Erros comuns em cenas de sexo – Parte 1/3: narração e falas

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

<< Esse post é proibido para menores de 18 anos, por conter linguagem imprópria de cunho sexual.>>


Por: Coward Montblanc (lLiga dos betas Team)


Olá, queridos leitores do blog! Quem está escrevendo o post de hoje é Diandra Santiago, e como dá pra ver pelo título, irei falar sobre coisas bem... Quentes. Ou melhor, nos erros que muita gente comete tentando escrever cenas quentes e que acabam deixando elas... Frias, se é que você me entende!

Não é difícil achar uma fic classificada como 18+ no Nyah!, geralmente por conteúdo sexual, mas é ainda mais complicado conseguir encontrar uma história dessas com cenas de sexo realmente boas. E já que eu adoro bons textos eróticos, já vi muita coisa nessa minha vida de leitora, e muitos erros que costumam se repetir como se fossem pragas.

E como são muitos erros, eu resolvi tratar deles não apenas em um, mas em três posts. Esse primeiro será focado apenas nos erros cometidos durante a narração e nas falas dos personagens, e os próximos serão focados nos erros de biologia e conceituais vistos nesse tipo de cena. Além disso, precisamos de conteúdo na zona 18+ do blog, vocês não acham?

Agora, sem mais delongas, os erros mais cometidos na narração e falas na hora do sexo em fanfics!


1) Usar palavrões em excesso na narrativa

O ato sexual por si só é uma coisa considerada suja pela sociedade, e palavrões para designar as partes do corpo de seus personagens e os que eles estão fazendo só vão causar essa impressão no leitor. Muita gente também odeia palavras chulas jogadas ao vento, até porque elas costumam indicar imaturidade, desrespeito e falta de compromisso de quem escreveu para com o texto, em geral.

Escrever algo bom com palavrões é complicado, então por via das dúvidas é melhor evitar. Tente descrever as posições como se fossem qualquer outra pose que os personagens estejam fazendo, chame os genitais de nomes como "membro", "sexo" e "intimidade", e evite expressões como "louco de tesão".

No entanto, palavrões podem sim ter seu lugar em cenas quentes! Narrativas em primeira pessoa podem ser incrementadas com alguns nomes "feios" para serem mais realísticas, e se os personagens estão conversando no calor do momento, eles até que podem deixar a educação um pouco de lado. Apenas não exagere, tudo bem?


2) Encher o texto de eufemismos desnecessários

"Doce néctar do prazer", "minha flor”, “sua lança comprida”? Isso é um concurso de poesia ou é uma cena de sexo? Qual a necessidade de usar metáforas bregas e no mínimo estranhas para se referir a certas coisas que você pode descrever normalmente sem causar estranhamento ou risadas por parte do leitor?

É claro, o sexo é considerado algo “sujo” e muitos escritores — em especial aqueles que nunca escreveram nada desse tipo — costumam ter vergonha na hora de descrever. Por isso as metáforas. Ou então, para deixar o texto menos “vulgar”. O problema é que, na grande maioria das vezes, isso acaba tirando todo o clima romântico, tenso ou luxurioso da cena e irá fazer com que tudo vire uma estranha comédia para quem está lendo.

No entanto, isso não significa que você não possa usar tais recursos. Comparar os toques dos dedos de alguém com choques elétricos, por exemplo, é interessante. 

Assim como os palavrões, as metáforas e comparações possuem seu lugar numa cena de sexo, mas não o tempo todo. Use com moderação e pense bem antes de usar. Pense bem: se você lesse isso escrito por outra pessoa, você riria ou acharia estranho? Se sim, é melhor deixar de lado, porque quem estará lendo provavelmente terá a mesma reação.


3) Descrever as intimidades dos personagens com detalhes demais

Todas as pessoas são diferentes, e nenhuma genitália é igual à de outra pessoa. Isso é algo que todo mundo sabe, mas que não precisa ser reforçado quando você está escrevendo uma cena de sexo. Esse é um erro que, por alguma razão, costuma aparecer mais nas fics escritas por mulheres — principalmente quando as mesmas são yaoi. É como se as autoras estivessem numa estranha competição para decidir quem consegue imaginar o pênis mais bonito para cada personagem, e para isso elas descrevem todos os detalhes possíveis.

Achou bizarro? De fato, é mesmo. Também pode ser considerado um tanto assustador, mas a questão não é essa, e sim que tais explicações são completamente desnecessárias para se compreender o texto. Acredite, seu leitor vai ser capaz de mentalizar o pênis ou a vagina de alguém sem precisar de um retrato falado do local. É claro que ele provavelmente não vai pensar nisso do mesmo jeito que você, mas vai fazer seu trabalho na cena, e é isso que importa.


4) Escrever linhas de “ohs” e “ahs”

Pessoas gemem, grunhem e fazem barulho durante o sexo. Elas também gritam, falam os nomes dos parceiros repetidamente, e podem até mesmo chorar ou rir. Mas você não precisa colocar tais falas o tempo inteiro. Quem está lendo sabe que está sendo prazeroso para os personagens, e que eles expressam isso com a voz, mas não precisa ser obrigado a ler linhas cheias de “oh”, “ah”, “hng”, “argh” e derivados. Isso não apenas torna a cena cansativa e entediante de ler, como também um pouco ridícula.

Você pode usar um pouco disso no meio de algumas falas para interrompê-las, mas também não faça isso em excesso. Coisas como “oh, Edwa— ah, ah, ah, Edward, eu — oh, hnnng, gah — eu te — oh, oh, sim — , amo!” são completamente desnecessárias. Assim como as descrições das genitálias, os detalhes vocais são algo que fica melhor quando deixados em aberto para o leitor imaginar o que quiser.



5) “Eu vou, eu vou… Aaaaaaah!”

Oh, o orgasmo! Uma das melhores sensações que uma pessoa pode ter, mesmo que dure apenas alguns segundos, e também um dos momentos em que os escritores mais erram na hora de escrever. É claro, depois de muitos beijos, carícias e suor, seus personagens merecem tal prazer, mas…

Eles precisam anunciar o tempo todo, e sempre do mesmo jeito? E seria apenas um grito a melhor forma de explicar para quem está lendo o que está acontecendo?

Como você deve ter imaginado, a resposta para essas duas perguntas é “não”. Deixe-me explicar os motivos.

Ninguém anuncia seus orgasmos toda vez que faz sexo. É claro, quem é familiarizado com o próprio corpo sabe dizer quando o grande momento se aproxima. Porém, em um momento intenso como esse, não é sempre que uma pessoa vai comentar isso, até porque ela provavelmente vai estar mais ocupada gemendo. Além disso, assim como com os “ohs” e “ahs”, ninguém quer ler um grande “AAAAAAAAAAAH” para representar o orgasmo. Mas como indicar isso sem gritos, então?

A resposta é simples, meu caro escritor: descrevendo. Você já deve ter lido em muitos locais que isso é algo “indescritível”, mas na verdade é sim. E como para cada pessoa é algo diferente, use isso ao seu favor. Enquanto alguém pode apenas se tremer todo e grunhir, outro personagem pode ser mais “selvagem”, arranhando o parceiro e se agarrando ao mesmo com força. Sem falar que é bem mais interessante deixar seu leitor imaginar seu casal se contorcendo de prazer na cama do que apenas gritando.


6) Exagerar no “eu te amo”

Tudo bem, eu entendo que, quando um casal resolve fazer sexo, é para demonstrar o quanto se amam e o que sentem um pelo outro. Porém, dá para perceber isso pelos beijos, abraços, carinhos, entre outros gestos no meio do ato. Fazer alguém deixar escapar um “eu te amo” algumas poucas vezes é até aceitável e fofo, mas não é necessário que nenhum dos dois envolvidos repita isso pelo menos a cada estocada ou entre cada gemido, até porque soa extremamente falso.

E essa dica vale para toda e qualquer declaração de amor em qualquer momento de sua história! Então, por favor, use com moderação.

