a melhorar sua escrita através de dicas, explicações, inúmeras pesquisas, dentre muitos outros aspectos. Sempre tenha em mente esse objetivo, pois muitas vezes você pode salvar uma história. Betar não é simplesmente sair corrigindo vírgula, acentuação e formatação errada.

Cada autor tem o seu jeito de escrever, por isso, do mesmo jeito que um beta pode salvar uma história, pode destruí-la. “Corrigir em excesso” não ajuda, pelo contrário, atrapalha. Isso é o que chamamos de hipercorreção. Este é um dos principais erros nos testes da Liga. Aprofundando um pouco mais no tema:

Segundo o dicionário de linguística Dubois (2002), hipercorreção corresponde à busca do uso correto que se eleva “acima da correção” em uma língua. Resumindo, é um esforço exagerado para escrever o que consideram como correto. O teste da Liga pede para que você aponte o maior número de desvios possíveis, mas é bom levar em conta que é impossível fazer um texto perfeito e que muitas vezes o candidato irá corrigir o que não deve e ser desclassificado.

c) Trocar o que está certo pelo que está equivocado — é muito próximo ao tópico “b”, mas aqui é algo mais generalizado. Nesse caso, o autor escreve: “comi pão com ‘muçarela’ ontem”. Nosso amado candidato tacha “muçarela” e troca por “mussarela”. E, creiam-me, se escreve "muçarela" mesmo. Vai marcar alguma coisa como equívoco? Mesmo que seja algo com que você esteja acostumado, não custa nada pesquisar, por desencargo de consciência, verdade?

Assim, pesquise e revise o que escreveu: esse é um item muito importante quando se está betando uma história. Como todo ser humano, somos passíveis de erros, mas no caso do beta reader, que irá apontar falhas e sugerir correções para o autor, não é nada legal ensinar errado, não é mesmo? Por isso, as pesquisas são imprescindíveis. Pesquise! Deixe mais de dez abas abertas no seu navegador, mas pesquise.

Também é super importante revisar o que você escreve; uma vez que estará sugerindo correções, não irá pegar nada bem o autor ver erros desastrosos na sua betagem. Além de causar constrangimento, fará com que você perca uma boa parte da confiança do autor.


d) Fazer uma betagem por cores e, ou não colocar legenda, ou colocar tantas cores que fica impossível entender a legenda — esse é quase autoexplicativo. O candidato supõe que o autor/avaliador já conhece as cores (ou mesmo já conhece o método “Bob Marley”, não sabemos ao certo) e, no fim da betagem, o texto se parece a uma “árvore de natal”, mas está ininteligível.

Ao fazer o teste, então, não deixe o texto ‘poluído’. Isso significa que é para sair mexendo (editando) no texto do autor? Não, meus caros, não é isso. Em hipótese alguma você irá “mexer” no texto do autor, a menos que seja para algo muito simples como um travessão, ou uma vírgula. Mesmo assim, o autor deve ser avisado destas mudanças porque quem irá corrigir tudo é ele.

Quando falamos de ‘poluição’ no texto, nos referimos à poluição visual. Existem diversos métodos de betagem, não existe um padrão e por isso cada um irá se adequar ao que for mais cômodo. O problema surge quando o método utilizado faz o autor ficar confuso, como o já citado ‘método Bob Marley’, ou seja, quando você usa as cores para indicar o que está fazendo no texto do autor. Fica um efeito bonitinho, mas, ao ser usado de forma errada, causa muita dor de cabeça. Imagine uma história repleta de erros: simplesmente fazer uma legenda e colorir o texto todo fará com que o autor tenha que voltar para cima toda hora só para saber o que cada cor significa. Isso torna a correção muito mais cansativa. Então o método “Bob Marley” está errado e não é bom para ser usado? Não. Muito pelo contrário, adapte-se ao método de betagem que acreditar ser melhor, mas pense antes de tudo no bem estar do seu autor.

