Os 18 erros mais comuns em fanfics

terça-feira, 30 de abril de 2013

Por: Gabriela Petusk


Ahoy, marujo! Aqui é a limpadora de convés Gabriela Petusk. Tenho ordens expressas para assumir o comando do navio de vez em quando, har, har, har! Então, obedeça-me acompanhe-me neste post. *joga o esfregão em qualquer canto*

Quando você escreve ou lê fanfics há certo tempo, começa a perceber que elas têm coisas em comum. Se você é, por exemplo, fã de um anime em especial, vai notar que algumas histórias começam todas com a mesma ideia. Que leitor de fics de Naruto nunca viu “Sasuke volta para Konoha e...”? Do mesmo modo, percebemos que existem muitos erros em comum. Alguns deles fazem centenas de leitores passarem raiva: “Não acredito que o autor fez isso de novo!” ou “Será que ninguém repara nisso aqui?”

Vim aqui para salvar o dia, ou pelo menos listar algumas coisas que os autores já deveriam ter parado de fazer há muito, muuuito tempo:


1) Usar internetês


sab cm eh rsrsrs n fik lgl se vc abrevia mt as coisas na hr d screver


Doeram seus olhos? Se não, deveria. Ao escrever uma história, seja num diálogo ou na descrição, mantenha distância. As abreviações servem para conversas informais e tão rápidas quanto possíveis. Você não quer dar impressão de que escreveu tudo com pressa, certo?

As únicas exceções para o internetês é quando as personagens da história estão conversando por mensagens no celular ou em algum chat da internet. Você, autor, deve passar longe do internetês.



2) Repetir palavras em excesso

Estou em casa. Fazia tanto tempo que não vinha para casa... Que saudades eu estava! É tão bom estar em casa outra vez. Tudo na casa está exatamente do jeito que eu deixei, mesmo que a casa toda esteja empoeirada. Ainda é a casa de antigamente.


Existem dois jeitos de usar a repetição. Um deles é feito por autores mais experientes, usado pra enfatizar alguma coisa. Mais do que isso: é proposital, não por acidente. O outro jeito deixa o texto chato e até irritante. Qual dos dois acontece com mais frequência? Uma chance para adivinhar.

Se eu, como leitora beta, fosse corrigir o trecho acima, ele ficaria mais ou menos assim:

Estou em casa. Fazia tanto tempo que não vinha para cá... Que saudades eu estava! É tão bom estar aqui outra vez. Tudo está exatamente do jeito que eu deixei, mesmo que todos os cômodos estejam empoeirados. Ainda é a casa de antigamente.

O problema real não é repetir, é fazer isso em um intervalo muito curto entre uma palavra igual e outra. Uma maneira de evitar isso é usar o localizador do Microsoft Word, ou da ferramenta de texto que você tem aí. Ele vai destacar aquele termo em especial, é só reler e apagar ou substituir aqueles que estão muito próximos. Simples, tecnológico e mágico.


3) Descrever personagens pela cor de cabelo o tempo todo

ATENÇÃO: Exemplo adaptado a partir de uma fanfic real. O trecho não foi utilizado de maneira depreciativa ou ofensiva ao autor, e sim para complementar o post. O nome do autor e da história não serão publicados por mim e nem devem ser divulgados nos comentários, caso o leitor do post conheça a fanfic em questão. 

O moreno olha com uma cara satisfeita para o ruivo e diz:—Eu já te diverti, agora me faça feliz.O ruivo olha para o moreno e diz:—Então, a partir de agora, você vai fazer o que eu mandar.

Por mais que, dependendo da situação fique claro de que personagens você está falando, fazer isso toda hora é péssimo. A imagem mental da cena é um monte de perucas interagindo.

Se a sua história tem um elenco muito grande de personagens, é mais conveniente usar os nomes deles em vez de 500 sinônimos diferentes (a garota, a menina, a loira, a estudante...). Para um bom exemplo disso, leia a série Harry Potter.


4) Nível de descrição: zero

Fulano, Ciclano e Beltrano vivem num mundo mágico. Os garotos passam o dia todo em aventuras pela floresta e treinando para serem grandes cavaleiros.

Uma coisa que pode soar óbvia, mas na qual muitos autores pecam, é achar que o leitor é vidente. Que se você apresentar uma personagem só pelo nome, é possível imaginar como ela é fisicamente. Que se você passar muito por cima na descrição é fácil visualizar a história. Não, não é.

Eu acredito que o quanto você descreve depende da história em questão e do seu estilo de escrita. Em uma fanfic de um anime popular, não é tão necessário assim falar “Naruto era loiro de olhos azuis” e coisas do tipo. Já em uma trama completamente sua, ninguém conhece o ambiente ou as personagens. Use sua intuição, pergunte aos amigos ou ao seu beta qual seria a medida.


5) Overdose de adjetivos

Lá estava ele. Alto, loiro, malhado, de ombros largos, postura confiante, o olhar sedutor que encantava todas as garotas, o sorriso atrevido, o andar despreocupado, vestindo seu casaco esportivo, a mochila dependurada em um ombro só, os tênis gastos pelo skate, as calças rasgadas, os amigos ao lado, todos muito menos bonitos que ele. Talvez se eu os visse sozinhos, até os achasse charmosos, mas quase se apagavam diante daquele garoto perfeito. 

Esse erro aqui é o completo oposto da descrição zero, e nenhum dos dois extremos é bom para a sua história. O anterior não deixa o leitor imaginar, a overdose é enjoativa e entediante. Mesmo autores profissionais caem neste problema, como E. L. James, de Cinquenta Tons de Cinza, ou Stephenie Meyer. No caso dos livros citados, isso acontece para dar enfoque total ao par romântico da protagonista, o que não deixa de ser uma falha. Caso você queira mesmo detalhar uma descrição, faça isso aos poucos, um “lote” de adjetivos de cada vez.


6) “Não sei fazer sinopse”... Na sinopse. E seus derivados.

“Leia e descubra” “Sinopse lixo, história legal” “Leia e comente” “Ninguém vai gostar dessa porcaria” “Odiei esse capítulo” “Eu escrevo muito mal!” “É minha primeira fic” “Desculpem os erros” “Sejam bonzinhos nos comentários”

Para começar, não recomendo nenhuma dessas coisas. Vou explicar por quê.

“Não sei fazer sinopse” e “Sinopse lixo, história legal”: Aprenda a fazer uma sinopse, então, ou peça uma a um amigo e dê os créditos a ele nas notas, não na sinopse. Não é assim tão difícil. 

“Leia e descubra”: O objetivo de uma sinopse por si só é causar curiosidade, então se ele gostar do que viu, com certeza vai “ler e descobrir” a história. 

“Leia e comente”: Nas notas da história, até tudo bem. Sinopse não é lugar pra isso. 

“Ninguém vai gostar dessa porcaria”, “Odiei esse capítulo” e “Eu escrevo muito mal”: Primeiro, se você não gostou do que escreveu não poste ainda. Reescreva, corrija e peça ajuda até gostar. Segundo, não se desvalorize dizendo que escreve mal. A maioria das pessoas que faz isso é para receber elogios, o que não é uma atitude muito honrosa. Mesmo que você ainda não escreva bem, corra atrás de alguma coisa que te faça evoluir. 