Ufa, acabamos! Por enquanto. Afinal, essa é apenas a primeira parte. Ainda tem muitos erros que não foram mencionados aqui, mas que serão devidamente explicados e corrigidos nos próximos posts.

Até a próxima, pessoal!



Material consultado:

Acervo de fanfictions do Nyah! Fanfiction
Entrevista aos membros da Liga dos Betas
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Conflito narrativo

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Por: Daniel Cavalcante (colaborador)


Conflito. Algo que não desejamos em nossas vidas, mas que é indispensável para nossos queridos personagens. Afinal, sem ele não existe história.

Mas o que é conflito? Briga? Guerra? Pancadaria? Sim, mas não apenas isso. Vamos ver a definição da palavra no Dicionarioweb:

Oposição de interesses, sentimentos, idéias.
Luta, disputa, desentendimento.
Briga, confusão, tumulto, desordem.
Desentendimento entre países.
Conflito armado, guerra. 

Conflito de jurisdição, situação em que dois órgãos judiciais pretendem conhecer de uma mesma questão ou a isso se recusam, por atribuir cada qual ao outro tal competência. 

Psicanálise: Situação em que, no indivíduo, se opõem os impulsos primários e as solicitações ou interdições sociais e morais.


Conflito significa problema a ser resolvido. Como foi visto em outro artigo, personagens precisam de um objetivo. As metas fazem as pessoas se moverem, tomarem atitudes e fazerem escolhas. No entanto, cada movimento dos personagens, dá a você uma oportunidade de apresentar-lhes as forças do antagonismo.

O antagonismo não é necessariamente uma pessoa, embora normalmente ele seja apresentando na forma de um vilão. Mas, essencialmente, é tudo aquilo que se posiciona entre o personagem e seu objetivo na cena. Todas as cenas, e a história em si, são elaborados em cima dos objetivos e dos conflitos que surgem. A estrutura é sempre a mesma:


Objetivo > ação > obstáculo

Exemplo: Pedro quer beber água > Pedro se dirige ao bebedouro > O bebedouro está seco.



A partir disso, você pode criar toda uma cena, história ou simplesmente resolver a situação na próxima ação do personagem.

Se optar por criar uma cena inteira a partir dessa situação, você pode criar conflitos atrás de conflitos. O importante aqui é ter o cuidado de que cada novo conflito seja maior e mais desafiante que o anterior.

Exemplo: Pedro continua com sede > procura por um bar e pede água ao atendente > O homem, meio rabugento, diz: custa dois reais. Pedro enfia as mãos no bolso e tira apenas uma moeda de cinco centavos.
Pedro continua com sede > Diz ao homem que serve água da torneira > O homem diz que o bairro inteiro está sem abastecimento de água desde as sete da manhã.

Percebam que a resolução do conflito parece estar cada vez mais além da capacidade do protagonista resolver a situação. 

Conflitos são naturais na vida do ser humano. Passamos por eles, muitas vezes sem perceber. Normalmente xingamos, reclamamos e nos estressamos com eles. Mas precisamos entender que eles nos fazem crescer e amadurecer. Use os conflitos de suas histórias para criar a evolução dos personagens.

Existem três níveis de conflito: interno, pessoal, extra-pessoal.

a) Conflito Interno

São aqueles em que o conflito está no próprio personagem. Ele mesmo é sua limitação e obstáculo. Seu corpo, sua mente, seus sentimentos o atrapalham. São lutadores fracos, alunos incapazes, paqueradores tímidos, empregados incompetentes. As possibilidades são infinitas. 

O mais básico dos conflitos internos é o de origem física. O personagem não tem força ou capacidade de executar sua tarefa. Exemplos:


Naruto quer ser o Hokage > Naruto treina para aprender jutsus poderosos > Naruto é incapaz de aprender.

Keichi quer namorar com Belldandy > Keichi vai se declarar a ela > Keichi é muito tímido.


Esse tipo de conflito é interessante quando trabalhado na esfera psicológica. Exemplo:

Shinji quer mostrar seu valor a seu pai > Shinji resolve pitolar o EVA para impressioná-lo > Shinji é mentalmente desequilibrado e pilotar o EVA é traumatizante, o que lhe causa danos psicológicos.


Ainda temos conflitos internos de cunho sentimental. Exemplo:

Homem Aranha quer salvar uma vítima das garras do vilão > Homem Aranha parte pra cima do vilão com tudo, antes que o malfeitor jogue a vítima da ponte > O vilão é o pai do melhor amigo do herói. Homem Aranha precisa escolher entre matá-lo e deixar a vítima morrer.


Ou ainda alguém pode se encontrar em conflito de seus desejos contra seus princípios e convicções. Exemplo:

Batman quer deter o Coringa > Coringa só pode ser detido se for morto > Batman não mata.

Conflitos internos revelam o homem como pior inimigo de si mesmo. Lembre-se que esses conflitos não são a resposta final, e sim a apresentação do problema. A partir disso, os personagens lutarão para superá-los ou encontrar outra solução até então ignorada.


b) Conflito Pessoal

São conflitos com outras pessoas. Alguém se coloca diante do personagem e seu objetivo, com clara intenção de impedi-lo. Ou talvez simplesmente está no lugar errado, na hora errada.

O mais básico dos conflitos pessoais nas histórias ocorre entre heróis e vilões. Exemplos:

Professor Xavier quer unir humanos e mutantes > Xavier convoca os mutantes e prega sua causa aos humanos > Magneto quer que os mutantes dominem os humanos e convoca mutantes para seu grupo “terrorista” e ataca os humanos.

Mas podemos cirar inúmeras situações diferentes. Por exemplo, conflitos entre parceiros:
Kira quer um parceiro para usar em suas táticas de assassinato > Kira resolve usar Misa > Misa é tapada e descuidada, atrapalhando seus planos.

Nana quer ser amada por alguém > Nana se encontra com um homem que conhece por acaso > O homem é casado e não a ama.

Roscharch quer colocar os Minuteman na ativa novamente > Rorcharch visita cada ex-membro do grupo para convoca-los > Todos estão vivendo outras vidas e recusam ao chamado.

Obi Wan quer resolver uma missão > Obi Wan sai para a missão com seu discipulo Anakin > Anakin é insubmisso, impulsivo e arrogante, colocando a vida de ambos em risco.


As pessoas são antagonistas umas das outras, mesmo no sentido mais figurado e indireto da palavra. Podem estar presentes em lutas, no ambiente de trabalho, dentro de casa. Pode ser uma batalha para salvar o mundo ou em uma discussão entre marido e mulher para decidir quem lavará a louça.

c) Conflito Extra-pessoal

O obstáculo não são pessoas, mas sim uma organização, uma entidade pública, um governo, uma força superior, um exército, o mundo, a natureza, deuses, o “azar”.

Exemplos:

Luke Skywalker quer vingar sua família que foi assassinada > Luke parte para o espaço com Obi Wan para lutar contra quem matou sua família > Luke precisa enfrentar o Império Galático.
Homem Aranha quer salvar as pessoas > Homem Aranha salva as pessoas > O Clarin Diário mostra o herói como uma ameaça pública, colocando a polícia contra ele.

L quer parar o assassinato de criminosos > L investiga os assassinatos > Descobre que existem deuses da morte envolvidos na história.

Keichi e Belldandy querem ficar juntos > Keichi e Belldandy vão morar juntos > O céu vira um caos e os deuses superiores ordenam o retorno de Belldandy à sua função celestial.

Frodo quer destruir o Anel do poder > Frodo vai até a montanha destruir o Anel > Sauron coloca todo seu exercito de criaturas monstruosas atrás de Frodo.

Leônidas quer proteger seu povo da invasão persa > Leônidas leva seus soldados à guerra > Leônidas precisa enfrentar um exercito gigantesco, contando com apenas 300 homens ao seu lado.