Atenção especial na hora de apontar as falhas de um texto apenas sublinhando, seja tachando ou escrevendo observações no final do capítulo, pois eles também geram poluição visual e cansaço.


e) Destratar o autor — há duas formas de fazer isso: 1. Quando o beta pensa que o autor/avaliador é “idiota” e fica, por meio de uma arrogância bem intencionada, se sobrepondo às ideias do autor; 2. Quando o beta fala mal mais da pessoa do autor/avaliador que do texto, ou seja, aqui ele é descarado mesmo. Como foi dito acima, se um beta (no extremo de um lado) não corrige somente gramática, tampouco (no extremo oposto) é coautor da obra. Ele sugere coisas, não “diz o que é melhor”, mas o que “lhe soa melhor”. Preste atenção na diferença entre as duas frases.

E isso é o mais importante de tudo! Trate bem o seu autor. Lidar com as pessoas não é a tarefa mais fácil do mundo, logo um beta deve ser expansivo e sociável. Quando se está betando uma história, é necessário tomar muito cuidado com o que irá ser dito. Um primeiro contato com o autor antes de betar é essencial, pois assim você será capaz de saber seus objetivos e expectativas para a trama. Dependendo do método de abordagem utilizado, você irá se meter em situações embaraçosas. 

Tenha paciência e seja gentil, essas são as palavras-chave para ser um bom beta. Cada pessoa possui um ritmo e você deverá se adequar a cada um deles.


Acreditamos que com estes cinco itens você será capaz, não só de se preparar melhor para os testes de admissão da Liga, como também estará apto para betar uma história, mas não se esqueça de sempre aprimorar seus conhecimentos. Conhecimento é poder. 

Esperamos que todos tenham gostado, e até a próxima!

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Material consultado




Blog Karina – Meireles/beta reader, disponível em: http://karina-meireles.blogspot.com.br/2012/04/beta-reader.html

Blog da Liga dos Betas – O que é um beta reader, disponível em: http://ligadosbetas.blogspot.com.br/2013/02/o-que-e-beta-reader.html


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Os 4 tipos de escritor

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Por: Bruno Vitorino (Liga dos betas)




Os 4 tipos de escritor são, embora não pareça, uma ferramenta essencial do ponto vista literário, porque define a maneira como você escreve sua história.

Antes de tudo, apresentemos os Dois Métodos Básicos, que são o Método Criador e Editor, e não são, sinceramente, muito complicados de entender. O primeiro, o Método Criador, compõe apenas escrever e mais nada. Nele você escreve mil, duas mil, três mil, quatro mil ou cinco mil palavras sem parar, aproveitando o brainstorm (literalmente Tempestade Cerebral, mas que na verdade é uma série de ideias que vão surgindo na sua mente) até ele esgotar. O Método Editor consiste em revisar o material já escrito de maneira a torná-lo mais legível e poético, e não só palavra ao lado de palavra.

Os Métodos em si têm de coexistir, mesmo que você só escreva seus capítulos e publique, o simples fato de filtrar uma parte das ideias já seria no caso o Método Editor, enquanto escrever cria o Criador.

Entenderam? Ótimo!



Os 4 Tipos de Escritor: Introdução

Escritor Improvisador é aquele escritor que escreve IN LOCO mesmo, sem um tópico ou um resumo do capítulo que vai escrever, se ele tem uma ideia ele vai com ela até o fim sem deixar ela de lado até não poder mais, e vai escrevendo sem parar.

Exemplos são: Stephen King e Arthur Conan Doyle.

Escritor Improvisador Editor é aquele escritor que escreve só uma parte improvisando, mas ao invés de continuar, ele para e reescreve o texto até ele ficar todo bonitinho, é basicamente um Improvisador organizado.

Exemplos são: George RR Martin e Agatha Christie


Escritor Planificador Improvisador é aquele que escreve só uma parte planejada, mas ao invés de parar, ele improvisa mais um pouco, e depois planeja outra parte, esse tipo tem duas subdivisões: o Planificador que Improvisa e o Improvisador que Planeja.