“É minha primeira fic”: Não é desculpa pra não se esforçar. Faça uma boa estreia, ué. Não dizem que a primeira impressão é a que fica? 

“Desculpem os erros” e “Sejam bonzinhos nos comentários”: Corrija os erros. A partir do momento em que você posta uma fanfic, está colocando sua história à mostra para todo tipo de leitor com todo tipo de opinião. Não estou justificando grosseria de ninguém, mas se prepare para que alguém não goste, não só para elogios. 


7) Atitude arrogante ou grosseira com os leitores

“Sem reviews, sem capítulo!” “Não pedi sua opinião.” “Ninguém te perguntou nada.”

Não façam isso. Nunca. Número um: se não receber reviews, poste normalmente. Número dois: “ninguém te perguntou” e afins é mentira. E o “opiniões, por favor” nas notas finais, o que significa? Que você perguntou, sim. Fosse pra ouvir só elogios, não diria que não perguntou. 



8) Títulos em língua estrangeira... Errados.

“Its love?”, literalmente, significa “Seu amor?”, e ainda tá errado, porque não se usa “it” para pessoas. Você quis dizer: “Is it love?” = “Isso é amor?” ou “Será isso amor?”

Isso é muito chato, sério. O Google Tradutor nem sempre dá versões corretas, quem fala inglês ou qualquer outra língua estrangeira sabe disso. Até na conversão para espanhol, uma língua com estrutura praticamente idêntica ao português, várias coisas vêm tortas. Prefira títulos em português. Se não tem jeito mesmo e você não fala a língua em questão, para evitar que isso aconteça, poste quando tiver certeza do que está escrito ali ou peça para alguém fluente traduzir pra você.


9) Fanfics na categoria errada

“Depois do casamento, Edward e Bella Cullen se mudam para...” Categoria: Originais.

É incontável a quantidade de autores que faz isso. Sua história pode ser denunciada e você vai receber uma advertência da moderação caso seja pego. Mesmo que não aconteça, seus leitores-alvo nunca vão procurar por uma fanfic de Crepúsculo fora da categoria Crepúsculo, por exemplo, é o mesmo que procurar um tubarão no meio do mato. As categorias servem para facilitar a busca. Não faça bagunça com uma coisa que é para ajudar.


10) Colocar emoticons no texto

“oi linda n___n” “oiiiiiiiiii *-*” “como você tá? *O*” “to bem e você? s2 s2 s2”

Reserve os emoticons para o MSN, o Facebook ou SMS. Eu mesma os uso com meus amigos. Não quer dizer que possam aparecer por todo canto da sua narração, descrição, diálogos...

Assim como o internetês, existe uma exceção para cenas onde as personagens estejam em um chat ou trocando mensagens pelo celular, mas é só. De resto, fuja. Para bem longe.


11) Capítulo de apresentação de personagens

“Fulaninha: Estatura alta, cabelos escuros e longos com franja, magra e branca, olhos verdes. É amigável, extrovertida, ama festas, garotos...”

Vai contra as regras do site e não é legal, parece que você tem preguiça de escrever. Fichas de personagem são para você usar como ferramenta para você, autor, a fim de não se perder ou esquecer detalhes, talvez em um jogo de RPG (interpretação de papéis), e não devem ser publicadas. Existem vários jeitos de apresentar personagens, dê uma olhada no que os autores de livro costumam fazer e use nas suas histórias. 


12) Underline no lugar do travessão

_Temos que correr!_ Ela disse—Não, temos que consertar a fanfic!

Além de ser um erro, é esteticamente feio. Para não ter desculpa de “Ai, mas eu não sei onde fica o travessão”, eu vou ensinar um truque. Se você usa o Microsoft Word para escrever, seus problemas acabaram.

a) Clique na aba “Inserir” e no ícone “Símbolo”




b) Uma caixa com símbolos vai se abrir. Clique em “Mais símbolos”.



c) Uma janela vai se abrir. Clique na aba “Caracteres especiais”


d) Clique na linha onde aparece o travessão (—) e, com ela demarcada em azul, no botão “Tecla de atalho".





e) Clique na caixa de texto “Pressione a nova tecla de atalho” e aperte a sequência de teclas que você quer configurar para fazê-lo aparecer.



Eu uso a configuração do underline, que é “Shift” + “-“. Isso não vai fazer o comando anterior desaparecer do seu Word caso você precise usá-lo: quando quiser, dê o comando do travessão e Backspace (apagar) logo em seguida, o símbolo antigo vai dar as caras. E chega de diálogo com underline!


13) Parágrafos “têm de tudo” e com tamanhos bizarros


Não vou dar exemplo dessa vez, seria muita fadiga e eu quero evitar a fadiga. Um parágrafo do tipo “tem de tudo” junta um monte de assuntos sem dar um mísero “enter”, aí começa falando das meias que a personagem vestiu e termina com uma reflexão dela sobre o futuro do planeta e o aquecimento global. Isso pode acabar dando a ele um tamanho absurdo, de umas dez linhas ou até mais, ou só ficar tudo confuso mesmo. Em caso de não saber onde começar e acabar cada assunto, peça uma mãozinha ao leitor beta e/ou veja o que autores profissionais fazem.



14) Usar links e imagens por preguiça de descrever

Acordei e me olhei no espelho. (link) Abri o armário (link), fiquei indecisa entre a camiseta (link) e o casaco (link), mas acabei escolhendo o vestido (link). Depois, calcei os sapatos (link) e fiz a maquiagem (link).

Você gosta de moda? Legal. Sua personagem tem bom gosto para roupas? Incrível. Sua fanfic está lotada de imagens e links nos capítulos? Opa, espera aí.

Este erro irrita o leitor (clicar neles o tempo todo é chato e fotos atrapalham o andamento do capítulo) e encurta demais a descrição. Um texto escrito, como um livro ou uma fanfic, depende da imaginação do leitor e, para deixar claro no que você, autor, está pensando, é necessário descrever. A quantidade de detalhes e a maneira como eles são expostos varia de acordo com a narração e o assunto na hora, mas esse é tema para outro post. Saiba você ou não como descrever, vá se desapegando dos links. Mesmo que os use vez ou outra, eu recomendo um máximo de dois por capítulo. É, acabou a folga. Escritores, ao trabalho!


15) Alternar primeira com terceira pessoa

Meu nome é Fulana, estou caminhando para a escola. De repente, Fulana viu sua amiga saindo pelo portão, e a aula nem mesmo tinha começado.

Não tem “mas”. Está errado. Fica confuso, tira a característica pessoal ou impessoal da história, mistura os tempos verbais, enfim, uma bagunça total. Quer mesmo, mesmo, mesmo fazer isso? Então primeira pessoa em um capítulo, terceira em outro. Não recomendo de qualquer modo.


16) Um monte de pontos de vista (POV) no mesmo capítulo


Fulana POV: Dobrei a esquina e vi Ciclana. Meu deus!
Ciclana POV: Não acredito. É Fulana, depois de todos esses anos? Corri para ela.
Beltrana POV: Observei de longe. Aquelas duas iriam pagar pelo que fizeram comigo.

Assim como o erro anterior, dá um nó na cabeça dos leitores. Dá tranquilamente pra fazer uma história com um ponto de vista por capítulo, vide George R. R. Martin (As Crônicas de Gelo e Fogo), Rick Riordan (Percy Jackson e os Olimpianos e As Crônicas dos Kane), Brandon Sanderson (Elantris. Não conhece? Recomendo muito!) e vários outros. No mesmo capítulo, vira confusão.