Podemos ainda mencionar muitas outras possibilidades de conflitos extra-pessoais. Terráqueos em mundos alienígenas, igrejas e seus fiéis rebeldes, um messias não compreendido pelo mundo, um robô inteligente e os humanos, um operário lutando judicialmente contra a empresa onde trabalha, um viajante do tempo jogado em uma época diferente. 
Mas lembre-se de que se uma organização estiver contra o personagem, não significa que os membros dessa organização também estejam. Eles apenas cumprem ordem. Por isso não é um conflito interpessoal. No entanto, durante o enredo você pode inserir um personagem dentro dessa organização que encarna esse antagonismo e representa os interesses do grupo ao qual ele pertence. Também pode inserir um que vá contra essa organização e se alia ao herói.

Exemplo: Em Blade Runner, Deckard está caçando replicantes amotinados. Ele está lutando contra um grupo que defende seus próprios interesses. Porém, Roy, o líder do grupo, surge como o epicentro do motim, aquele que tem em si todas as convicções pessoais defendidas pelo grupo. Dentro da narrativa, a questão filosófica dos replicantes é mostrada por ele.

Já em Star Wars, Darth Vader, que antes pertencia ao Império Galático e defendia seus interesses, decide se voltar contra o Imperador e ajudar Luke.

Objetivos e conflitos são o motor de uma história. É através deles que conhecemos verdadeiramente os personagens que estão por trás da caracterização apresentada no início da narrativa. É o conflito que faz o personagem se esforçar, se superar e continuar se movendo. Que graça teria se nossos personagens conseguissem tudo o que quisessem sem esforço algum?

Desafio: Você tem algum exemplo destes três níveis de conflito? Conhece algum tipo de conflito que não foi mencionado aqui? Compartilhe conosco, comentando ali embaixo. Ajudem a enriquecer o post. É blogueiro? Faça sua lista de tipos de conflitos que você não encontrou aqui, ou um post recheado de exemplos de conflitos nas histórias que você curte. Coloque o link desse nosso post em seu texto e colocaremos o link do seu, aqui mesmo. Assim, será uma boa troca de informação e de divulgação.

***
Daniel é escritor, autor de contos publicados nas antologias Extraneus - Em Nome de Deus (ed. Estronho) e Crônicas da Fantasia (ed. Literata). Esse texto foi um presente para a Liga dos Betas, postado antes na sua extinta Revista eletrônica Quadrinize, especializada em auxiliar os autores iniciantes na composição de seus textos ficcionais . É possível conferir outros trabalhos do autor na seguinte página: http://abismoinfinito.wordpress.com/
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Clube de leitura 5a rodada

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Por: Lady Salieri (Liga dos betas team)


Olá, pessoas queridas!

Desculpem pela demora em relação ao clube de leitura, porém nós tardamos, mas não falhamos. E é exatamente por isso que estou aqui hoje:

Venho declarar aberta a 5a rodada do clube de leitura!


Então, para sortear a fic, eu deixei a exata ordem em que elas se encontravam no post sobre a 4a edição do clube de leitura, conforme vocês pode conferir aqui e no print abaixo:


E usei o site sorteador: 


Conforme está no print, a fic sorteada para nossa 5a edição é a fic número 3: 


Dez meninos negros 


Quem sai aos seus, não degenera. - História de um serial killer


Classificação: +13
Categorias: Originais
Gêneros: Darkfic, Death Fic, Drama, Humor Negro
Avisos: Mutilação, Tortura, Violência

O prazo para envio das resenhas é até o dia 10/09/2013 às 23h59


Lembrando que as resenhas deverão ser enviadas para o email ligadosbetas@gmail.com, em arquivo doc ou no próprio corpo do email, e deve conter os seguintes dados:

> Seu nick:
> Link do seu perfil no Nyah:
> Sua resenha
> O link de one-shot  ou short fic (concluídas e postadas no Nyah) se você quiser participar do sorteio para a 6a rodada

(Não serão aceitas resenhas enviadas para qualquer outro lugar que não seja o email)

Boa leitura, pessoas queridas!



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Entrevista com o escritor José Roberto Vieira

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Por: Cyndi
(Team Liga dos betas)


Olá, sou a Cyndi e trago a segunda de uma série de entrevistas que será muito útil para qualquer um que leve a literatura a sério. Fui atrás de pessoas que já publicaram profissionalmente e/ou trabalham em editoras, e teremos coisas muito interessantes. Dicas, conselhos e alertas de quem já chegou onde todos nós sonhamos em chegar: ter um trabalho nas prateleiras de uma livraria e ganhar alguma coisa com isso.

Dessa vez o entrevistado é o José Roberto Vieira, escritor de steampunk e companheiro de cyberativismo. O trabalho dele pode ser encontrado aqui:http://editoradraco.com/?s=jos%C3%A9+roberto


Cy: Oi! Quenhé você? (aproveita pro jabá)

JR: Bom, eu sou o José Roberto Vieira, também conhecido como Zero. Sou formado em Letras e Licenciatura pelo Mackenzie, especialista em Jornalismo pelo SENAC e Psicologia pela Universidade de Toronto.

Eu escrevi um livro chamado “”O Baronato de Shoah – a canção do silêncio” que é o primeiro romance steampunk brasileiro e eu acho que você deveria ler esse livro por que ele é muito legal, tem um monte de explosões, aventura, romance e mistérios.

Além dele eu tenho dois contos (até o momento desta entrevista) publicados pela editora Draco, um deles é “O Monge” e o outro “Seolferwulf””, ambos são spin-offs do Baronato de Shoah. Eu acho que você deveria ler ambos por que eles complementam a história do meu livro e você vai se divertir muito.

Sério.


Cy: Há quanto tempo escreve? Como começou e por que resolveu escrever?

JR: Eu comecei a escrever lá pelos meus quinze ou dezesseis anos fazendo fanfics de Final Fantasy (na época a internet era coisa de rico e o termo “fanfic” nem cogitava em existir. Eu também imprimia essas histórias e mostrava pros amigos da escola, que sempre achavam maravilhoso qualquer coisa que eu escrevia, incluindo pichações em muros alheios.

Enfim...

Eu resolvi escrever por que eu me apaixonei pela coisa, sabe? Comecei fazendo histórias bobas, depois jogando RPG de videogame e de mesa, me envolvendo com pessoas com a mesma paixão, estudando, lendo, revisando, lendo, escrevendo, lendo.


Cy: Tem o hábito de mostrar seus textos para outras pessoas? Por que?

JR: Eu sempre estou atrás de leitores betas, sabe por quê? Por que mesmo o melhor dos autores precisa de críticas antes de lançar seu livro, é impossível detectar erros e deslizes nas suas histórias, depois de 3 meses com a cara enfiada na tela você simplesmente fica “viciado”” no seu texto e não consegue mais ver as imperfeições nele.

Entregar o texto para as pessoas é importante por isso, geralmente os primeiros leitores vão fazer críticas muito parecidas com o grande público. É uma preparação para o devir, para o seu futuro.


Cy: O que você espera de um beta reader quando envia algo pra ele?

JR: No geral eu direciono os beta readers, explico o que eu queria passar no texto e deixo que eles encontrem os recursos literários que eu usei. Na maioria das vezes funciona, na maioria das vezes eles encontram ou gostam de coisas que eu nem sabia estarem ali.

Mas, às vezes, eu não falo nada, apenas mando o arquivo e uma sinopse temporária e espero a respostas. É surpreendente ler as críticas, principalmente quando envio o texto para várias pessoas e cada uma delas responde coisas diferentes.

O que eu faço nesse caso?

Eu trabalho com graduações, das coisas mais comentadas para as menos comentadas.

Primeiro eu vou aos pontos em comum em todas as críticas e os analiso. Convenhamos, se você mandou seu texto para 10 pessoas e 9 reclamaram que a “conversa no jantar após os personagens se reunirem” não está boa significa que ela realmente tem problemas, não?

Depois é só seguir, pegando o que foi menos comentado até os casos isolados.


Cy:Você já foi beta reader de alguém? Como foi a experiência?