Exemplos são: Isaac Asimov e John Abercrombie

Escritor Planificador é aquele que planeja todos os capítulos, não costuma variar muito sua história e geralmente a muda apenas a parte final para criar, por exemplo, os chamados Plot Twists.

Exemplos são: Arthur C. Clarke e Tolkien



Os 4 Tipos de Escritores: Modus Operandi



O Improvisador escreve. Como não tem que passar horas planejando roteiros e sumários ele só escreve. Depois de escrever, ele volta, relê o que está escrito (a obra completa, portanto se você se dá o trabalho de reescrever o que fez e escreve por capítulos você é um Improvisador Editor e não há nada de mau nisso) e depois corrige tudo que está feio. Caso você não leia, já que estava escrevendo e sabe tudo sobre o capítulo que você começou do nada a escrever, e esteja publicando por capítulos. Então ou você escreve muito bem, ou escreve muito mal e não se importa com o que você está fazendo.

O Improvisador Editor escreve como o Improvisador, mas ao invés de parir o capítulo e partir para o outro, ele para, lê o capítulo bonitinho que estava escrevendo, corrige ele, deixa muito mais bonitinho e volta a escrever. Exemplos como esse são George Martin que demora anos pra corrigir o capítulo até deixar ele perfeito ou da Agatha Christie, autor do maior livro do mundo que gostava de refletir casos policiais em suas obras.

O Planificador Improvisador planeja um resumo do resumo de seu livro e deixa os capítulos não lineares/menos importantes de lado. Pode-se também planejar um capítulo específico e no outro improvisar e por aí vai, de maneira que existam possibilidades e ideias diferentes. Este tipo é conhecido também como Floco de Neve e aplicado na maioria por autores de Fantasia e de Ficção Científica.

O Planificador planeja. Muitos autores mais planejam sumários do que escrevem, e quando o fazem, não param para pensar se pode mudar isso ou aquilo, e só o fazem em partes menos importantes, como capítulos não lineares, personagens menos marcantes e ambientes que não tem muita coisa em especial ou são genéricos. Esse método é aplicado no geral por autores com nome, ou de grande nome como Tolkien e Orwell.



Os 4 Tipos de Escritor: Análise de Espécie & Tronco por Gênero


Os 4 Tipos possuem entre si outros tipos, que se categorizam como subespécies, como foi dito aí para cima, os Planificadores Improvisadores possuem diferenças entre si a partir do sentido em que são abordados.


Improvisador:

- O Improvisador Flecha tem tanto o texto quanto a ideia originadas do nada, o Improvisador Flecha pode escrever de preferência como um Planificador, mas se ele procurar sua ideia não por pesquisa, mas por um esforço criativo o torna um Improvisador Flecha.

- O Improvisador Arquiteto é aquele que já terminou. Você só é um Improvisador Arquiteto quando já terminou seu livro/fanfic. Mas por que esse nome? Bem, ele basicamente lê todas as pontas de sua história e vai a separando em partes, tirando capítulos até torná-la perfeita.

- O Improvisador Idealista é o que escreve a partir da ideia, ele tem ideia de alguns capítulos e como eles vão se desenvolver, sabe como escrevê-los e como levar a história até lá, mas não ponto a ponto, por isso ele é um improvisador.


Improvisador Editor:

- O Escritor que gosta de Reler gosta de reler seus textos, se divertir com ideias originais e talvez até mesmo rir de besteiras que já cometeu, portanto, ele desenvolve um gosto por reler e aproveita o tempo que perde escrevendo/lendo seus textos.

- O Escritor que prefere Reler tem medo de fazer mal, portanto ele aproveita meia hora no intuito de melhorar seus textos. Ele geralmente aproveita mais escrever e pensar em suas ideias do que ler, mas é um tanto receoso em publicar textos sem filtrá-los. Podem também ser considerados perfeccionistas que querem a todo custo ter uma redação boa, informações que precisam estar lá e história com pé e cabeça.