17) Marcadores de “on” e “off”

Ligação on. Ligação off. Flashback on. Flashback off. POV Fulana on. POV Fulana off. Pensamento on. Pensamento off.

Por favor, não. Dá pra saber que quando a personagem diz “Alô?”, a ligação começou, e no “Tchau!”, ela desligou. Se não disse “tchau”, “Colocou o telefone no gancho” ou “Apertou o botão de desligar” são mais do que suficientes. Com flashbacks, não é tão óbvio, então use letras em itálico ou deixe claro no parágrafo anterior que aquilo é uma memória. Tenho medo de quem usa POV e pensamento on/off. Pensamentos entre aspas. Eu imploro.


18) Grand finale: Jogar pedras no seu beta ou em qualquer pobre alma tentando ajudar

“Você tá é com inveja!” “Faz melhor, já que não gostou” “Não tenho culpa se você não entendeu” “Não sou profissional, pare de me cobrar!” “A fanfic é minha, eu escrevo do jeito que eu quiser” “Você é o único que não gosta” “Esse é meu jeito de escrever, não tente me mudar” “O importante é o conteúdo da fic, não como eu escrevo” “Quero opiniões, mas se vier pra criticar nem precisa” “Eu n qria q vc corrijisse meu português soh a istoria!!1!!1”


Livremente inspirado no blog da Cyndi, membro da Liga: As desculpas mais deslavadamente escrotas do Nyah


Apenas uma reação.

AAAAAAAAAAAAHHHHHHHH!

Este é o fim de mais um post gigante meu. Foi divertidíssimo e espero sinceramente que seja de grande utilidade. Um agradecimento a todo o pessoal da Liga que colaborou com sugestões: Solemn Hypnotic, Lady Michele Bran, Suikrai, Cyndi, Lady Salieri, Sansan, Anne L, velvetsins e OliviaMee.

***

Gabriela Petusk é quase escritora, quase criativa, quase complicada. Aspira ao cargo de editora ou copydesker em algum lugar do país ou do mundo e garantiu uma vaga no curso de Jornalismo da UFU.



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Divulgação: Sempre e Nunca (Lawlieth)

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Por: Lady Salieri


       Hoje estou aqui para recomendar uma (boa) leitura. Trata-se de Sempre E Nunca, escrita pela Lawlieth (perfil: http://fanfiction.com.br/u/12071/), história que pode ser lida por meio do seguinte link:




O texto, de temática erótica (e por isso mesmo possui a classificação indicativa +18, estejam cientes disso antes de qualquer coisa), relata a história de um casal que se reencontra por acaso em uma danceteria. O reencontro é capaz de reacender os sentimentos do passado, que no momento da narrativa são vistos sob uma perspectiva totalmente nova. Eles têm seu instante “para sempre”, o que os faz perceber que o “nunca” é mais real do que pensavam.

A trama, como podemos notar, é bastante simples e isso é um denominador comum nos contos dela, ou seja, a Lawlieth pega uma história cotidiana, daquelas que acontece na esquina da nossa casa e a polvilha de magia, de lirismo, de beleza, transformando um momento em um momento inesquecível. É aquele tipo de história que nos tira de nós mesmos e ela o faz com as palavras certas, aprendidas talvez em algum curso ancestral de invocação mágica... Acredito que seja isto: a Lawlieth não escreve, ela costura encantamentos. A mesma pessoa que inicia a viagem não é de maneira nenhuma a mesma pessoa que volta da viagem. Isso me leva, obviamente, a reiterar o que sempre digo sobre contar histórias: em muito pouco importa para a literatura aquilo que é dito, importa o “como”, a maneira como talhamos um acontecimento e fazemos com que ele seja visto sob uma ótica completamente nova.

O ato sexual é trabalhado como uma metáfora da perpetuação do instante e do amor que permanece ali, para sempre, mais além da racionalidade. A Lawlieth não descreve o ato, ela descreve a aura, o clima, ela mostra o indizível. Nós, enquanto leitores, não “vemos” nada, nós percebemos, sentimos... E o sentimento chega ao ápice e morre em supernova, pois, assim como o clímax do sexo, o próprio instante é efêmero e não dura muito mais. O “sempre” se torna “nunca”, e a maneira de resguardar aquele amor intacto é cultuando-o na memória e não o prolongando ao longo da vida que trata, de alguma maneira, de sujá-lo e desbotá-lo, aos poucos, desvanecendo-o nas atitudes que magoam. Esse amor nunca mais será aquele que viveu pleno naquele instante e que morreu com ele.

A autora joga com essa tensão o tempo todo, permeando toda a estrutura do conto com palavras que remetem ao presente e frases que remetem ao passado, enriquecendo seu texto e dando à sua forma uma razão de existir.


Portanto, Sempre E Nunca está recomendadíssima àqueles leitores que buscam algo a mais em histórias românticas/eróticas; que gostam de ler boas composições, mais além de ler bons enredos. Está recomendada àqueles leitores que gostam de histórias verossímeis que nos permitem aprender um pouco sobre essa nossa realidade e também sobre a interioridade humana.
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Metáforas – de arma valiosa à destruidora de fics.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Por: Aphrodite Laclair


Mas, antes de tudo, o que é metáfora? De acordo com a Wikipédia em seus raros momentos de lucidez, o verbete significa: é a palavra ou expressão que produz sentidos figurados por meio de comparações implícitas. Ela pode dar um duplo sentido à frase. 

Usando um exemplo, poderíamos, então, dizer que a frase “amor é fogo que arde sem se ver”, do Luís de Camões, é uma metáfora. Isso ocorre porque, obviamente, o amor não é fogo coisíssima nenhuma e, muito menos, um que arde sem ninguém ver. 

Outra metáfora seria a frase de Cesário Verde: “vi sorrir o amor que tu me destes”. Claramente, não existe maneira de se ver um substantivo abstrato (o amor), e sentimentos não saem sorrindo por aí, a torto e a direito. 

Fernando Pessoa chamou seu próprio coração de “balde despejado”, e não preciso nem dizer que, de balde despejado, o coração humano não tem absolutamente nada, certo? Todos aqui estão ligados na anatomia humana (além da parte, sabe como é, reprodutora)?

O grande problema da metáfora é que – ao passo que, se bem utilizada, ela é mágica e maravilhosa –, nas mãos erradas, ela pode simplesmente dar um ar patético, amador, ridículo, irritante, esquisito, chato, etc., ao seu texto. Como grande parte dos artifícios literários utilizados por autores competentes, a metáfora não deve ser subestimada ou simplesmente suposta que é fácil de ser trabalhada. 

Em grande parte, metáforas são agregadas ao estilo pessoal do autor que as utiliza com frequência, mas, para os desacostumados, deixem-me avisá-los: não é tão simples quanto parece. 

E isso começa pelo momento em que você escolhe a metáfora a ser encaixada naquele contexto x. Você, obviamente, não pode – sem mais nem menos – chegar e chamar a inocência de “grandes campos verdejantes com pássaros que cantavam” ou, em um momento de ousadia de sua parte, chamar o amor materno de “buraco negro e terrível de fundo indivisível”. "Por que não?", você me pergunta, jovem padawan. Porém apenas imagine:

O amor de minha mãe era um grande buraco negro e terrível de fundo indivisível.
Ou, talvez, quem sabe:

A fé era uma grande privada gigante e cheia de fezes.
Oi?