JR: Eu já fui beta de vários autores, incluindo um pessoal meio famoso, mas eu parei por que betar um livro é uma tarefa muito importante que exige tempo, concentração e dinheiro.

Explicando um a um.

Envolve tempo por que você tem de deixar de lado suas leituras.

Envolve concentração por que você não está lendo “normalmente”, você está procurando problemas e incoerências.

E envolve dinheiro por que eu não estou produzindo minhas próprias obras.

Na verdade, o problema é um pouco maior quando você está se tornando escritor profissional. Imagine que você me enviou uma história sobre uma menina que encontra um dragão nas montanhas e eles se tornam grandes amigos e tem de salvar o mundo. Eu leio, falo que não gosto, devolvo.

Dois meses depois eu lanço um livro sobre um guerreiro que monta um dragão e tem que salvar o mundo.

Teoricamente, não é a mesma história. Talvez eu nem tenha me influenciado pela SUA história, mas como eu vou provar o contrário? Eu parei de fazer leituras betas exatamente por isso, depois de lançar algumas histórias no mercado você é obrigado a mudar sua postura e dizer alguns “nãos” para amigos e conhecidos.

Também tem outro fator, eu faço “leitura crítica”” para o mercado editorial e fazer leituras beta (que é uma coisa mais amadora) consome muito do meu tempo.

Enfim...


Cy: Acha que o beta tem algum papel de importância na literatura?

JR: Os leitores beta são importantes exatamente por que não são leitores profissionais, por que, no geral, eles são o público comum, autores de fanfics, pessoas como eu era no começo de carreira. Um autor nunca sabe, exatamente, o perfil de seus leitores beta (diferente do leitor crítico) e pode se surpreender com as respostas obtidas.

Eu apoio os leitores beta!


Cy: O que você diria a centenas (ou milhões) de escritores de fanfics que sonham em chegar a um nivel pofissional?

JR: Não desista. Faça fanfics, depois faça aquels mundos copiados do seu autor favorito, depois faça mundos inspirados no que você gosta, então para para seu próprio mundo diversas vezes, até destruí-lo e criar algo genial.

Funcionou comigo.

(juro que chamei a mim mesmo de gênio totalmente sem-querer.. hahah)


Cy: O que diria a um bando de beta readers de fanfics que sonham em trabalhar profissionalmente com literatura de alguma forma?

JR: Escolha uma área da literatura que te agrada, edição, revisão, capista, copydesque, divulgação e vá atrás disso. O mercado nacional precisa MUITO de sangue novo, de ideias diferentes, de quebrar tradições...
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Colocação pronominal

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Por Letícia Silveira 
(Liga dos betas team)

            
Sendo um erro muito comum em fanfics, a colocação pronominal é a causadora de diversas dúvidas. Porém, antes de começarmos, precisamos rever o que são pronomes. Existem os pronomes pessoais retos, responsáveis pelas ações, ou seja, são sempre os sujeitos das ações: eu, tu, ele, ela, você, nós, vós, eles, elas, vocês. Logo, observemos alguns casos:
Ele estendeu o produto para eu o pegar.
Porém, existem também os pronomes oblíquos, que, no singular, são: mim, me, comigo, ti, te, contigo, o(s), a(s) , si, consigo, se, lhe. Já no plural, são: nós, conosco, nos, vós, convosco, vos, eles, elas, si, se, os, as, consigo, lhes. Não se preocupem, aqui não se trata de nenhuma decoreba, apenas queremos entendê-los e ver o seu devido uso. Vejamos, pois, um exemplo de utilização de um pronome oblíquo:
“O papel, você entregou ele ao João?” (= Errado, pois “ele”, nesse caso, não faz a ação, quem faz é “você”. Podemos descobrir o sujeito ao perguntarmos para o verbo: “quem entregou ao João?”.)
“O papel, você o entregou ao João?” (= Certo) Ele lhe entregou o papel.
Podemos observar que “lhe” indica o uso de uma preposição, ou seja, “ele entregou o papel a alguém”. Poderíamos, porém, ter usado o pronome “o”, que vem da mesma pessoa do singular. Vejamos:
Ele o entregou a ela.
No exemplo acima, percebemos que “o” substitui “o papel”, pois “o(s)” e “a(s)” são utilizados quando a preposição não é necessária. De tal maneira, “o” e “a” não usam preposição, mas “lhe” usa. Assim, não teremos mais a dúvida de como substituir devidamente o “te” em nossas falas. Observe a exemplificação através da transformação da fala abaixo:
“Eu te falei o que eu queria contigo, mas tu não me ouviste”.
Suponhamos que queiramos passar da segunda pessoa do singular (do “tu”) para a terceira (o “você”). Normalmente, isso ocorre quando queremos tornar a fala mais culta e mesclar aquele “te” da fala que mescla o “você” com o “te”. Assim, a correção seria:
“Eu lhe falei o que eu queria com você, mas você não me ouviu”.
Ou seja, eu falei a você (logo, ao substituí-lo, devemos colocar “lhe”, não “o”) o que eu queria com você (não é “consigo”, pois “consigo” apenas reflete a ação para aquela mesma pessoa: “ele falava consigo mesmo”), mas você não me ouviu (concordância verbal).

Estamos entendidos quanto à diferença entre “lhe” e “o” ou “a”?


Além disso, cuidemos esse “consigo”. Não é raro encontrarmos casos em que, em vez de “consigo”, deveria ser “com você”. E sim, “com você” existe e é perfeitamente utilizável ainda quando não for sujeito.

Agora, vejamos outro caso que gera dúvidas: como juntar o verbo ao pronome oblíquo. Pois bem, temos de cuidar quando houver “o(s)” ou “a(s)” para unirem-se ao verbo. Caso haja qualquer outro (lhe, se, te, me, nos...), não haverá modificação no verbo como: “trazer-lhe” ou “chamar-te”. Entretanto, nos casos dos pronomes “o(s)” ou “a(s)”, teremos de cuidar os verbos que terminam em R, S ou Z e devemos retirar essas letras fora, cortá-las. Assim, “cantamos” perde o seu “S” e fica “cantamo”. Depois disso, devemos adicionar um “L” junto ao “o(s)” ou “a(s)” e ligar essa nova estrutura (lo, los, la, las) ao verbo através de um hífen. Obteremos, em seguida, “cantamo-la”, ou “cantamo-las”, ou “cantamo-lo”, ou “cantamo-los”. Veja alguns exemplos abaixo:


Fizemos um desenho na folha de papel. --> Fizemo-lo.

Fez um desenho na folha de papel. --> Fê-lo na folha de papel.

Vou fazer um desenho na folha de papel. --> Vou fazê-lo na folha de papel.


Podemos observar que a acentuação da palavra muda. Isso ocorre porque o verbo torna-se uma palavra oxítona (com a sílaba tônica, a mais forte, no final) ou um monossílabo tônico (que tem a mesma sílaba no mesmo local; porém, a palavra é formada por uma única sílaba). Assim, palavras terminadas em “I(s)” ou “U(s)” não serão acentuadas.

Além desse caso do R, S ou Z, há também o caso de terminação em “M” ou sílabas com o acento til (a “cobrinha” em cima de algumas palavras). Nesses casos, o verbo não perde nenhuma letra, nada “cai” dele. Apenas acrescentamos o “N” antes dos pronomes oblíquos “o(s)” ou “a(s)”. Por exemplo:

Fizeram um desenho na folha de papel. --> Fizeram-no.

Põe um vaso em cima da cima. --> Põe-no.

Tranquilinho? É preciso revisar, tirar dúvidas e entender a parte anterior para poder passar para o passo seguinte: aprender a temível próclise, mesóclise e ênclise. Digo temível por elas terem esses nomes apavorantes; porém, não são tão monstruosas assim.