- O Escritor que tem que Reler é um que no geral não escreve muito bem, portanto será uma porção menor. A diferença entre o que prefere e o que tem, é o histórico. O que prefere sabe que algumas coisas estão ruins, mas não arrisca. Sabe que escreve mal, e por ter relido textos antigos, ou por crítica, sabe as coisas horríveis na sua escrita e na redação, por isso, relê pelo mesmo motivo: precaução.


Planificador Improvisador

- O Planificador que Improvisa é como nos filmes, ele bola um plano, mas no final, alguém é morto, o avião bate ou perde a arma. Ele tem um plano, mas alguma hora ele se solta e parte para o improviso, preenchendo partes vazias e eliminando as pontas soltas. Esse tipo se dá só no final e em livros geralmente é um homem com uma tesoura, porque é justamente isso que ele faz: Tira o que não está bom e enche o que precisa estar.

- O Improvisador que Planifica é justamente o oposto, ele é o criminoso fugindo da cadeia, sai entrando em quarto por quarto, sem saber para onde ir, até que dá de cara com uma tropa de policiais. O Improvisador que Planifica vai escrevendo por improviso até uma parte, mas na parte X, ele decide planificar o capítulo e escolher caminhos alternativos (lembrando, este é um tipo que possui planos para certos pontos da história) que previamente planejou.

- O Estrategista que Arrisca pode ser personificado com um homem num Reality Show que tem que escolher uma das três portas, em duas delas há um capítulo ruim, na outra o melhor capítulo da história. Portanto, o Estrategista que Arrisca investe em uma ideia tentando descobrir se tanto sua improvisação para retirar o que está ruim quanto seus planos para o futuro resultam em algo, no caso, uma cena interessante.


Planificador

- Ser um Planificador Prisioneiro não é ruim, mas, no geral, ele não está aberto a outras ideias, é um como Tolkien, que planejou a ideia da história de Frodo a partir da mitologia nórdica e mitos britânicos, e que não escreveu tal capítulo porque teve uma ideia. Esse tipo de planificador tem sua história planejada e na maioria das vezes está escrevendo um novo Universo.

- O Planificador Darwin possui mente aberta, mas nem tanto. Ele por exemplo não vai fazer seu personagem principal tímido sair falando palavrão, mas vai abrir brechas literárias que danificam ou beneficiam a ideia original do primeiro sumário. Portanto, ser um planificador Darwin adapta ambientes, personagens e cenas, tanto estética, psicológica quanto cronologicamente para torná-lo melhor.

- O Planificador Aberto é falho e infalível ao mesmo tempo. Sua história está sempre melhor pela mente aberta do autor, que ao ler um livro ou uma revista, ver um filme ou alguma série, melhora a trama de sua história, dá um fundo histórico ao seu personagem e aprende a descrever a casa onde seu personagem mora. Mas ficar escrevendo toda vez que vê um jornal ou descobre um fato histórico pode ser uma âncora e não te tirar do lugar.


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Material Consultado:


http://www.youtube.com/watch?v=XPtFKVqfuIc&list=PLkwgasTJXV9cDt2PDlhnNrwhnur7zvIFi- O Método Criador e Editor e os 4 Tipos de Escritores

Randy Ingermanson e Peter Economy, Writing Fiction For Dummies (em inglês)

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E então gostaram? Eu me esqueci de falar algo? Comentem ou perguntem pelo chat da Liga.
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NaNoDiário - Semana #2 ou O Post de Sexta no Sábado

sábado, 16 de novembro de 2013



Assim como na semana passada, nossos intrépidos guerreiros vêm aqui compartilhar com vocês como está sendo a segunda semana de participação no National Novel Writing Month - o NaNoWriMo. Entre dores, sacrifícios e pequenas vitórias em forma de palavras, seguimos na luta e esperamos que vocês também! Deixe seus depoimento, e que continuemos nessa viagem! 



Hairo-Rodrigo 


Como aventureiro de primeira viagem, meu ritmo começou bom e a minha empolgação de inicio fez com que a minha contagem de palavras subisse rapidamente. No meio da primeira semana já estava pelo menos um dia à frente da minha meta, e continuava botando palavra depois de palavra, preenchendo página após página. 