Você necessita de coerência.

Decidida a metáfora correta, há também a quantidade. Eu já me deparei, muitas e muitas vezes, com fanfics em que o autor não se cansava de usar as mais variadas (e, por vezes, aleatórias) comparações para uma mesma coisa ou, simplesmente, para algo que já estava muito claro com a descrição anterior. Há de se dizer que, em um capítulo de quinze parágrafos, por exemplo, encher todos eles de metáforas desnecessárias é simplesmente cansativo, enfadonho, irritante-pra-caramba ou vou-fechar-isso-aqui-agora. 

Não existe uma maneira de ensinar a trabalhar com esse pequeno artifício literário. Não é uma fórmula de 2+2=4, mas o meu conselho é: pratique. Em qualquer coisa, e escrever definitivamente não é a exceção, é a prática que leva à perfeição. Como já dizia Stephen King, talento é mais barato que sal de cozinha, e eu acrescento que, afinal, ninguém nasce sabendo, e procurar trabalhar aptidões naturais ou simplesmente aprender novas é sempre bom. 

Enfim, seguindo em frente, metáforas são extremamente comuns, estando escondidas em frases cotidianas e aparentemente desprovidas de qualquer figura de linguagem; e entender como elas se infiltram ou funcionam é uma boa maneira de começar.

“Deu um branco na minha mente”, pensa Maria.



Suponho eu que, a menos que você tenha saído do livro Ensaio Sobre a Cegueira, você definitivamente não está vendo tudo branco. Muito menos, com a mente inundada por branco! Mas, de fato, você consegue claramente entender o que Maria, nossa personagem imaginária, quis falar. 

Essa é, essencialmente, a função da metáfora. Mais do que embelezar seu texto ou enrolar descaradamente, ela tem a função primordial de tornar mais fácil a compreensão ou visualização de um elemento em questão, como, por exemplo, eu estou me sentindo para baixo hoje. 

Para finalizar, eu sugeriria que você, antes de utilizar uma metáfora, se perguntasse se ela se encaixa no contexto, se ela é coerente e se ela não é simplesmente cansativa e/ou enfadonha. É um texto. É uma fanfic. É literatura. E, sendo honesta, beleza e criatividade realmente nos interessam.



Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Met%C3%A1fora

http://www.golfinho.com.br/artpnl/artigodomes200707.htm

http://histericasgrabaciones.blogspot.com.br/2012/09/metafora-la-fusion-de-estilos-como.html (imagem)



Ana Luísa é descaradamente o bebê do Team e Rainha Nerd, ama feminismo, filosofia, vegetarianismo, literatura e política. Pretende juntar tudo e decidir o que fazer da vida - em algum momento. Até lá, é militante em causas sociais. 



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Dicas: ganhando leitores para sua fanfic

quarta-feira, 17 de abril de 2013



Por: Nami Otohime 
(colaboradora da Liga dos betas)


Algumas pessoas costumam me escrever buscando por dicas de como conseguir leitores para sua história. Eu não tenho a resposta clara e precisa, mas costumo fazer algumas coisas que sinto ter boa recepção por parte das minhas leitoras e no meu fandom. Quero deixar bem claro que eu não faço isso porque quero ganhar comentários, mas faço em respeito às minhas leitoras que são lindas e mereciam muito mais. De todos os modos, vou tentar escrever minhas ações em forma de dicas, quem sabe isso não ajude vocês em algum momento. Também andei conversando com as meninas da Liga dos betas do Nyah! Fanfiction que me deram dicas muito boas e vou colocá-las aqui, junto com as minhas.


1. Escreva regularmente: estabeleça um intervalo fixo de tempo e poste nesse intervalo. Se é toda sexta-feira, é toda sexta-feira. Se é dia 08 de cada mês, que seja irrevogavelmente dia 08 de cada mês. Isso cria hábito no leitor e ele poderá esperar ansiosamente pela data em que vai ter o capítulo seguinte da sua história. Imagine as suas séries preferidas sendo exibidas só Deus sabe quando na televisão! Seria o caos. E fanfics novas e boas são publicadas diariamente, certo? Para um leitor começar a ler uma dessas e esquecer para sempre de nossas existências, é muito fácil.


2. Escreva em bom português: quanto melhor a gramática e a redação, mais amplo será o seu público. No Nyah! há muita, mas muita gente mesmo que desiste de qualquer bom enredo porque a redação é ruim. Se a literatura é uma linguagem bem trabalhada, tratemos de trabalhá-la bastante. E o Nyah! oferece um serviço de betagem, é grátis e não arranca pedaços, um beta te acompanha corrigindo não só erros de gramática, mas possíveis complicações no enredo, na composição das personagens, etc. Dá aquela segurança enorme na hora de postar. É um serviço gratuito e você pode buscá-lo aqui: Clique.


3. Escreva uma boa sinopse, de preferência curta: "o bom, se breve, duas vezes bom". E, por favor, não escreva "sinopse está um lixo, mas a história é boa". Isso MATA a vontade de ler sua história por parte dos leitores mais esclarecidos. Não sabe como fazer sinopses? Uma boa alternativa é olhar as sinopses dos filmes. Ajuda muito. E essa questão de sinopse ser boa ou ruim, isso é um julgamento do leitor, vocês têm de escrever uma sinopse que dê conta da história, só isso (risos). Eu fico muito chateada quando vejo "sinopse ruim" porque se você, escritor, sabe que é ruim, você não deveria estar se esforçando para criar uma sinopse boa? Ou uma sinopse que pelo menos você a veja e pense: é o melhor que eu posso fazer?


4. Responda os comentários, o mais rapidamente possível: isso mostra respeito e consideração para com seus leitores. Além do mais, é sempre uma oportunidade para discutir o andamento de sua história, assim como uma forma de falar cada vez mais sobre seu fandom preferido. Ah, o comentário foi muito crítico? Agradeça-o, pense bastante sobre ele (afinal de contas, não podemos levar tudo o que os outros falam 200% a sério, é necessário AVALIAR) e aproveite para discutir os pontos fracos de sua escrita com essa pessoa. 

5. Leia as histórias de outros autores do Nyah! referentes ao seu fandom e a outros fandoms de que você gosta: primeiro, isso faz com que você seja notado dentro do fandom. Isso também costuma inspirar a gente, nossa, quantas ideias eu não tive lendo a história de vários autores do Nyah! Depois, é muito mais eficaz do que divulgar sua fanfic por MP (o que é proibido e pode acarretar no bloqueio da sua conta e de seu banimento do Nyah!). Não é legal ter um novo leitor? Pois vamos dar essa alegria a outras pessoas também. Alguns ficam tão agradecidos que, muito além de um leitor, terminamos por ganhar um grande amigo. E muita gente sempre entra no perfil daquela pessoa que lê sua história para saber de quem se trata. Sem contar que falar dos nossos assuntos preferidos com gente que também curte a mesma coisa é super divertido. "Ah, eu gosto de escrever mas eu odeio ler!" Na boa, com essa postura você jamais será um bom escritor! Jamais! 