A próclise ocorrerá quando uma palavra que estiver anterior ao verbo puxar o pronome, como nesse caso: “Não me machuquei jogando basquete”. Já a mesóclise é a mais desconhecida, pois, quando nada puxar o verbo e ele estiver no futuro, devemos colocar o pronome no meio do verbo: “Machucar-me-ei jogando basquete”. Mas não se estresse, caro leitor, pois nada nessa vida é impossível. Porém, para nossa tristeza, ainda há a ênclise, que acontecerá quando não houver mesóclise nem nada puxar o pronome: “Machuquei-me jogando basquete”. Agora, estudemo-las a fundo.

Assim sendo, o que devemos pensar sempre uma coisa ao refletir sobre onde devemos colocar o pronome é:


1º) se deve ser próclise;

2º) se deve ser mesóclise ;

3º) se não for nenhuma das anteriores, será ênclise.



Próclise

A próclise é a responsável por puxar o pronome para antes do verbo. Isso ocorrerá quando houver:


A) Advérbios antes do verbo:

Lembremos que advérbios são coisas que indicam tempo ou frequência (jamais, nunca, sempre), lugar, companhia, ou que negam algo (não). Na dúvida, devemos saber que os advérbios não têm plural: não existem “jamaises” ou “nuncas”, eles têm uma única forma.


Não a queria lastimar.
Jamais o havia visto assim.



B) Pronomes antes do verbo:

Há outros tipos de pronomes como os indefinidos (que não definem): alguém, algo, ninguém, nada, tudo, quem. Além desses, há os pronomes relativos que servem de conjunções, sendo “o qual”, “que”, “onde”, “cujo”. Também existem os demonstrativos: isso, aquilo, esse, este. Sempre é bom nos mantermos informados sobre todos os tipos de pronomes para podermos puxar os oblíquos quando necessário.

Algo me dizia que aquilo não iria prestar.
Ninguém me dissera antes tal coisa.

Observação: não esqueçamos que “eu, tu, ele, nós, vós, eles” também são pronomes, mas são pronomes retos. Eles têm o privilégio de nos deixar optar se queremos ou não puxar o pronome oblíquo. Assim, podemos escrever “Ele me disse” ou “Ele disse-me” de acordo com a norma culta.



C) Preposição seguida de gerúndio:

Lembremos que gerúndio é o verbo terminando em “ANDO”, “ENDO” e “INDO”, como em andando, comendo e rindo. Vejamos alguns exemplos:

Em se tratando de violência no trânsito, o Brasil é capaz de destacar-se.



D) Conjunção subordinativa:

Esse nome assustador nada mais é do que o nexo da frase. Quando uma oração depende da outra para ter sentido, o nexo utilizado para unir as orações é uma conjunção subordinativa. Observe a frase: “Ele me deu um presente, mas eu o recusei”. É possível compreender o sentido dela lendo apenas “Ele me deu um presente” e, depois, “Eu o recusei”? Sim, é perfeitamente compreensível (pois se utilizou um nexo coordenativo, não subordinativo). Agora vejamos outro exemplo: “Ele me deu um presente ainda que não fosse o meu aniversário”. Podemos entender o sentido lendo apenas “Ele me deu um presente” e, depois, “Não fosse o meu aniversário” ? Não o compreendemos porque aqui temos, justamente, a bendita conjunção subordinativa. Eis alguns exemplos:

A fim de que me animasse, minha amiga levou-me àquela festa.

Tinha certeza de que já a conhecia já que me era conhecida a sua face.



E) Uma frase exclamativa consagrada:

Frases como “Deus me acuda!” foram consideradas como consagradas e, por conseguinte, não devemos escrevê-las na forma de “Deus acuda-me”. Aqui, deve-se utilizar a próclise também.
Deus me livre!




Mesóclise


A mesóclise é a responsável por posicionar o pronome no meio do verbo. Isso ocorrerá quando houver verbos no futuro (no futuro do pretérito ou no futuro do presente, ou seja, os verbos com desinências como “ria”, “re” ou “ra”):

Entregar-lhe-ei o presente. (Antes a frase era “Lhe entregarei o presente”, mas o pronome oblíquo nunca deve estar no começo de uma frase.)


A partir do exemplo acima, podemos perceber que a inclusão do pronome será a partir do “R” do verbo. Devemos, então, procurar o “R” do futuro, incluir o pronome (cuidando se caso for “o” ou “a” e tivermos de retirar o “R” e adicionar um “L” --> “pensá-lo-ei”) e separá-lo com hifens entre as partes do verbo. Assim, observemos algumas transformações:


Faria o trabalho sem dúvidas. -->Fá-lo-ia sem dúvidas.

(Eles) Porão a jarra na geladeira. --> Pô-la-ão na geladeira.



Ênclise

A ênclise é a responsável por colocar o pronome após o verbo, sempre o ligando através do hífen. Isso ocorrerá quando a próclise ou mesóclise não exigir o uso do pronome, respectivamente, antes ou no meio do verbo. Porém, há alguns casos em que não há escapatórias para o uso de ênclise e são eles:


A) Quando o verbo iniciar a oração:


Disse-lhe o que ela não queria ouvir. (Não poderia ser “Lhe disse” de acordo com a norma culta.)
Fê-lo porque o quis.*

*Jânio Quadros, tendo sido professor de Português, disse a frase “Fi-lo porque qui-lo”; porém, alguns gramáticos contestam a afirmação, que nada mais era do que uma brincadeira, dizendo que o “porque” puxaria o pronome “o”. Apenas por curiosidade...




B) Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:

O imperativo afirmativo é uma ordem ou pedido mais exigente que se faz a alguém. Por exemplo:

Sigam-me os bons!
Façam-no agora!

C) Quando houver uma vírgula antes do verbo:


Depois, disse-lhe o que ela não queria ouvir. (Sem a vírgula, “depois”, por ser um advérbio, teria puxado o pronome.)
Se não está chovendo, visto-me diferentemente.


D) Quando houver um verbo no gerúndio:

Ela perguntou fazendo-se de boba.
Despediu-se, abraçando-me.


Agora, teríamos terminado a nossa missão de hoje se não fossem pelas locuções verbais: temos de fazer uma observação especial para elas. 

As locuções verbais ocorrem quando há mais de um verbo explicitando uma única ideia. Podemos ter esses casos:



A) Verbo auxiliar + verbo no infinitivo (verbos terminado em AR, ER, IR)

Quando isso ocorrer, o pronome poderá se posicionar antes, depois ou no meio da locução. Apenas não podemos esquecer as regras anteriores para aplicá-las aqui.

Vou me vestir de preto hoje. (Estilo mais brasileiro)
Vou-me vestir de preto hoje. (Estilo mais português)
Vou vestir-me de preto hoje.

(“Me vou vestir de preto hoje” estaria errado porque o pronome não pode iniciar a frase. Se o verbo estivesse no futuro, a única opção seria: “Vestir-me-ei de preto hoje”.)



B) Verbo auxiliar + verbo no gerúndio (verbos terminados em ANDO, ENDO, INDO)

Aqui, o pronome também pode ocupar qualquer lugar: início, meio ou fim.

Vou me vestindo à medida que ouço a música. (Estilo mais brasileiro)
Vou-me vestindo à medida que ouço a música. (Estilo mais português)
Vou vestindo-me à medida que ouço a música.



C) Verbo auxiliar + particípio (verbos terminados em ADO, IDO ou ITO)

Aqui, o pronome pode estar no início ou no meio, mas nunca pode estar após o particípio. Por exemplo:

Tinha me vestido de preto. (Estilo mais brasileiro)
Tinha-me vestido de preto. (Estilo mais português)

(“Tinha vestido-me de preto” está errado de acordo com a norma culta assim como “Me tinha vestido de preto”.)


Por conseguinte, finalizamos essa parte de verbos e pronomes! Espera-se que, a partir de agora, não haja dúvidas na hora de posicionar o pronome. Entretanto, nunca é demais aprender, e, portanto, antes de encerrarmos essa matéria, podemos ver a diferença entre os alguns pronomes demonstrativos.