E, por isso, eu não acreditava muito no que os participantes mais experientes diziam sobre a segunda semana. Todos falavam que é uma semana difícil, todos falavam que é um momento complicado. E eles não estavam errados. Enquanto escrevo isso aqui estou brigando comigo mesmo, porque é o primeiro dia em que me encontro abaixo da média do dia. Escrevi menos de mil palavras nos últimos dois dias, e há três que não bato a meta diária de mil seiscentos e sessenta e sete. 

Já pensei em largar tudo, mas sei que isso é normal e ainda acho que estou longe de tomar essa decisão. Não sou de desistir assim tão fácil. Mas começo a ficar ligeiramente preocupado. O gás de início acabou, e a luz de emergência da gasolina está prestes a ligar. Estou precisando achar logo um posto para abastecer. 

Apesar disso, ainda me encontro razoavelmente perto da meta, então as coisas (ainda) estão sob controle. E meus amigos (esse pessoal ai de baixo mesmo) estão me ajudando. Fica a dica para quem está participando. Escrever é um trabalho solitário, que ninguém mais pode fazer por você, mas isso não quer dizer que você não possa compartilhar seus momentos de angústia e preocupação. Fazer o NaNo com companhia é uma boa estratégia =) 

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Elyon Somniare 


A segunda semana faz um NaNoNinja cavar um buraco e enfiar-se nele, enrolado num cobertor, enquanto chora em desespero e destrói o estoque de chocolate que tem em casa. Isto porque na segunda semana já se perdeu a empolgação do começo, a história já se desenvolveu o suficiente para arranjar quiliões de plot-holes, e passar tanto tempo seguido com ela leva a duas sensações: a primeira é que a nossa escrita parece horrível, repetitiva, e sem qualquer qualidade. A segunda é que poderíamos estar a fazer mil e uma coisas que exigem muito menos trabalho do que escrever diariamente. 

Mas faz parte. Em breve melhora, acaba-se por se aceitar, e martela-se a ideia de que “não está tão mau assim, eu é que só estou a passar mesmo muito tempo com ela, e já lhe vejo todos os defeitos, esquecendo as virtudes.” Mesmo sabendo isto por experiência própria, não escapei a Síndrome da Segunda Semana. Pior do que isso, em alguns dos últimos dias que passaram cheguei a sentir que não me estava a divertir - e sem a diversão, o Nano perde uma das suas grandes vantagens e propósitos. Por alguma razão, este ano esse modo “em baixo” parece estar generalizado no grupo com quem costumo escrever afinal, como diz o Hairo, companhia importa. 

Então porquê continuar? A resposta é muito simples: porque ainda estamos a meio do mês. Muita coisa pode mudar, e não desistir às primeiras dificuldades é outra das grandes características que o NaNo pode ajudar a desenvolver. Hoje, por exemplo, já tive mais facilidade a escrever: deixei a minha main story em pausa e concentrei-me na short story paralela. Além de que, se já penei tanto para chegar às 23k, vou deitar fora todo o meu esforço até ao momento? NÃO! NEIN! NO! 

Resumindo: a) Se te sentes em baixo e desmotivado, you are not alone! A segunda semana já é facto sociologicamente provado; b) Chocolate e persistência ajudam; c) You WILL get there; d) Bloqueio na história? Mete ninjas. 

And this is for today. Now GO WRITE. 

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Salow 


É tão trágico que chega a ser engraçado. Além da minha desmotivação por vida para uma escrita rápida, o bombardeio de trabalhos e estudo veio bem na minha cara. E então tem aquele momento que você olha para tudo que tem que fazer, chora cinco lágrimas por cada coisa e acaba não fazendo nada. YEH, THAT’S ME! 

Se não me engano, só consegui escrever um único dia dessa semana. Finalizei o início da história e aí é que complica, não posso mais ~seguir meu coração~ e deixar as palavras me levarem. Preciso de um plot, uma ideia pronta e bem trabalhada, qualquer coisa além da animação. 