6. Aproveite para conversar com seu leitor nas notas do capítulo: pessoal se sente acolhido assim e se sentirá mais à vontade para comentar. Mas seja breve nas notas e não faça como eu, assustando os leitores com notas absurdas.


7. Não escreva nas notas do capítulo "achei esse capítulo um lixo", "leiam esse lixo", "odiei esse capítulo": isso desanima muito o leitor. Imaginem, se nem vocês que escreveram gostaram, qual é a possibilidade de o leitor gostar? Isso não mostra humildade, como muitos podem pensar, mas mostra descaso. É a mesma questão da "sinopse lixo", se vocês sabem que estão ruim, então por que não esforçaram para escrever melhor? Sério, eu desisti de ler um livro do Érico Veríssimo, que é um grande expoente da nossa literatura, porque ele veio com essa conversa, que dirá de fanfics... Experimentem fazer o contrário, sempre que você tiverem vontade de escrever qualquer uma daquelas frases acima, ou derivadas dela, escrevam "o resultado ficou bom", "gostei", "fiz o meu melhor". A recepção de sua história será outra! Eu garanto!


É isso, espero que eu tenha ajudado de alguma maneira e que essas dicas possam ser úteis.

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Material consultado:

Entrevistas com as beta readers da Liga dos Betas.


Nami Otohime é um alter-ego ativo e operante, autor da fanfic Great Expectations, acessível a partir do seguinte endereço: http://fanfiction.com.br/historia/267561/Great_expectations/ . Ela também tenta manter um blog sobre Amor Doce e sobre sua fanfic, mas só tenta.

(Quase) Tudo que você deveria saber sobre diálogos

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Por: Olivemee



A definição de "diálogo" é: “Fala, conversa entre duas pessoas; conversação entre muitas pessoas”. Parece bem simples, e alguns acabam pensando que é só escrever as falas e voilà: está feito um diálogo. Mas não é bem assim. Você deve saber algumas coisas antes de escrever, alguns detalhes que podem mudar a maneira como você encara os diálogos. Preparado?


Pontuação

Sabia que existe mais de um meio para sinalizar as falas? E, pasmem, muitas pessoas não sabem disso.

Há duas maneiras para sinalizar: usando o travessão (—) ou as aspas (“”). Evite ao máximo usar os dois juntos, e outra dica crucial: hífen (-) e underline (_) não têm esta função de introduzir falas. Portanto, se você os usa dessa forma, conserte o mais depressa possível e substitua por uma das opções apresentadas acima. 

Não se esqueça de que no parágrafo anterior à fala deve haver dois pontos (:) caso o inciso venha antes da mesma. Exemplo:


João se aproximou da irmã e comentou:

— Escutei um barulho estranho hoje pela manhã. (Certo)
“Escutei um barulho estranho hoje pela manhã.” (Certo)
- Escutei um barulho estranho hoje pela manhã. (Errado)
_Escutei um barulho estranho hoje pela manhã. (Errado)
     
Lembre que a fala do narrador depois do travessão deve vir com letra minúscula quando explica a maneira como a fala foi proferida, e deve vir com letra maiúscula quando se narra alguma ação da personagem feita em seguida da fala. Exemplo:

— João, venha cá! — gritou-lhe a mãe da varanda.
— João, venha cá! — A mãe saiu correndo atrás de João.

Discurso e inciso

O discurso é aquilo que a personagem diz enquanto o inciso é a inserção do narrador. É usado para demonstrar reações, gestos e sentimentos da pessoa que está falando. Assim, pode vir antes ou depois da fala.

— São Edward e Emmett Cullen, e Rosalie e Jasper Hale. A que saiu é Alice Cullen. Todos moram com o Dr. Cullen e a esposa. (discurso) — Ela disse isso à meia-voz (inciso).
Crepúsculo (MEYER, Stephenie)

Perceba que o inciso, nesse caso, tem a função de mostrar como o personagem disse algo, apresentando o modo do discurso.

Quando temos muitas pessoas falando ao mesmo tempo, o texto pode acabar confuso. Então, o inciso também serve para diálogos com várias falas, para distinguir as pessoas e acarretar a capacidade de o leitor discernir quem está falando o que e com quem.


Naturalidade


Seu diálogo deve soar naturalmente, como as conversas que temos no nosso dia a dia. Usar a norma culta nesses casos pode acabar deixando os personagens parecidos com robôs, com falas que não fluem e não condizem com elas. Devemos sentir que o personagem está realmente ali; logo, sua personalidade também deve estar em suas falas.

Alguns falam de modo apressado, usam algumas gírias, têm sotaque e têm seu próprio jeito de se expressar. Então escreva, analisando a forma como o diálogo está sendo descrito, o local e a situação, e se lembre de ler em voz alta para ter certeza de que seu diálogo faz sentido e soa natural.

Não se esqueça também das ações dos personagens enquanto falam; afinal, ninguém fica de frente para outra pessoa e simplesmente começa a trocar palavras com ela enquanto ambos permanecem parados como duas estátuas. As pessoas mexem no cabelo, riem, reviram os olhos, se distraem e fazem todo tipo de movimento — todos nós fazemos isso. Então se lembre desses detalhes para não deixar o diálogo muito artificial. Nesses momentos, é importante usar o incisivo.


— Olá.
— Oi, tudo bem?
— Tudo ótimo. É muito bom te reencontrar.
— Olá — Ela sorriu e acenou de longe.
— Oi, tudo bem? — Mal pôde acreditar que era sua amiga, não a via há anos.
— Tudo ótimo — Abriu um sorriso ainda maior — É muito bom te reencontrar — E então abraçou a outra rapidamente.


Características dos personagens


Um ponto importante na hora de escrever é manter a personalidade e as características do personagem. Afinal, um empresário não fala da mesma maneira que um estudante de Ensino Médio, eles são de mundos diferentes, têm vocabulário, expressões e gírias que são geralmente opostas.

Imagine um empresário entrando em seu escritório; então, ele vai a um assistente e pergunta:


— E aí, mano? Tu sabe se Fulano entregou o relatório?

Não, isso nunca iria acontecer.


Atente-se às expressões usadas no tempo em que sua história se passa, pois, dependendo da região, do ano e do contexto histórico em que seus personagens se encontram, o modo como eles se comunicam pode ser bem diferente. Há sessenta anos, provavelmente, por exemplo, as pessoas usavam mais pronomes de tratamento ao falar com uma pessoa mais velha, e não existiam as mesmas gírias; então, cuidado para não cometer nenhum deslize.

E, por Deus, não ouse adicionar carinhas, abreviações ou coisas do gênero!



Objetivos

O diálogo tem como objetivo desenvolver a história, fornecer informações importantes e mostrar quem é o personagem; então, você tem de pensar antes de escrever qualquer coisa.

O diálogo acrescenta algo na história? Vai mudar o rumo das coisas? Vai revelar uma informação nova, demonstrar a relação entre os personagens ou fazer com que a gente os conheça melhor de alguma forma? Vamos ver alguma reação diferente, ou uma discussão que pode ser importante? Se a resposta for não, melhor não escrever.

Uma das coisas mais chatas de se ler são diálogos que o autor só os colocou ali porque estava sem ideias, ainda mais se o diálogo for longo. Isso causa uma sensação de tédio, e acabamos pulando esta parte para chegar aos “finalmentes”.