Pronomes Demonstrativos

Eles são responsáveis por apontar a aproximação do objeto com aquele que fala, com aquele que escuta e com aquele que está longe de quem fala e de quem escuta. Assim, temos:



A) ESTE, ESTA, ISTO

São usados para se referirem a algo que está perto de quem fala.

Este vestido é lindo para você usar na festa! (O vestido se encontra próximo de quem fala.)

Também são usados, em textos, para se referirem a algo que está por vir:

O meu pensamento é este: odeio preconceitos! (O pensamento a que o “este” se refere está especificado em seguida.)

Em termos de temporalidade, esses pronomes podem se referir a algo temporalmente próximo (mais atual). Por exemplo: “Esta sociedade caótica...”.



B) ESSE, ESSA, ISSO

São usados para se referirem a algo que está perto de quem escuta.

Esse vestido é lindo para você usar na festa! (O vestido se encontra próximo de quem escuta.)

Também são usados, em textos, para se referirem a algo que foi citado anteriormente:


Odeio preconceitos, esse é o meu pensamento (O “esse” se refere ao pensamento citado anteriormente.)



C) AQUELE, AQUELA, AQUILO

São usados para se referirem a algo que está longe de quem fala e de quem escuta.

Aquele vestido é lindo para você usar na festa! (“Aquele” indica certa distância.)

Observação: em textos, os pronomes podem desfazer ambiguidades (sentidos duplos). Por exemplo: “Se as amigas das minhas irmãs decidirem fazer uma única festa, aquelas irão à festa”. (“Aquelas” desfaz a ambiguidade que imporia o “elas” e se refere às primeiras, às amigas, pois elas estão mais longe na frase.) Ou “Se as amigas das minhas irmãs decidirem fazer uma única festa, estas terão trabalho”. (Nesse caso, “estas” desfaz a ambiguidade e aponta para o mais próximo.)


Agora, podemos descansar, queridos. Já vencemos palavreado demais para um único dia. Entretanto, espero que o cansaço tenha valido a pena, que tenham aproveitado essa lição de hoje. E, procurando evitar o uso inevitável dos pronomes, desejo-lhes um bom descanso.



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Escrever no meu estilo ou imitar os outros?

quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Por Anne L 
(Liga dos betas Team)


            
Muitos escritores iniciantes se deparam com essa pergunta quando se enveredam pelo mundo das fanfics. Você lê aquela fic perfeita, vê aquele texto tão bem escrito, fluindo tão bem, que não consegue evitar de se perguntar: “E se eu escrevesse assim?”. E se você escrevesse?

Conheço gente que torceria o nariz e repudiaria a ideia na hora, mas fato é que, mais cedo ou mais tarde – em geral, é “mais cedo” –, todo mundo acaba imitando alguém. Já diziam por aí, “nada se cria, tudo se copia”, embora para escrita não precise ser exatamente assim.

Escrever é uma atividade que exige constante prática, porém, antes de sair escrevendo 500 páginas, é preciso ler bastante. Por quê? Para expandir seus horizontes, melhorar seu vocabulário, entrar em contato com vários estilos de escrita diferentes e porque, quando não se tem o hábito de escrever, você fica sem base para começar uma história e desenvolvê-la. Devo fazer um prólogo? O primeiro capítulo começa direto com a ação? Eu deveria apresentar a personagem principal antes? E como eu sigo daqui? 

Claro que escritores experientes também se veem assombrados com essas dúvidas, mas saber o que funciona melhor para você já facilita, e muito. E a forma mais simples de fazer é assimilando os estilos alheios. Veja bem, eu disse assimilando, não copiando na cara dura e chamando aquilo de seu. Ah, você adora o jeito que aquela autora faz flashbacks? Tente fazer assim. Aquele autor escreve as melhores cenas de sexo que você já leu? Siga a mesma linha que ele para escrever a sua. Mesmo “imitando”, seu texto não ficará necessariamente igual, a não ser que você saia quase copiando a história do outro autor linha por linha. Só por ser você a escrever, com suas palavras, já deixa o texto bem diferente. Mas não confundam assimilação com plágio, por favor. Não falei para ninguém pegar a fic do coleguinha, alterar duas palavras e dizer que é sua. Bom senso, gente, sempre. 

Aí vem aquela pergunta: "mas, Anne, o certo não seria eu desenvolver meu próprio estilo?" Bem, isso é relativo. Como eu já disse antes, veja sempre o que funciona melhor para você. Ninguém desenvolve uma maneira de escrever cem por cento original do nada, no entanto, é inteiramente sua a decisão de evoluir a partir das ferramentas que pegou de outro autor ou não. Sabe quando você lê uma história e pensa “Se eu tivesse escrito, teria feito diferente”? Ou quando vê aquele flashback perfeito de antes e fala “Fulana não deveria ter feito assim...”? É seu estilo tomando forma. 

Mesmo assim, você pode muito bem escolher seguir as diretrizes de outra pessoa e pronto. É mais seguro, afinal, você já viu em prática, sabe que fica bom, sabe que os leitores gostam, então não tem por que mudar. Acho válido, porém, ter uma marca só sua tem suas vantagens. Uma das minhas autoras favoritas quando eu era mais nova era a Meg Cabot, famosa pela série O Diário da Princesa. Ela tinha algo, um quê só dela que, até hoje, me faz apontar para qualquer texto, em qualquer lugar, e berrar “Foi a Meg que escreveu isso!”, ainda que não saiba de antemão. E eu sempre acerto. 



Material consultado:
Guia de produção textual. Disponível em: http://www.pucrs.br/gpt/escritores.php. Acesso em: 12/8/2013

             



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Dicionário de termos e siglas do mundo das fanfics

terça-feira, 13 de agosto de 2013
Por: Gabriela Petusk 
(Liga dos betas team)


Bom dia, leitores e leitoras de todos os lugares! Ou boa tarde, boa noite, não sei. Aqui, pelo menos, é boa noite. O post que escrevi agora veio por necessidade. O mundo das fanfics é um meio com vocabulário próprio, com o qual bastante gente se confunde. Muitas dessas palavras são em inglês ou derivadas dele, e é uma língua que nem todos sabem. Com muito sangue derramado, metafórico, claro, coletei e coloquei em deliciosa ordem alfabética os mais frequentes entre os escritores em português (brasileiro, em sua maioria). Minhas fontes foram o artigo da Wikipedia em português, que tem uma lista até completa, mas bastante desorganizada, a versão em inglês, totalmente diferente, este site, embora alguns termos não sejam de uso na nossa língua, e a fabulosa ajuda dos meus colegas de Liga, aos quais agradeci no final. Lembrem-se sempre de que as referências quanto à classificação de faixa etária são referentes às regras do Nyah! Fanfiction. Os outros sites podem ser diferentes.

Como diz o título, é um dicionário, portanto, serve para consulta sempre que vocês precisarem. Sintam-se à vontade.

A


Angst: Alemão para “angústia”. Fanfic focada na tristeza psicológica das personagens. Não necessariamente tem um clima sombrio como a Darkfic (ver termo).


B
        
Bara: Subgênero do Yaoi (ver termo) referente ao tipo físico dos envolvidos. A palavra é o japonês para “rosa”, vinda da revista “Barazoku” (tribo das rosas, em japonês), a primeira publicação para leitores homossexuais. Os homens no Bara possuem pelos abundantes no corpo, são musculosos ou acima do peso; algumas fontes, por esse motivo, afirmam a ligação do nome do gênero com a palavra inglesa “bear”, urso.

Beta Reader: Inglês para “leitor beta”. O termo “beta”, na internet, tem uma conotação de teste ou prévia. Vem do alfabeto grego, sendo dele a segunda letra (β), correspondente ao B latino, e a primeira “alpha” (α), correspondente ao A. O “leitor alpha” é o público em si, o objetivo primário da fanfic; o beta é uma “leitura de teste” com direito a comentários para a melhora da qualidade da história. Em português, o leitor beta, ou apenas beta, exerce a atividade de betar e produz uma betagem. Um termo inglês com significado semelhante é “proofread”, “leitura de prova” ou “leitura de teste”, verbo esse usado em contextos profissionais, como editoras e redações.