Tenho um plano de juntar outros projetos para tentar chegar perto da meta...

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Então, gente, se vocês gostaram, comentem ou mandem pros coleguinhas, ponham um anúncio na rádio. Vale tudo! Qualquer pergunta também pode colocar por aqui, não somos especialistas, mas podemos tirar algumas dúvidas. Pra quem não viu os post anteriores, aqui apresentamos o desafio e aqui comentamos sobre a primeira semana. See ya! 
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Pronomes relativos

quarta-feira, 13 de novembro de 2013


Por: Letícia Silveira (Liga dos betas team)


“A mesa na qual estudava estava toda riscada”.


Pode parecer estranho, mas essa frase, de acordo com a maioria dos gramáticos, está gramaticalmente errada. Para alguns, “o qual” ou “a qual” soa melhor que “que” (já para outros, é o contrário, ou seja, o "que" soa melhor que "o qual", "a qual"); porém, a verdade é que não temos muita opção de quando utilizar cada um. E é para isso que lhes escrevo, para vermos como podemos conectar duas frases e estabelecer uma relação entre elas, substituindo palavras que não queremos repetir.

Para isso, precisamos compreender quais são os pronomes relativos e o que eles permitem de acordo com a maioria dos gramáticos.


1) QUE – Permite uma preposição que o anteceda com até uma sílaba (não precisa, necessariamente, conter uma preposição antes do pronome).


Ex. 1: “O trabalho a que me dedico é estressante”.

Ex. 2: “O dia que recém começou promete silenciosamente nos dar uma nova chance”.


Observemos o exemplo inicial. O que a pessoa quis dizer foi:


“A mesa estava toda riscada. Eu estudava na mesa”.


Logo, o que repetimos é “a mesa”; então, procuramos não repetir esse trecho e substituímo-lo. Para fazermo-lo, precisamos reparar no que vem antes de “a mesa” na segunda ideia (enquanto a primeira será a usada de base por ser a informação mais importante). Olhemos apenas a segunda frase:


“Eu estudava na mesa”.Esse “na” é a contração de “em + a”. Logo, há a preposição “em” antes do que se repete. Por isso, devemos colocar esse “em” antes do pronome relativo na segunda frase. Também é por essa razão que devemos, nessa frase em especial, utilizar o “que”, já que ele pode ser antecedido por preposições com uma sílaba (como “na”).

Assim, já temos algumas dicas do que pensar ao formar uma frase com pronomes relativos:

·      Ver o que se repete.
·      Procurar, na segunda frase (naquela que está se intercalando na principal), se há alguma preposição antecedendo o que se repete.
·      Essa preposição, obrigatoriamente, deve estar antes do pronome relativo e, dependendo do número de sílabas que ela conter e dependendo da relação que ela tem com o que se repete, determinará qual deve ser o pronome utilizado.



2) ONDE – É usado apenas para locais onde podemos entrar fisicamente. Por exemplo, não podemos adentrar na mesa, por isso não devemos escrever “a mesa onde estudava estava toda riscada”. O exemplo correto seria: “O museu onde eu trabalhava é muito reconhecido”. Esse pronome permite apenas preposições com uma sílaba antecedendo-o. 

Por instância: “A farmácia aonde eu ia era longe de casa” ou “O parque por onde andei ontem é perigoso”. (Lembremo-nos de que “aonde” é usado com verbos de movimento, quando há deslocamento, enquanto “onde” indica localização.)


Analisemos os exemplos acima:

A farmácia era longe de casa. Eu ia à farmácia.”


Se lembrarmos que “à” é a contração da preposição “a” mais o artigo “a”, sabemos que, ao substituirmos “a farmácia”, devemos colocar a preposição “a”.