Aliás, diálogo não pode se estender como estamos habituados a fazer em nosso cotidiano; caso contrário, vai deixar o texto enorme e tedioso. Tem de ser algo rápido, que impulsione e acelere o ritmo da narrativa.


— Oi, senhor Manoel, como vai?
— Muito bem, o que vai querer hoje?
— Seis pães, a fornada já saiu?
— Ainda não.
— Caramba, vou acabar me atrasando.
— Não se preocupe, faltam poucos minutos.
— Tudo bem, vou esperar então.

Pode ser substituído por:

Ela foi até a padaria, entrou e cumprimentou o padeiro. Os pães ainda não estavam prontos, ela teve certeza de que ia se atrasar para o trabalho, mas decidiu esperar assim mesmo.

Por que substituir? Bem, a conversa dela com o padeiro não vai mudar nada, são só detalhes que podem ser colocados na narração para poupar tempo e fazer o texto fluir melhor.

Em alguns momentos, é melhor trocar o discurso direto pelo discurso indireto. O primeiro é bem conhecido, é a própria fala do personagem. Já o segundo é o narrador interferindo na história e utilizando de suas próprias palavras para descrever como o diálogo aconteceu.

Agora, falando em fornecer informações, deve-se ter em mente que também não podemos fazer grandes revelações. São pequenos detalhes ao longo das falas, capítulo por capítulo, que devem levar o leitor a tirar suas próprias conclusões a respeito do que vai acontecer. É claro que pode haver reviravoltas causadas por causa de uma discussão, segredos revelados ou coisa parecida, mas não se pode revelar detalhes da trama o tempo todo. É algo que deve ser ponderado.

Lembre que é através de pequenos diálogos que conhecemos os personagens. Podemos saber mais sobre eles observando a maneira como falam, como agem durante uma conversa e coisas do tipo. A personalidade deles fica cada vez mais visível durante o texto. Além disso, as falas podem ser uma ótima ferramenta para demonstrar qual é o objetivo da sua personagem, o que ela deseja e como pretende alcançá-lo.

— Tudo o que eu quero é ser cantora, e eu vou conseguir, acredite em mim.


Repetição de informações

Tenha muito cuidado para não cometer o erro de repetir informações que já estão presentes na narrativa. Se já foi dito que algo iria ser feito, não há nenhuma necessidade de a personagem dizer que vai fazê-lo mais uma vez.

Júlia decidiu que iria até o colégio para fazer algumas pesquisas, não queria passar o resto do dia em casa, era uma boa desculpa para sair.
— Mãe, estou indo para o colégio, volto mais tarde.
—Tudo bem, filha.

Em vez disso, você poderia tentar escrever assim:

Júlia decidiu que iria até o colégio para fazer algumas pesquisas. Não queria passar o resto do dia em casa, e essa era uma boa desculpa para sair. Avisou à mãe que estava partindo e foi para a escola.

Por que mudar? Porque, mais uma vez, o diálogo se torna irrelevante, não muda nada. A mãe dela deixou-a sair, mas isso não altera o rumo da história. Narrar com discurso indireto é uma boa opção para não repetir algo que já foi dito e que não trará nada de novo a trama.


Repetição de nomes e palavras


Usar constantemente o nome do personagem se torna cansativo.

— João, como vai você?
— Poxa, João, bom te ver.
— Volta aqui, João.

Sabemos que é com João que alguém está falando; então, a repetição do seu nome se torna desnecessária. O uso do incisivo para diferenciar os personagens pode ser aplicado neste caso.


Ele disse, ela disse

Não há nada mais irritante (no meu ponto de vista, pelo menos) do que ler um diálogo em que a pessoa só usa o verbo “dizer”. Existe uma infinidade de verbos de elocução, por que usar apenas esse? Também é algo que torna o texto cansativo, pois fica parecendo que o autor não conhece outras expressões para usar.

— Eu te amo — ele disse.— Também te amo, para todo o sempre — ela disse.— Para todo o sempre — falou.

Percebemos que eles estão conversando; portanto, a repetição do “disse/falou” no incisivo não tem sentido. Além disso, não é a única coisa que as pessoas fazem enquanto conversam. As pessoas se movem, riem, pulam, ficam inquietas, entre várias outras coisas que sua personagem também deveria fazer para não parecer uma morta-viva que só “diz as coisas” em vez de interagir.

Eis aqui uma pequena melhora no trecho:

— Eu te amo — ele murmurou.
— Também te amo, para todo o sempre — Sorriu, e então ambos juntaram as mãos, entrelaçando-as.
— Para todo o sempre — confirmou.
Achei uma tabela ótima com várias opções de verbos de elocução que você pode usar:



        
Com estes passos simples, é possível mudar o modo de escrever um diálogo, torná-lo mais interessante e natural, além de ter como consequência o enriquecimento do texto. Espero que vocês façam bom uso de post e que o tenham aprovado. Adorei escrevê-lo e também aprendi algumas coisinhas.

Obrigada pela leitura e até a próxima!




Material consultado:

Minidicionário Soares Amora, 18ª edição.

Geraldo Galvão Ferraz, “O segredo do diálogo”, disponível em: www.revistalingua.com.br . Acesso em: 10/04/13

Fernando Heinrich e Carolina Bacelar, “Como escrever diálogos”, disponível em: http://www.revistafantastica.com.br/em-foco/como-escrever-dialogos/ .Acesso em: 12/04/13


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Olivemee é estudante, beta reader e ficwriter. Louca por livros, ama ler sobre história da idade moderna e é apaixonada pela cultura japonesa. Nunca soube escrever muito bem sobre si mesma e ainda está indecisa sobre qual carreira seguir.
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A personagem (2/2): proposta de ficha

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Por: Anne L


Como se cria um personagem?


Como já vimos, os personagens configuram uma parte importantíssima da história. Podem movimentá-la, travá-la para sempre, marcá-la ou deixar a história tão batida que mesmo um enredo incrível não vai conseguir tirar aquele ar sem graça à medida que você vai avançando os parágrafos. Então, como se constrói um bom personagem? 

Algo que eu notei ao longo dos anos escrevendo e lendo fanfics – até mesmo alguns livros, para ser sincera – é que a maioria dos autores não aprofunda seus personagens. Em algumas fics, é só aquilo mesmo, a pessoa coloca uma foto da celebridade que se assemelha a eles fisicamente e pronto! Nem uma descrição de duas linhas eles ganham. 

Claro que você não precisa inventar uma segunda história para dar vida a cada uma de suas criações, mas é interessante que tenhamos ao menos alguns detalhes em mente na hora de escrever, até para que tudo flua mais lógica e naturalmente. “É isso que Fulano diria aqui”. “É assim que Fulano agiria nessa situação”.

Nas minhas andanças pela internet, encontrei uma ficha, presente num livro sobre animação, com as perguntas básicas que você pode se fazer quando cria um personagem. Obviamente, ela não contém todas as informações que você pode querer adicionar ou, dependendo do caso, talvez contenha informação até demais, porém, é muito útil para se ter uma base e, a partir daí, formar cada personagem seu aos pouquinhos. A ficha se encontra abaixo. Foi inteiramente traduzida e adaptada por mim. Sintam-se livres para usar e chega de personagens superficiais!



Ficha do Personagem

  • Idade: Qual é a idade do seu personagem agora? Ele está muito diferente do que era quando era mais novo?