C



Canon: Conteúdo que está plenamente de acordo com a obra original.

Citrus: Fanfic contendo romance adulto. O termo “romance adulto” não quer dizer apenas a existência de cenas de sexo, embora elas possam aparecer; é mais referente a temas maduros e sérios, como casamento e adultério, do que a relacionamentos jovens.

Crackfic: Fanfic com temática bizarra. Costuma ser de humor. Compare com crack pairing.

Crack pairing ou Crack ship: Casal (ship; ver termo) sem ligação e compromisso algum com o canon (ver termo), não usual ou bizarro. Compare com crackfic.

Cross-dress: Inglês para “travestir”. Fanfic onde uma ou mais personagens se veste com roupas próprias do sexo oposto. Compare com Genderbend.

Crossover: Fanfics onde ocorre o encontro de dois universos diferentes (como uma trama que una Pokémon e Digimon), não necessariamente de autores diferentes. Existe também a ocorrência de crossovers oficiais: a CLAMP, responsável por shoujos muito populares, utiliza-se disso para ligar as várias histórias que publicou.


D


Darkfic: Fanfic que contenha grande quantidade de cenas tristes, depressivas, angustiantes, etc. Uma história classificada como Darkfic tem um clima geral sombrio, não apenas alguns momentos. Compare com Angst. São o oposto das fanfics waffy.

Dark Lemon/Orange: Fanfic com cenas de sexo homossexual forçado (Lemon para homens e Orange para mulheres). A contraparte não consensual do Lemon e do Orange.

Deathfic: Fanfic onde ocorre a morte de uma ou mais personagens principais. A inclusão do aviso na história pode ser considerada spoiler, dependendo da trama. Se, por exemplo, o/a protagonista morreu logo no começo e o enredo é sobre a investigação de como aconteceu aquilo, eu pessoalmente não considero spoiler. O assunto é polêmico, deem a opinião de vocês nos comentários.

Disclaimer: Inglês para “renúncia”. Aviso que deve aparecer em toda história baseada numa obra já existente (fanfiction em geral) renunciando à obtenção de lucro e à autoria de qualquer coisa que não seja do escritor da fanfic. Um exemplo de disclaimer seria: “Personagens e universo original de 'Harry Potter' pertencem a J. K. Rowling; história ficcional e não-oficial escrita sem fins lucrativos.”

Double Drabble: Fanfic com um máximo de 200 palavras. Ver Drabble.

Drabble: Fanfic de até 100 palavras. Existem pessoas que postam drabbles em série, vários capítulos com esse mesmo tamanho. Ver Double Drabble.


E

Ecchi: No ocidente, é usado para aquelas histórias que apresentam sexo ou nudez implícitos.


F


Fandom: Inglês para “domínio de fã”. Tudo o que diz respeito ao grupo de fãs de uma história e sua produção (fanfics, fanarts, cosplays, piadas internas, etc.)

Fanon: Uma ideia bastante difundida em algum fandom (ver termo) que tenha ganhado tanto reconhecimento dos fãs que tem uso frequente.

Femmeslash: Fanfic com o tema central “relacionamento amoroso entre duas mulheres”. A contraparte feminina do slash (ver termo). Não se restringe a histórias de origem japonesa como o Yuri (ver termo).

Ficwriter: Termo em inglês para escritor de fanfiction.

Fluff: Fanfic de romance mais fofa e doce do que um romance comum. Sinônimo de waff.

Furry: Inglês para “peludo” ou “felpudo”. Fanfic com personagens animais ou com características animais, como orelhas felinas e rabo. Os elementos animais costumam vir acompanhados de traços de personalidade correspondente à espécie, porém, não é regra.


G



Gary Stu: Contraparte masculina da Mary Sue (ver termo). Sinônimo de Marty Stu.

Genderbend/Genderflip/Genderswap: Inglês para “troca de gêneros”. Ato de criar uma contraparte do sexo oposto de uma personagem que já existe. É uma prática bastante popular nos fandoms (ver termo) de anime.      

H
        

Headcanon: Não tem tradução para o português. O headcanon consiste em uma teoria usada para explicar alguma pergunta não respondida no universo canon (ver termo).

Hentai: Fanfic contendo cenas de sexo heterossexual. O hentai como gênero de anime tem algumas características específicas, como subgêneros próprios; um termo mais neutro para fanfics que não correspondem a isso e/ou não fazem parte do universo dos animes é NC-17, que remete à classificação. Deve ser classificado como +18.



L

Lemon: Fanfic com cenas de sexo explícito entre homens. Deve ser classificada como +18. A contraparte masculina do Orange (ver termo).

Lime: História com cenas de sexo implícitas. O termo se aplica tanto a casais heterossexuais quanto homossexuais e deve ser classificada como +16.

Lolicon: Fanfic contendo um romance entre uma pessoa adulta (de qualquer sexo) e uma garota jovem, ou entre duas garotas jovens. O termo surgiu da abreviação do inglês “Lolita complex”, complexo de Lolita, personagem do romance homônimo de Vladimir Nabokov. Como o termo foi criado no Japão, e no país a idade de consentimento para o sexo é de 12 anos, fica incerto o limite de idade para que uma história seja classificada como lolicon no ocidente. A contraparte feminina do shotacon (ver termo).

Longfic: Fanfic de longa duração. Termo semelhante, mas não idêntico, a saga (ver termo). Não existe um consenso sobre qual seria o tamanho mínimo ou máximo para que uma fanfic seja considerada longfic.





M


MPREG: “Male Pregnancy”, inglês para “gravidez masculina”. Fanfic onde homens geram um bebê por meios naturais.

Maintext: Conteúdo existente e explícito na obra original. Ver Subtext e Canon.

Marty Stu: Contraparte masculina da Mary Sue (ver termo). Sinônimo de Gary Stu.

Mary Sue: Tipo de personagem idealizada, normalmente sem defeitos. Costuma ser criada para a satisfação imaginária dos desejos do escritor, para que os leitores a admirem, invejem e/ou tenham pena dela. Costuma ter tratamento preferencial da parte do autor: tem a atenção maior na história, é perdoada quando os outros seriam punidos, consegue tudo o que quer com extrema facilidade e outros. É mais comum que a Mary Sue seja mulher, mas existe a versão masculina, o Gary Stu ou Marty Stu. Mais sobre o assunto aqui e aqui. Links em inglês.


O



OC: "Original Character", inglês para “personagem original”. Uma fanfic com um OC tem uma personagem criada pelo autor e inserida em um universo já existente.

One-shot: Fanfic de capítulo único. Escritores de ficção original preferem o termo “conto”, porém, one-shot também é de amplo uso para a situação.

OOC: "Out of Character", inglês para “fora da personagem”. Ocorre quando uma personagem age em desacordo com sua personalidade original. Nem sempre é um defeito na história; veja mais a respeito aqui (link para o post “oito erros”).

Orange: Fanfic contendo cenas de sexo explícito entre mulheres. Deve ser classificada como +18. A contraparte feminina do Lemon (ver termo).

OTP: Sigla em inglês para “one true pairing”, um casal verdadeiro. Casal canon (ver termo) em uma história ou favorito de uma pessoa.



P


Pairing: Inglês para “tornar um par”. Casal ficcional, canon (ver termo) ou não. Sinônimo de ship. Também pode se referir ao ato dos fãs de torcer por um ship (shippar).

POV: Point of View, inglês para “ponto de vista”. Em português, também é válida a abreviação “PDV”. Indica o narrador ou foco narrativo daquele momento.


PWP: "Porn Without Plot", inglês para “pornografia sem enredo”. Fanfic sem uma trama definida que costuma apresentar apenas cenas de sexo.



R


R.A.: Sigla para Realidade Alternativa. Fanfic que usa universo e personagens canon (ver termo), mas altera o enredo. Termo semelhante, mas não idêntico, a What If (ver termo).