Agora, faremos os passos que foram citados anteriormente:

· Ver o que se repete: “a farmácia”.
· Procurar, na segunda frase (naquela que está se intercalando na principal), se há alguma preposição antecedendo o que se repete: “preposição ‘a’”.
· Essa preposição, obrigatoriamente, deve estar antes do pronome relativo e, dependendo do número de sílabas que ela conter e dependendo da relação que ela tem com o que se repete, determinará qual deve ser o pronome utilizado: “aonde” (indica um local em que podemos entrar e tem uma preposição de apenas uma sílaba).

Na outra frase, temos:


“O parque é perigoso. Andei ontem pelo parque”.



· Ver o que se repete: “o parque”.


· Procurar, na segunda frase (naquela que está se intercalando na principal), se há alguma preposição antecedendo o que se repete: “preposiçãopor’, vinda da contração de por + a = pela”.


· Essa preposição, obrigatoriamente, deve estar antes do pronome relativo e, dependendo do número de sílabas que ela conter e dependendo da relação que ela tem com o que se repete, determinará qual deve ser o pronome utilizado: “por onde” (indica um local em que podemos entrar e tem uma preposição de apenas uma sílaba, “por”).


3) O QUAL (OS QUAIS) OU A QUAL (AS QUAIS) – O motivo pelo qual a frase “a mesa na qual...” está incorreta é que “o qual” e derivados devem ser utilizados com preposições de, no mínimo, duas sílabas. Assim, sempre que houver preposições “longas”, será “o qual” e seus derivados. Como “na”, que antecede “qual”, tem apenas uma sílaba, o seu uso é impróprio.

Um uso adequado seria: “O dinheiro através do qual paguei as contas já se esgotou”.

OBSERVAÇÃO: “o qual” irá variar concordando com aquilo que se repete. Como é “o dinheiro”, será “o qual”. Se fosse “os dinheiros”, seria “os quais”. Se fosse “a casa”, seria “a qual” e assim vai.



Vejamos:

“O dinheiro já se esgotou. Paguei as contas através daquele dinheiro”.


· Ver o que se repete: “o dinheiro” (aquele apenas se refere ao dinheiro citado anteriormente).

· Procurar, na segunda frase (naquela que está se intercalando na principal), se há alguma preposição antecedendo o que se repete: “através de”.

· Essa preposição, obrigatoriamente, deve estar antes do pronome relativo e, dependendo do número de sílabas que ela conter e dependendo da relação que ela tem com o que se repete, determinará qual deve ser o pronome utilizado: “através da qual” (tem uma preposição de mais de duas sílabas, “através de”, e é uma preposição “longa”). 



*CASOS COM AMBIGUIDADE:


“O qual” pode, porém, ser utilizado livremente (sem exigências de sílabas antecedendo-o) quando a frase apresentar ambiguidade. Por exemplo:


“O porão da casa, em que me encontrava, era assustador”.

Afinal, eu me encontrava no porão da casa ou na casa? Para contornar essa dúvida, podemos utilizar “o qual”, podendo alterar o sentido da casa. Assim:


“O porão da casa, no qual me encontrava, era assustador”.
(Eu estava no porão.)



“O porão da casa, na qual me encontrava, era assustador”.
(Eu estava na casa.)
Porém, isso não é lei. Apenas recomenda-se utilizar esse pronome nesses casos, pois facilita a compreensão do texto.


4) QUEM – Primeiramente, ele só deve ser usado com pessoas. Também, não deve ser utilizado sem preposição. Assim, a frase “minha mãe, quem eu amo, é maravilhosa” está incorreta gramaticalmente. O uso mais correto seria: “A minha mãe, que eu amo, é maravilhosa”.

Porém, “quem” pode ser utilizado em casos como: “A minha mãe, a quem eu dei um abraço, é maravilhosa”. Isso porque:

“A minha mãe é maravilhosa. Dei um abraço à minha mãe”.



· Ver o que se repete: “a minha mãe”.

· Procurar, na segunda frase (naquela que está se intercalando na principal), se há alguma preposição antecedendo o que se repete: “preposição ‘a’ vinda do acento grave”.