  • Etnia: Quais são as origens do personagem? Como ele se sente sobre elas?

  • Altura: Qual é a altura do personagem? Como isso afeta a maneira com que ele vê seu lugar no mundo?

  • Peso: Qual é o peso do personagem? Como os outros o tratam por causa dele, se for diferente do normal?

  • Sexo/Reprodução: Como o personagem se reproduz? Ele faz sexo? Ele é virgem? Como isso muda seu comportamento? 

  • Gênero: Qual é o sexo do personagem? Como isso altera seu papel e status no mundo e dentro de sua família?

  • Saúde: O personagem é deficiente? Se sim, ele nasceu assim? Ele tem asma? Como sua saúde o afeta a atingir seus objetivos?

  • Inteligência: O personagem tem um nível normal de intelecto ou abaixo do normal? Ele é um gênio? Como esse intelecto o faz reagir com as pessoas em volta?

  • Educação: Não é para ser confundido com inteligência; você pode ser estudioso e não ter nenhum bom senso. O personagem é alguém que foi educado nas melhores escolas ou ele largou talvez o ensino médio? Essas coisas afetarão muito como ele interage com outras pessoas que acha que não são do seu nível ou à altura de quem ele acha que nunca estará.

  • Ciclo evolutivo: Esta é a expectativa de vida do personagem. Obviamente, se você está lidando com humanos, sabe a duração mínima, porém, muitas vezes em histórias trabalhamos com aliens, animais ou mesmo pessoas de épocas em que a expectativa de vida era bem menor.

  • Cultura: Essa parte se refere às crenças do personagem. Isso pesa muito na mente dele, mesmo que ele não acredite mais nas coisas em que foi educado, porque é a única coisa que ele conhece – é como foi ensinado desde pequeno.

  • Comida/Alimentação: A comida que seu personagem come pode revelar como ele vê a si mesmo e a seu corpo. Ele é um atleta que só pode comer certas coisas? É um motorista de caminhão desempregado que ama cachorro-quente com chili?

  • Noturno: O personagem é mais ativo durante a noite? Ele gosta de ficar acordado até tarde?

  • Família: Valores? Tamanho? A estrutura da família tem um grande papel na formação do seu personagem e em como ele vê seu lugar no mundo. Se ele veio de uma família grande, ele pode ser barulhento e escandaloso de tanto tentar se fazer ouvir. Se for filho único, pode ser mais introvertido e tímido, ficar na dele. 

  • Dinheiro: O personagem é rico? Pobre? Destituído? Terrivelmente rico?

  • Profissão: O que o personagem faz da vida? Como isso contribui para que ele atinja seus objetivos ou o impede de alcançá-los?

  • Estrutura corporal: Esse atributo afeta totalmente como o personagem se move e como ele é visto pelos outros. Ele é grande e magricela? Ele anda engraçado? Ele é pequeno e passa despercebido?

  • Defeitos (fatal): Defeitos são cruciais para mostrar humanidade. Eles também podem trazer a morte do personagem ou ser o obstáculo entre ele e seu objetivo.

  • Idiossincrasias: O que faz do personagem diferente? É assim que você cria um personagem memorável. Ele fuma um cachimbo? Ele inclina a cabeça quando fala? Ele tem gagueira? São esses detalhes interessantes que farão do seu personagem, independente do modelo que você escolha, diferente do resto.

  • Ambiente: Como um ambiente de uma igreja versus uma batida de carro influencia o personagem? Ele pode ter tido experiências nas quais reagiu de maneira fora do normal por causa do seu passado. Talvez ele tenha tido uma mãe que entrava e saía de hospitais a vida toda, então ele simplesmente não suporta mais entrar em um.

  • Objetivos: O que seu personagem quer? O que ele deseja mais do que tudo? Como ele pode fazer isso acontecer? Do que ele precisa?

  • Sonhos: Quais são os sonhos do seu personagem? Sonhos são ambições altas que temos, mas que podem ser tão altas que estão fora de alcance. Diferente dos objetivos, sonhos parecem estar bem distante no futuro. Sonhos e objetivos são similares porque sonhos logo podem virar nossos objetivos à medida que chegamos mais perto de fazê-los virar realidade.

  • Trauma: Seu personagem teve algum trauma? Trauma é algo que aconteceu no passado e que afeta como seu personagem age. Esses momentos tensos ficam conosco por um longo tempo e nos fazem pensar sobre o que queremos e no que acreditamos.

  • Talento: Seu personagem tem algum talento? O que o faz diferente dos outros personagens da história?

  • Vícios: Seu personagem bebe? Fuma? Se droga? É viciado em comprimidos para dor? Essas coisas podem ajudá-lo ou impedi-lo de atingir seus objetivos.


“Nunca trate um personagem como tapa-buraco ou um mero mecanismo para avançar seu enredo.”
(Bill Wright. Thinking Animation, pág. 66)

“Bons vilões começam como quaisquer personagens memoráveis – com humanidade. Um bom vilão é um ser humano com um defeito fatal.”
(Angie Jones e Jamie Oliff. Thinking Animation, pág. 80)


Material consultado:

Angie Jones e Jamie Oliff. Thinking Animation. Disponível em: http://thinkinganimationbook.blogspot.com.br/ Acesso em: (Na verdade, alguém me passou o link para download do arquivo em inglês pelo twitter. No site, não tem para baixar. Se a pessoa ler este post, por favor, avise nos comentários).



Anne L é beta reader, moderadora do Nyah! Fanfiction, supostamente escritora e estudante de Engenharia Mecatrônica. É louca por seriados, mangás, HQs e livros e gosta de manter coleções de tudo, apesar de não ter lugar para guardar.






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A personagem (1/2)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Por Letícia Silveira

“Eu vejo o escritor como um ouvinte. No caso da reportagem, ele é um ouvinte de personagens externos, de personagens que estão na vida real. E quando a gente faz ficção, a gente é um ouvinte de personagens internos.” Eliane Brum

            

Quando criamos uma personagem, temos sempre uma ideia geral da função que ela terá no livro; entretanto, a sua personalidade e o entendimento feito pelo leitor são dados através da sua indispensável caracterização. Logo, ao analisarmos que as personagens são as agentes das ações e que as ações são os atrativos para o leitor prosseguir com a sua leitura, percebemos a importância desses operadores da narrativa.

Ao refletirmos sobre os nossos livros favoritos, reparamos que a forma como as personagens agem, falam e pensam ajudam a tornar a história mais crível, o que gera certa conexão entre o leitor e o livro. Por isso, à medida que os desejos, as motivações, as frustrações, as intenções, entre outros, são investigados pelo ledor e servem de elementos atrativos a ele, a parte psicológica é a principal na caracterização de personagens. Assim, ainda que pensemos primeiro nas formas físicas deles, temos de dar prioridade à psicológica, que influenciará tanto no rumo da história quanto na conexão com aquele a quem destinamos a leitura.

Tendo o processo de caracterização, mediante as particularidades psicológicas, a meta de tornar mais realista à personagem, temos de enfatizar a ideia de que queremos dar características mais humanas aos personagens (independentemente de eles serem sobrenaturais ou não). Entretanto, não devemos começar querendo fazer algo muito complexo ou complicado: temos de dar prioridade aos seus caráteres que influenciarão o enredo.