Reboot: Inglês para “reiniciar”. Consiste em escrever uma história ou fanfic a partir da estaca zero, com as mesmas personagens e ignorando totalmente o enredo anterior. Prática mais frequente nos jogos.

Review: Inglês para “revisão” ou “crítica”. É o comentário com a opinião do leitor deixado após ler a fanfic. A Liga dos Betas recomenda: envie sempre o seu.

Roleplay: Inglês para “interpretação de papéis”. Modalidade de jogo online, de mesa ou por escrito (normalmente em fóruns) em que os participantes criam uma personagem para si e jogam como ela dentro de um universo estabelecido.



S



Saga: Fanfics com muitos capítulos; normalmente, mais de vinte.

SAP: “Sweet as possible”, inglês para “tão doce quanto possível”. Fanfic fofa e doce sem exageros. Termo de pouco uso nas fanfics em português. Não tem ligação com a tecla SAP.

Self Inserction: Fanfic onde o autor se insere como personagem na história.

Ship: Termo derivado do inglês “relationship”, relacionamento, significando casal ficcional. Pode ser canon (ver termo) ou não. Sinônimo de pairing. Também pode ser escrito no gerúndio: “shipping”. O sufixo também está presente na palavra “friendship”, amizade, não tem tradução exata para o português. Ships podem ser escritos com uma barra ou uma letra X entre os nomes dos componentes, uma combinação dos dois nomes ou uma palavra de comum acordo no fandom (ver termo) que represente o ship. Exemplos: Harry/Ginny, Ron X Hermione, NaruHina (Naruto e Hinata), Revolutionshipping (Yami Yugi e Anzu, de Yu-Gi-Oh Duel Monsters) e Bittersweet (Neji Hyuuga e Tenten, de Naruto). Existe o costume de escrever o nome do homem antes do da mulher em um ship heterossexual, assim como o do parceiro ativo antes do passivo nos ships homossexuais, porém, não é uma regra.

Shipper: Pessoa que é fã de determinado casal e/ou escreve sobre ele. Um shipper exerce a atividade de shippar, “shipping”, em inglês. Compare com ship.

Shipwars: Inglês para “guerra de ships”. Discussão ferrenha acerca de qual ship (ver termo) é melhor ou “mais canon” (ver termo). Costuma ocorrer entre shippers (ver termo) de diferentes casais.

Shortfic: Inglês para “fic curta”. História com mais de um capítulo, porém, não tão grande como uma longfic (ver termo) ou uma saga (ver termo), contendo um máximo aproximado (mas não consensual em todo o meio das fanfics) de dez capítulos. Os capítulos costumam não ser muito longos, parando por volta das três mil palavras, dado que também não é de comum acordo.

Shotacon: Fanfic contendo um romance entre uma pessoa adulta (de qualquer sexo) e um garoto jovem, ou entre dois garotos jovens. O termo tem origem no inglês “Shotaro complex”, complexo de Shoutarou, personagem do mangá Tetsujin 28-go. Como o termo foi criado no Japão, e no país a idade de consentimento para o sexo é de 12 anos, fica incerto o limite de idade para que uma história seja classificada como shotacon no ocidente. A contraparte masculina do lolicon (ver termo).

Shoujo-ai: Fanfic com relações românticas leves, normalmente platônicas, entre mulheres. A contraparte feminina do shounen-ai (ver termo). Mais comum em obras de origem japonesa e nas fanfics derivadas delas.

Shounen-ai: Fanfic com relações românticas leves, normalmente platônicas, entre homens. A contraparte masculina do shoujo-ai. (ver termo). Mais comum em obras de origem japonesa e nas fanfics derivadas delas.

Side Story: Inglês para “história lateral”. Capítulo bônus ou história curta que narra algo paralelo à trama original ou explica algo não resolvido. Não é necessária para o entendimento do enredo principal, apenas o complementa.

Slash: Fanfic com o tema central “relacionamento amoroso entre dois homens”. "Slash" é a palavra em inglês para "barra", o caractere usado para escrever um ship (ver termo). Não se restringe a obras de origem japonesa como o Yaoi (ver termo).

Songfic: Fanfic que contém a letra de alguma música na história para complementar a narrativa, ou cujo enredo se baseie em uma letra.

Spin-off: Obra narrativa derivada de uma que existia antes. Uma das séries que possui vários deles é Law & Order, cujo spin-off Law & Order: Special Victims Unit é até mesmo mais popular do que o original.

Subtext: Conteúdo existente na obra original, porém não explícito. Não deixa de ser considerado canon (ver termo) por não ter sido descrito. Costuma dar muita abertura à criação de fanfics; um exemplo perfeito do fenômeno é o grupo dos Marotos, em Harry Potter. Ver Maintext.

Subtexters: Fãs das informações deixadas como subtext (ver termo) pelo autor e que exploram isso em suas histórias.



T

TWT: “Time? What time?”, inglês para “tempo, que tempo?”. História cuja sequência não acontece em ordem cronológica (passado, presente e futuro). Pode ocorrer uma inversão, como na série de filmes Star Wars, ou ir e voltar durante a narrativa. Dom Casmurro, de Machado de Assis, pode ser de certa forma configurado como um TWT.




U

U.A.: Sigla para Universo Alternativo. Fanfic que usa personagens de uma história em um universo diferente.




Y

YA: Sigla em inglês para “Young Adults”, jovens adultos. Literatura direcionada para adolescentes e, como o nome diz, jovens adultos, faixa etária que vai até por volta dos 25 anos. Com o crescimento do público, deixou de ser apenas uma classificação indicativa e se tornou um ramo editorial ou até mesmo um gênero. Costuma ter protagonistas com idade próxima à dos leitores e trazer questionamentos comuns dessa época de vida, como a fase adulta que se aproxima e a busca pela identidade. É um dos gêneros de livro que mais baseia fanfics.

Yaoi: Fanfic com romance entre dois homens. Termo mais usado em obras de origem japonesa (animes e mangás). A contraparte masculina do Yuri. É uma sigla derivada da frase “Yama nashi, ochi nashi, imi nashi”, japonês para “sem pico (clímax da história), sem queda (desfecho), sem sentido”, sentença usada para definir a falta de um enredo no início do gênero, que se comportava de maneira semelhante ao PWP (ver termo) nas fanfics.

Yuri: Fanfic com romance entre duas mulheres. Termo mais usado em obras de origem japonesa (animes e mangás). A contraparte feminina do Yaoi. “Yuri”, em japonês, é a palavra para “lírio”. Surgiu na antiga revista “Barazoku” (tribo das rosas, em japonês), voltada para o público homossexual masculino, em uma coluna de nome “Yurizoku no heya” (sala da tribo dos lírios, em japonês), esta sendo voltada para as leitoras.


W


Waff: Sigla em inglês para “warm and fuzzy feeling”, “sentimento caloroso e fofo”. “Espírito” de uma fanfic focada em ser agradável e/ou romântica. Ver Waffy e Fluff.

Waffy: Adjetivo para uma fanfic que contém Waff. Ver Waff e Fluff.

What If: Inglês para “e se”. Fanfic que explora um enredo baseado em: o que aconteceria se a história tomasse um rumo diferente. (Ex: Harry Potter voltar ao passado para salvar o mundo bruxo; etc.). Termo semelhante, mas não idêntico, a R.A. (ver termo).




E então, pessoal, faltou algum? O que acharam do post? Os comentários são espaço de vocês para dizer. Muito obrigada a todos que me ajudaram com a leitura pré-publicação e com termos que faltavam: Gee, Igor, Duda, Salieri, Jean Claude, Cyndi, Barbara, Diandra e Luh Black.
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As imagens que servem de ilustração para o posts do blog foram encontradas mediante pesquisa no google.com e não visamos nenhum fim comercial com suas respectivas veiculações. Ainda assim, se estamos usando indevidamente uma imagem sua, envie-nos um e-mail que a retiraremos no mesmo instante. Feito com ♥ Lariz Santana