· Essa preposição, obrigatoriamente, deve estar antes do pronome relativo e, dependendo do número de sílabas que ela conter e dependendo da relação que ela tem com o que se repete, determinará qual deve ser o pronome utilizado: “a quem” (refere-se a uma pessoa e possui preposição, então pode ser usado “quem”).



5) CUJO(A) – Ele indica posse, ou seja, quando alguém possui algo (e notem que “possuir” só é utilizado em relações materiais). Pode ser utilizado com ou sem preposição, independentemente do número de sílabas. Vejamos um exemplo para desmembrar o temido “cujo”:


“O menino cuja carteira havia sido roubada não tinha como voltar para casa”.

Nesse caso, temos, seguindo a mesma lógica:

O menino não tinha como voltar para casa. A carteira do menino havia sido roubada”.



· Ver o que se repete: “o menino”.

· Procurar, na segunda frase (naquela que está se intercalando na principal), se há alguma preposição antecedendo o que se repete: “preposição ‘de’, vinda da contração de ‘de’ mais artigo ‘o’”.

· Essa preposição, obrigatoriamente, deve estar antes do pronome relativo e, dependendo do número de sílabas que ela conter e dependendo da relação que ela tem com o que se repete, determinará qual deve ser o pronome utilizado: utilizaremos “cujo” por haver “de” antes do que se repete e, antes desse “de”, haver outro substantivo. Esquematizemo-lo:

(PREPOSIÇÃO) + SUBSTANTIVO + DE + O QUE SE REPETE

Essa é a frase original. Ela deve se transformar em:

O QUE SE REPETE + (PREPOSIÇÃO) + CUJO(OS, A, AS) + SUBSTANTIVO

Por isso, vamos lembrar o que é substantivo: é uma coisa, é um nome. Sempre que quisermos comprovar, podemos colocar nessa frase: “a(o) _______ é bonita(o)”. Por exemplo: “a carteira é bonita”. Coube? Então, é um substantivo. Como temos naquela frase, “a carteira do menino”, utilizamos o “cujo”.



OBSERVAÇÃO: “cujo” sempre concordará com aquilo que vem depois dele (daquilo que vem depois da preposição “de”). Por exemplo, “o aluno cuja família”, “os alunos cujas famílias”, “o aluno cujo celular”, “o aluno cujos celulares”...

OBSERVAÇÃO 2: usar artigo (a, as, o, os) depois de “cujo” é incorreto. O artigo estará “contido” no pronome.


Vamos observar outro exemplo para colocarmos os ensinamentos em prática:

“A menina com cujas atitudes não concordo não é minha amiga”.

Assim,

“A menina não é minha amiga. Não concordo com as atitudes da menina”.



· Ver o que se repete: “a menina”.

· Procurar, na segunda frase (naquela que está se intercalando na principal), se há alguma preposição antecedendo o que se repete: “preposição ‘de’, vinda da contração de ‘de’ mais artigo ‘a’”.

· Essa preposição, obrigatoriamente, deve estar antes do pronome relativo e, dependendo do número de sílabas que ela conter e dependendo da relação que ela tem com o que se repete, determinará qual deve ser o pronome utilizado: “com cujas”

Para explicar o motivo do uso, vejamos:



(PREPOSIÇÃO) + SUBSTANTIVO + DE + O QUE SE REPETE
Com + as atitudes + de + a menina


O QUE SE REPETE + (PREPOSIÇÃO) + CUJO(OS, A, AS) +
SUBSTANTIVO
A menina + com + cujas + atitudes



Assim, “cujas” estará com o artigo “as” e “atitudes” estará seguindo “cujas”. Antes de “cujas” estará o “com” por ele estar antecedendo o substantivo que vem antes do que se repete. 

Está entendido? Então agora vem a melhor parte: o descanso. Caso restarem dúvidas (o que eu sei que é muito fácil de acontecer visto que o conteúdo é complexo), esclarecê-las-ei através dos comentários. Espero vê-los em breve, futuros ninjas gramaticais.

Fontes:


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