Entendido isso, o processo de caracterização deve compreender a existência de dois tipos de personagens: as simples e as complexas. Assim, temos:



1. Personagens simples: são fundamentados em um traço principal da sua personalidade, que se repete diversas vezes durante a narrativa. Podem não mudar a sua forma de ser, permanecendo assim do início ao fim da história, sendo previsíveis (nesse caso, são chamados de personagens planas). Também podem funcionar como caricaturas de uma profissão, classe social ou comportamento (nesse contexto, são personagens tipo). Quando bem trabalhados, cumprem o importante papel de contrastar com personagens complexos, servindo de referencial à sua transformação durante a narrativa. 
2. Personagens complexas: expressam a complexidade da natureza humana com as suas ambiguidades, contradições e mistérios. Diferentemente das personagens simples, estas são imprevisíveis, possuem grande vida interior e tendem a mudar o seu modo de ser durante a narrativa. As grandes histórias são construídas ao redor delas, pois elas são responsáveis por dramatizar o tema da história. Além disso, as metáforas feitas por essa pessoa, normalmente, tratam-se da forma como o escritor vê o mundo.

Além de ser fundamental sabermos a qual categoria pertence o nosso personagem, temos de nos perguntar mais três coisas e respondê-las:




1. Quem é esse personagem? Reflitamos sobre os aspectos físicos (cor dos olhos, pele, cabelo, estatura, peso, porte), psicológicos (traumas, medos, segredos, atitude, personalidade, experiências) e culturais (roupas, hábitos, costumes, crenças). 

2. O que ele deseja? Qual é o seu objetivo? E qual é o seu papel no enredo e a sua influência sobre os demais?

3. Qual é a sua motivação? O que o move? O que o influencia? É o seu objetivo? É o seu status social? O personagem está em busca de se autoconhecer? Ou de um sentimento para seguir vivendo?

           
Entretanto, evitemos vir com essa de "ele era alto, moreno, forte" e não sei mais quantos adjetivos seguidos fornecidos pelo narrador. Esse tipo de caracterização se denomina caracterização direta, em que o leitor recebe diretamente o caráter e a fisionomia do personagem. Ela também pode ser feita através de monólogos, cartas, canções, sonhos e afins ou através de falas ou pensamentos de outros personagens ou de si mesma.

Porém, ainda que seja desafiante, através da caracterização indireta, podemos influenciar descobertas ao leitor através das ações dos personagens. Deixemos que o leitor desvende os agentes através da leitura. Usemos o cenário para dar esse gosto ao interessado, especialmente no lugar de escrevermos flashbacks e descrições que sejam redundantes ou que afastem o leitor da ação que está acontecendo e que é verdadeiramente importante.

Essas pistas podem vir através do local de trabalho, da residência humilde ou de um estranho hábito que implica uma característica atual. Por exemplo, o simples fato de citarmos que o personagem Xis entrou em um quarto desorganizado onde só dava para acessar a sua cama, em que ele dormiu por várias horas seguidas, demonstra que Xis é bagunceiro e dorminhoco.

Além desses dois tipos, existe a caracterização mista, que é a forma mais comum em romances. Há certo balanceamento entre a caracterização direta e indireta; medindo, como sempre, os exageros.

Enquanto pensamos nas características de cada ser da história, também devemos refletir sobre o seu papel para a trama. Logo, temos de saber as opções que podem ser dadas a eles. Não é necessário, todavia, que incluamos todos juntos em uma mesma história, mas existem oito níveis de importância dos personagens. São eles:


1. Protagonista: tudo gira ao seu redor. Reparamos já que isso soa um pouco egoísta, mas essa característica será dada por nós mesmos, os escritores. O protagonista é o eixo da história, aquela pessoa mais bem desenvolvida na narrativa.

2. Personagem central: pode ser ou pode não ser o próprio protagonista. O personagem central se encarrega por despertar maior curiosidade ao leitor, por instigá-los a continuar lendo. E essa é, justamente, a maior diferença se comparado ao protagonista. O último envolve o leitor, principalmente, pela ação enquanto o primeiro instiga curiosidade.

3. Coprotagonista: em uma metáfora, seria o ajudante do super-herói. O coprotagonista ajuda o protagonista a atingir a sua meta, normalmente tendo uma relação próxima com o principal.

4. Antagonista: é o que chamamos de vilão nas novelas brasileiras e mexicanas. É aquele ser que complica a vida do protagonista ou representa uma ameaça à coisa almejada pelo principal.

5. Oponente: é o ajudante do antagonista. Ele auxilia o antagonista a dificultar a vida do protagonista.

6. Falso protagonista: é uma personagem que é posta na trama para enganar o leitor. Ela finge ser a protagonista, mas, durante a trama, se revela quem é a verdadeira, dando um efeito surpresa à narrativa.

7. Coadjuvante: é uma personagem secundária que auxilia, complicando ou ajudando, no desenvolvimento da história.

8. Figurante: é uma personagem que é utilizada para compor o cenário, sem ter interferência alguma no enredo (senão, seria coadjuvante).

Também podemos classificar a existência de personagens em quatro tipos:


1. Real ou histórico: com certo grau de fidelidade, são tentativas do autor de reproduzir pessoas que já existiram.

2. Fictício ou ficcional: são fundamentados em pessoas reais, vivendo histórias que poderiam acontecer.

3. Real-ficcional: são personagens reais, mas com algumas características fictícias.  
4. Ficcional-ficcional: normalmente presentes em gêneros de ficção científica, fantasia e terror, são personagens totalmente ficcionais com características (tanto físicas quanto psicológicas) só possíveis no contexto imaginativo da ficção.

Relembrando o que foi dito anteriormente, é importante deixarmos, pelo menos, o protagonista com características humanas para o leitor crer no nosso ser fictício. Se ele o fizer, quererá continuar lendo a narrativa para ver como essa pessoa com quem ele se identificou houve certa identificação terminará. Claro que podemos inserir seres ficcionais-ficcionais, mas não podemos afastar muito o leitor com o excesso deles.

Se vamos escrever as características das personagens antes da história ou se as identificarmos durante, é indiferente. Isso se trata de preferências de cada escritor, não há uma fórmula exata — como tudo na escrita. Apenas é evitável alterá-los radicalmente e sem propósito algum. Prever as características e as ações ajuda nesse processo de roteiro. Além disso, é importante equilibrar a lógica e as emoções e saber discernir o que é excesso de informação e se essa é essencial para o texto ou não. Lembremos sempre: quanto mais limpa a narrativa, melhor.

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Fontes:
http://criarmundos.do.sapo.pt/Literatura/pesquisabasesliteratura023.html
http://blog.vanessasueroz.com.br/caracterizacao-de-personagens/
http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=598&Itemid=2
http://ficcao.emtopicos.com/criar-personagem/caracterizacao/
http://ficcao.emtopicos.com/criar-personagem/classificacao/
http://ficcao.emtopicos.com/2011/09/dica-personagem-flashback/
http://ficcao.emtopicos.com/2012/08/eliane-brum-escutar-personagens/




Letícia Silveira é vestibulanda, beta-reader, ficwriter e colaboradora das aulas do NYAH! Fanfiction junto à Lady Salieri. Indecisa sobre qual carreira deve seguir, segue em busca de respostas ainda que as tema escutar.
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